Hino do Blog - Clique para ouvir

Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
Clique para ouvir

Friday, December 28, 2012

Filme - O impossivel

O impossivel - Poster

Vou dizer uma coisa : se o que acontece com a família no  filme “O impossível” realmente aconteceu, ( o filme seria baseado em fatos reis),  é realmente quase impossível de acreditar.

A ação ocorre antes, durante e após, o terrível tsunami que devastou a costa da Tailandia  em 26 de Dezembro  de 2004.

A onda chegando
Hospedados num chiquérrimo resort, a família Bennet (Henry e sua esposa Maria, mais os filhos Lucas, Thomas e Simon), são atingidos pelo vagalhão monstruoso e, obviamente, são separados pelas águas destruidoras.

A partir daí acompanhamos a dor e a luta dos sobreviventes em procurar saber o que aconteceu com os demais membros da família.

O diretor espanhol Juan Antonio Bayona (do ótimo terror  “O orfanato”), apoiado num roteiro perfeito, comprova o talento ao montar uma narrativa assustadora e altamente emocionante.

Os atores estão nada menos que magníficos. Falar da Naomi Watts e do Ewan McGregor é chover no molhado.  Penso que poucos atores poderiam dar tanta credibilidade à dor pela qual os personagens passam.
Ewan McGregor detona

A grande novidade aqui é o Tom Holland, o garoto que faz o Lucas (o filho mais velho). O guri realmente detona. 

No início até que achei ele meio ruinzinho. Porém, a medida em que o longa avança, o personagem cresce de maneira admirável, e o jovem ator demonstra uma maturidade invejável.  Merece concorrer ao Oscar de coadjuvante.

"O Impossível" vem na linha dos filmes desastres, gênero no qual acompanhamos  dramas pessoais tendo como pano de fundo uma tragédia natural (tipo “O destino de Poseidon”), ou acidental (tipo “O inferno da Torre”). 

Porém aqui, sabemos que o desastre realmente aconteceu, o que causa um impacto maior nos espectadores.

As cenas das pessoas atingidas pela onda são terríveis, assustadoras, sufocantes. Muito piores do que qualquer filme de terror.   

Naomi Watts e Tom Holland
Os espectadores quase são afogados junto com os personagens.   

Porém o mérito do diretor é não explorar muito a grandiosidade do evento ( o que poderia fazer as cenas nas ondas renderem muito mais – se  fosse esta a intenção ), e sim focar a fragilidade, a pequenez  do corpo diante da força da natureza.

Depois, quando acompanhamos os dramas dos sobreviventes, o cenário é desolador, cruel.

Porém , ao mesmo tempo, vemos a força da solidariedade, da ajuda verdadeira entre as pessoas.  Testemunhamos o esforço para salvar vidas e minimizar as dores dos feridos.

Neste cenário quase pós apocalíptico, além da família Bennet, vemos o drama de vários outros personagens, o que aumenta toda a tragédia apresentada.

Já aviso que o filme  tem muita cena para chorar. Eu me lavei em várias. 

Naomi Watts e Tom Holland
A criatura tem que ser muito cínica para não derramar nenhuma lágrima (ou se emocionar profundamente) diante do que acontece na tela.  

A sequência final de reencontro familiar é devastadora e, volto a dizer, impossível de acreditar se  for verdadeira.

Mas porque não seria ? Se for, só tenho a comentar que o destino existe.

Filmaço. Um dos melhores do ano.

-------------------

Trailer abaixo 



-------------------------------

Segue abaixo, crônica da Marta Medeiros, publicada dia 02/01/2013, no Jornal Zero Hora, onde ela comenta o filme e a metáfora "tsunami"

Tsunami como metáfora - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 02/01

A palavra tsunami só entrou no meu repertório a partir da tragédia acontecida na Tailândia. Antes disso, se eu a vi escrita em algum lugar, devo tê-la confundido com alguma sobremesa, quem me garantiria que não era uma prima do tiramisu?

Pois tsunami, descobri, era outra coisa, possuía um significado trágico. Águas revoltas emborcando corpos, afogando vidas, eliminando gente num ataque surpresa. Você imagina que está no paraíso (à beira-mar, quem não está?) e de repente é arrastado para as profundezas com tal violência que, se conseguir escapar, não voltará o mesmo. Quem sobrevive, coleciona cicatrizes e traumas. Ou seja, tsunami passou a ser a metáfora ideal para todos aqueles momentos em que somos atingidos por uma força exterior capaz de deixar nosso mundo fora de lugar.

Seu marido saiu de casa, um tsunami. Demissão coletiva na empresa, um tsunami. Seu filho foi vítima de um assalto com arma, um tsunami. Todas as vezes em que você disse para si mesmo “não sei se vou segurar a onda”, era porque um tsunami estava passando por cima da vida satisfatória que você tinha antes.

Eu, que sempre fui fascinada por água, que sonho frequentemente com o mar e que costumo comparar a vida a um barco à deriva, passei a usar e abusar do termo tsunami para descrever abalos emocionais. Até que fui assistir ao filme O impossível, que reproduz o que aconteceu a uma família em férias naquele fatídico 26 de dezembro de 2004, e botei meus pés de pato de molho.

Amores terminam, pessoas adoecem, perde-se o emprego, e tudo isso modifica destinos, mas há que se levar em conta que esses são tsunamis razoavelmente previsíveis. É muito improvável que, durante toda uma vida, você não padecerá de algum infortúnio. Doerá, mas sabe-se que são através dessas dores que amadurecemos. Sofrer é péssimo, ninguém deseja nem merece, mas há que se reconhecer algum valor terapêutico nisso.

Já um tsunami de verdade faz sofrer de uma forma bem menos didática. O filme, principalmente no início, é de um realismo de embrulhar o estômago. Do meio para o fim, ele apela um pouco para o melodrama – a trilha sonora avisa a plateia: hora de chorar, pessoal! Mas é nas cenas iniciais, em que um inocente banho de piscina no hotel se transforma num terror absoluto, que a gente se dá conta de que quase nada do que vivemos em nosso cotidiano se compara a essa brutal agressão pela qual se é atingido de um segundo para o outro.

O que é pior: a dor física ou a dor emocional? Quando ambas acontecem ao mesmo tempo, a catástrofe é completa. Fiquei muito impressionada com o que assisti, porque não era apenas um filme, e sim um convite a entender o que sentem as vítimas de um drama que atinge o corpo por dentro e por fora. Tsunami como metáfora? A partir de agora, usarei com mais parcimônia.

Chacinas em escolas são tsunamis. Assassinato de um filho é um tsunami. Já para as nossas dores de cotovelo, frustrações profissionais e tristezas congênitas, a analogia prescreveu. Temporais: é isso que cai sobre nós de vez em quando, amém.

7 comments:

Anonymous said...

Lindo demais..e concordo com suas palavras...lutei muito contra..mas as lagrimas foram mais fortes e teimaram em cair..!!! Emocionante!!

Iuri said...

Obrigado pela visita. Volte sempre

Carlos Henrique said...

Olá e uma boa noite aos autores das críticas. Achei o filme perfeito e, mesmo sendo - ou fazendo pose - de apático, não consegui resistir a tamanha emoção.
Achei a explanação feita na 1ª crítica muito convidativa ao filme, parabéns! E a 2ª... Sem palavras! Simplesmente linda! Traz a tona tudo o que sentimos quando assistimos a esses desastres. Congratulações, a ambos, pelos maravilhosos textos. Meu sincero e singelo obrigado!

Iuri said...

Obrigado por passar por aqui, amigo. Volte sempre

Anonymous said...

Muito emocionante obrigada

Marcia gonçalves said...

Sempre choro muuuuuuiiiiito qdo assisto a esse filme. Amei d vrdd

Marcia gonçalves said...

Sempre choro muuuuuuiiiiito qdo assisto a esse filme. Amei d vrdd