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Thursday, January 03, 2013

Filme - A viagem (Cloud Atlas)

Cloud Atlas - Poster
A viagem (Cloud Atlas)  é uma produção alemã escrita e dirigida por Lana and Andy Wachowski (da trilogia Matrix) e  Tom Tykwer ( do aclamado “Corra, Lola, corra”), e é considerado a mais cara produção independente de todos  os tempos.

Baseado num livro considerado inadaptável para as grandes telas, “A viagem” definitivamente não é um filme para qualquer um.

O livro de  David Mitchell, no qual o filme é baseado (não lançado no Brasil), é um gigantesco épico e consiste de seis histórias inter-relacionadas que levam o leitor do remoto Pacífico Sul  no século 19 (1849) a um distante futuro pós-apocalíptico (2321). 

Em 2004 (ano do seu lançamento na Inglaterra),  a obra venceu o  Premio British Book Awards  (Literary Fiction Award)  e o Livro do Ano  Richard & Judy , e tambem foi listado para vários outros prêmios (  Booker Prize, Nebula Award, Arthur C. Clarke Award, etc).

Em Cloud Atlas, as histórias se conectam umas às outras de várias maneiras,  sendo que a principal delas  é  a reencarnação dos personagens em várias formas / raças humanas (ou não), o que nos dá a visão da “evolução” – do cumprimento do karma -  de cada alma através dos eons .

Mas não é só isto. Quem se aventurar em assisti-lo também vai encontrar pela frente uma jorrada / jornada  de histórias, temas,  textos, sub-textos, símbolos e significados, que  pretende desenhar  um intenso  caleidoscópio de idéias (políticas, sociais, religiosas, filosóficas e metafísicas),  o que  pode fascinar e desafiar  algumas mentes ou assustar e provocar rejeição em outras. 


A sinopse oficial para “Cloud Atlas” descreve o filme como:

“Um estudo  de como as  ações  individuais impactam umas às outras  no passado, presente e futuro. Como  uma alma é transformada de um assassino em um herói, e  como um ato de bondade ecoa   através dos séculos para inspirar uma revolução”

E, conforme Lana Andy Wachowski  diz : a ambição era “pegar” a  audácia “de Moby Dick e casá-la com 2001 – Uma odisséia no espaço

Dito assim, a coisa toda parece grande e pretensiosa. - E é -. E repetindo :   o que para alguns resulta em um jogo profundo e desafiador para outros pode desaguar  num imbróglio vazio e desconexo.

Fico com a primeira opção.


O certo é que ninguém  fica indiferente.

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Ao contrário do romance original (que segue uma ordem cronológica) , o filme é estruturado, de acordo com o romancista David Mitchell, "como uma espécie de mosaico pontilhista.

Então ficamos em cada um dos seis mundos apenas o tempo suficiente para um gancho ser lançado.

A partir daí, então, o filme salta de mundo a mundo à velocidade de um prato giratório, revisitando cada narrativa por tempo suficiente para empurrá-la para a frente,  o que nos atrela a poltrona para acompanhar as ações dispersas pelas várias épocas e lugares,   mesmo não entendendo tudo, pois é impossível acompanhar claramente todos os acontecimentos e implicações sem ter lido o livro.

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As seis histórias são:

1 ) “The Pacific Journal do Adam Ewing”

Oceano Pacífico Sul, 1849.  Adam Ewing, um advogado americano de San Francisco durante a corrida do ouro na Califórnia, chega  às Ilhas Chatham para fechar um negócio – envolvendo escravos -  com o reverendo Gilles Horrox, em nome do seu sogro, Haskell Moore. 

Lá ele testemunha o açoitamento de um escravo Moriori, Autua,  que foge, embarca como clandestino no  navio de Ewing (quanto este volta para casa), e pede ao advogado para   mantê-lo escondido em sua cabine. 

Autua diz ser um exímio marinheiro,  o que faz com que Ewing julgue que isto seja um bom argumento para que o capitão do navio, Molyneux,  aceite a presença do escravo e o assuma como novo empregado de bordo.

Só que o Capitão Molyneux finge concordar com Adam e logo revela ter outros planos (não tão nobres) para  Autua.

Enquanto isso, o Dr. Henry Goose – outro passageiro do navio e aparentemente um bom amigo de Adam -  lentamente envenena  Ewing, alegando tratá-lo para a cura de  um ataque de um verme parasita. Porém, na verdade,  seu  objetivo é roubar os valores (moedas de ouro) que o jovem transporta.

Quando Goose vai  administrar a dose fatal de veneno, Autua salva Ewing.

Voltando para a América, o advogado enfrenta o sogro, Haskell Moore, e queima o contrato fechado com o reverendo Gilles Horrox. 

Após, ele e sua esposa Tilda   rejeitam a  cumplicidade de Moore com a escravidão e partem para viver ao lado dos abolicionistas.

Fim da primeira história.



Nota :

Na segunda história sabemos que Ewing publica um jornal chamado “The Pacific Journal do Adam Ewing” (ao estilo de Herman Melville – autor de Moby Dick, ou seja, na primeira pessoa), no qual, entre outras coisas relata seus dramas vividos na viagem marítima com Autua e o Dr Goose.

A versão em formato de livro deste jornal vai fazer a link com a proxima história.

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2 ) Cartas de Zedelghem

A próxima história acontece em Zedelghem, Bruges perto, Bélgica, em 1931.

Ela é contada em forma de cartas de Robert Frobisher, um  jovem músico bissexual  - sem dinheiro e renegado  por seu pai (o que é mostrado de modo quase imperceptível no filme ) -,  ao seu velho amigo e amante, Rufus Sixsmith, sitiado em Cambridge.

Frobisher, praticamente falido, encontra trabalho como amanuense (aquele que documenta textos à mão) de um velho compositor, Ayrs Vyvyan, casado com a judia Jocasta.. 

Talentoso, ele ajuda e inspira Ayrs na composição da sua obra prima “O Sexteto Nuvem Atlas”.

Em determinado momento, Vyvyan recebe a visita de Tadeusz Kesselring,  um alemão arrogante e simpatizante do nazismo que aprecia suas composições. Esta visita estabelece o clima ameaçador do ambiente político-social da época.

Depois  algum tempo Robert desenvolve um "sentimento maior" em relação ao velho compositor e acreditanto em “sentimentos recíprocos”, o jovem  o assedia   (não sem antes ter se envolvido sexualmente com a esposa do mestre), situação onde  acaba sendo ridicularizado por Ayrs.

Ultrajado e envergonhado,  Frobischer decide partir levando sua obra, “O Sexteto Nuvem Atlas”.
Vyvyan então  ameaça denunciá-lo publicamente como “sodomita degenerado” e o desafia.  Robert transtornado atira em Ayrs e foge,  o que o levará a um fim trágico.

Fim da segunda história.



Notas :

Na casa de Ayrs, Frobisher encontra e lê primeira parte do “The Pacific Journal do Adam Ewing” ( o livro está rasgado), e fica incomodado por não saber como a história do advogado de 1849 termina (ele desconfia que o Dr Goose estava envenenando Ewing no navio – o que era real).  

Na verdade,  a segunda parte do “The Pacific...” estava bem perto dele, e seu local é revelado num movimento de câmera, porém tarde demais pois o destino de Robert já estava selado.

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3) As meias-vidas : o Primeiro Mistério de Luisa Rey.

A terceira história é no estilo de um thriller de mistério , e  ocorre em Buenas Yerbas, Califórnia, em 1973.

Luisa Rey é uma jovem jornalista que por acaso, após uma festa, fica presa em um elevador com Rufus Sixsmith, o destinatário  das cartas da história anterior (o amigo e amante de Robert Frobisher),  e  que agora é  um velho cientista.

Ruffus insinua  a Rey  que ele pode ser um informante de alguma coisa grande (uma big denúncia), o que desperta o interesse da jornalista.

O que ocorre é que o cientista é detentor de provas sobre a frágil segurança de uma usina  nuclear em Swannekke Island , na qual trabalha e cujo proprietário é Lloyd Hooks.

Ruffus possui um dossiê com várias provas sobre a situação do local, porém antes de passá-lo à Luisa – ele a chama ao seu apartamento -  é “apagado” pelo matador Bill Smoke, que recolhe os documentos incriminadores  após o “serviço”.

Luisa, ao deparar-se com o corpo de Rufus, encontra as cartas de Frobrisher. 

Ela as recolhe e encanta-se com as missivas, o que a faz procurar uma gravação de  “O Sexteto Nuvem Atlas”.

Numa velha loja de discos , ao ouvir a composição, Luisa tem a impressão de já a conhecer. Porém o vendedor  diz que isto é quase impossível pois a gravação é raríssima e que existem poucos de seus exemplares no mundo.

A jornalista continua a investigação sobre Swannekke Island, e logo se vê enredada numa cadeia de perseguição e assassinatos.

Nesta aventura ela recebe ajuda de um ex companheiro de combate de seu pai, Joe Napier,  e de outro empregado da usina, Isaac Sachs – com o qual estabelece um link  esfumaçado, à Carlos Castaneda - , que também é morto.

No final ela consegue uma cópia do dossie incriminador com a sobrinha de Sixsmith, Megan,  e em troca ela entrega à jovem as cartas de Frosbrisher - (no livro ela recebe mais oito  cartas da garota).

Fim da terceira história.
Nota :

Outro personagem que ajuda Luisa é Javier Gomes, um garoto vizinho seu. Sabemos depois que Javier torna-se um escritor, cuja obra “As meias-vidas: o Primeiro Mistério de Luisa Rey” fará o link com a quarta história

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4 ) O medonho  calvário de Timothy Cavendish

Reino Unido, 2012. Timothy Cavendish, um editor de 65 anos de idade, tem uma sorte inesperada quando Dermott Hoggins, um autor  meio gangster cujo livro publicou, mata de forma espetacular  um crítico que acabou com sua obra.

Obviamente Hoggins é mandado para a prisão, e seu livro – apesar de ser uma droga -  se torna um grande sucesso de vendas.

Cavendish comemora, porem os irmãos brutamontes de Dermott buscam Cavendish e exigem 50 mil libras em dinheiro.

Porém, mesmo tendo nas mãos  um best-seller, toda a grana que entrou para o editor só serviu para cobrir dívidas.

 Desesperado Timothy busca socorro em seu irmão milionário, Denholme.  Este, já de saco cheio com as artimanhas do velho editor, ao invés de ajudá-lo,  simula estar mandando-o para um hotel, quando, na verdade o destino é uma espécie de casa de repouso -prisão, onde o idoso é trancafiado e  perseguido pela implacável e sádica Enfermeira Noakes.

Inconformado, Cavendish traça um plano de fuga para ele e alguns companheiros.

Fim da terceira história.

Notas :

Durante a ação,  o editor menciona superficialmente estar lendo um manuscrito de um autor promissor (Javier Gomes),  chamado “As meias-vidas: o Primeiro Mistério de Luisa Rey” (link com a terceira história), que não o impressiona.

Soylent Green - Poster
Também ficamos sabendo (durante o desenrolar da quinta história)  que foi  produzido um filme  - não se sabe quando e nem por quem -   sobre as peripécias de Cavendish, intitulado  “O medonho  calvário de Timothy Cavendish”.

 Ao fugir da “clínica”, Cavendish grita “Soylent Green é gente!”,  que vem a ser uma referência direta ao filme de 1973,  “No mundo de 2020 (Soylent Green)”.  Neste clássico da ficção, vemos uma sociedade quase em colapso, onde a comida oficial para as camadas mais baixas da sociedade é o "Soylent Green", um tablete feito de algas. Porém no decorrer da trama, acabamos sabendo que os tais tabletes são feitos de carne humana.

 Alias, esta idéia de canibalismo (no sentido figurado ou literal) ecoa em todo Could Atlas, especialmente na quinta e sexta história.

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5 ) Uma prece de  Sonmi~451

Neo Seul (Coréia do Sul), 2144.

A quinta história acontece em Nea So Copros, um  estado futurista distópico que revela ser a atual Coreia em regime totalitário.

A narrativa é contada em forma de entrevista entre Sonmi ~ 451 e um "Arquivista" (uma espécie de agente interrogador do governo), que está gravando sua  história antes da sua execução. O Arquivista trabalha com o autoritário e ameçador Boardman Mephi, que também intimida a garota.

Sonmi ~ 451 é um Fabricante, que são  clones geneticamente modificados para trabalharem (servirem) os Consumidores de diversas formas. No caso de Sonmi, ela “trabalha” numa cadeia de fast-food chamada “Papa Song”, numa loja gerenciada por Seer Rhee,

Os Fabricantes são tratados como escravos pela sociedade “puro sangue”, que embota suas consciências através de manipulação genética, tornando-os dóceis cordeirinhos.

Na seu ”lar-prisão”, na Papa Song,   Sonmi  trava uma espécie de amizade  com a clone  Yoona-939, uma Fabricante meio dissidente que lhe mostra um vídeo do filme “O medonho  calvário de Timothy Cavendish”.

O vídeo mostra o ator que intepreta Cavendish gritando “Não vou me submeter a abuso criminal!”. Este será o mesmo grito de Yoona quando ela parte para ação dentro do fast-food.

Continuando o depoimento, Sonmi ~ 451 conta ao Arquivista ter sido libertada por Hae-Joo Chang, um rebelde membro da Resistência, cujo lider é An-kor Apis.

Chang a protegeu  e  revelhou-lhe que Fabricantes como ela  são "reciclados" em alimento para futuros Fabricantes, e que os  rebeldes  necessitavam que ela assumisse o papel de um símbolo, um farol inspirador para a luta.

No seu processo de conscientização, a garota assiste a um velho documentário sobre o dissindente russo, Alexander Soljenitsin ( o que dá a idéia de luta contra um regime totalitário como o de Nea So Copros).

Sonmi  compreende sua missão, e, durante a batalha dos rebeldes  – protegida em uma espécie de cabine -  discursa em prol da liberdade,  ao mesmo tempo em que testemunha o fim de Chang .

Já presa, e na ante-camara do execução,  a garota demonstra ter alcançado consciência própria e tornado-se uma “ascendente”, o que intriga  o Arquivista.

Sonmi é executada, mas não sem antes ter conseguido registrar sua inspiração na mente e almas das pessoas (tanto que ela se tranforma em "deusa" das próximas gerações)

Fim da quinta história.

Notas :

Sonmi entra em contato com o velho  filme “O medonho  calvário de Timothy Cavendish”  em vários momentos.  O filme está truncado, mas é suficiente para arrebatar e fomentar idéias de luta e resistência na clone.

É óbvia a relação entres os Fabricantes es Replicantes, de Blade Runner.

No livro ela revela saber que   toda a jogada a envolvendo era um plano do governo para criar um falso inimigo que justificasse o recrudescimento da opressão dos “puro sangue”  sobre os Fabricantes. Mesmo assim Sonmi afirma que seu papel estava cumprido e, independente de qualquer coisa, sua mensagem foi dada e sua missão levada a cabo. Como último desejo, ela pede para ver o “O medonho  calvário de Timothy Cavendish” do início ao fim.

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6 ) A Travessia de Sloosha e tudo depois.

Nas  ilhas havaianas, numa Terra  pós-apocalíptica  ( "106 invernos após " A Queda ", identificada em  2321), um membro de uma tribo chamado  Zachry vive uma vida primitiva, após a maioria da humanidade ter morrido  durante “  A Queda " e é atormentado por visões do “Velho Georgie” que vem a ser a percepção que sua cultura tem do “diabo” (ou qualquer coisa que o valha).

Na floresta,  Zachry observa impotente seu cunhado ser morto por Kona Chief, membro de uma tribo canibal, ao mesmo tempo em que o “Velho Georgie” manipula sua mente, seduzindo-o  para ceder ao mêdo (o que acontece).

Mais tarde sua tribo é visitada por Meronym, uma membra dos  Prescientes, os últimos vestígios de uma civilização tecnologicamente avançada. 

Meronym quer subir as montanhas em busca de de Cloud Atlas, local onde ela poderá ativar um mecanismo para estabelecer  comunicação com os terráqueos espalhados em diversos planetas (ao que parece ela quer avisar  a todos que um novo mundo foi encontrado e que todos devem dirigirem-se para lá ). A questão é que Terra virou um ambiente envenenado após "A Queda", e o povo se dispersou no espaço.

Zachry se recusa a levá-la, porém, após sua sobrinha ser picada por um escorpião, ele busca Meronym e promete guiá-la na sua jornada caso ela cure a menina.

Trato cumprido, ambos partem para as montanhas.

Em contraponto ao “Velho Georgie”, a tribo de Zachry acredita na Deusa Sonmi como protetora da sua raça. Porém Meronym choca o primitivo  ao revelar-lhe que Sonmi  na verdade era bem humana e nada tinha de deusa, e, para isto lhe mostra, já no Cloud Atlas,  um vídeo com a clone dando seu depoimento ao Arquivista.

Missão realizada (não sem antes rolar um stress entre os dois, provocado pelo Velho Georgie), ambos retornam à tribo, só para descobrir que a mesma foi dizimada pelos canibais, tendo como unica sobrevivente uma sobrinha de Zachry.

Após enfrentarem os inimigos ( e acabarem com Kona Chief ), os três são recolhidos pelos Prescientes e iniciam uma nova vida no novo mundo.



Fim da sexta história.

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Resumidamente as histórias são estas.

Cada uma traz personagens lutando contra a opressão e a corrupção, buscando a liberdade e estabelecendo  encontros  e laços com pessoas diferentes de si mesmos.

O maravilhoso é observar o imenso painel humano e suas modificações, interações, atos e conseqüências  através das várias vidas retratadas.   No final parece que o espectador levou um soco na cara, tamanha é a gama de idéias e sensações que ficam na nossa mente.

Para ver  e rever.

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Alguns atores e personagens e a evolução das suas almas

Nota : No livro estas conexões não existem

TOM HANKS
Personagens :

1) Dr. Henry Goose,  em 1849
2) Um gerente corrupto de um hotel em 1936
3) Isaac Sachs, em 1973
4) Dermot Jens , em 2012
5) Um ator que intepreta “Timothy Cavendish” em data incerta
6) Zachry, s em 2321

Jornada da sua alma :

Ele evolui de um doutor assassino que diz “ A fraqueza é a carne que os fortes comem”, até alguém que aprende a coragem e abnegação.

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JIM STURGESS
Personagens :

1) Adam Ewing, em 1849
2) Um hospede de hotel em 1936
3) Pai de Megan, em 1973 (aparece apenas em fotografia)
4) Um fã de futebol em 2012 que ajuda Cavendish e sua turma
5) Hae-Joo Chang, em 2144
6) Cunhado de Zachry, em 2321

Jornada da sua alma :

Ele começa relutando em ajudar um escravo fugitivo (em 1849) e acaba como um revolucionário dedicado a acabar com toda a escravidão. (2144). Sua encarnação de 2321, não é explorada.

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BEN WHISHAW
Personagens :

1) Um tripulante de navio em 1849
2) Um compositor bissexual em 1936
3) Um vendedor de discos em 1973
4) A esposa de um milionário em 2012
5) Um primitivo da tribo em 2321

Jornada da sua alma :

Aparentemente não evolui muito. Tirando 1936, suas encarnações não são exploradas ao longo do filme. Será porque cometeu suicídio como Robert Frobisher ? Conforme o espiritismo, quem comete suicídio não “descansa” tão facilmente.

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HALLE BERRY
Personagens :

1) Uma escrava em 1849
2) Jocasta em 1936
3) Luisa Rey em 1973
4) Garota Indiana em uma festa em2012
5) Um doutor coreano em 2144
6) Meronym em 2321

Jornada da sua alma :

Ela ascende de alguem sem poder algum para a ultima esperança da humanidade. Fica claro seu impulso para a justiça e boa vontade com as pessoas.

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JIM BROADBENT

Personagens :

1) Capitão Molyneux, em 1849
2) Ayrs Vyvyan, em 1936
3) Timothy Cavendish, em 2012
4) Um musico de rua em 2144
5) Um Presciente em 2321

Jornada de sua alma :

Ele inicia sendo arrogante e dominador, mas torna-se humanitário ao longo do tempo.

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DOONA BAE
  
Personagens :

1) Tilda em 1849
2) Uma trabalhadora espanhola e mãe de Megan em 1973. Provavelmente a mãe da Megan (que aparece em uma foto) já está morta em 1973 pois uma única alma não pode habitar dois corpos ao mesmo tempo.
3) Sonmi-451 em 2144
4) Uma Deusa em 2321

Jornada da sua alma :

Desde o início uma figura forte e decida, acaba virando uma deusa.

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HUGH GRANT

Personagens :

1) Rev. Giles Horrox, em 1849
2) Um funcionario de hotel, em 1936
3) Lloyd Hooks em 1973
4) Denholme Cavendish, em 2012
5) Seer Rhee, em  2144
6) Kona Chief, em 2321

Jornada de sua alma :

Vai  de mal a pior e acaba como um embrutecido selvagem canibal.

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HUGO WEAVING

Personagens :

1) Haskell Moore, em 1849
2) Tadeusz Kesselring, em 1936
3) Bill Smoke, em 1973
4) Enfermeira Noakes, em 2012
5) Boardman Mephi, em 2144
6) Old Georgie, em 2321

Jornada de sua alma :

Uma figura de  crueldade, controle, perseguição e morte,  que nunca demonstra qualquer tipo de remorso ou sentimento positivo,  e acaba tornando-se uma espécie de entidade do mal (verdadeiro ou não ?).

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KEITH DAVID

Personagens.

1) Kupaka, um escravo do Rev. Giles Horrox, 1842
2) Joe Napier, em 1973
3) An-Kor Apis,  em 2144
4) Um Presciente, em 2321

Jornada de sua alma :

Evolui de um escravo a um líder de revolução. Sua ultima encarnação é a de um sábio e pacifico Presciente.

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JAMES D'ARCY


Personagens :

1) Jovem Rufus Sixsmith, em 1936
2) Velho Rufus Sixsmith, em 1973
3) Uma enfermeira sem maior destaque, em 2012
4) Arquivista, em 2144

Jornada de sua alma :

Um tanto confusa. Ele alterna de um leitor passivo das cartas do amado, a um destemido cientista, passa por uma enfermeira irrelevante e termina como um  agente da lei de um regime totalitário ( se bem que fica um ar de que a Sonmi conseguiu mexer com sua mente, mas a coisa não passa disto).

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Trailer Legendado



Soylent Green - No ano de 2020

Charlston Heston acabado, grita : "Soylent Green is people !!"



Piadinhas infames com Soylent Green































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Natalie Portman & Cloud Atlas

Outro fato sobre o filme é que os irmãos Wachowskis tomaram conhecimento do livro Cloud Atlas através da Natalie Portman durante a filmagem do "V for Vendetta", no qual ela era a protagonista.

Natalie estava completamente obcecada pela obra do David Mitchell e acabou contagiando a Lana Wachowski (que era a escritora e produtora do "V").

Lana levou o livro para o Andy Wachowksi e, a partir de então, ambos empenharam-se para trazer o livro às telas (Só pra constar : tem gente que encontra pontos de conexão entre o "V" e a história da Sonmi)

Abaixo clipe do V for Vendetta, ao som da belíssima musica "I´m a bird girl now" , com o Antony and The Johnson


26 comments:

Iuri said...
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Niara Palma said...

Esse é o tipo de filme que a gente fica pensando: Eu entendi? Eu não entendi? Acho que tal parte significa isso... Eu penso que.... Mas de qualquer forma vale a pena porque causa muitas emoções, faz a gente pensar, tentar procurar referências na filosofia, mitologia, literatura fantástica, etc...
Muito bom e gera conversas interessantes com interlocutores que ficaram acordados até o final e não conseguiram parar de pensar no filme. É o tipo: só os fortes sobrevivem a ele.

Aureo Marcus Makiyama Lopes said...

Iuri.

Parabéns pelo texto.

Estou pesquisando um pouco para escrever sobre o filme e achei a sua compilação e ordenação as mais completas.

Se vc quiser dar uma olhada em meu blog, está convidado: aureolopes.blogspot.com

abc

Iuri said...

Obrigado por passar aqui, Aureo. Acessei teu blog e achei muito bom.

Anonymous said...

PARABÉNS!
MUITO OBRIGADA PELA EXPLICAÇÃO, de verdade!!!!
MUITA VONTADE DE LER O LIVRO...

Iuri said...

Obrigado, camarada. Volte sempre

Arthur Gadelha said...

Maravilhoso! Esse texto é simplesmente esplêndido! Muito obrigado a me fazer entender o filme e ficar ainda mais apaixonado por ele. Esse é o texto mais claro e completo sobre essa obra que encontrei na Internet. Sério, esse texto merecia um prêmio :D

Iuri said...

Obrigado por passar aqui, Arthur. Volte sempre

Vanessa Butter© said...

Fantástica a forma como você desenrolou a história e esclareceu tantas referências que nem sabia que existiam..
Mas uma coisa ainda me faz pensar, e pergunto se o mesmo não acontece com você: No filme os irmãos parecem ter sido muito fiéis a diversos aspectos do espiritismo, dessa forma, me parece que a "marca" que aparece em diversos personagens, funciona como uma alegoria indicando a mesma alma, interpretada por diversos atores. Cheguei a essa linha de pensamento, pois em tese (de acordo com o espiritismo), ninguém regride, ou deixa de evoluir. Então será que não estão contando a saga de um único espírito?

Iuri said...

Vanessa, creio que esta tua leitura está correta. É dificil entender claramente tudo o que os Wachowskis querem dizer com o filme, mas a "pegada" espírita parece ser bem clara. Obrigado por passar por aqui.

Juanes Gabriel said...

Tive a mesma visao do filme que a Vanessa (comentario acima). A "marca do cometa" apareceu 1) Adam Ewing(1849 - Jim Sturgess), 2) Robert Frobisher (1932 - Ben Whishaw), 3) Luisa Rey (1973 - Halle Berry), 4) Timothy Cavendish (2012 - Jim Broadbent), 5) Sonmi (2144 - Doona Bae) e Zachry (2321 - Tom Hanks)... Parecem que pelo espirito lutador, contestador, escravidao, musico bissexual, jornalista investigativa, clone revolucionaria e ajuda a salvar um povo sao os mesmos.. Só um ponto nao bate: Luisa Rey nao morre em1973 e Cavenshi tem 65 anos em 2012.. Se nao tem nada a ver, pq entao aparece nas 6 historias a "marca de nascença tipo cometa"????

Iuri said...

Juanes, ce formos pegar por esta leitura, o que importa é a marca e não os atores. Como disse antes, creio ser uma leitura correta também. E acho que esta está mais proxima do livro. Obrigado por passar por aqui.

Jose said...
This comment has been removed by the author.
Jose said...

Gostei muito do Post, parabéns! Como algumas pessoas já comentaram acredito que as "reencarnações" retratadas no filme estão mais ligadas a "marca de nascença" e aos que estão a sua volta do que os atores. Sempre observamos quem tem a marca como um tipo atuante na história e ao seu lado seu/sua companheiro(a) e outro personagem antagonista (entre outros). Acho que o filme pode estar embasado em outras religiões, além do espiritismo, que abordam a reencarnação como o Hinduismo (3000 a.c.). O que não achei claro foi a questão dos "resgates" de uma vida para outra, pois mesmo com a mudança de atores os papéis já eram definidos (os bons e os maus) em cada história. Um grande abraço a todos

Iuri said...

Realmente, Jose. O filme permite multiplas leituras religiosas e / ou filosóficas. Também deixa muitas questões abertas (esta do "resgate" é uma delas). Mas é melhor que seja assim ao invés de dar tudo bem empacotado e não deixar espaços para as pessoas preecherem com suas reflexões e / ou crenças.

Talita said...

Muito bom!
Obrigada pelos esclarecimentos que passam desapercebidos no filme!
Parabéns!

Sara said...

esses filmes são impressionantes, a verdade é que eu tive sorte de não ver o filme apenas para conhecê-la pessoalmente, mas a atriz quando eu estava viajando em Buenos Aires, porque só tinha de arranjar um Aluguel temporada buenos aires

Will said...

O filme é excelente e a explicação aqui no blog também. Está de parabéns.
Quanto a questão da alma, eu também jurava que era a mesma alma naqueles que tinham a marca do cometa. Mas após ver uma segunda vez, mudei de opinião. Conclui que a marca do cometa é na verdade o simbolo das ações que contribuiriam para o salvação da humanidade. Os que tem a marca do cometa tiveram ação fundamental na inspiração dos seguintes, revelando que no fundo, mesmo com seus erros e defeitos e até passado negro em outras vidas, todos tinham uma mesma missão. A marca do cometa é o simbolo dessa missão.
Acredito que a alma acompanha os os mesmos atores em quase todas as histórias. Por exemplo, o médico, interpretado por Tom Hanks, ao envenenar Edwing diz: a carne dos fracos alimenta os fortes. Na última historia, o velho Georgie diz a Zach: "como você sempre diz, a carne dos fracos alimenta os fortes." Isso é prova que a mesma alma está nesses dois interpretados por Hanks, mesmo ele tendo a marca do cometa na última história e na primeira não.

Iuri said...

Will, muito legais teus comentarios. A riqueza da história está nestas várias camadas que instigam diversas reflexões e, principalmente, aprendizado. Creio que o melhor resultado seja a sabedoria que a obra inspira.

Luiz Cristiano said...

Gostei da tabela de reincarnações , mas parece que Doona Bae é a irmã do Tom Hanks e não a estatua de uma Deusa
http://www.karsikultur.com/wp-content/uploads/2012/10/cloud-atlas-bae-doona.jpg

Luiz Cristiano said...

Em 2012, o James D'arcy é a mulher do Hugh Grant, e enfermeira é o Hugo Weaving

Iuri said...

Obrigado pelos teus comentarios. abraços

ProsperoClaudio said...

Parabéns pelo post: muito rico de informações. Pena que só o li após ver o filme (Telecine Premium). Recomendei o filme em meu Facebook e que leiam seu post antes de assistir.

Abraços.
Claudio
https://www.facebook.com/claudio.estevamprospero

Anonymous said...

Bom, agradeço pelo seu esforço. Verei novamente o filme e agora, finalmente, entendendo. Ainda estou à procura da solução final para "2001, Odisseia no Espaço..." e lá se vão décadas ! HA !

Obrigado.

Iuri said...

Obrigdo por todos os comentarios

Magda Callero said...

Eu achei - assim como muitos outros antes de mim - que sua 'explicação' ficou perfeita.
É sério, e olha que sou bem chata..rs...
Pesquisei porque queria mostrar uma explicação mais simples para uma pessoa que convidei a assistir - e ainda não viu por medo das complicações - e não achei nada que fosse fácil de entender. Acho que quando eu explico, coloco muito das referencias no contexto e torno a coisa ainda mais complexa, sabe?
O livro é lindo, mas impossível de explicar - pelo menos para mim, que uso muitas palavras - e ficaria mais confuso que claro no final.
A história do filme é fantástica, não conheço outra explicação. Foi amor assim que assisti. Chorei litros..rs.. e olha que nem é assim tão emocionante para a maioria das pessoas com as quais conversei a respeito. É bem o que você disse mesmo, ou se ama, ou detesta. Eu amei de cara, minha filha - 13 anos - também amou. Conheci pelo menos oito pessoas que odiaram, acharam confuso e nonsense. Eu não sabia como explicar até chegar aqui.
Agradeço!
:)