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Sunday, April 22, 2012

Livro "O Poder do Agora" - Eckart Tolle

O Poder do Agora - Capa
Um livro que eu dificilmente  - quase certamente não – compraria,  “O Poder do Agora”, de Eckart Tolle, me foi presenteado por uma amigo  que disse “Este é o livro !”, “O definitivo!”.  

E  as chamadas da capa só pareciam confirmar o status de “super livro” , tipo :

“Primeiro lugar na lista do The New York Times”

“Um guia para a iluminação espiritual”

“Este é um dos melhores  livros que surgiram nos últimos tempos. Cada frase transmite verdade e poder” (Deepak Chopra”

“Um dos maiores fenômenos da literatura espiritual. Mais de 5 milhóes de livros vendidos em todo o mundo”

Ao deparar com esta avalanche de elogios, já fiquei com um pé atrás.

 Mas, tudo bem, comecei a leitura procurando não exercitar o preconceito e logo de cara fui fisgado pelas idéias de Eckart.

A questão central do livro – como o título diz – é o poder do “Agora”.

E o que seria isto ?

Seria o exercício contínuo,  da busca  do homem  em estar em contato consigo mesmo no momento presente, no “Agora”,  sem apegar-se ao passado nem ao futuro, que seriam duas ilusões.

O que já foi, tá morto, e o que será, ninguém sabe.  Assim, o que se tem de concreto, o que se tem nas mãos para trabalhar o viver é o agora,  o momento presente.

O homem acredita que sua situação de vida presente, boa ou má , é fruto de um acúmulo de vivências, aprendizados, condicionamentos  e experiências  - mais ou menos involuntárias  - ocorridas desde o nascimento.

Este processo gera  uma “identidade”, um “eu”, um ego formatado que  cria,  sustenta e defende  diversas 
“verdades”  -  muitas vezes ruins (traumas, dores, doenças, desilusões, raiva, ódio, preconceito, insatisfação, etc )- , e que não consegue – nem quer  / nem sabe como-  se libertar destas condições.

O futuro torna-se então uma paisagem (ilusória) de esperança  e desejo onde -  desde que alcançadas as condições estabelecidas pelo ego ( quase sempre materiais e/ ou emocionais) –  o mal, os traumas, as dores, a insatisfação desaparecerão e a  recompensa e a felicidade finalmente acontecerão. 

Assim o ego “sobrevive” oscilando entre passado e futuro, reforçando a “identidade atual “ ( baseada no passado),  e sonhando com  uma ”identidade futura” – aquela que ele deseja atingir para finalmente  “estar bem e ser feliz”.

Deste modo o indivíduo aceita  que a  “vida” é um balançar contínuo entre o que se acredita que “é” – construído  desde o nascimento  - e  aquilo que gostaria de ser e / ou ter.

Neste ambiente, o  ego se afirma, se defende , se reconhece e se individualiza, mesmo que para isto,  muitas vezes,  ocorra a identificação – ou a resignação -  com o sofrimento, com a dor, com a doença , com a derrota, com o negativo .

Eckart Tolle
Mas isto deveria ser assim ?

O autor pergunta : se o ego pudesse “escolher”, escolheria o sofrimento, a prisão, a dor, o trauma ?
Parece que é óbvio que não. Então porque as pessoas se sentem tão presas a situções negativas  das quais não vêem escapatória e /ou  alternativa ?

Segundo o autor, isto acontece porque  o ego é frágil e medroso em relação a mudanças.

O “eu”  procura cada vez mais agregar, incorporar imagens de si mesmo  (desejos, vontades preferencias, amor, desamor, ódio, indiferenca, culpa, etc ), a fim de estabelecer uma identidade a qual se agarra para se definir, se “conhecer”.

Afinal, se o ego abre mão dos seus conceitos,  preconceitos, abre mão daquilo  que o diferencia, o que o faz  se faz reconhecer (como vítima, vencedor, ou qualquer coisa), o que o identifica  -  o que sobra  ?

Tipo, se eu deixar de acreditar que eu ” sou  o  resultado de tudo o que vivi até agora”  (além de já ter nascido com a herança do inconsciente coletivo) , então quem sou eu ?

É  uma idéia tri punk e deixa o povo meio num mato sem cachorro.

Mas o que o autor quer mostrar – e o faz de uma forma bem acessível – é que o verdadeiro “eu” – aquilo que vem a ser nossa verdadeira natureza -  reside no “Ser”  e não no ego – este que “conhecemos”, este que nos faz dizer “eu sou assim”, ou “eu sou assado” por causa “disso ou daquilo”. 

Este “eu do Ser” – que está além do ego -  seria uma manifestação , um raio, um vislumbre da força cósmica que cria e sustenta a vida.

Este força  primitiva  reside dentro de todos os fenômenos corpóreos  (materiais) e/ou incorpóreos (invisíveis), e surge – é alcançada / vivenciada -  quando o ego é extinto.

Aquele que consegue contato com esta verdade íntima, ultrapassa as barreiras da identidade  - e da morte - e mergulha na energia eterna – onde não existe mais a separação  -  e se unifica com o Todo.

“O Poder do Agora”  diz que, já que esta manifestação do divino está em cada um,  tudo o que o homem teria que fazer é atingir este íntimo e, a partir daí, renascer sob um nova luz, uma nova “consciência” – se bem que ele usa esta palavra também em sentido negativo.

Este é um conceito que aparece em diversas filosofias e religiões e está vinculado ao desafio de  trilhar um caminho  de práticas que conduz  ao “Reino do Céu”,  “Nirvana”, etc ( um estado livre das formas).

Mas o livro não fica apenas neste mundo “além da imaginação” e aborda , de forma bem incisiva e “alternativa”, conceitos de pecado, perdão, trauma, dor, doença, sofrimento, alegria, felicidade, etc, e de como o homem vivencia tais, de forma consciente e/ou inconsciente

Porém, como se trata de “ensinamentos”  - quase todos batidos  e  rebatidos  em cima das mesmas teclas ( o que é bem natural) -  a obra torna-se chata e repetitiva em determinados trechos.

Mas reconheco que não li da forma calma, pausada, tranquila e reflexiva que o autor recomenda para a  abordagem da escrita / conteúdo.

Para não viajar muito – nem tenho o ferramental adequado para aprofundar o assunto – digo que o livro é realmente muito bom, quase todo estruturado em perguntas e respostas, o que facilita em muito a leitura.

E afirmo que  é dificil que alguem termine a leitura sem ter aprendido algo de positivo com as idéias 
instigantes propostas por  Eckart Tolle.

Frases de Eckhart

"As soluções sempre aparecem quando saímos do pensamento e ficamos em silêncio, absolutamente presentes, ainda que seja só por um instante"

“... viver no AGORA é o melhor caminho para a felicidade e a iluminação”

“Nós fortalecemos tudo aquilo que combatemos, enquanto todas as coisas a que resistimos persistem”

“Qualquer coisa da qual nos ressentimos no outro e à qual reagimos com intensidade também existe em nós.”




7 comments:

Valdeci Pereira said...

Excelente livro. Estou me conhecendo mais. Eu indico.

Iuri said...

Oi, Valdeci.

Obrigado por passar aqui.

Anonymous said...

excelente comentário sobre o livro,que já li e também recomendo.As idéias de Eckhart Tolle lembram as de mestre Eckhart, místico renano do século 13,se não me engano.Ele também dizia que só no ser(como natureza divina, que "é", sem nenhum predicado adicional)e não no ter ou saber(conhecimento intelectual) o homem pode encontrar o"reino dos céus"num esvaziamento de si(do ego)radical,a ponto de mestre Eckhart dizer que,se houvesse ainda um lugar no homem onde Deus pudesse agir,ainda haveria um"eu'que guarda lugar para "ter" Deus em si.Como Deus não tem ego,o homem tem que se fazer também sem ego para Deus nele agir(o"negar-se a si mesmo" de Jesus).O mestre Eckhart é um mistico cristão tão radical que diz"Deus me livre de Deus",isto é, de estar até mesmo ciente de que Deus nele vive e age.Vale a pena ler Eckhart Tolle junto com mestre Eckhart(na internet há vários PDFs disponiveis sobre ele em português).É isso.Um abraço e até.

Iuri said...

Legal, amigo. Vou procurar o Eckhart místico.

Obrigado por passar por aqui

Elsas Migdaleski said...

O 'ensinamento' mais proficuo do livro é a auto observação.Observar profundamente quem 'age', quem está no comando. Geralmente um ego(personalidade)que encontra reforço em situações vividas para manter-se pilotando as ações. Quando identificamos, por ex. uma raiva descontrolada numa situação de rompimento amoroso, se a observarmos, se a investigarmos, poderemos encontrar a raiz do problema, entendê-lo, transmutá-lo e nos libertar...(aqui so para citar um possivel exemplo esta raiva pode ser rejeição na infancia)e hj nos encontrarmos cheios de ira por termos sido abandonados, trocados pelo nosso 'amor' ...quando descoberta causa e estivermos a fim de fazer um trabalho sobre este ego(defeitos mesmos) poderemos nos libertar... largar mão da sindrome da grabriela..eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim...

Iuri said...

Curti demais teu comentário, guria.

bjs

Unknown said...

Depois disso fica a lição de "nunca julgue um livro pela capa".