Hino do Blog - Clique para ouvir

Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
Clique para ouvir

Thursday, April 25, 2013

Livro–Nossos Anos Verde-Oliva (Roberto Ampuero)

De forma romanceada - o autor explica o porque deste formato no texto abaixo - Roberto Ampuero, consagrado escritor Chileno, retrata, em Nossos Anos Verde Oliva”, sua trajetória como exilado em Cuba, após sua fuga do golpe militar em seu país.

Participante do movimento estudantil em Santiago, Roberto militou em organizações socialistas que acreditavam na resistência armada até a morte.

Depois de encarar um confronto com as forças militares na sua universidade, Roberto acaba refugiando-se na Alemanha Oriental, país onde conhece a cubana Margarida, filha do General Ulises Cienfuegos, que conforme a descrição de um personagem originário de Havana :

“Foi guerrilheiro e fiscal da República – ...- Um homem temido e odiado, agora embaixador nosso em Moscou. De olhos de aço e cabelo grisalho, um vozeirão impressionante e uma vontade implacável, era a pessoa que os contrarrevolucionários mais odiavam, pois, após o triunfo do exército rebelde, na sua qualidade de fiscal da República, mandou ao paredão centenas de opositores

Ou seja, Roberto acaba se apaixonando pela filha única de um dos homens mais temidos de Cuba. Um agente com plenos poderes para “tratar” todos aqueles identificados como “inimigos da revolução”.

Depois de um cena rocambolesca, que envolve a tentativa do casal em escapar para o Ocidente, Roberto e Margarita acabam mudando-se para Havana onde iniciam uma nova vida sob os auspícios das benesses oferecidas apenas ao funcionários e burocratas da cúpula do “regime igualitário”.

Porém ali, no país onde, para os sonhadores revolucionários latinos o socialismo tinha triunfado e a almejada sociedade justa tinha desabrochado, Roberto, pouco a pouco, vai conhecendo o lamentável e aterrorizante cotidiano do povo cubano.

Vendo de perto a falta de alimentos, as filas intermináveis para conseguir elementos domésticos básicos (higiene, limpeza, mantimentos, etc), a manipulação ideológica,a enganosa propaganda de massa, a perseguição política, a censura, os desaparecimentos, a vigilância opressora, Ampuero, mergulha cada vez mais seu intelecto na solidão, na insegurança e em conflitos ideológicos, éticos e humanos.

Nesta realidade, o jovem acaba vivenciando em redemoinho de situações que vão desde a humilhação emocional, profissional e política até momentos de fervor ideológico, momentos de “acreditar” – passando por situações absolutamente kafkanianas – até tudo desembocar na mais absoluta decepção e descrença com a utopia socialista.

“Nossos anos Verde Oliva” é um livro esclarecedor, corajoso, necessário.

Hoje quando vemos o que aconteceu com a aqui no Brasil (vergonha total), e quando vemos nossos “revolucionários tupiniquins” ainda a serviço de um regime arcaico sob o qual nenhum deles jamais moraria, papagaiando escrotidões socialistas (assustadoramente sem a mínima reflexão crítica) e ferozmente perseguindo – e acusando - todos aqueles que não concordam com a podridão da política cubana (e outras do gênero) – num belo exemplo de “democracia”- , o livro do Roberto surge como um oásis a contrapor toda e qualquer ditadura (seja de direita ou esquerda).

…………………………………………………………………………

Excerto do “Nossos anos verde oliva”, onde Roberto faz uma profunda e bela reflexão sua obra e tudo o que ela evoca.

Sobre a vida deste romance, onze anos depois :

Antes de entregar para a gráfica esta versão definitiva de “Nossos anos verde-oliva”, examino-a pela última vez, instalado em uma cabana cos­teira de Cayo Hueso, a cento e cinquenta quilômetros de Cuba.

Do mesmo modo que estive ali um dia, estou hoje aqui também rodeado de coqueiros e palmeiras, fiamboyants e figueiras, e envolvido pelo ar denso e quente do golfo. E, quando fixo o olhar no horizonte, cerzido por um bando de pelicanos imóveis, sinto-me como se estivesse de novo em Cuba.

Não consigo, porém, voltar à ilha. A publicação deste romance autobiográfico, escrito originalmente para minha mulher, meus filhos e meus pais, irritou de tal modo o regime que desde então minha entrada em Cuba está proibida.

É uma represália dolorosa, pois me impede de ir à terra onde passei urna etapa decisiva de minha juventude, onde tenho amigos, familiares e colegas, onde palpitam raízes de minha criação literária, e que continua habi­tando boa parte de minha memória.

É uma represália cruel, que me impede de voltar a um país que aprendi a amar e do qual, como seria de se esperar, sinto saudades. Uma represália que me une à diáspora de milhões de cubanos que perambulam pelo planeta pri­vados de sua pátria.

Acho perturbador que em pleno século XXI um governo possa se sentir afetado pelas memórias de alguém que viveu em seu território. Consigo entender que um governo critique um texto de históriaa sobre seu país ou alguma biografia sobre um legendário herói nacional seu, mas por que tem de se sentir prejudicado por memórias pessoais, que, por definição, são o que há de mais subjetivo e íntimo?

Por que o poder político se atribui o direito determinar o modo como alguém deve relembrar sua vida individual sob sua hegemonia? Assim como dita a história oficial, pode o poder político ditar também as recordações que os indivíduos irão conservar e compartilhar sobre sua própria existência? Pode esse poder querer também impor o modo como o indivíduo deve relembrar?

Evidentemente, pode-se censurar a plataforma material - um livro, uma gravação, uma página eletrônica - por meio da qual circulam as lembranças, mas não existe forma de regular a maneira como as pessoas relembram a própria vida.

E este romance é fundamentalmente minha memória, minha recordação pessoal, minha verdade individual dos anos de exilado que vivi na ilha. Por definição, as lembranças são uma versão pessoal, livre e subjetiva de um indivíduo, e não postulam nunca ser a história oficial. Têm a modéstia das mãos cheias de calos, a singularidade de um rosto, a limitação de uma forma particular de sentir. Poderíamos afirmar que sua limitação está justamente em constituir uma experiência pessoal que não aspira a a ser coletiva ou nacional.

Nas sociedades democráticas, as memórias individuais costumam coexistir com as centenas de outras memórias pertencentes a outras vozes individuais, versões da história que às coincidem ou divergem, dialogam ou monologam, ou então se corrigem,apoiam ou ignoram.

Não existe, portanto, a memória individual "correta" nem a memória privada "oficial", como tampouco podem existir critérios oficiais, governamentais, para regular de que os indivíduos têm de se lembrar a respeito de sua vida.

Como afirma com razão Gabriel Garcia Márquez, a vida de uma pessoa é o que essa pessoa guarda na memória. Por isso, além de ser um ato absurdo e a longo prazo inútil, a censura da memó­ria é a censura que aponta para o mais íntimo e profundo do ser humano. Nesse sentido, este romance deveria ser apenas uma mo­desta parte de uma gigantesca tapeçaria construída com retalhos de outras memórias sobre a América Latina e a Revolução Cubana, evocações que não têm como ser corretas nem incorretas, mas que simplesmente são.

Diante do poder político, as memórias indivi­duais carecem do poder de estabelecer um dogma ou um esquema interpretativo; apenas narram o evocado e o esquecido. Uma me­mória é feita do lembrado e do esquecido, de suas palavras e seus silêncios, de suas imagens e seus vazios.

Um romance autobiográfico simplesmente é isso: um texto de ficção nutrido pelas memórias de seu autor, um texto que por seu gênero não pretende ser a verdade oficial, e sim mais uma versão entre as de milhões de indivíduos que também relembram. Como não se atém a nada, a não ser aos fluxos da memória e às suas lacunas, é o gênero mais subversivo que existe, e o mais odiado pelas ditaduras.

Chama a minha atenção a vitalidade deste romance autobiográ­fico, que tem onze anos de existência e continua ganhando a cada ano, como sustenta Mario Vargas Llosa, novos leitores no mundo. Esta nova edição, corrigida e ampliada, avança nessa direção. Mas admito que o que mais me emociona em relação à vitalidade deste texto é que ele continua circulando clandestinamente em Cuba por meio de engenhosas listas de espera e bibliotecas independentes, mantidas por cidadãos de coragem cívica admirável.

Muitos exila­dos cubanos se aproximam de mim na América Latina, na Europa ou nos Estados Unidos, para me contar que leram Nossos anos verde- -oliva em sua pátria, em geral em exemplares amarelados e enseba­dos, forrados em papel comum, que eles leram rapidamente para poder reintegrá-los o quanto antes à circulação clandestina. E em cada conversa me agradecem por eu haver escrito sobre sua pátria e acrescentam que sabem, por experiência própria, que tudo o que é narrado aqui é certo e ao mesmo tempo verossímil.

Se Kafka tivesse sido cubano, pertenceria aos nossos autores de costumes, sustentam muitos dos exilados. Sei que este romance chega a Cuba por intermédio turistas que o contrabandeiam na bagagem, mas também por meio de funcionários cubanos que viajam ao exterior e o levam para a ilha para que outros também possam lê-lo.

Como mostra eloquentemente uma foto recente, até o presidente cubano Raúl Castro leu romance que fala de sua ilha e que ele, como seu irmão, censura.

Por que escrevi “Nossos anos verde-oliva?”, pergunto-me, olhando para corrente do Golfo de uma janela que, nas noites claras e sem lua, permite às vezes divisar o remoto clarão de Havana.

A resposta simples : escrevi porque não tinha outra forma de relatar meus anos na ilha àqueles que me consultavam a esse respeito.

Cuba era na época tão misteriosa quanto a Coréia do Norte. Não havia turismo internaciional, a ilha estava isolada, e seu regime mantinha por sua vez o isolamento para controlar melhor a população e impedir as ações da oposição no exílio. Como afirmavam então com orgulho dirigentes: em Cuba não entra quem quer, somente quem pode.

Enfim, escrevi este romance porque queria deixar um testemunho dessa etapa crucial de minha vida a Ana Lucrécia, minha mulher, a nossos filhos, a meus familiares. Escrevi-o com a franqueza e a honestidade com que são compartilhadas as evocações com as pessoas próximas.

Comecei a redigi-lo em Berlim Oriental, em 1981, em um ca­derno azul de capa grossa da desaparecida República Democrática Alemã, que ainda conservo com meus manuscritos. As anotações iniciais, no entanto, estão em um livreto, hoje também em meu poder, que eu mantinha nos anos 1970 em Havana, um livreto no qual fazia mim mesmo delicados questionamentos sobre o sistema cubano e teria causado sérios problemas caso tivesse caído um dia em mãos erradas.

Na hora de escrever a versão definitiva de “Nossos anos verde-oliva”, eu me vali dessas anotações e da minha memória, que en­tão estava ainda fresca e se esforçava para encontrar a palavra escrita antes que ela se esfumasse definitivamente no esquecimento.

Enquanto escrevia a reta final deste romance, percebi sempre a sombra de duas ameaças. A primeira vinha do Chile, para onde por sorte a democracia havia voltado, mas no qual a influência do ge­neral Augusto Pinochet e de seus serviços de segurança continuava tendo uma força nada desprezível. Isso me obrigou no final a retocar certos nomes. Se não tivesse adotado esse tipo de precaução, as anti­gas forças da repressão então ainda ativas - poderiam valer-se do texto para identificar e vingar-se de membros da antiga resistência.

A segunda ameaça vinha de Cuba: revelar em meu romance autobio­gráfico a identidade daqueles que me haviam confessado sua rejeição ao sistema podia representar para eles brutais represálias. Adotei en­tão precauções em ambos os sentidos, e por isso modifiquei os nomes de vários personagens e os locais onde ocorreram as cenas.

Poderia dizer que foi a ameaça de ambas as ditaduras latino-americanas o que terminou por converter minhas memórias em um romance au­tobiográfico, ou que o texto inicial optou por mudar de gênero para continuar contando sua verdade.

Reitero que cheguei à ilha de Fidel Castro fugindo de Augusto Pi­nochet. A ilha era então a minha utopia. Pinochet, o meu pesadelo. A experiência me ensinaria que ambos eram ditaduras, e que não há ditaduras boas nem justificáveis. Todas são perversas e nocivas, inimigas do ser humano e de sua liberdade. Vivendo na ilha me dei conta de algo essencial: nada, só a literatura, era capaz de relatar as circunstâncias, a atmosfera e os estados de ânimo que me coube ex­perimentar na maior das Antilhas.

Só a literatura, aquela que surge do conhecimento profundo da alma humana e de suas paixões, suas mesquinharias e grandezas, era capaz de dar conta daquilo que eu presenciava. Disso provém também a causa última pela qual o gênero do romance nunca perderá vigência. Na ilha, não demorei a intuir que me propunha a narrar algo inenarrável para um gênero que não fosse o do romance. Intuí que nem os jornalistas nem os tu­ristas que passavam apressados por Havana poderiam captar a Cuba profunda nem relatá-la em toda sua complexidade.

Só alguém que conhecesse essa realidade podia aspirar a uma empresa como essa. Eu o fiz, ou tentei fazê-lo, a partir da perspectiva do jovem idealista e estrangeiro que fui, a partir da dor causada pela decepção política em idade precoce, a partir da dignidade de quem desafia a repressão mais por leviandade juvenil do que por convicção profunda, e a par­tir da esperança de que um mundo melhor é possível, um sentimento que continuo abrigando com altos e baixos no presente.

Existe outra reflexão que gostaria de fazer em relação a
“Nossos anos verde-oliva” : não existem outros romances autobiográficos sobre a Revolução Cubana escritos por latino-americanos que tenham se exilado na ilha e tenham conhecido a vida real da nomenklatura, da minúscula e debilitada classe média e do pauperizado proletariado cubano.

É curioso.

O que explica que não haja outros romances autobiográficos de estrangeiros?, costumo me perguntar.

Fomos mi­lhares os latino-americanos que, fugindo das ditaduras regionais de direita, procuramos refúgio no que era então nossa utopia política, a ilha da democracia popular, do progresso e do anti-imperialismo.

Já não resta mais ninguém dessas gerações na ilha. A maioria voltou para seu país ou usou Havana como ponte para alcançar a Europa Ocidental - Suécia, Alemanha, França, Itália -, raramente para aterrissar na Romênia ou na Bulgária de então, ou na União Soviética, chamada pela esquerda revolucionária de "a Mãe Pátria". Por que esse silêncio de tantos sobre uma etapa-chave da recente história latino-americana?

Blg_Fidel_Castro_01

Por que não há memórias ou romances autobiográficos escritos por essa migração política tão maciça que celebrem a experiência da vida diária na ilha?

O que impede o re­lato sobre essa época na qual, diante de nossos olhos, as opções do mundo aparentemente se reduziam ao capitalismo selvagem ou ao comunismo, a Pinochet ou Castro, a Stroessner ou Honecker?

Por que desses entusiastas exilados fidelistas não surgiram romances au­tobiográficos sobre a experiência de viver na utopia política?

Será o temor de ser acusado de "traidor"?

Ou o fato de que na política convém mais calar do que expressar verdades dolorosas? Ou uma repentina indiferença pós-Cuba, ou a decepção que nos causou a utopia que um dia abraçamos?

Continua a me assombrar o silencio sepulcral que até hoje é guardado por essa geração.

Uma das questões que surgem ao conhecer as reflexões políticas de autores como Milan Kundera, Heberto Padilla ou Herta Müllei, que viveram em regimes socialistas reais, é como se pode depois ma­nejar essa experiência produtivamente cm termos literários. Isto é, como se pode viver sem ficar paralisado ou empacado como autor no ressentimento causado pelas humilhações e pelos abusos sofri­dos, e pelas campanhas de descrédito que o estado ditatorial lança contra os intelectuais dissidentes por meio de jornalistas, agentes e simpatizantes.

Suspeito que o melhor antídoto para essa dor cau­sada por quem monopoliza sua pátria e emprega seus símbolos, sua história e seus recursos para reprimi-lo e desprestigiá-lo é escrever sobre a própria experiência que a originou. Trata-se, ao que parece, de converter a dor em memória, em literatura, em resistência.

Encarado sob essa perspectiva, isso se torna curioso: é como se a repressão estatal contribuísse para selecionar justamente os momen­tos culminantes da dor, como se mostrasse ao escritor, além disso, qual é a dor mais comum e a angústia mais generalizada entre as ví­timas da sociedade ditatorial.

É por meio desse relato, que no fundo mapeia e orienta o poder político ditatorial, que o intelectual - de sua pátria ou do exílio forçado - estabelece a comunicação com ou­tros seres humanos e alcança o universal através do individual.

Nesse sentido, reler de novo e ampliar “Nossos anos verde-oliva” é algo que me revigora, me faz visualizar com maturidade e objetividade essa etpa e compreender a verdadeira dimensão das cruéis encruzilhadas em nos encontrávamos como jovens da Guerra Fria, uma época que a renúncia ao compromisso político original era considerada traição, o exame crítico dos ideais significava passar para o lado do inimigo, e abandonar a utopia podia representar a morte.

A publicação deste romance me fez enfrentar dissabores com regime cubano e seus defensores, mas principalmente me trouxe alegrias e satisfações. Uma das maiores satisfações é saber que expressei, por meio dessas evocações, um compromisso universal com os direitos humanos, as liberdades individuais e a democracia sem sobrenomes, assim como minha rejeição a todo tipo de ditadura, seja esquerda ou de direita.

É uma lição para toda a minha vida, pois quando jovem acreditei de pés juntos que havia ditaduras detestáveis e outras que eram, apesar de tudo, justificáveis.

Outra coisa me ficou evidente enquanto escrevia este romance : que os anos vividos em Cuba, particularmente os últimos, quando caí em desgraça e não tinha teto, comida ou passaporte, me prepararam para enfrentar as inclemências e os golpes da vida, e também me ensinaram a desfrutar das pequenas coisas que ela oferece.

Lem­bro-me hoje de como fiquei feliz quando dispus de uma lata vazia de refrigerante ocidental que me foi presenteada por um turista e que me serviu como floreira na cabaninha em que me refugiei, ou do prazer com que saboreava uma fatia de pão de centeio que por meio artes escusas conseguia às vezes em uma loja para estrangeiros, ou do extremo cuidado com que lavava a única guayabera que tive na ilha, comprada com dólares que consegui no mercado negro.

E que dizer da gratidão emocionada com que aceitava a pequena xícara de café que me era oferecida por amigos cuja cota não dava nem para própria família...

Mas a proibição de entrar em Cuba me priva também de algo mais : de meu direito de apoiar pacificamente e em seu próprio território os cubanos que exigem a mesma coisa que nós, chilenos, exigimos sob a ditadura dc Pinochet: eleições pluralistas, democracia, direitos humanos, fim do exílio, justiça para todos, reencontro nacio­nal. Não conheço nada mais acertado sobre o destino de Cuba do que as históricas palavras pronunciadas por Salvador Allende sobre o futuro do Chile, em 11 dc setembro de 1973: "Muito mais cedo do que tarde, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre para construir uma sociedade melhor".

Confio real­mente que nesse momento eu possa estar em Havana. Desse modo, vou poder compartilhar a celebração do nascimento da democracia na ilha e, como diz a canção de Pablo Milanês, "em uma formosa praça liberada vou me deter para chorar pelos ausentes".

A experiência do Chile de Pinochet, da Cuba dos Castro e da escrita deste romance me ensinaram algo mais: não há nada que se pareça mais com uma ditadura de direita do que uma ditadura de esquerda, não há nada mais parecido com o fascismo do que o co­munismo, nada mais parecido com o hitlerismo do que o stalinismo. Para o cidadão comum, as ditaduras são todas iguais.

Para aquele que aguarda o interrogatório em uma célula da segurança do Estado, dá na mesma se seu torturador é de esquerda ou de direita, se é reli­gioso ou ateu, se acredita no comunismo ou na segurança nacional, se leva no cinto uma Kalashnikov ou uma Luger, se foi formado na antiga Bucareste ou em uma sala de aula da antiga Escola das Amé­ricas do Panamá.

Para esse ser humano sentado em uma cadeira com as mãos aladas às costas, cuja família ignora quando irá voltar, tudo isso dá na mesma. O terror e a dor, a angústia e o sofrimento, a impotência e a arbitrariedade que experimentará nesses calabouços serão simplesmente uma afronta à espécie humana.

Nesse instante, todas as ditaduras são uma e a mesma, e toda dor que o ser humano sofre diz respeito à humanidade em seu conjunto, não importa quais sejam as convicções políticas.

Enquanto releio este manuscrito, pergunto-me o que leva o ser humano, ou melhor dizendo, o que leva tantos seres humanos a condenar uma ditadura de direita e a celebrar ao mesmo tempo uma ditadura de esquerda.

Que retorcido mecanismo mental os conduz a denunciar o abuso, a tortura, a marginalização, o escárnio, o exílio, a repressão e o assassinato daqueles que pensam de modo diferente sob uma ditadura de direita, mas os faz justificar essas mesmas medidas contra aqueles que se opõem a uma ditadura de esquerda?

O que leva uma pessoa a condenar um general que dirige durante dezessete anos um país andino com mão de ferro e a elogiar em contrapartida um comandante que há cinquenta anos comanda de igual modo uma ilha?

Será que isso se deve à ignorância, à hipocrisia ou ao oportunismo, ou a uma lealdade mal-entendida em relação a bandeiras ideológicas, à postergação da realidade diante da utopia indivíduo em relação à massa, ou simplesmente à exacerbação extrema da falta de humanidade de nossos dias?

Da janela de minha cabana, examino uma curiosa foto que foi cada há algum tempo pelo portal eletrônico da Presidência da República do Chile. Aparecem nela o presidente de Cuba, Raúl Castro, e a então presidente do Chile, Michelle Bachelet. Ambos estão no estande chileno da Feira Internacional do Livro de Havana, o único lugar em toda a ilha onde meus livros foram expostos alguma vez. O general ergue em sua mão, diante da imprensa internacional um exemplar de “Nossos anos verde-oliva”, enquanto parece dizer à ex-mandatária que não é verdade que o romance esteja censurado na ilha.

Minha presidente parece estar constrangida, insegura. Ignora,  mas duas horas depois Fidel Castro, um de seus personagens admirados, lhe causará grande embaraço ao revelar a conversa particular que teve com ela sobre a demanda boliviana de acesso ao mar através do Chile. Observo a foto sob o sol do golfo e sinto que Bachelet, porque viveu na ex-Alemanha Oriental, que aquele livro, este livro, é sem dúvida proibido em Cuba. Por experiência, ela sabe que os regimes comunistas não toleram a menor crítica ao sistema.

Mas o importante dessa fotografia não são os chefes de Estado conversando no Caribe, mas o magnífico poder irradiado pela literatura nessa cena. Castro, que sabe que este romance é leitura clan­destina e obrigatória na ilha, exibe-o sugerindo que não há censura.

A mandatária não sabe o que fazer. Talvez solicitar timidamente a livre circulação do romance de um compatriota seu na ilha de sua utopia? Ou quem sabe dobrar-se dissimuladamente à estratégia dos Castro de que não existe censura em Cuba, prejudicando-me de pas­sagem com isso? Ou agir simplesmente como se a censura de livros chilenos não fosse da incumbência de um mandatário chileno em uma feira do livro dedicada ao Chile?

No final, a então presidente, talvez com o objetivo de não irritar seus anfitriões, opta por ignorar o ingrato fato de que em Cuba estão proibidas, junto com os meus ro­mances, as memórias de Pablo Neruda, e as de Jorge Edwards, por­que se referem - as de Neruda, de modo oblíquo - criticamente ao castrismo. Edwards e eu esperamos a distância, em vão, que na Feira Internacional do Livro de Havana Michelle Bachelet condenasse, mesmo que fosse com luvas de pelica, a censura às nossas obras, como em vão esperaram as corajosas Damas de Branco e os admi­ráveis dissidentes cubanos que ela se dignasse a recebê-los nessa sua visita para trocar algumas palavras, ou obter pelo menos um gesto de comiseração de uma mulher que trinta e cinco anos antes sofria a repressão de Pinochet como eles sofrem a dos Castro na atualidade.

Nunca imaginei que uma mandatária chilena que foi vítima da dita­dura militar e que lutou pela recuperação de nossa democracia viesse a ser incapaz de elevar a voz diante do ditador que mantém a censura sobre obras escritas por Neruda, Edwards e por mim.

Seu silêncio como representante de nossa nação foi e continua sendo doloroso e inexplicável para mim.

A rigor, enquanto escrevia “Nossos anos verde-oliva”, nunca me passou pela cabeça que essas memórias me colocariam um dia na lista negra de um regime, me converteriam no alvo das desqualificações de seus entes e asseclas, e que encontrariam tantos leitores no mundo. Esta história inicialmente não aspirava a ser publicada. Eram memórias sem pretensões, concebidas para permanecer entre os álbuns fotográficos da família.

Foi um editor chileno-guatemalteco, em algum momento comunista como eu, que me convenceu de que eu não tinha o direito de manter em meu criado-mudo uma etapa da história latiino-americana absolutamente desconhecida.

Custou-me aceitar e entregar estas páginas à editora, mas depois o tempo terminou dando razão ao editor.

Hoje o romance circula pela América Latina e por países europeus, e, o mais importante, é lido também, embora clandestinamente, na ilha.

Nestas páginas - como em minha vida de então o poeta Heberto Padilla desempenha um papel essencial. Trata-se de algo para mim inesquecível: ele e sua esposa, a pintora e poetisa Belkis Cuza Malé ofereceram-me em seu pequeno apartamento de Marianao, Havana, generoso refúgio em meus piores anos de beduíno sem teto nem caderneta de racionamento. Tudo isso está nestas páginas. O que escapa delas é a ligação telefônica de Heberto, em 2000, três dias antes de sua morte, para minha casa em Iowa City. Acabava de ler o livro, de se ver refletido nele, e por isso ligava.

E escapa também destas páginas o fato de que, em 1993, Heberto, já instalado nos Estados Unidos, visitou o Chile e ficou impressionado com a prosperidade e a estabilidade da jovem democracia. Quatorze anos antes, havíamos nos despedido por telefone, em Havana, de maneira apressada, sabendo que seu aparelho estava grampeado e que não voltaríamos a ver-nos na ilha, e agora, em 1993, tinha o privilégio de recebê-lo em minha casa chilena de Vina Del Mar.

Na suíte do mirante, passou dias escrevendo, lendo e contemplando o Pacífico, e conversando com minha mulher e comigo, desencavando lembranças que entrariam neste volume. Anos mais tarde, quando ambos residíamos nos Estados Unidos, voltamos a nos encontrarar em Miami.

Mas agora estamos de novo em um dia do ano 2000. Heberto me liga do Alabama, onde ensina literatura em um colégio particular. É um sábado de manhã, e ele tem tempo para comentar este livro e me falar de seu desejo de visitar a ilha. Está obcecado pelo desejo de vê-la. Não lhe importa o preço que tenha de pagar. Precisa sentir que não a está deixando para o regime. Talvez seja a morte próxima que lhe exige voltar para sua terra. Morreu sem poder voltar a ela. Outro crime dos Castro. Não há pior castigo do que despojar alguém de sua pátria, de seus amigos, suas tradições e sua paisagem.

... a partir daqui o livro se encaminha para seu emocionante final ....

…………………………………………………………………………

Comentários :

O personagem do General Ulises Cienfuegos foi baseado no General Fernando Florez Ibarra (1930-2012), o "Poça de Sangue" (Charco de Sangre).

Em 2001, Florez veio a público ( em entrevista ao jornal “La Tercera” do Chile ) criticar duramente o livro de Roberto (seu ex-genro) e, num momento de absoluta arrogância, assumir as mortes a ele atribuídas.

Disse ele :

"El personaje está basado en mi persona. Y mi comentario sobre eso es que Roberto Ampuero es un miserable. Es la primera vez que hablo en público sobre él, pues por asuntos muy personales no había querido nunca salirle al paso".

"Ampuero sería hoy un don nadie si no hubiese tenido la suerte de vivir en Cuba. Gracias a la Revolución cubana y a sus suegros tuvo casa, comida y ropa limpia. Con el sustento resuelto, se dedicó a sacar provecho de la nueva beca obtenida. Y una vez concluida la meta de ser profesional, con el título de licenciado bien seguro bajo el brazo, salió de Cuba, dejando atrás dos hijos, uno de ellos de su matrimonio fracasado, de quienes poco o nada se ocuparía en lo adelante".

"Su salida de La Habana no fue en nada traumática, riesgosa o plagada de amenazas. Salió como todo viajero común y corriente, con su pasaporte y su equipaje, rumbo a Alemania -la otra, la Federal. Allí, en contra de lo que su libro relata, se mantuvo en amistoso contacto con la Embajada de Cuba. Por supuesto, no podía ser de otro modo, aún le era útil conservar un aura progresista; pues no hay que olvidar que en esos años -principios de los ochenta- el socialismo europeo no daba señales del descalabro que ocurriría un lustro más tarde y para un redomado oportunista es imprescindible estar bien con Dios y con el Diablo".

"Esas muertes no me han quitado el sueño. Jamás he dejado de dormir un minuto, ni siquiera en la siesta. ¿Sabe por qué? La mortalidad infantil en mi país es de sólo siete por cada mil habitantes. Es decir, con la revolución le hemos salvado la vida a cientos de miles de niños".

"Cuando América Latina, siguiendo órdenes de los yanquis, rompió relaciones con Cuba, a excepción de México, nos sentimos con las manos libres para tomar cualquier actitud frente a los países que nos habían despreciado". "Lo que sí sé es que ayudamos y que dimos instrucción militar y que eso no se lo hemos negado a nadie".

"La revolución cubana no va a finalizar con Fidel, porque está afincada en vínculos muy sólidos. Sea cual sea la situación, sería tan grande la resistencia que costaría demasiados muertos al enemigo. Y nuestro enemigo no arriesga muertos".

Roberto então deu a resposta :

Hace pocos días Fidel Castro afirmó por la televisión cubana que los países que condenaron a su régimen ante la Comisión de Derechos Humanos de Naciones Unidas -entre los cuales se encontraban las principales democracias europeas, así como Costa Rica y Argentina- merecen irse por "el inodoro". El pasado jueves, imitando el tono soez y descalificador de su líder, el ex fiscal de la revolución cubana, Fernando Flores Ibarra, empleó en páginas de este diario el mismo estilo innoble para referirse a mi persona.

Por respeto a mi familia, a la opinión pública y a mí mismo no voy a ingresar al terreno de las descalificaciones personales con un hombre acostumbrado a ellas y que cuenta con el triste prontuario, del cual se vanagloria, de haber enviado al paredón a cientos de personas. Todo tiene un límite en la vida y, como aprendemos desde la infancia, hay seres con quienes sencillamente no se discute. Hacerlo es colocarlos a nuestra altura, concederles un favor. Por ello me remitiré sólo a lo sustancial.

El estilo empleado por Flores Ibarra retrata de cuerpo entero al régimen castrista: ante la ausencia de argumentos, recurre a la difamación y la ruindad moral para intentar descalificar a quienes piensan diferente. Los opositores son "enemigos en una guerra", el exilio cubano es "la escoria", los activistas por los derechos humanos en la isla son "lacayos del imperialismo", y quienes -como yo- exigen democracia son unos "miserables".

Ningún crítico al régimen de Castro es una figura respetable. Tras 42 años de dictadura, el castrismo no es capaz de mencionar a ni un sólo opositor que considere honorable y merezca el derecho de organizar un partido opositor en la isla.

El fiscal, que no desmiente haber ejecutado al menos a un centenar de personas, sale dos años después de la publicación de mi novela "Nuestros años verde olivo" a la palestra pública alegando que él es el personaje Ulises Cienfuegos, y que eso lo perjudica. En verdad eleva su voz en mi contra pues le irrita mi acción pública en favor de la democracia para Cuba y el hecho de que mi novela circule clandestinamente en Cuba. Pero, en rigor, no es cierto que Flores Ibarra sea el personaje de la novela. No lo es, porque no me interesaba describir a una persona real -con la cual, además, dejé hace 25 años de tener un vínculo familiar-, sino crear estéticamente un protagonista revolucionario, un ente de ficción, como fenómeno social.

El fiscal no es Cienfuegos. Este luchó en el Ejército Rebelde, mientras que Flores Ibarra se sumó después del triunfo revolucionario al castrismo; Cienfuegos es embajador en la Unión Soviética; Flores Ibarra jamás lo fue; Cienfuegos está casado con una intelectual cubana, Cienfuegos con una empresaria chilena; Cienfuegos tiene cargo de conciencia a ratos por las muertes que ha ordenado, Flores Ibarra, como lo reiteró en la entrevista, no pierde el tiempo en contar el número de sus víctimas; Cienfuegos muere durante un viaje a Madrid en los años noventa y, por lo que veo, Flores Ibarra está vivito y coleando, pero no en el socialismo cubano, que tanto elogia y admira, y que no deja salir a millones de sus compatriotas, sino en el modelo capitalista y neoliberal de Chile. En lo que sí coinciden Cienfuegos y Flores Ibarra es en que ambos han ejecutado a personas y llevan un mote indeleble en la historia cubana: "Charco de sangre".

Es sorprendente que Flores Ibarra, que afirma "no haber perdido un minuto de siesta" pensando en sus víctimas y el dolor de sus familiares, quiera hacernos creer que su prestigio -¡si alguien así puede tenerlo!- se ve afectado por una novela, que no lo menciona, y un personaje de ficción que no es él. No son "Nuestros años verde olivo" y Ulises Cienfuegos quienes constituyen el problema de Flores Ibarra -ojalá el suyo fuese un problema literario-, sino sus centenares de muertos y condenados a cadena perpetua, la mayoría de los cuales tuvieron procesos que no duraron 48 horas. Y Flores Ibarra, de quien hablo públicamente por primera vez y sólo porque él está embarcado en una vasta campaña de descrédito en mi contra, no es un tema para mí, sino más bien para la futura justicia en una Cuba democrática.

Yo viví, estudié y trabajé en Cuba, y esa experiencia, reflejada en "Nuestros años verde olivo", me hizo renunciar a mi militancia comunista. No soy yo el que ofende a Cuba con la descripción de su régimen, sino éste con sus 42 años de existencia. Precisamente porque conocí la isla y a su magnífica gente es que me siento comprometido con la lucha de los cubanos del exilio y la isla por la democracia. La acusación de "malagradecido" es un manido recurso castrista, que Flores Ibarra utiliza para intentar desprestigiarme.

Encierra un concepto canino del ser humano: te doy comida, trabajo y adiestramiento, pero te quedas en mi patio y me eres fiel de por vida, o de lo contrario te declaro traidor a la patria. Eso es tan absurdo como acusar de traidores a la patria a Gladys Marín, Volodia Teitelboim o Camilo Escalona por aspirar a transformar el orden imperante en Chile después de haber estudiado, comido, trabajado y consultado a un médico en una posta de Santiago. La entrevista del fiscal es una lección para quienes aún sientan simpatías por el régimen de La Habana, pues revela la mentalidad totalitaria que guía a sus líderes y el desprecio absoluto que sienten por la vida de quienes piensan diferente. Muestra, además, que pese a vivir desde hace años en Chile, Flores Ibarra no ha aprendido nada de la percepción extremadamente crítica que tiene aquí la opinión pública de los violadores de derechos humanos. Por suerte cuento con pasaporte chileno y no vivo en Cuba, de lo contrario, gracias a "Nuestros años verde olivo" y Cayetano Brule, hubiese incrementado el número de ejecutados que no le quitan el sueño al fiscal.

Esa entrevista debe enseñarse como texto cumbre del pensamiento totalitario contemporáneo. A quienes pretenden el cambio en la isla -que son millones, de lo contrario habría elecciones libres- el fiscal no les ofrece la posibilidad de organizarse políticamente para competir por las preferencias de los cubanos, sino que les amenaza con balas, corvos y muertos. El régimen está supuestamente en guerra desde hace 42 años y los disidentes son el enemigo. Por favor: la trayectoria de Flores Ibarra es de una perversidad asombrosa: la inició con la ejecución de cientos de personas para imponer el socialismo estatista, la continuó en la diplomacia defendiendo al régimen con el que se identifica, y desemboca finalmente en el barrio alto de Santiago de Chile, en el capitalismo que combate. Aquí goza hoy de las oportunidades que le ofrece la economía chilena, de la libertad de entrar y salir de Cuba -como no puede hacerlo el resto de los cubanos- y se permite el lujo de difamar a un novelista y periodista chileno, que exige algo elemental: elecciones libres para los cubanos.

Tal vez coincidimos al menos en dos cosas con Flores Ibarra: La primera, en que ambos financiamos parte de nuestra existencia con recursos que surgen de la economía chilena. Y la segunda, en que ambos sabemos que es preferible vivir en el capitalismo a hacerlo en el socialismo que se construyó con la ayuda de las ejecuciones de quien tiene un apodo escalofriante e imborrable en la memoria de todos los cubanos.

…………………………………………………………………………

Ibarra é autor de “Yo fui enemigo de Fidel”. O título levar  acreditar que Ibarra e Fidel eram inimigos. No “Nossos anos verde-oliva”, Roberto explica as circunstâncias desta tal “inimizade” e como ela acabou “beneficiando” Ibarra.

3 comments:

Jorge Ramiro said...

Eu amo ler, ler sempre. Eu sou um vendedor de uma ração para coelhos e quando estou à espera de clientes, eu leio.

Iuri said...

Ler sempre. Em todo lugar e a toda hora

Anonymous said...

Livro excelente! Nota 10! Leiam!