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Monday, December 05, 2005

Vanessa da Mata, Exorcismo, Bas-Fond e Eletrônica

REGISTROS DO FINAL DE SEMANA

SHOW - VANESSA DA MATA : Dentro do Programa de Circuito Cultural do Banco do Brasil (Identidade Brasileira), foi apresentado neste final de semana o show de Vanessa da Mata, no Salão de Atos da UFRGS. Com ingresso a R$ 5,00 o teatro estava lotado. Pontualmente às 21 horas as cortinas foram abertas e iniciou o show de abertura com o compositor local Mario Falcão. Um show absolutamente morno que quase me fez dormir. Show de abertura encerrado, novamente fecham-se as cortinas. Por volta das 22 horas é anunciada a atração principal. As cortinas se abrem e o teatro é invadido por um sons belíssimos onde se destacam os lamentos do acordeão. Fora de cena Vanessa começa a cantar “Vem” do seu último CD (Esta boneca tem manual). Logo ela entra, exuberante, com um vestido longo, leve e rústico. Os cabelos crespos domados com laços e um belo e discreto adereço. O cenário simples, decorado apenas com alguns panos pintados tem o acompanhamento ideal de uma iluminação corretíssima e alguns efeitos de fumaça. O efeito cênico é perfeito. Assim, no início, nota-se que sua voz ainda está fria além de um certo nervosismo ou insegurança em cena. Mas logo ela ataca com “Esta boneca tem manual” seguida o grande hit “Não me deixe só”. É o bastante para a festa, para a entrega começar. De ambas as partes. A platéia responde com gritos, assovios e palmas entusiasmadas. No palco, Vanessa responde com um crescimento vigoroso. Sua voz, seu corpo, seu gestual, sua emoção passam a dominar o teatro. Ela agarra o publico de modo certeiro e não irá largar mais até o final. O espetáculo segue com “Ainda bem”, sem dúvida uma das mais belas canções românticas da MPB, que tem a capacidade de provocar lágrimas em todos os apaixonados presentes. Logo depois vêm “Case-se comigo” ( também emocionante), “Música” e outras. Algumas canções do show me marcaram de modo especial. Antes de cantar “A Força que nunca seca”, Vanessa relembra que fez a letra –musicada pelo Chico César- para a avó. A música foi gravada pela Maria Bethania quando Vanessa tinha 21 anos e ela deixa claro que a partir daí as coisas começaram a acontecer na sua vida. Esta canção traz, na minha opinião, uma das imagens mais fortes da MPB quando descreve a força física, o sacrifício que as mulheres são obrigadas a fazer para equilibrarem latas dágua na cabeça. Diz a letra em determinado trecho : “...a lata não mostra / o corpo que entorta / pra lata ficar reta...” (lágrimas novante). Adiante ela canta “História de uma gata” da obra “Os Saltimbancos” do Chico Buarque. É impressionante! Inacreditável! Sua voz desdobra-se, reinventa-se. Sua “interpretação” da gata que troca o apartamento pela vida na rua é espetacular. Impossível aplaudir sentado. Ao final da música todo o teatro levanta e ela é ovacionada. O show segue perfeito até o final – com destaques para “Eu sou neguinha” do Caetano Veloso e “Joãozinho” (hilária). No bis, a grande surpresa da noite : sentada no chão, diretamente em frente ao público, totalmente despojada e acompanhada apenas por uma discreta guitarra, Vanessa simplesmente arrasa com uma interpretação dilacerante de “Tempos perdidos” da Legião Urbana. Os presentes babam de emoção. Após, a grande noite encerra-se com o repeteco de “Não me deixe só”. Todo o teatro em pé, dança e canta junto com Vanessa. O show acaba, fecham-se as cortinas.Clima de felicidade absoluta. A noite estava ganha.

FILME - CIDADE BAIXA : Um triângulo amoroso formado por dois semi-marginais e uma prostituta. Passado no bas-fond de Salvador, este filme apresenta personagens que gradativamente submergem num labirinto de perturbações com as quais não conseguem lidar e que acabam por enredá-los em uma teia de sentimentos desencontrados. Atração, repulsão, amor, ódio, raiva, ciúme, vingança, tristeza, solidão e desamparo, tudo regado a muito sexo, formam o universo de emoções onde as figuras debatem-se perdidas. Wagner Moura, Lázaro Ramos e Alice Braga estão ótimos, mas o destaque sem dúvida fica com Wagner. Confesso que tinha um grande preconceito por achá-lo um galãzinho global, mas ele arrebenta na interpretação. Um filme intenso, corajoso, com um final aberto (assim como a vida). Ao sair do cinema leva-se a sensação de ter assistido um dos melhores filmes nacionais recentes.

FILME - O EXORCISMO DE EMILY ROSE : Ridículo, patético, imbecil. Uma piada com pretensa aura de terror. Dito baseado em uma história real, o filme apresenta o julgamento de um padre acusado de negligência por ter tratado de uma garota doente (que teria um diagnóstico de epilepsia e psicose) com água-benta e Bíblia, deixando de lado o tratamento médico convencional. A garota, sem os remédios corretos, teria entrando num processo de anemia profunda além de apresentar surtos de auto-mutilação e coisas do gênero. É claro que o filme se propõe a levantar questões importantes, que no caso seria : a garota realmente estava possuída pelo Invertido –e neste caso surge toda uma discussão “profunda” a respeito de fé e religiosidade- ou era uma louca varrida que deveria ser internada? Equilibrando-se sobre este mote o filme apresenta cenas “fortes”
da tal garota se contorcendo e gritando igual a um porco no matadouro. Haja ouvido !! No final, a resolução, a “mensagem” é ridícula. Ou melhor, nem é tão ridícula; o problema é como, de uma hora para outra, o filme sai da linha terror e vira uma coisa religiosa, na linha “aparição da virgem”. Realmente não dá para aguentar. Fujam.

CD – CANSEI DE SER SEXY : Comprei ontem o cd desta banda paulista que está causando um certo buchicho no meio musical e que tem uma trajetória curiosa. Vinda da cena independente, a CSS (sigla da banda) começou a ser conhecida em outros pagos através da divulgação de suas músicas na internet. Daí, só cresceu o interesse pelo seu trabalho e que agora foi coroado com o lançamento de um CD pela gravadora Trama. Um pop-rock despretensioso, com largas cargas de eletrônica, letras “modernas” e alguma distorção. Me lembrou em algums momentos a banda Le Tigre (só que eletrônica) e a TATU. O curioso é que o CD é sem dúvida muito bem produzido, só que, para mim, algumas músicas soavam melhor nos arranjos antigos, como por exemplo “Meeting Paris Hilton”. De qualquer forma o álbum é muito bom e vale a pena.

3 comments:

Mariana said...

estou morrendo de saudade de finais de semana como esse... mas graças a Deus, terça acaba as aulas, acaba os trabalhos do rodrigo, acaba tudo.
e eu tava louca pra ver o filme.. pelo visto não vale a pena.

beijos!

Anonymous said...

Bem bacana mesmo o cd.
Lembra Sonic Youth.
Hoje tudo lembra algo.
Fazer o que ?!
Mas belê.
Interessante que as meninas da banda ( e o cara ) ficaram famosas por
terem uma música num lugar bem inaudito....
....no jogo " The Sims 2"......rs.

Vale pra quem gosta de eletônico e modinhas.
bjs
paulo.

greentea said...

os filmes e as músicas aqui são outros; esses talvez cá cheguem om outros titulos