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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Friday, August 06, 2004

...nós e os nós...



Um dos assuntos que mais me fascina é o conceito de redes sociais. Sei que o tema é amplo, complexo e inesgotável. Felizmente não sou nenhum cientista social, ou algo que o valha, para ter a pretensão de discutir o assunto em profundidade. O que quero aqui é apenas registrar algumas reflexões pessoais a respeito do tema.

Vivemos em redes sociais, qualquer que seja o meio - família, trabalho, escola, amigos, paixões, religiões, times, clubes, etc-. A partir do momento em que somos inseridos, por vontade própria ou não, em qualquer uma destas comunidades, passamos a ser um nó das mesmas e passamos a ser afetados por suas regras de interligação (conexão). Nesta condição podemos experimentar as mais diversas sensações: desde prazer, realização e aconchego, até preconceitos, rejeição e tristezas - tudo dependendo de como nosso ponto individual se adapta ao ambiente.

Se nosso nó experimentar uma sensação de bem estar, vamos trabalhar para que a rede se fortaleça e permaneça - é a vontade da continuidade da zona de conforto. É claro que, por mais que sintamos segurança dentro de algum meio que nos acolhe, esta tranqüilidade não durará para sempre, afinal, todas as redes recebem impactos positivos e negativos que podem reformatar suas conexões. Em termos negativos, por exemplo, podemos viver em uma família unida e amorosa que, subitamente ou não, perde um ente querido. Neste momento um nó desaparece - talvez um nó nuclear (aquele que centraliza a força de várias conexões). E então, o que acontece? Dependendo da força de resistência dos laços restantes, a rede pode ou não se recompor. Se as ligações ativas forem fortes, a rede permanecerá. É claro que a sensação de ausência continuará para sempre junto aos nós afetados pela perda da conexão, mas a qualidade das re-ligações dos pontos assegurará a continuidade do todo. Por outro lado, se as conexões forem fracas, é possível que a sensação de unidade desapareça e, com isto, os laços se afrouxem fazendo a rede adoecer. Isto talvez valha para qualquer rede estabilizada.

Por outro lado, se nos sentimos desconfortáveis em relação a alguma rede a qual estamos conectados, podemos ter as mais variadas reações. Podemos, por exemplo, nos desligar do conjunto atual -abrir nosso nó- e buscar conexão com outra rede que, acreditamos, preencherá alguma das nossas necessidades (amorosas, religiosas, sexuais, profissionais, políticas, sociais, etc). Acredito que podemos ter sucesso ou não nesta ação - isto dependerá da nossa capacidade de percebermos o que é verdade na nossa vontade ou necessidade. É um caminho de coragem pois, na busca de novas conexões, podemos cair na armadilha de sermos iludidos pela aparência de outras redes ou então, quem sabe, possamos realmente encontrar um lar, um chão - um local de aceitação e crescimento.

Podemos, também, querer lutar para mudar o formato de alguma rede que nos incomoda. Isto pode ser muito difícil, senão impossível, dependendo do tamanho ou da cara do monstro que temos que enfrentar. Se percebermos que o monstro é invencível, e permanecermos ligados, podemos ter várias tipos de reações. Algumas mais conformadas - desde níveis de aceitação até resignação total -, ou, então, inconformadas - rancor e acusação contínua de que os outros são responsáveis pela falha da nossa conexão (citando Sartre : "o inferno são os outros..)-. Independentemente de qualquer um destes tipos de reação, nosso nó permanecerá unido à rede porém sem adaptabilidade (explícita ou não) ou então disfuncional. Acredito que isto seja muito comum. A questão é saber o quanto este problema de comunicação perturba o direito do nosso nó existir no meio problemático (seja no nosso ponto de vista ou dos demais).

Não quero me alongar demais. Como disse antes, acho o assunto fascinante e talvez volte a ele no futuro. Por enquanto fico por aqui.

Beijos a todos

5 comments:

Anonymous said...

Meu Rei,é como se cada um de nós fossemos um nó, que dependendo da maneira de ser amarrado é a intensidade dos nossos sentimentos,relacionamentos...
Hoje posso dizer que em algumas áreas, como amizade, e alguns relacionamentos, me considero bem amarrada pois vivo intensamente vários momentos e penso que o secredo está em mantermos SEMPRE o nó BEM APERTADO.
Te amando sempre
Beijo no Urso
T

Anonymous said...

Iuri,

Os nós estão ai, inclusive aqueles que nos ligam de blogs a blogs, seja por afinidades (ver post do Spotless mind), seja por aversões ( I, Robot).

[]s
Murilo

Mariana said...

Meu tio querido!
amei esse post. Se vc se lembrar (ou não sei se tu leu), já escrevi coisas a respeito disso, mas em outra linguagem, claro, não tão bem escrita como vc colocou. E em cada uma dessas "redes" q vc citou, temos um papel e uma função diferente, ou seja, somos uma pessoa diferente a cada momento. Gosto muito de pensar sobre isso.
beijos!!
i love you!

Anonymous said...

Oi amado
Este post me lembra de várias coisas que tenho lido epensado ultimamente. Achei muito interessante a parte em que fazes referência à qualidade das conexões e o modo como elas mudam com o passar do tempo. Só gostaria de acrescentar que estas redes formam modos de operação em conjunto que, muitas vezes, acabam por destacar nossas características individuais, constituindo o que podemos chamar de inteligência emergente. Deste modo, cada um de nós assume um papel para que a rede possa continuar existindo. Temos então aquele que agrega, o que questiona, o que tumultua, o que contemporiza, etc. Os indivíduos que não conseguem assumir nenhum papel que surja espontâneamente de sua personalidade, acabam por viver solitários, sem se conectar a nenhuma rede.
Beijos
Ni

Anonymous said...

Obrigado por Blog intiresny