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Tuesday, August 31, 2004

Procura-se HIV



Doug, um jovem gay de 19 anos, quer ser infectado com o HIV. Para ele, ter o vírus significa fazer amizades, não ser mais rejeitado nas salas de chat e ter uma vida sexual intensa e despreocupada. Para atingir seu objetivo ele conversa, via internet, com diversos HIV-positivos que, em nome da ajuda ao próximo, se disponham a infectá-lo. Um, em especial, o fascina ao dizer que irá “energizá-lo” com o vírus. Doug faz sexo com o doador eleito e alcança o êxito almejado.

Esta história pode parecer absurda, mas é verdadeira. O caso aparece no documentário “O Presente” (The Gift) que vi semana passada. Fiquei chocado. O documentário apresenta depoimentos de vários gays americanos falando sobre a sexualidade nos tempo de AIDS. Os depoentes vão desde um médico preocupado com a aparentemente permissividade geral até rapazes que voluntariamente querem ser infectados com o HIV. É um filme corajoso e polêmico que não deixa ninguém indiferente.

Para dar uma geral na obra e no fenômeno do bugchasing (caça ao inseto/vírus), traduzi e reproduzo abaixo um artigo escrito pelo colunista Richard Roeper publicado no Chicago Sun Times em 22 de Abril de 2003, antes do filme estreiar nos EUA.

Acrescentei alguns comentários meus.

-----------------------------------

O que motiva os caçadores de insetos e os doadores de presente a fazer tal coisa?

Richard Roeper, Chicago Sun-Times Columnist

É uma história tão chocante que você vai querer acreditar que se trata de um boato – uma piada de mau gosto. Mas, entre aquilo que seria uma lenda urbana e uma terrível tendência de comportamento, realmente existem homens gays que querem ser infectados pelo HIV e outros que têm o prazer em ajudá-los a tornar este desejo realidade. Homens gays que desejam ser contaminados são chamados de “bug chasers” (caçadores de insetos/vírus). Homens HIV-positivos que deliberadamente tentam infectá-los são conhecidos como “gift givers” (doadores do presente).

O resto do mundo provavelmente chamaría-os de estúpidos ou patéticos. Rumores sobre esta prática têm circulado por anos, mas o bugchasing só recebeu atenção da grande mídia em Janeiro de 2003 quando a sensacionalista e instantaneamente controversa história “Bug Chasers: Os homens que desejam ser HIV +” foi publicada na revista Rolling Stone. A reportagem iniciava apresentando um homem de 32 anos, de Nova York, que estava" à caça do inseto". Conforme o texto registra : “Carlos... diz que o momento real da transmissão, o instante em que ele contrair o HIV, será o realização da fantasia mais erótica que ele possa imaginar.”

A reportagem inclui também a afirmação, atribuida ao diretor dos serviços de saúde de São Francisco, Dr. Bob Cabaj, que 25 por cento das novas infecções de HIV –um número entre 10.000 a 40.000 casos anuais- são resultado de sexo sem proteção entre homens HIV-positivos, conscientes desta condição, e homens HIV-negativos que querem ser infectados.

Alguns grupos dizem que a reportagem pinta um retrato irreal e exagerado da situação. Cabaj e outros doutores contestaram os comentários atribuídos a eles (a revista sustenta a matéria). A questão é que não há estatísticas concretas. É impensável que alguém faça um levantamento entre os homens HIV-positivos com perguntas do tipo:”Você é um bug chaser”? ou “Você quis realmente ser infectado com o HIV?”.

Também deve ser feita uma distinção entre o que se chama “barebacking” (sexo sem preservativos) e bugchasing. Realmente não há divergências sobre o fato do barebacking ser estúpido e imprudente, mas isto necessariamente não quer dizer que seus praticantes busquem uma DST mais do que qualquer heterossexual que pratique sexo sem segurança. Porém existem vários sites da internet que apresentam grandes listas de festas de sexo para gays onde as camisinhas não são apenas desaprovadas, como também elas não são permitidas. Não são permitidas!

Como pode alguém, em sã consciência, buscar deliberadamente um parceiro sexual que o infecte com o HIV?

Um novo documentário, chamado “The Gift” (O presente) tenta dar algumas respostas. Ele está sendo exibido em circuitos internacionais e fará sua estréia nos EUA no Festival de Filmes de Tribeca. A produtora Loise Hogarth diz que também foi convidada a exibir “O presente” nas Nações Unidas e para membros do Congresso. Hogarth me disponibilizou uma cópia do filme, e tenho que dizer que foi um dos trabalhos mais chocantes que vi em muito tempo. Eu tinha a esperança que alguns dos sujeitos entrevistados fossem atores participando num boato bem montado – que toda a obra fosse uma ficção mascarada-, como um documentário no estilo “A bruxa de Blair”. Mas como você inventa alguém como “Kenboy”, um jovem magrinho com uma leve semelhança com Brad Pitt em “Thelma e Louise”, que diz, “Dê-me o presente então não preciso mais me preocupar a respeito”, e planeja uma festa onde dúzias de homens terão a oportunidade de fazer sexo sem proteção com ele? “Meus amigos da internet, meus amigos das festas, nós não discutimos HIV”, diz Kenboy. “Nós não nos importamos. Se tiver que acontecer, acontece. Porque perder tempo discutindo o assunto?”. Outros entrevistados do documentário dizem que alguns homens gays HIV-negativos na verdade invejam seus amigos HIV-positivos e sentem-se excluídos por não estarem doentes. Eles sentem como se estivessem ofendendo seu amigos HIV-positivos simplesmente por estarem saudáveis.

Um homem HIV-positivo entrevistado num rodeio gay diz, “Eu tenho um amigo que sempre se comporta no estilo ´Eu quero ser como vocês, caras. Todos vocês têm e eu não. Eu quero sair e ganhar o presente’´, mas a questão é que o inseto definitivamente NÃO é um presente. Eu me sentiria realmente presenteado se ele não estivesse dentro de mim”

Em uma mesa-redonda, quatro homens HIV-positivos, maduros e acima dos quarenta, tentam expressar porque a geração mais jovem quer contrair a doença. “Eles sentem que é inevitável, então porque não fazer uma festa a respeito?, diz um deles. Outro complementa: “Eles também não sabem como a coisa realmente é. Eles não querem se preocupar a respeito – mas sinto muito, meu amigo, se você está cansado de se preocupar a respeito. Eu, particularmente, estou cansado de me preocupar quando meu coração irá parar ou quando meu fígado vai explodir (por causa dos efeitos dos medicamentos de controle do HIV). Entenda isto !”

Doug Hitzel, um jovem de 19 anos, é um “bug chaser” bem sucedido. Hoje é HIV-positivo porém atormentado pelo arrependimento. “Se um cara chegava numa festa e queria usar preservativos, imediatamente era estigmatizado”, ele diz. “Ninguém queria transar com ele”. (achei o depoimento do Doug extremamente triste. O arrependimento que ele mostra no final do filme é imenso).

Compare-o com Kenboy, que olha para a câmera e conta suas boa novas: “Na ultima vez que fiz o exame, esperava que desse positivo, e deu. Fiquei aliviado. Finalmente eu o tenho. Agora não preciso mais ficar pensando : tô infectado, tô infectado, tô infectado? Preciso me cuidar? Estou feliz. Aliviado. Finalmente posso respirar novamente”

As pessoas devem ver este filme


THE GIFT --- PRODUCTION CREDITS

Produced and Directed by: Louise Hogarth

29 comments:

umamulher said...

Meu Rei !
Fiquei chocada ao saber disto tudo. É incrível que hoje,onde lutamos pela sobrevivência 24h por dia existam pessoas dispostas ao suicídio desta maneira......mas também.... quem somos nós para julgarmos o que A ou B querem da vida?
Nunca esqueci o que a Merci um dia me falou :
- SEMPRE OFERECEMOS O QUE HÁ DE MELHOR DENTRO DE NÓS- ....ENTÃO ?????
Beijo no amado Urso !
Te amando
Themis

Anonymous said...

Atração pela doença e morte não é novidade. Houve uma fase do Romantismo chamada de ultra-romantismo ou "mal-do-século" que combinava a literatura gótica com o pessimismo. Os adeptos desse movimento eram chamados "poetas de cemitério" e cultuavam o lúgubre, a melancolia e a morte.

O objetivo desses poetas era morrer cedo de tuberculose que na época era uma doença fatal. Diz-se que muitos roubavam e lambiam cadáveres de pessoas mortas para contrair a doença.

Álvares de Azevedo, um dos expoentes desse movimento no Brasil, morreu tuberculoso aos 21 anos.

É preciso ter cuidado com as explicações científicas sobre esses comportamentos. Na época a medicina explicava o "mal-do-século" como um fenômeno decorrente de bile negra produzida no baço.

Abel.

Anonymous said...

Sem comentários, Iuri... exceto pra dizer que, no começo do texto, achei que fosse teu e me indignei. Já ia te chamar de tudo... Depois que vi o resto...
Bem, sem comentários.
Mas valeu teu envio do texto, para que percebamos a existência de uma realidade brutal e quase inacreditável.

Abração

Dayse

Anonymous said...

Ola amigos,

É preocupante esse tipo de comportamento. Os casos aqui narrados nos dão conta que parece estar surgindo uma nova “onda” onde ser infectado pelo HIV teria quase que um charme libertador de tensões. Sem dúvida alguma esse é um comportamento suicida. Mas o que me preocupa nesse tipo de documentário, se é que entendi bem, é a ênfase que se dá nas relações homossexuais. Na verdade, até onde sei, esse comportamento não exclusivo de homossexuais.

Lembram-se da “peste gay”? Em que a Ira Divina estava dando a JUSTA RETRIBUIÇÃO para os homossexuais devassos? Até dinheiro para as pesquisas da nova doença era difícil de conseguir.

Acho que o documentário é importante como alerta, mas devemos estar atentos para que não associem promiscuidade e comportamento de risco como sendo exclusivo do segmento GLBT.

Devemos estar de olho nos “cientistas televisivos e de bancas de revistas”que aparecem com as malas carregadas de estatísticas cuja constelação de valores tem predominância no segmento glbt (principalmente quando a busca da pesquisa é uma noticia ruim).

Acho mesmo que, quando constatado esse vicio na pesquisa, devemos denunciar o preconceito e desacreditar publicamente os resultados apresentados.

JotaC

Anonymous said...

Caro Iuri!

Li sua mensagem com muito interesse e confesso que já tinha ouvido falar nessa onda de grupos que se quer contaminar (inclusivé tem gente hetero, alguns casados). Inacriditável, não é?
Eu vivi esses anos loucos - início dos anos 80, onde sexo não conhecia tabus! Vivi de perto o aparecimento do AIDS e assisti à agonia, seguida de morte, de alguns amigos chegados que padeceram dessa terrível doença (quem não se lembra do excelente filme "Philadelphia"?)
Graças a Deus, hoje, a nova medicação torna a doença menos insuportável, mas apenas prolonga por mais tempo a vida. Continua a ser uma doença horrível, não só pelas limitações que impôe a quem a tem, mas também porque continua a ser, infelizmente, uma doença social e portanto repleta de preconceito.
Confesso que me choca profundamente a atitude dessas pessoas que procuram se contaminar, e mesmo que tente entendê-los... não consigo! Mas quem sou eu para os criticar!
Uma coisa é certa: nunca verei esse filme, por uma única razão - não tenho coragem, nem estômago!

Um grande abraço
Duarte

Mariana said...

Não sei nem o q dizer. Tenho raiva disso.
beijo

Anonymous said...

Meu, q idiota isso... como pode?
Fiquei indignada...
Esse povo quer pegar AIDS pq não sabem como a doença é triste, como é péssimo ter que tomar um milhão de comprimidos por dia pra se manter saudável... e q, qdo os comprimidos não fizerem mais efeitos, como vão sofrer no hospital, q vão ficar magros, sem disposição pra nada... até o dia em q vão pegar um gripe e morrer...
É muito triste ver q os jovens realmente não tem porra nenhuma na cabeça... aff
Sabrina

Anonymous said...

Iuri

Que loucura.

Confesso que li e reli, não querendo acreditar.

Obrigada pela partilha.

Beijos em seu coração.

Cris

Anonymous said...

Anos atrás li uma historinha na Folha de SP que dizia mais ou menos assim: "Dr Savedra adora cinema e adora fumar vendo seu filmes. Enquando curte a tela dá suas baforadas. Suzileide odeia a fumaça do cigarro e fica falando para o Dr Savedra que cigarro mata, cigarro dá câncer, cigarro isto, cigarro aquilo...De tanto azucrinar o Dr Savedra, este perde a calma e enfia uma faca no coração de Suzileide. E a moral da História é que cada um escolhe a forma de morrer".
É claro que é uma piadinha, digamos, com seu humor peculiar. Mas penso que estes casos tem muito a ver com esta historinha.
Fazer bareback ou correr a 340 km/h na curva Tamburello (assim que se escreve???). Pular de pára-quedas ou escalar o evereste sem equipamentos...prá mim tanto faz. São apenas pessoas testando os seus limites. A história do homem está cheia de exemplos, positivos e negativos. Afinal, se não fossemos nós, terceiromundistas, as pesquisas com remédios estariam muito, mas muito atrasadas não é mesmo? Demos então graças à América Imperial por nos transformar em cobaias. E só espero que estes homens-limite sejam honestos e informem aos seus médicos, aos seus dentistas, aos seus parceiros, pois a minha forma de morrer passa longe, e muito longe da deles.
Maroneze

Anonymous said...

sobre o conceito de bareback o próprio filme dá indicações:

em alguma parte ele fala que o termo era usado apenas como prática de sexo sem camisinha, mas com este "novo comportamento" ele passa a ter outro sentido que envolve o risco\vontade de se contrair HIV.

em termos sociais\psicológicos este comportamento apenas mostra na prática umaquestão que nunca é levantada em discussões\palestras etc.. sobre a prevenção da AIDS.

há toda uma geração de pessoas que nunca pôde e nem pode transar sem camisinha (não quer dizer que não façam) e isto de uma forma ou de outra gera questões e práticas distintas entre as pessoas. quem não gostaria de poder não precisar da camisinha!!!!
o bareback é uma delas, é uma "renaturalização" do sexo, um sexo mias livre (no sentido de não ter barreiras entre o contato com os outros e no sentido de se maximizar o prazer).

a adrenalina aprentemente não é necessariamente parte do prazer, pois muitos não se importam mesmo sobre a condição viral e outros já estão infectados e não têm mais a preocupação de contrarir nada (mesmo em relaçãoa uma outra contaminação de carga viral).

de alguma forma pode haver semelhanças com a romatização/glamourização da tuberculose do inicio do seculo XIX ou um pouco antes (não sei exatamente a época) - não sei se haviam estudos, mas relatos devem existir sobre esta época que podem ajudar a pensar o barebacking hoje em dia.

além disso, ainda há a relação do arriscar-se que pode seduzir muita gente.

o maior problema ao meu ver é a grande comportamento paternalista que paira no ocidente, onde se tem de cuidar de todos e onde a vida é posta sempre acima de tudo. não conseguimos assumir e respeitar as opções dos outros e a responsabilidade que isso acarreta... queremos ser responsáveis por todos. nós até obrigamos as pessoas a usarem cintos de segurança e proibimos o suicídio. o indivíduo não tem autonomia sobre si mesmo do ponto de vista social e jurídico. na verdade não há indivíduo na sociedade ocidental, não hpa espaço p/ isso.

a grande preocupação a meu ver é oferecer informações e mais do que isso fazer com que as pessoas possam entender a informação (o que implica educação -que é onde a meu ver a maioria das campanhas falham); tendo as pessoas conhecimento do que pode acontecer com elas cada um é responsável por si mesmo... o problema é dar informação e ainda querer tirar a opção das pessoas.

o barebacking é uma opção pessoal, assim como alguém falou sobre fumar cigarros, e da mesma forma que alguém faz ginástica rítimica (que provoca sérias lesões, dores ao longo da vida além de desvios posturais, na maioria das vezes na coluna, por exemplo, pela enorme exigência dos treinamentos de alto nível); e ainda por comer quase exclusivamente fast-food (vide este novo filme supersize-me).

Anderson Scardua

Anonymous said...

Esse documentário foi exibido no Mix Brasil, ano passado. Inclusive com direito a apresentação da diretora e tudo. É forte e é sério. Até onde as pessoas vão por pura busca de prazer sem compromisso?

Junior (The_Riddler)

ICARO said...

Ae cara... achei muito legal teu post. Sinceramente, acho esse tipo de pensamento (bugchasing), uma atitude desesperada realmente. É o "fim da picada" uma pessoa abdicar de sua vida para receber a tal "liberdade"... mas, não estou aqui para julgar, estou aqui para aprender.... valew, gostei muito de teu blog. Um abraço

Anonymous said...

Obrigado Amigo pela reportagem e por levantar uma discussao tao séria

para ler e refletir, existe uma enorme inversao de valores na nossa sociedade mais querer se contaminar acho que é a maior delas .
Esses moços pobres moços....

Mestre Sultao

Anonymous said...

Presado amigo iuri, fico e estou feliz por sua participação intensa em nosso grupo e isso é muito bom. Mas confesso que lendo esta sua mensagem você conseguiu me deixar preplexo com tamanha ignorancia que a raça humana chega para fazer uma adesão desse tipo.
Tenho convicção que o maior presente que Deus nos deu é verdadeiramente á vida, por isso tentar contra ela, creio que é um dos crimes e pecados, maiores que matar ou roubar alguém.

Pedrobras.

http://groups.msn.com/VAMOSCOMGARRA

Anonymous said...

meu jovem Carlos Alexandre ;)
no meu ponto de vista a pratica do bareback nao tem nada a ver com "querer se contaminar".
o conceito é diferente e nesse caso a coisa muda de figura.
o bareback é apenas o fato de transar sem preservativo, sem pensar nas consequencias do ato? ok. mas é isso.
os barebackers, no meu entender, nao necessariamente querem ser contaminados. vc pode até dizer que eles nao ligam se o forem, mas nao afirmar que "procurem isso". alguns acham que nao serao jamais. outros que a AIDS nao é passada pelo HIV e por aí vai. mas é uma decisao pessoal que envolve 2 adultos normalmente maior de idade.
a tribo maluca atras de ser contaminada sao os bugchasers.
isso nao é novo e vem desde que a doença foi controlada pelo coquetel como se minimizando os riscos nao do contagio mas da doença em si pois estaria facilmente controlada "como a diabete".

o que estou discutindo é o aspecto juridico em cima do portador de HIV que a meu ver está muito misturado com aspectos morais.
nao é irrelevante repito que a pessoa que fode sem camisinha sabe o risco que está correndo.
[[]]
Carlos


----- Original Message -----
From: Hugo
To: glbtlawyers@yahoogrupos.com.br ; listagls@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, September 04, 2004 1:33 PM
Subject: Res: [glbtlawyers] Re: (LISTAGLS) HIV, uma opção (a se respeitar)...


Carlos,

Estamos falando numa perspectiva diferente.
Não me parece justo que não seja muito bem esclarecido que o barebacking é crime, independente do que voce, eu ou qualquer outro ache.
Lei não se discute, cumpre-se. No máximo tenta-se alterá-la ou se assume suas consequências.
Sempre que se fala no bareback coloca-se o ponto de vista daquele que quer ser contaminado, pois barebacking é isso. Daí se fala que a vida é da pessoa e ela faz com ela o que desejar... até aí tudo bem... não discutimos.
Mas aquele aquele que irá ser utilizado como instrumento é agente ativo de um crime pela lei. Isso deve ser dito e esclarecido.
Neste aspecto, estou do lado da lei, pois o bem maior em questão é a saúde pública, que no meu ponto de vista, prevalece a vontade individual daquele que deseja se contaminar.
O Estado tem o dever de garantir a saúde pública, por isso, tem a obrigação inquestionável de conceder os remédios e toda a assistência quem deles precise. Por esses motivos e outros a epidemia e endemia devem ser controlados pelo Estado.
Como voce pode observar, a auto lesão não é o que esta sendo incriminado, pois se o indivíduo deseja se contaminar, por ideologia, o problema será, em termos, só dele.
Por outro lado, agora observando aquele que será o agente ativo que irá repassar o vírus, a ótica muda, pois qualquer pessoa que tendo consciência e vontade dirigida a um fim, ou simplesmente age de maneira descuidada, resolveu assumir uma responsabilidade, que no caso, é criminosa, porque assim a lei impõe.
Vejamos a situação com outro exemplo: eu lhe entrego uma arma e ardorosamente suplico que retire minha vida, ou uma serra e peço que me tire uma perna. Você pode achar o Estado até paternalista, mas nesse caso, jamais será retirada sua responsabilidade. Com ou sem a minha permissão voce praticou um delito.
Quando voce se refere a cinto de segurança, ou outro exemplifique com o alcool e etc, devem ter em conta que a lei cuida de maneira diferente tais situações, pois o bem juridico a ser protegido são diferentes. Algumas vezes pode ser a segurança, outras a honra, ou ainda a vida ou saúde pública.

Evidente que uma pessoa que vai para o dark room e se deixa contagiar sabe o que esta fazendo. O problema é dela. Mas não é dessa pessoa que me refiro, mas sim do contagiador, que sabendo que esta contagiando, joga para o outro uma responsabilidade que lhe pertence, nem que seja apenas por força de lei.

Mas o mais importante de tudo e que acabou perdido na história toda é o barebacking. Ninguém está livre de contagiar e ser contagiado por um vírus qualquer. Mas a ideologia bareback é revoltante, pois o perfil e os fundamentos de seus associados são da liberalidade do contagio, inclusive, um dos seus primeiros defensores público afirmava que se tratava de uma doença fabricada e que quanto mais se praticasse sexo sem camisinha menos riscos de contaminação, dando exemplos para isso.... e por aí vai... e a ponta mais fraca da história, pessoas ignorantes, inseguras, fragéis, carentes é que são suas vítimas maiores... Definitivamente, eu particularmente não respeito.

Abraços,
Hugo


-------Mensagem original-------

De: glbtlawyers@yahoogrupos.com.br
Data: 09/04/04 15:13:33
Para: listagls@yahoogrupos.com.br
Cc: glbtlawyers@yahoogrupos.com.br
Assunto: [glbtlawyers] Re: (LISTAGLS) HIV, uma opção (a se respeitar)...



Hugo,
nao é irrelevante nesse caso que, ao fazer sexo sem preservativo, a pessoa está assumindo POR RISCO PROPRIO a contaminacao. depois de 15 anos de propaganda sobre contaminacao do HIV, nao dá para ainda considerar como um crime a pessoa que é HIV + que venha a ter relacoes sexuais sem preservativo. é um paternalismo como bem disse o Anderson (com o qual eu concordo integralmente) e ainda mais retira a responsabilidade sobre a pessoa que assim o permite.
da mesma maneira me irrita muito a lei sobre o cinto de segurança por exemplo. odeio usar cinto de segurança. creio que seja um direito meu nao usar e acho que o Estado nao tem nada a ver com isso do momento que apenas a MINHA vida é colocada em risco e nao a de outro.
ao contrario da lei que regulariza o nivel de alcool para dirigir pois coloca em risco a vida de outros.

o direito individual e a escolha de cada pessoa deve ser assegurada. mesmo que nao concordemos com ela.

na mesma linha de pensamento só veria um ato criminoso se uma pessoa que fosse HIV + mentisse com a intencao de contaminar outras pessoas.
nao se pode dizer que uma pessoa que deixa um desconhecido gozar dentro em uma dark room por exemplo nao tenha responsabilidade no caso de um seu contagio. é realmente uma escolha pessoal.

Carlos

----- Original Message -----
From: Hugo
To: listagls@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, September 03, 2004 3:02 PM
Subject: Res: (LISTAGLS) HIV, uma opção (a se respeitar)...


Sim, uma opção é... mas não a se respeitar...
A lei e tampouco eu não tenho por hábito respeitar quem lesiona ou tira a vida do outro, ainda que o outro tenha assim desejado.
O indivíduo pode retirar sua própria vida, mas se OUTRO o fizer é crime...
Propragar doença é crime...
Instigar a prática para que outro cometa crime, também é crime.
Se voce possui o vírus, mesmo que o outro saiba e deseje contrair tal vírus, você comete crime.
A prática "bareback" (do agente que saiba ser portador e contamina deliberadamente ou descuidadosamente o outro que assim deseja) é criminosa, no sentido literal da coisa. Deve ser combatida e denunciada.
Sim, as pessoas têm a opção de cometer crimes, mas daí respeitar essa opção é outra história.

Hugo.


-------Mensagem original-------

De: listagls@yahoogrupos.com.br
Data: 09/03/04 17:46:01
Para: listagls@yahoogrupos.com.br
Assunto: (LISTAGLS) HIV, uma opção (a se respeitar)...

sobre o conceito de bareback o próprio filme dá indicações:

em alguma parte ele fala que o termo era usado apenas como prática de sexo sem camisinha, mas com este "novo comportamento" ele passa a ter outro sentido que envolve o risco\vontade de se contrair HIV.

em termos sociais\psicológicos este comportamento apenas mostra na prática umaquestão que nunca é levantada em discussões\palestras etc.. sobre a prevenção da AIDS.

há toda uma geração de pessoas que nunca pôde e nem pode transar sem camisinha (não quer dizer que não façam) e isto de uma forma ou de outra gera questões e práticas distintas entre as pessoas. quem não gostaria de poder não precisar da camisinha!!!!
o bareback é uma delas, é uma "renaturalização" do sexo, um sexo mias livre (no sentido de não ter barreiras entre o contato com os outros e no sentido de se maximizar o prazer).

a adrenalina aprentemente não é necessariamente parte do prazer, pois muitos não se importam mesmo sobre a condição viral e outros já estão infectados e não têm mais a preocupação de contrarir nada (mesmo em relaçãoa uma outra contaminação de carga viral).

de alguma forma pode haver semelhanças com a romatização/glamourização da tuberculose do inicio do seculo XIX ou um pouco antes (não sei exatamente a época) - não sei se haviam estudos, mas relatos devem existir sobre esta época que podem ajudar a pensar o barebacking hoje em dia.

além disso, ainda há a relação do arriscar-se que pode seduzir muita gente.

o maior problema ao meu ver é a grande comportamento paternalista que paira no ocidente, onde se tem de cuidar de todos e onde a vida é posta sempre acima de tudo. não conseguimos assumir e respeitar as opções dos outros e a responsabilidade que isso acarreta... queremos ser responsáveis por todos. nós até obrigamos as pessoas a usarem cintos de segurança e proibimos o suicídio. o indivíduo não tem autonomia sobre si mesmo do ponto de vista social e jurídico. na verdade não há indivíduo na sociedade ocidental, não hpa espaço p/ isso.

a grande preocupação a meu ver é oferecer informações e mais do que isso fazer com que as pessoas possam entender a informação (o que implica educação -que é onde a meu ver a maioria das campanhas falham); tendo as pessoas conhecimento do que pode acontecer com elas cada um é responsável por si mesmo... o problema é dar informação e ainda querer tirar a opção das pessoas.

o barebacking é uma opção pessoal, assim como alguém falou sobre fumar cigarros, e da mesma forma que alguém faz ginástica rítimica (que provoca sérias lesões, dores ao longo da vida além de desvios posturais, na maioria das vezes na coluna, por exemplo, pela enorme exigência dos treinamentos de alto nível); e ainda por comer quase exclusivamente fast-food (vide este novo filme supersize-me).

Anderson Scardua

Dayse said...

Nossa, isso deu o que falar, hein?
Entrei para ler de novo e agora estou aqui só para comentar sobre a foto do post, que eu não tinha visto antes. NOSSA.
Neste caso, caso Iuri, para os que buscam o "bug", e vendo esta foto, "happiness is a warm gun" sem proteção, é claro (literalmente).
BEIJO

RICARDO ROCHA AGUIEIRAS said...

VOU COLOCAR UM ARTIGO MEU ABAIXO. Já fui profundamente massacrado por isso, quando o que queria era apenas discutir os limites da Liberdade Humana. Fui ameaçado de morte, inclusive, até por alguns que escreveram aqui, sob nicks que mantém o anonimato covarde. DISCUTIR não quer dizer PRATICAR, principalmente numa discussão virtual, via net, fuder sem camisinha é tecnicamente impossível. Concordam? Aliás, os mesmos que me condenam tanto vivem tão preocupados com esse assunto, uma reveladora curiosidade...
Abaixo o meu artigo. Obrigado,
Ricardo Aguieiras
aguieiras2002@yahoo.com.br
BAREBACK, UMA (OUTRA)VISÃO...
Considero a Aids uma doença tratável. Não mais fatal, mas crônica. Uma doença que pode dar uma sobrevida de vinte anos ou mais, não tem cabimento ser considerada ainda "mortal". Mortal somos todos nós e talvez a maior contribuição que a Aids trouxe para a gente - ao lado da questão da visibilidade –refletir, foi a sacação disso. A lembrança de que iremos morrer deve ser constante em cada um de nós, nos abre os olhos para nossa vida e nossa entrega, para os nossos planos e realizações e amplia a nossa capacidade de amar. Além de nos tornar mais humildes, algo sempre benéfico.

Fiz sexo inseguro desde sempre. Com quase 60 anos, eu cresci no meio da repressão sexual e sei em cada centímetro de minha pele a dor que isso representa. Ainda adolescente, em meio a uma horrenda ditadura (bem, todas ditaduras são horrendas...) militar, eu parti para a luta, enfrentei meu pai, machista e violento, fui fazer teatro e me envolvi em grupos políticos. Um desses grupos era o Somos, criado em 1977 ou 78, não sou muito bom para datas, pelo grande e talentoso João Silvério Trevisan, que acabava de voltar de uma longa viagem pela América Latina e EUA, cheio de idéias, intenso como só ele. Reuniu um bando de artistas e intelectuais e formaram o Somos - Grupo de Libertação Homossexual, evidentemente clandestino e, não contentes, ainda lançaram o jornal "Lampião da Esquina", o primeiro jornal a trazer uma temática homossexual séria e questionadora. Para mim, a história do Somos ainda precisa ser mais contada, precisamos conhecer a história de nossas lutas e isso não está ocorrendo. Portanto erros se repetem no Movimento Homossexual atual. E o Somos partia do desejo para a luta, da cama para as trincheiras, o sexo como potencial transgressor e transformador. Nada a ver com o conformismo do Movimento Homossexual atual, que implora para ser "incluído" numa sociedade exclusora e doente, querem passar de excluídos a exclusores, com raras exceções...Portanto, tristemente, o Somos ainda é o que houve de mais provocador e inovador na luta pelos direitos homossexuais e ia muito além disso. Principalmente se levarmos em conta que existiu em plena ditadura militar e dentro dos horrores dessa mesma ditadura.

Toda essa introdução acima é para mostrar ao leitor o
imenso valor que o sexo e a sexualidade adquiriram para mim. Sei que o assunto é "Barebacking", mas você vai entender depois, se ler até o fim.

Sexo, portanto, sempre representou pra mim um ritual, forte ritual, não importando se era um ritual de Deus ou do demônio. Algo que eu não podia fugir ou escapar ou tudo voltaria ao que era antes dos anos '60 e da pílula anticoncepcional, ou seja, o silêncio. O escondido...eu tinha que lutar. Queria discutir sexo como se discute arroz e feijão, queria derrubar os muros e gritar liberdade. E, talvez mais desiludido, sou assim até hoje. Nessa luta, sabíamos lidar com tudo, sabíamos quem eram os nossos inimigos - polícia, família, a ditadura, a igreja, os patrões; o machismo... - e, bem ou mal, sabíamos brigar com eles, mesmo na surdina. E assim foi indo, eu na minha santa ingenuidade que dura até hoje também, acreditando que um dia conquistaríamos a tal liberdade, tão, tão almejada.E...e aí, a Aids caiu como uma bomba sobre nossas cabeças! Com ela não sabíamos lidar, muito menos eu. Eu encarava a polícia e seus cassetetes, mas nada sabia desse "monstro" que aparecia na nossa cara mesmo que a gente não quisesse. O grupo Somos foi, literalmente, dizimado. Houve uma época em que eu, em pavor, contava as perdas. Depois, parei de contar... Lá fui criar grupos de luta contra a Aids, participar de reuniões médicas, tentar entender. A luta contra a doença urgia e as questões homossexuais ficaram, para mim, em segundo plano. Mas buscava o amor e amor no meu conceito começa pelo sexo, pela cama, sempre começou. Se a cama não funcionar...

A Aids representou para mim todo esse terror até metade de 1996, quando o coquetel foi introduzido. E as pessoas pararam de morrer, de tanto sofrimento, ao menos como era antes do coquetel. Foi um alívio, podíamos respirar um pouco. Continuei militando em grupos de luta contra a Aids,mas comecei a perceber algumas contradições que não me deixavam discutir. Nessas ong's e grupos era "proibido" discutir o desejo. O Desejo. E olha que eu passei por todas as ong's/Aids que existiram em São Paulo. E,tudo que é proibido, negado, escondido, camuflado, não é trabalhado. Se não trabalho, não mudo nem encontro a melhor forma de lidar com isso. É assim com os sentimentos considerados "ruins" ou" negativos" por nossa sociedade. O ódio, por exemplo, não é trabalhado. Ciúme também não.São negados. Se é sentimento, ele tem sua função, não há sentimentos ruins ou negativos, há sentimentos a serem trabalhados. E, como não assumimos o nosso ódio desde o momento em que nascemos até a nossa morte, vivemos numa ilusão de doce amor em meio a guerras, traições,delações,ausências de dignidade, misérias...etc.
Bem, tem pessoas -como eu- que nunca vão se adaptar à camisinha. Cada uma com suas razões, as minhas razões estão um pouco explicadas acima. Outras pessoas sentem desejos e tesões outros, que envolvem riscos,como o tesão por porra, que muitos homossexuais sentem. Se duvidam, só no Yahoo há mais de 50 grupos e listas de discussão sobre. Há os que gostam de mijo, de fezes, de surras etc. etc., todos também com um monte de sites e grupos específicos. O que eu devo fazer com tudo isso, com esses grupos, essas pessoas, essa população? Mandá-las calar a boca? Negá-las como a diversidade de desejos autênticos? Demonizá-las, como vem fazendo as próprias ong’s gays ou de Aids? Chamá-las de doentes da mesma maneira que a sociedade heterossexual majoritária sempre nos chamou, nós, os homossexuais? Pois é exatamente isso que todas, eu disse todas!, as ong's atuais de luta contra a Aids fazem. Então o que acontece com o indivíduo cujo desejo difere? Ele se cala. Opta pelo conveniente silêncio e não trabalha o desejo, ele nega o desejo, mas reserva os quartos escuros da vida e da alma para os mesmos. E vem a culpa, a Aids cai como uma luva sobre nossas culpas e os ditadores individuais, lideres dessas ong's e dessa luta sabem muito bem usar essa culpa: "você vai morrer!!", eles dizem sempre, e sempre com o dedo em riste(aonde diferem de um Pinochet?) Então, resta eu me encolher e me calar. Mas desejo não se cala, fica lá dentro, martelando e um dia o cara sai por aí, sem aguentar mais e vai dar sua bunda pra dez e beber litros de porra de dez em uma sauna qualquer da vida, tudo por que não deram espaço para ele encontrar a melhor forma de lidar com isso, com esse desejo. Se, ao falar do desejo me chamam de doente, então é melhor calar a boca. Mas calar a boca faz com que o barebacking seja MENOS feito?? Esconder o desejo e nunca lidar com a realidade faz com que a prevenção seja mais praticada? Nunca conseguiram me responder isso. Bom, queridos, sinto dizer, mas esse é apenas um lado da questão. O Bare envolve muitos outros lados...

A camisinha não é uma coisa "natural" (não gosto dessa palavra). E, não adianta, nunca será. Nunca. Não nascemos com ela. A camisinha rompe um momento mágico, mágico sim, e lindo, entre os parceiros, que é o momento da penetração. Como um momento de tamanha entrega, onde eu vou entrar dentro do outro ser ou ele vai entrar em mim, onde eu vou falar com Deus, onde a intimidade atinge seu grau máximo, eu posso permitir uma capa de borracha entre nós?? Para mim, a camisinha é a negação do amor. Para mim... Portanto, ela nunca será "erotizada", isso é papo pra boi dormir. Se vejo o sexo como libertação e se lutei tanto para essa mesma libertação, como posso tolerar o preservativo? Como? Estou citando exemplos, vejam bem, não estou fazendo como os meus opressores, não estou impondo nada.

Um outro lado, que também se negam a falar ou trabalhar: Eu acredito ser extremamente difícil para um homossexual conviver com o fato de ser soronegativo por muito tempo. Sei que isso é super difícil de entender, mas vou tentar explicar. A "soronegatividade" gera uma espécie de ansiedade muito grande, como se algo fosse acontecer, como se algum dia terrível eu fosse me contaminar, idéias de morte e de sofrimento constantes, um estado de alerta que não seria possível suportar para todo o sempre. Como uma respiração sustentada, um sufoco...então, eu, talvez inconsciente ou conscientemente mesmo, procuro me contaminar. E, depois de contaminado, por mais paradoxal que isso seja, eu não sinto medo ou dor. Sinto alívio. Um grande alívio. Medo ou dor eu sentia antes, antes da contaminação, como aquele que espera a bomba que um dia vai cair sobre sua cabeça ou o avião que vai bater na torre onde você mora. Muitos se sentem assim: pronto,ufa, resolvido. E respiram fundo como nunca haviam respirado antes.

Um outro e importante "lado": o homossexual nunca pode fazer parte de nada, a tal história da exclusão, numa sociedade que vende a heterossexualidade como a única coisa certa, em out-doors, em saquinhos de supermercados, em anúncios de desodorante. Durante quanto tempo a mensagem subliminar que aparecia nos anúncios do Modess era de que a mulher devia usar justamente para agradar ao homem, menstruação era sinônimo de nojo (ainda é, para muitos e muitas...), como se lésbicas não menstruassem. Heterossexualidade é igual a felicidade. Então, como não faço parte disso, faço parte do quê?? Nunca, em toda história da medicina e mesmo da humanidade houve tanta mobilização em torno de algo como a Aids. Essa mobilização nunca ocorreu com nenhuma outra doença: grupos de apoio, ong's, mídia, remédios, especialistas,discussões, centros de referência, religiões, etc. etc. Aliás, não acho isso nada justo e honesto com os portadores de outras doenças, o ideal seria existir essa mesma mobilização e apoio em todas as enfermidades, afinal sofrimento é sofrimento sempre e algumas delas causam mais dores e mortes que a Aids. Vide a hanseníase, onde o Brasil ocupa um horrendo segundo lugar mundial, logo atrás da Índia. Mas como as outras doenças não mexem com sexo e sangue... deixa pra lá, né... Aí eu procuro a contaminação para poder fazer parte de alguma coisa, já que tudo me foi negado, não sou cidadão, não sou merda nenhuma, contaminado pelo menos um médico vai olhar para mim e terei a atenção de todo um grupo, o dos soropositivos. Depois, se todos os meus amigos são soropositivos, como eu posso "me excluir" também disso?? Não suportaria mais uma exclusão.

Penso que a medicina preventiva tem limites. Ela tem que informar, nunca impor. A cama, último reduto da liberdade
humana, tem que ser respeitada. O privado também. Sempre. E o ser humano não funciona na base da repetição massacrante, sinto dizer, não funciona. Nunca funcionou, na igreja católica, a imposição do celibato, por exemplo... O erotismo e a afetividade humana compõem a condição humana, é impossível discipliná-los, em que pese o esforço feito pelas organizações. Tudo o que é proibido gera ainda mais curiosidade e desejo. Somos assim. Você liga a tv, tá lá: use camisinha! Vai num site, tá lá: use camisinha! Use camisinha! Use camisinha! O dedo em riste, use camisinha. Resultado: você acaba não usando.... Por um acaso as campanhas anti-fumo, anti-drogas, anti-álcool, a lei seca, ou a abstinência funcionaram? Agora, eu quero ser moderno, bem informado. Portanto trago na ponta da minha língua todo o discurso politicamente correto, inclusive o sexual. Deus me livre de eu ser considerado por meus amigos como um "promíscuo". Se eu ponho em meu site o "use camisinha" tenho maiores chances de ser aceito e lido e de conseguir verbas, pois sou "antenado" com meu tempo. Mas será que todos os leitores do meu site já não têm a informação suficiente sobre como se pega Aids? Se eu tenho uma ong, nada melhor que eu faça pactos com o Ministério da Saúde que me dá verbas e fama para que eu distribua camisinhas e folhetos justamente para quem não precisa e para quem pode pagar por elas. Nunca vi uma ong fazendo trabalho sério junto aos favelados, em albergues noturnos - mendigo não pega aids? Mendigo não tem desejo? não tem mendigo gay? Ou eles que se danem? -, com os sem-teto, com os menores de rua.... Ao contrário, pegam a verba do Ministério, vão aos lugares mais que manjados distribuir camisinha e aproveitam para dar uma paquerada. Vão a saunas onde o cliente paga mais de 20 reais para entrar ou em boates iguais. Ora, esse mesmo cliente não teria grana para comprar? Esse mesmo cliente não sabe como se pega Aids? Sabe, sim.... é muito fácil pregar para os convertidos.E se o próprio Ministério da Saúde reconhece que a Aids se pauperizou, por que não vão trabalhar com os miseráveis deste Brasil afora, com as meninas de 11, 12, 13 anos que se contaminam nos sertões do país, muitas vezes pelos próprios pais ou irmãos, sem nem ainda terem abandonado as suas bonecas de trapo e nem saberem o que é menstruação? Se houve alguma mudança pra mais, em termos de estatísticas em Aids, essa mudança está justamente na miséria e não numa prática tão elitizada e minoritária como a dos "barebacks"...se a Aids realmente te incomoda, vá à luta.
Mas miséria não é fashion, não dá charme trabalhar com renegados. Nem verbas...Cansei-me de ver certos líderes da luta homossexual e da luta contra a Aids, todos com discursos bonitinhos em suas bocas, dando a bunda sem camisinha nos dark rooms de São Paulo e do Rio, em saunas, e bebendo muita porra em glory holes destas cidades. Depois que eu criei o grupo no Yahoo, em 08 de agosto de 2002 um monte deles vieram me falar exatamente isso: "Olha, você pode fuder sem camisinha o quanto quiser. Mas NÃO deve falar sobre isso..." Pois é,voltamos então às trevas, ao escondido, ao não trabalhado, ao conveniente silêncio onde nada muda. Voltamos ao que era antes da Revolução Sexual.

Meu grupo era uma lista de discussão virtual no Yahoo Grupos e era só isso que eu queria: discutir. Pode parecer óbvio, mas não há possibilidade nenhuma de contaminação ou de fazer barebacking num grupo virtual, da Internet...Jamais pensei em "festinhas" bare ou em orgias sem camisinha. Que bobo fui! Mesmo por que, na época eu estava começando um relacionamento e profundamente apaixonado pelo carinha. E, não adianta, quando eu estou amando não sinto o menor tesão por outros. Nada a ver com moralismo ou defesa da monogamia, mas a ver com sentimentos, mais importantes que a moral estabelecida. Para terem apenas uma noção, quando criei o grupo era só eu.
Depois de dez dias já tinha 700 pessoas e quando eu o deletei, em 02 de fevereiro de 2003 tinha 4.800 pessoas(!). Muito estrangeiro, mas muito brasileiro também.Seriam 4.800 pessoas “loucas, doentes, assassinas ou suicidas”?? Duvido muito. Será que não seriam apenas pessoas também sufocadas querendo discutir o seu divergente desejo? Eu não iria criar mais um grupo para sexo, existem milhares, numa cidade onde se acha sexo em cada esquina, como São Paulo. Não iria gastar minha energia e nem me expor tanto pra isso. Sofri várias ameaças de morte (continuam ocorrendo até hoje...) tive que me esconder e virei o demônio preferido do Movimento Homossexual Brasileiro, justo eu que já havia me dado tanto para esse mesmo movimento. Até hoje, mesmo quando estou discutindo arroz e bife e o meu oponente percebe que está perdendo, ele logo parte para o ataque, mudando o assunto e vindo falar dessa questão. Fui até "premiado" pelo GGB, na figura do senhor Luis Mott, com o troféu Pau-de-Sebo, como uma das pessoas que "mais mal fizeram aos homossexuais brasileiros"... Nenhum líder teve a coragem de me defender publicamente, quem é que abriria mão do discurso politicamente correto? Recebi apenas cumprimentos de grupos holandeses de militância gay que me ligaram cinco vezes da Holanda me dando os parabéns pela coragem. Na Holanda, usar ou não usar camisinha faz parte das escolhas individuais e merecem respeito. Tanto que lá e em boa parte dos países nórdicos também, grupos de pessoas que praticam o bareback são aceitos normalmente para militarem juntos em grupos gays, não são demonizados como aqui. Poucos viram em tudo isso um ato de rebeldia meu, de coragem de dar às caras e de provocar polêmica, o que é sempre saudável. Virei louco, assassino, suicida... e olha que eu só queria discutir, hem...Nem mesmo o mais influente líder do Movimento Homossexual Brasileiro me apoiou. Sempre deixei MUITO CLARO que não defendo a prática do sexo sem camisinha. E bareback NUNCA foi um movimento. Quando começou, nos Estados Unidos, em 2001, existia, sim a pretensão de transformá-lo em movimento como forma de protesto para o governo americano liberar mais verbas e pesquisas para a Aids. Não vingou, sempre foi uma atitude de uns poucos. E poucos nada representam, mesmo em estatísticas de aids. Foram atitudes isoladas. Essa é a primeira frase minha ,na polêmica entrevista que dei ao Portal IG: “Não defendo o sexo sem camisinha. Defendo a liberdade de escolha. Defendo o fim da hipocrisia.”

Por outro lado, não acho que nós, homossexuais, temos que posar de bonzinhos e responsáveis pela saúde de toda a sociedade. Nem de dar "bons exemplos". Quando foi que essa mesma sociedade deu bons exemplos pra gente? São extremamente raros os filmes pornôs héteros com camisinha. Ninguém fala nada. Eu não tenho um único amigo ou amiga heterossexual que faz sexo com camisinha. Nem parente. Dizem que não gostam e isso é aceito e respeitado. O próprio termo "bareback" foi usado por e para homossexuais masculinos, não há um termo para héteros que não usam camisinha. E por que? Por que a aids continua sendo vista como uma “doença de viado” e os próprios gays e ong's contribuem para isso, com tanto alarde em torno da mesma. Por que héteros falam tão pouco da doença? Quando falam é sempre ditando regras de como os gays devem se comportar. Não olham para o próprio umbigo. E, para os homossexuais que adoram pousar de vítimas, nada melhor como a Aids, olha só como somos coitadinhos... não vão abrir mão disso tão cedo, mesmo...


E, por último, ufa, eu acredito que todos nós temos todo o direito de assumirmos os riscos que queremos viver para sermos felizes. Pra mim, tô falando pra mim, vale mais viver 10 anos intensos do que cem anos medíocres e fracos, vendo televisão e fazendo tricô. Viver é um risco. Viver mata! E atentem para o fato de que no barebacking ninguém é obrigado a nada, o ato é consensual. Se para você não incomoda em nada usar camisinha, use-a. Mas respeite quem não queira. E não seja maniqueísta ao julgar a pessoa como um todo por isso. Males provocados pelo tabagismo matam 40 vezes mais que aids. Ou a obesidade, que mata vinte vezes mais. Esses dados não são meus, são do Ministério da Saúde. Mas....fumar ou comer muito não envolve sexo... então, tudo bem. Eu defendo o direito de uma pessoa continuar fumando, se quiser. Ou o direito de alguém continuar comendo lazanha quatro queijos mesmo com o colesterol na lua. Se quiser. Como disse Nélson Rodrigues, toda unanimidade é burra! E quem pensa como a unanimidade, não precisa pensar. Toda hora sou procurado por revistas, algumas até bem sérias, para falar sobre barebacking. Ninguém me procura interessado no meu trabalho enquanto escritor. No entanto, quando notam que estão lidando com alguém com uma certa cabeça e que não tem episódios "picantes" no seu envolvimento com tudo isso, eles ficam francamente desiludidos. Pensavam que iriam encontrar uma bicha poc-poc pela frente que, porra-louca, dá a bunda sem camisinha e que só pensa em "festinhas"... coitados!Não, eu não tenho nenhum episódio picante sobre barebacking. Sorry, baby! Considero bem mais “picante” a maneira como os miseráveis são tratados neste triste-alegre país, inclusive por militantes... Outra: você é 100% responsável pelo seu corpo. Cem por cento. E já sabe muito bem como se contamina. Portanto, sem essa de delegar ao seu parceiro a responsabilidade por sua contaminação. Você sabia exatamente como se prevenir, poderia muito bem ter exigido camisinha. Se não exigiu, não usou, assuma isso, sem jogar a responsabilidade ao outro. Resgate teu corpo, ele te pertence.

Evidentemente, ainda muita água vai rolar em torno disso tudo. Não vão abdicar tão cedo de considerarem a Aids mortal por que esse mesmo "mortal" envolve liberação de verbas, envolve capital, envolve pessoas que construíram toda a sua vida profissional em cima da Aids e que não saberiam o que fazer no dia seguinte da descoberta da cura. Para eles
é conveniente que a Aids seja considerada mortal para todo o sempre. Garante seus salários. Mas eu sei que, hoje, ela é apenas uma doença crônica. Entrevistei nada menos que vinte médicos infectologistas, em 2005. Todos eles me afirmaram que a aids é agora considerada uma doença crônica, não mais fatal. Algo como o diabetes ou a hipertensão. Uma doença que te dá uma sobrevida de vinte, trinta anos, não pode mais ser considerada fatal. E nesses 20 ou 30 anos poderá surgir a cura definitiva. A imprensa, que adora encontrar culpados e julgamentos é que fala o contrário... Claro que há pessoas que não se adaptam ao tratamento ou têm muita dificuldade com os remédios, mas isso também acontece com TODAS as outras doenças crônicas. Se a Aids não tivesse tido tantos estigmas e não viesse sempre carregada de tanto terror, seria bem mais fácil para alguns assumirem que estão doentes e irem procurar logo o tratamento. Proponho, nesse caso, a leitura de “A Aids e suas Metáforas”, de Susan Sontag. Nunca defendi porra-louquices. Mas acho também que ninguém é “influenciável”. Se o fulano for transar sem camisinha é por que esse desejo ou a semente dele já estava lá. Temos que assumir nossos atos, inclusive as conseqüências. Mas cada um faz o que quer. Sendo consensual, merece respeito. Ou vira moralismo, você pode saber o que é certo para você e para a sua moral, não para o outro. Impor sua moral ao outro é ditadura. E temos que lidar com uma realidade humana, sem condenações: quem continua fumando, apesar das campanhas, irá continuar fumando. Quem continua fazendo sexo sem camisinha irá continuar fazendo. Pena que a liberdade do outro incomode tanto, sob os mais variáveis argumentos. Essa é uma realidade. O pavor, o medo, ameaças e o terrorismo nunca foram bons instrumentos para mudar um comportamento. Muito menos julgamentos e maniqueísmos.
Não é possível estabelecer o Estado de Direito, sem a contemplação do Livre Arbítrio. O corpo humano é um direito INDELÉVEL do indivíduo... ele é quem decide o que fazer com o
seu corpo, mesmo que isso vá contra tudo o que a medicina preventiva prega e, infelizmente, impõe. Se lutamos tanto pela democracia, teremos que, inclusive, respeitar os que diferem. A Aids surgiu no Brasil em meados de 1983, início de 84, com a vinda do costureiro Markito, já bastante doente, como uma das primeiras vítimas mais famosas. Então seriam 23 anos de sexo seguro. Antes só se usava a camisinha para não engravidar. Será que nunca ninguém se perguntou sobre o fato de, algum dia, algumas (disse algumas...) pessoas se cansarem de tanto tempo de sexo seguro? Diversidade, palavra tão na moda, não existe apenas na orientação sexual de cada um. Diversidade pode ser também uma forma diferenciada de pensar, de agir, mesmo que vá contra o grupo. Ou nada, nada, nem mesmo o Movimento Homossexual terá valido a pena.

RICARDO ROCHA AGUIEIRAS

Bloodline In The Dark Age said...

Poutz cara.. muito MASSA, fera mesmo seu blog. Tenho o meu mas estou aprendendo escrever ainda. O nome do seu blog também ficou bem original e criativo. Parabéns cara!

Anonymous said...

nossa!!!! eli e meio loco..se eli soubece..olha gente eu tenho hiv e e a pior coisa do mundo os remedios no comeco te dopam vc fica muito lesado,,foi assim que fiquei tive vontade de me matar mais uma pessoa maravilhosa me ajudo e a doutora (iris)...hoje tenho medo de me relacionar sexualmente com as pessoas...so depresivo e sempre fui uma pessoa super alegre de bem com a vida..e hoje????? naum so nada naum so mais o mesmo,e olha que fais so um ano e meio que descobri..mais e isto vo vivendo..OBS:usem sempre camisinha ,,sabe aquela historia que comigo nao acontece...e com vc mesmo. vem e acaba com sua vida

generic cialis said...

Hi, well be sensible, well-all described

Samson David said...

Quero aproveitar esta oportunidade para dizer-lhe tudo o que eu foi testado para ter aids hiv, eu era HIV positivo por cerca de 3 anos, e eu estava realmente deprimido sabendo que eu não poderia encontrar cura em qualquer lugar :::::::::::::: Eu estava cansado de compra vacinas que ajudarão a reduzir o efeito de aids hiv porque não houve mudança. Como eu estava pesquisando na internet um dia eu vi um post de um homem que usa poderes espirituais e ervas para curar a aids hiv, então eu fiz um contato com o homem e ele explicou-me sobre o que eu preciso saber antes que ele possa me enviar as ervas. Em sua explicação eu entendo porque aids hiv era um mistério e decidiu encomendar para as ervas, surpreendente para mim as ervas foi enviado para mim, porque eu duvidava que a cura até que eu era capaz de usá-lo e depois de um mês eu fui ao meu médico e ele confirmou que eu estava negativo novamente. Então, eu estou feliz em testemunhar para o mundo e dizer-lhe sobre o Dr. Odin.

Contacte-lo por e-mail em: ODINCURAHIV@GMAIL.COM
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Iuri said...

Cara, dá pra acreditar nisto ?

matt said...

Eu quero compartilhar este testemunho maravilhoso para as pessoas que estão no mesmo problema que eu era antes que eu quis dizer Dr. Ben. Eu estava vivendo com HIV durante os últimos 2 anos, apenas no mês passado, enquanto eu estava navegando na internet sobre esta doença mortal, eu vi um depoimento de alguém chamado Edwards Simone, testemunhando de como ela foi curada de HIV pelo Grande Dr Ben e eu Decidiu também e-mail este homem e dizer-lhe sobre o meu problema e como eu fiz isso, ele me disse para enviar-lhe alguns dos meus dados pessoais que eu fiz e ele me preparou uma parte que eu tomei e, em seguida, ele me disse para esperar por um semana. Depois de uma semana ele me disse para ir para outro teste de HIV, o que eu fiz e para o meu maior suprimir i foi confirmado negativo. Todos os agradecimentos sejam ao Dr. Ben e se você sabe que você está neste mesmo problema ou a outra doença mortal envia-o por correio electrónico agora em (drbenharbalhome@gmail.com) ou contata-o agora no whatsaap: +22893464014. Você pode me pegar no e-mail: soniastevens1995@gmail.com

Penelope Penteados said...

Não é a primeira vez que leio sobre esse tipo de atitude. O assustador é gente buscando e gente oferecendo isso, mas isso se explica pela própria demanda/consumo. É um alerta importante que você faz. Vou falar sobre ele com os leitores do nosso site. Tanta gente que daria o mundo pra não ser soropositivo e essas pessoas fazendo o caminho inverso.

Julia Leão said...

Por onde você viu o documentário? Tenho interesse em assistir, mas só encontrei em inglês sem legenda...agradeço.

victoria janniffer said...

Obter uma cura para o HIV é um conceito poderoso, muitas vezes falado como o Santo Graal da pesquisa do HIV. Embora os fármacos anti-HIV efetivos tenham transformado o HIV em uma condição gerenciável crônica - uma condição em que vives, em vez de morrer -, a terapia ao longo da vida é uma proposição muito diferente para ser definitivamente curada.
Eu coloco a toda a raça humana que existe uma cura acessível e vendável do HIV que funcionou bem como colocaria a erradicação global de novas infecções por HIV ao alcance, ao mesmo tempo que transformaria a vida daqueles que agora viviam com o vírus.

Dada a eficácia deste medicamento tanto no tratamento como na prevenção da infecção pelo HIV, digo a todos que lêem isso, que sou testemunha viva disso. Ao contrário de fraudadores e scammers online que irão te jogar e deixá-lo frustrado com a perda de dinheiro e esperança, essa droga custa menos e vale a pena tentar.
Se você está interessado em curar sua própria doença,
Abaixo está o link de comunicação do médico que possui o novo medicamento que recebi que me deu cura.
Dr. Hazim Usman. Você pode enviá-lo por e-mail (usmandrhazim@gmail.com) ou o que ele está no telefone +2348154641673 CUIDADO DE SCAMMERS ONLINE

Luana Salvador said...

Oi Bom dia a todos. Meu nome é Luana Salvador, sou nativo de Braga em portugal, sou uma equipe do Minho. Tenho sofrido de verrugas genitais (HPV) por mais de 4 anos agora e, de repente, gastei muito dinheiro para garantir que eu fique saudável, mas felizmente, 2 meses atrás, 3 de fevereiro de 2017 para ser preciso, entrei contato com um curandeiro de ervas on-line que tem ajudado muitas pessoas em todo o mundo e curando doenças que parecem incuráveis, seu nome é Dr_water. Em primeiro lugar, pensei que era uma piada até eu contactar a Dr_water através deste e-mail DRWATERHIVCURECENTRE@GMAIL.COM e ele disse que pode me curar. Ele solicitou meus detalhes e o dinheiro para o tratamento. Depois de uma semana, ele me enviou algum medicamento em portugal e me deu prescrições para usar o medicamento. E, com toda a verdade, comecei a recuperar a saúde assim que comecei a usar o remédio, percebi que as verrugas começavam a secar e desaparecer gradualmente. Eu terminei o tratamento no mês passado, então eu fui ao meu hospital e meu médico confirmou que eu estava curado do HPV, todo o teste médico que eu realizava eram todos negativos, eu estava completamente curado. Estou muito feliz em compartilhar essa experiência porque ainda não consigo aguentar minha excitação.
Este é o seu número Whatsapp +2349050205019, e este é o seu email: DRWATERHIVCURECENTRE@GMAIL.COM. Ele também tem Medicamentos para curar HIV, Herpes, Diabetes, Hepatite B e C, Câncer, Asma e muito mais. Eu acredito que ele pode curar quase tipo de doença. Siga-me no twitter @ luanajulian1981 ou envie-me um e-mail se precisar da minha ajuda: luanajulian1981@gmail.com

Luana Salvador said...

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Luana Salvador said...

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