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Tuesday, August 12, 2014

Filme – Linha de Frente (Homefront)

imagesUm filme que, a princípio, seria mais um da linha “Jason Statham”, sou seja muita pancadaria e pouco cérebro.

Só que não.

Com produção roteiro do Sylvester Stallone, (baseado num livro de Chuck Logan, um autor meio sazonal), “Linha de Frente” revela-se acima da média com uma história com um toque original e personagens interessantes.

Senão vejamos.

Phil Broker (Statham) é um ex-agente da DEA que entra em crise após uma ação contra uma gangue de motoqueiros que deu terrivelmente errado e custou a vida do filho do chefão (que jura vingança, é claro). Para completar ele perde a esposa e então decide se afastar da vida turbulenta e violenta da metrópole. Com sua filha Maddy de 9 anos (Izabela Vidovic) parte para uma pequena cidade esperando levar uma existência tranquila perto da natureza e das coisas simples. Só que a tal cidadezinha bucólica na verdade esconde um antro de viciados e marginalidade que acabam jogando o tira num espiral de violência insuspeitado.

Dito assim parece que a coisa é simples, direta e decerebrada.

Só que não (again).

Com um toque de “Fargo” (mas puxado pro Rambo) , o filme vai na linha dos “caipiras ignorantes” e a consequência dos seus modos brutos e sonhos de “se dar bem”, o que na verdadade só da merda, of course.

O legal do “Homefront” é que vários personagens não são lineares, do tipo ou tu é do bem ou tu é do mal, o que enriquece a trama e modifica a percepção do espectador em vários momentos. E os atores respondem bem. Todos estão ótimos. images

No desenrolar da história fica evidente que o livro de origem oferece muito mais, pois os “characters” (principalmente os marginais) são consistentes e bem desenhados . Pena que o filme – dentro do formato proposto – não tenha espaço para desenvolver o possível potencial do livro.

Mas, de qualquer forma, o resultado do filme é muito bom.

Abaixo, entrevista (em minha tradução livre) com Chuck Logan, o autor de Homefront

Link original aqui

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Chuck Logan é um autor veterano, que já tem nove livros pulicados, a maioria deles dedicada às aventuras de Phil Broker, um policial disfarçado da mais longínqua e nevada Minnesota. A força da justiça e o pai devotado está prestes a receber sua primeira adaptação para a tela grande com "Homefront", um filme de ação com script de Sylvester Stallone e estrelado por Jason Statham como Broker. O elenco também inclui Winona Ryder, Kate Bosworth e James Franco. Recentemente, o crítico de Blu-ray.com Brian Orndorf teve a oportunidade de sentar-se com Logan para discutir sua experiência com "Homefront" e seus planos futuros para publicação enquanto a revolução do e-book cresce.

 

chuck logan and jason sthatan

Chuck Logan e Jason Sthatam

P. "Homefront" foi publicado originalmente em 2006. Quando foi sua primeira aproximação com a idéia de transformar o romance em um filme?

Logan. A opção original foi em 2006, o que, eventualmente, expirou. A próxima foi em 2008, que expirou também. E então esta recente recente surgiu no ano passado, muito por acaso no meu caso.

P . O quão perto chegou do filme ser feito nessas duas primeiras vezes?

Logan. Eu não penso “muito perto”. Houve várias outras opções discutidas sobre outros livros e eu meio que fiquei cansado com a possibilidade de isso acontecer. Neste caso Stallone é um cara do tipo completo. Ele pode dirigir, produzir, escrever, atuar, e em muitos casos, é alguém que as pessoas enxergam como opção quando estão à procura de elenco, produtor e dinheiro. O fato de "Os Mercenários" ter sido um sucesso e os "Rambo´s" e "Rocky´s" também, lhe dá poder, mais poder ainda com a Millennium Films. E ele quis fazer o filme mas seu tipo (físico) não encaixava. E assim ele chamou Statham.

P. Qual foi sua reação quando soube que Stallone estava interessado?

Logan. Ele sempre foi interessado, mas quando ouvi que eles estavam fazendo o filme, entrei em êxtase. Um ano e meio atrás, eu praticamente perecera na espiral da morte do escritor midlist (nt : escritor que não é best-seller mas que justifica publicação – maiores informações aqui) . E agora Harper Collins está reeditando o livro, e eu estou trabalhando numa prequel (história prévia) da série. Eu gostaria de fazer um livro sobre a filha como adolescente, fazer dela a personagem principal. Então sou apenas um cara feliz.

P. Você preferiria que produtores começassem do princípio (da série) ?

Logan. Você pode lidar com os fatos do que está acontecendo. É difícil especular ou adivinhar este processo (de como o filme está sendo feito). Mas as chances são astronômicas que isto aconteça quando se sabe que um filme está sendo feito. Ainda mais em um um filme com bom orçamento e com algum poder de estrela. Eu estou muito satisfeito com o que está acontecendo, e, pelo que ouvi (eu não vi o filme), dizem que estão fazendo um bom trabalho. Muitas vezes as pessoas se idenficam com Jason Statham em posters onde ele está apontando armas, mas, neste caso (em Homefront) , ele está abraçando uma criança. Espero que este idéia frutifique. Considerando que muita coisa mudou do romance para o filme, a regra de ouro da adaptação é : " eles permanecem fiéis ao espírito da história?" . Na caso trata-se da força de um pai, e eles mantiveram isso, e todo o cenário por trás.

P. Quanto a este ponto (o cenário), a história foi transportada do Norte de Minnesota para a Louisiana. Como é que você aceita isso?

Logan. O que eu aprendi sobre o aparelho cultural norte-americano é que, quando o seu livro é lançado no universo paralelo de Hollywood, nem todos os personagens, nomes e locais o seguem. Assim , o meu desgrenhado policial de Minnesota é agora um britânico careca na Louisiana. O personagem principal do livro, a esposa, está totalmente fora do jogo. O que eu vou dizer: "Não, não vamos fazer este filme, porque eu quero total controle artístico?" Acho que eu poderia ter dito isso, mas não fiz.

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P. Stallone tem reputação de alguém que procura um monte de entrada para seus scripts. Há uma piada que diz que seu jardineiro merece crédito por escrever "Rambo" e "Rocky Balboa". Ele lhe procurou durante o processo de desenvolvimento do roteiro ?

Logan. Falei com ele no ano passado sobre um assunto diferente, sobre escrita de argumentos, e toda a vez que falávamos dei-lhe alguns toques sobre "Homefront". Então eles mudaram todo o quadro, rapidamente. Houve uma entrevista com Gary Fleder, o diretor, e Fleder disse que ele e Stallone queriam para Statham o mesmo rumo de Stallone em "Copland", onde ele fez um papel mais dramático, com 50 quilos a mais ( eu acho que ele se deu mal neste filme pois o personagem não condizia com o que o publico esperava dele). E eles (Stallone e Fleder) criaram uma mistura interessante de estrelas, como Franco, que foi uma surpresa. E ouvi que Kate Bosworth tem realmente uma bela atuação neste filme. E Winona Ryder. Então você está atraindo interesses fora do usual "vamos chutar e socar e quebrar os ossos" , típico do gênero. Isso é o que é interessante sobre o filme

P. Alguém da produção teve alguma interação com você? Statham lhe procurou para buscar algumas dicas ?

Logan. Não, nada disso. Acho que eu poderia ter ido até Louisiana, mas a menos que lhe convidem parece tipo uma pressão, como pressionar seu nariz contra o vidro (para espiar). O único feedback verdadeiro até agora é o que leio em vários blogs por aí. Você sabe, a internet é uma espécie de microcosmo da cultura, um bar de fronteira onde não se limita idade para beber, e onde você lê de tudo, e cá e lá vi alguns comentários bem interessantes. O USA Today fez uma entrevista sobre o filme em rede nacional. O que eles disseram foi que Statham estava tentando algo diferente. E se você ver o que ele fez em "Redenção", percebe-se que ele está buscando um papel dramático mais complexo, com mais camadas. O que eu acho bom.

P. Você mencionou ter falado com Stallone sobre roteiros. Você tem algum interesse em prosseguir nessa linha de negócio ?

Logan. Eu estava lançando outra história, outro livro, e há mais dois livros mencionados no contrato como possíveis sequências. Mas isso é especulação.

P. Voce se interessa em ligar-se à maquina Hollywoodiana ?

Logan. Não. Há uma citação famosa, não sei se de Fitzgerald ou Hemingway, que diz : "Você vai até a borda e joga o livro, e eles jogam o dinheiro de volta, e você corre como louco." Estou curioso. Estou ansioso para ir a uma estréia posando de garoto do campo entre as pessoas bonitas. Para mim será um campo de pesquisa

P. Tem planos para o Broker ? Voce mencionou uma prequel (história prévia).

Logan. Por causa do filme, o meu editor e eu estamos conversando novamente. A única coisa lógica a fazer, uma vez que você tem uma estrela de cinema e cartazes de publicidade, é escrever um livro chamado "Broker", e torná-lo uma prévia onde o herói é um cara mais novo. Vai ser confuso na cronologia dos livros atuais, onde Broker está prestes a se candidatar ao Medicare. No filme ele é totalmente diferente. A maneira mais fácil é voltar para quando ele era jovem, solteiro, e como ele chegou a ser um policial disfarçado, ou algo assim ..

P. Se fizerem outro filme com sua obra, lhe interessa ter mais controle ? Ou voce prefere os bastidores ?

Logan. Tenho certeza de que há um milhão de histórias sobre caras brilhantes que vão cheio de planos para Hollywood e acabam decepcionados. Penso que estou muito confortável onde estou agora. Eu posso continuar a escrever romances, e eles podem fazer o que quiserem com eles.

P. Fora “Broker” o que mais está em seus planos agora ?

Logan. Logo após o lançamento do filme e eles reeditarem "Homefront", vou lançar um e-book chamado "Fallen Angel". Tenho vários livros que não pude publicar antes, e agora o mundo mudou com o aumento da edição eletrônica. Planejo reprisar obras antigas, reescrevêndo-as, republicando-as como e-books. Eu gostaria de fazer um livro sobre a filha como protagonista em uma outra história, mas eu não sei onde que acabaria. Estou muito animado

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Elenco :

Jason Statham ... Phil Broker
James Franco ... Morgan 'Gator' Bodine
Kate Bosworth ... Cassie Bodine Klum
Marcus Hester ... Jimmy Klum
Clancy Brown ... Sheriff Keith Rodrigue
Winona Ryder ... Sheryl Marie Mott
Omar Benson Miller ... Teedo
Rachelle Lefevre ...Susan Hetch

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Trailer abaixo

Monday, May 26, 2014

Livro–O Drible (Sérgio Rodrigues)

 

1217“O que se estendia à sua frente era uma vida de merda, via com clareza agora, mas tudo bem, que fosse. Uma vida de merda. Teria a companhia de multidões.”

Assim Neto percebe seu futuro num momento “turning point” de “O Drible” (Sérgio Rodrigues - Companhia das Letras 2013).

Neto é um “looser total”, interessado em velharias da cultura pop, que se sustenta fazendo revisões de rasteiros livros de auto ajuda e que, após passar por um terrível trauma amoroso, só se envolve com garotas “de classe inferior”, as quais descarta logo que o “caso” começa a entrar perigosamente na categoria de “romance”. Filho do famoso cronista esportivo Murilo Filho, Neto, durante a infância, já órfão de mãe, comeu o pão que o diabo amassou nas mãos do pai agressivo, ausente e cruel.

Já adulto, depois de dez anos sem ver o pai frente a frente, Neto recebe um convite de Murilo para visitá-lo numa chácara no Rocio (Petropolis RJ) onde vive recolhido após abandonar a profissão. “Estou à sua espera, Tiziu. Estou morrendo” – ouve o pai dizer-lhe em tom melodramático ao telefone. Neto surpreende-se tanto pelo convite quanto por o pai chamá-lo pelo apelido que lhe dera na infância e que ninguém mais usava. O filho reluta mas acaba iniciando uma série de encontros com Murilo nos quais espera, de forma quase obsessiva, que o jornalista aposentado demonstre arrependimento por provocar a ruína de sua vida e, desta forma, lhe peça perdão.

Só que Murilo, alternando momentos de lucidez e outros de aparente “desligamento”, desvirtua a conversa toda a vez que o filho lhe coloca contra a parede questionando-o sobre sua desumanidade, sua perversidade como pai. Nestes momentos, o velho cronista, com toda sua bagagem de conhecimento, começa a divagar (ou “dar aulas”) sobre o futebol brasileiro, sua história, times, craques, campeonatos, copas do mundo. Fala sobre o futebol como elemento formador da cultura, da sociedade, do imaginário; o esporte como agregador, como gerador de ódio, violência e morte.

Também Murilo começa a lhe contar a trágica história de Peralvo – sobre a qual escreveu um livro ainda não publicado -, um jogador com determinados dons mágicos, que partiu de uma condição interiorana quase marginal para as glórias nos grandes clubes cariocas, e que se envolve, por vias completamente tortas, nos subterrâneos da ditadura militar.

Neto acaba embarcando neste mundo fictício ou real muito mais para estar perto do velho – e assim ouvir (ou extrair) o tão sonhado pedido de perdão – do que realmente interessado no que está lhe sendo contado.

Só que a velha raposa não embarca nesta tão fácil, e daí se estabelece uma espécie de jogo entre pai e filho, com ataques, recuos, faltas, inúmeros dribles e um assustador golaço final. drible - foto 1

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Bem, devo dizer que futebol não faz parte dos meus interesses e, portanto, entrei no livro meio que “sem vontade”.

Mas a coisa já começa muito bem com a descrição entusiástica de Murilo de um drible fantástico e humilhante que Pelé deu no goleiro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, na copa de 1970 (aliás o que este drible envolve, define o livro).

Então, mesmo para quem não é futebolista fanático, as passagens esportivas super bem escritas não incomodam em nada. Pelo contrário, servem como uma espécie de “Introdução ao Fanatismo do Futebol para Leigos”.

Também a mistura de personagens reais dos anos dourados e sessentas (Nelson Rodrigues, Mario Filho, Nara Leão, Garrincha, Pelé, etc) com fictícios é fantástica.

Mas estes e outros recursos utilizados pelo autor seriam elementos “inteligentes” se não estivessem a serviço de uma boa história. No caso de “O Drible” achei, a medida que evolui a leitura, que esta tal história era até “estava legal”, mas não esperava maiores surpresas.

Só que não.

O final é definitivamente esmagador (para usar uma gíria esportiva), elevando a sordidez dos personagens a níveis insuspeitados.

Me caiu os butiá do bolso. Portanto aviso que quem se aventurar neste livro, prepare-se para ficar C-H-O-C-A-D-O.

Imitando a Gleicy Kelly – personagem do livro - : É tipo assim, PÉIM !! na sua cabeça.

Excelente.

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Observação :

Sérgio pisa na bola ao afirmar que (falando de cultura pop na página 71), o Agente 86, Maxwell Smart, trabalhava para a UNCLE, quando na verdade ele trabalhava para o CONTROLE.

Absolutamente nada a ver.

Ele confundiu ”O Agente da UNCLE” com “O Agente 86”.

O agente da uncleagente86

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Video com o incrível drible de Pelé

Links para os blogs do Sergio Rodrigues

TODO PROSA

SOBRE PALAVRAS

Saturday, December 29, 2012

Filme - A ultima casa da rua



A ultima casa da rua

É  quase inacreditável  que uma atriz tão promissora como a Jennifer Lawrence tenha concordado em participar deste lixo.

Porém, segundo consta, ela teria aceitado em atuar nesta josta antes de encantar o planeta com suas performances em “Inverno da Alma” e “Jogos Vorazes”.  

Só assim se justifica esta sua pisada feia na bola.

Não sei qual foi a leitura que ela – e os outros atores – fizeram do roteiro antes de aceitar  ganharem um troco neste longa, mas realmente , se acharam que  estavam embarcando num projeto  decente,  o tiro saiu pela culatra.

Até que a certo ponto, o filme vai bem.

Mãe, Sarah,  (Elisabeth Shue – ótima) , recém separada, e a filha Elissa, (Jennifer Lawrence) mudam-se para uma casa no meio de uma espécie de parque florestal

Ali é a base para ambas começarem uma nova vida, numa nova cidade (novo emprego, nova escola, novos amigos, etc).

Jennifer e Elisabeth
Porem, o  vizinho delas é Ryan (Max Thieriot)  um garoto soturno e arredio que teve os pais assassinados pela irmã Carrie Ann, que todos julgam estar morta.

Só que Carrie Ann está “viva”, e Ryan a mantem numa espécie de prisão, da qual a garota foge várias vezes para ... o que mesmo ? 

- a gente pensa uma coisa, mas.... - 

Não vou dizer  mais nada,  mas afirmo  que tudo é extremamente frouxo,  gratuito.

Nada faz sentido. 

As motivações e ações dos personagens não são explicadas ( a idéia  da agressão na Disputa de Bandas saiu de onde ? ),  e não conseguimos simpatizar com ninguém em cena (se bem que eu gostei mais da Sarah, esta sim com algum miolo na cabeça).

Mas, pelo menos, o  que se espera de um thriller é muito suspense e sustos, sendo que isto certamente não ocorre aqui.

As cenas “tensas” seguem a cartilha mais babaca  do gênero, o que só provoca  bocejo e indiferença.

Tipo, "agora vai acontecer tal coisa"... e acontece mesmo.

O roteiro do David Louka  guarda vários “segredos”  e reviravoltas para surpreender e impressionar os incautos (só que tudo é muito mal explicado, ou nem é )

O Reflexo do Medo
 Mas para quem viu o excelente “O Reflexo do Medo”  (numa atuação espetacular da Sondra Locke) de 1973, fica logo óbvio qual é a “grande surpresa”

A idéia central ( a motivadora do "trauma") é absolutamente a mesma.

A cópia é tão descarada que o final da “Ultima casa...”  pretende recriar   o impacto da revelação da  última cena do  “Reflexo do medo”, o que  só funciona  para quem não conhece o clássico de 1973.
Sondra Locke em "O Reflexo do Medo"

Em "O reflexo .." o final fecha coerentemente - e assustadoramente - com tudo o que foi visto antes, situação que "A ultima casa " passa longe. 

Lamentável

Tudo bem, Jennifer é uma atriz sublime, um grande talento com um futuro promissor.

Vamos fazer de conta que ela não participou desta bomba.

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Trailer abaixo


Trailer do "Reflection of Fear"

Friday, December 28, 2012

Filme - O impossivel

O impossivel - Poster

Vou dizer uma coisa : se o que acontece com a família no  filme “O impossível” realmente aconteceu, ( o filme seria baseado em fatos reis),  é realmente quase impossível de acreditar.

A ação ocorre antes, durante e após, o terrível tsunami que devastou a costa da Tailandia  em 26 de Dezembro  de 2004.

A onda chegando
Hospedados num chiquérrimo resort, a família Bennet (Henry e sua esposa Maria, mais os filhos Lucas, Thomas e Simon), são atingidos pelo vagalhão monstruoso e, obviamente, são separados pelas águas destruidoras.

A partir daí acompanhamos a dor e a luta dos sobreviventes em procurar saber o que aconteceu com os demais membros da família.

O diretor espanhol Juan Antonio Bayona (do ótimo terror  “O orfanato”), apoiado num roteiro perfeito, comprova o talento ao montar uma narrativa assustadora e altamente emocionante.

Os atores estão nada menos que magníficos. Falar da Naomi Watts e do Ewan McGregor é chover no molhado.  Penso que poucos atores poderiam dar tanta credibilidade à dor pela qual os personagens passam.
Ewan McGregor detona

A grande novidade aqui é o Tom Holland, o garoto que faz o Lucas (o filho mais velho). O guri realmente detona. 

No início até que achei ele meio ruinzinho. Porém, a medida em que o longa avança, o personagem cresce de maneira admirável, e o jovem ator demonstra uma maturidade invejável.  Merece concorrer ao Oscar de coadjuvante.

"O Impossível" vem na linha dos filmes desastres, gênero no qual acompanhamos  dramas pessoais tendo como pano de fundo uma tragédia natural (tipo “O destino de Poseidon”), ou acidental (tipo “O inferno da Torre”). 

Porém aqui, sabemos que o desastre realmente aconteceu, o que causa um impacto maior nos espectadores.

As cenas das pessoas atingidas pela onda são terríveis, assustadoras, sufocantes. Muito piores do que qualquer filme de terror.   

Naomi Watts e Tom Holland
Os espectadores quase são afogados junto com os personagens.   

Porém o mérito do diretor é não explorar muito a grandiosidade do evento ( o que poderia fazer as cenas nas ondas renderem muito mais – se  fosse esta a intenção ), e sim focar a fragilidade, a pequenez  do corpo diante da força da natureza.

Depois, quando acompanhamos os dramas dos sobreviventes, o cenário é desolador, cruel.

Porém , ao mesmo tempo, vemos a força da solidariedade, da ajuda verdadeira entre as pessoas.  Testemunhamos o esforço para salvar vidas e minimizar as dores dos feridos.

Neste cenário quase pós apocalíptico, além da família Bennet, vemos o drama de vários outros personagens, o que aumenta toda a tragédia apresentada.

Já aviso que o filme  tem muita cena para chorar. Eu me lavei em várias. 

Naomi Watts e Tom Holland
A criatura tem que ser muito cínica para não derramar nenhuma lágrima (ou se emocionar profundamente) diante do que acontece na tela.  

A sequência final de reencontro familiar é devastadora e, volto a dizer, impossível de acreditar se  for verdadeira.

Mas porque não seria ? Se for, só tenho a comentar que o destino existe.

Filmaço. Um dos melhores do ano.

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Trailer abaixo 



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Segue abaixo, crônica da Marta Medeiros, publicada dia 02/01/2013, no Jornal Zero Hora, onde ela comenta o filme e a metáfora "tsunami"

Tsunami como metáfora - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 02/01

A palavra tsunami só entrou no meu repertório a partir da tragédia acontecida na Tailândia. Antes disso, se eu a vi escrita em algum lugar, devo tê-la confundido com alguma sobremesa, quem me garantiria que não era uma prima do tiramisu?

Pois tsunami, descobri, era outra coisa, possuía um significado trágico. Águas revoltas emborcando corpos, afogando vidas, eliminando gente num ataque surpresa. Você imagina que está no paraíso (à beira-mar, quem não está?) e de repente é arrastado para as profundezas com tal violência que, se conseguir escapar, não voltará o mesmo. Quem sobrevive, coleciona cicatrizes e traumas. Ou seja, tsunami passou a ser a metáfora ideal para todos aqueles momentos em que somos atingidos por uma força exterior capaz de deixar nosso mundo fora de lugar.

Seu marido saiu de casa, um tsunami. Demissão coletiva na empresa, um tsunami. Seu filho foi vítima de um assalto com arma, um tsunami. Todas as vezes em que você disse para si mesmo “não sei se vou segurar a onda”, era porque um tsunami estava passando por cima da vida satisfatória que você tinha antes.

Eu, que sempre fui fascinada por água, que sonho frequentemente com o mar e que costumo comparar a vida a um barco à deriva, passei a usar e abusar do termo tsunami para descrever abalos emocionais. Até que fui assistir ao filme O impossível, que reproduz o que aconteceu a uma família em férias naquele fatídico 26 de dezembro de 2004, e botei meus pés de pato de molho.

Amores terminam, pessoas adoecem, perde-se o emprego, e tudo isso modifica destinos, mas há que se levar em conta que esses são tsunamis razoavelmente previsíveis. É muito improvável que, durante toda uma vida, você não padecerá de algum infortúnio. Doerá, mas sabe-se que são através dessas dores que amadurecemos. Sofrer é péssimo, ninguém deseja nem merece, mas há que se reconhecer algum valor terapêutico nisso.

Já um tsunami de verdade faz sofrer de uma forma bem menos didática. O filme, principalmente no início, é de um realismo de embrulhar o estômago. Do meio para o fim, ele apela um pouco para o melodrama – a trilha sonora avisa a plateia: hora de chorar, pessoal! Mas é nas cenas iniciais, em que um inocente banho de piscina no hotel se transforma num terror absoluto, que a gente se dá conta de que quase nada do que vivemos em nosso cotidiano se compara a essa brutal agressão pela qual se é atingido de um segundo para o outro.

O que é pior: a dor física ou a dor emocional? Quando ambas acontecem ao mesmo tempo, a catástrofe é completa. Fiquei muito impressionada com o que assisti, porque não era apenas um filme, e sim um convite a entender o que sentem as vítimas de um drama que atinge o corpo por dentro e por fora. Tsunami como metáfora? A partir de agora, usarei com mais parcimônia.

Chacinas em escolas são tsunamis. Assassinato de um filho é um tsunami. Já para as nossas dores de cotovelo, frustrações profissionais e tristezas congênitas, a analogia prescreveu. Temporais: é isso que cai sobre nós de vez em quando, amém.