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Monday, January 02, 2006

North Country

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Um pênis de borracha no local da comida, esperma nas roupas do armário, palavrões (tipo "putas", "buceta" e "vadias") escritos com fezes nas paredes do vestiário feminino. Estes são alguns dos exemplos de violência a que estavam submetidas as primeiras trabalhadoras da mina de ferro Northern Minnesota nos EUA por volta do ano de 1975.

Pagando o preço do pioneirismo estas mulheres sofriam, no dia a dia, o assédio e agressão de vários de seus colegas em um ambiente onde eram vistas como intrusas e inferiores. Esta situação de horror perdurou durante muito tempo até que uma delas, Louis Jenson, ousou desafiar a situação e buscou recuperar sua dignidade, seu amor-próprio através da justiça.

A história desta luta é contada, com algumas liberdades dramáticas, no filme “North Country”, ainda sem título em português (acho que será “País do Norte”) ou data para estrear no Brasil, que traz a magnífica Charlize Theron em mais uma poderosa interpretação dramática que sem dúvida a colocará no páreo do Oscar 2006.

Em “North Country” acompanhamos a saga de Josey Aimes, uma jovem mulher que sai de um casamento violento com dois filhos para sustentar. De volta à casa dos pais (e o pai especificamente a rotula de “perdida e “inútil”) ela começa a trabalhar como cabelereira até saber que a mina de ferro local está contratando operárias. Certa de que este é o caminho para sua independência financeira ela passa a trabalhar na mina e celebra o começo de um novo horizonte para si e seus filhos.

Porém o que seria uma benção, um começo de nova vida, transforma-se num pesadelo quando Josey percebe que ela e suas colegas, para manterem o emprego, devem submeter-se às piadas e agressões dos colegas operários.

Depois de sofrer diversos tipos de violência e buscar em vão meios de resolver os problemas dentro da mina –com chefes e colegas-, Josey decide processar a empresa. E isto não será nada fácil. Na luta pela sua honra a trabalhadora enfrenta diversas barreiras no trabalho, familiares e sociais, além de ter sua vida sexual exposta no tribunal como forma de acusação (uma maternidade de “pai desconhecido”). É impressionante a clima crescente de abandono e solidão que a personagem enfrenta à medida em que seu processo torna-se público.

O filme também mostra a fragilidade da coragem quando enfrentada com a necessidade de sobrevivência. Nestas situações pergunta-se: vale a pena expor-se, sofrer represálias, correr riscos, ser despedida, discriminada, excluída mas buscar seus direitos ou, ao contrário, deve-se calar e continuar sofrendo mas manter o seu meio de subsistência? Esta questão é bem colocada em “North Country”.

Na vida real o drama de Louis Jenson foi tamanho que ela acabou desenvolvendo “desordem de stress pós-traumático” o que acabou por afastá-la das minas. A ação coletiva liderada por ela, arrastou-se durante mais de 10 anos nos tribunais até que as impetrantes saíssem vencedoras.

Um filme que vale a pena.

6 comments:

Rodrigo Thor said...

mais uma dica daquelas
vou anotar aqui. abração, e ótimo 2006!

Guga said...

comecei a ler e parei, pois não quero saber nada desse filme!! He he, mas com certeza a Charlize é tudo de bom, em todos os sentidos!!!

greentea said...

Optimo! Vens sempre na altura certa.
Estou a reunir textos e a tentar escrever um livro sobre a violencia sexual e outras exercida sobre a s mulheres. Aqui, em Portugal, neste seculo XXI, uma bébe de pouco mais de um mês foi agredida e violada pelo próprio pai e entrou em coma no Hospital - pelo menos, vai ficar cega para toda a vida se recuperar dos outros traumas.
No Norte, outra mulher foi agredida durante anos pelo marido e depois fechada num quarto sem comida nem água e mais tarde deixada nua acorrentada junto de um tanque durante uma noite e um dia de calor intenso...
Muitas formas de violencia existem. Como explicar? Como entender? Lembro aquela mulher africana que ia morrer apedrejada, cuja história circulou na net, lembro uma argelina que ia ser queimada pelo próprio irmão porque fora vista a falar com um homem q não era da familia, lembro as meninas a quem fazem excisão do clitóris com uma simples gilette e tantas outras.
Vamos continuar a permitir que isto suceda???????????????

Mariana said...

eu tmb não gosto de ler as tuas críticas, a não ser q eu jah tenha visto o filme.
bjos

Anonymous said...

Iuri,

Obrigado pela dica. Assim que tiver oportunidade vou assistir. Filmes sobre pessoas que assumem uma causa coletiva e puxam sobre si a responsabilidade me agradam muito, porque mostram que o mundo precisa de pessoas assim. Mais: elas são imprescindíveis. Essas são os verdadeiros revolucionários, como
foram, por exemplo, Martin Luther King.
Vive-se pregando que é importante preocupar-se com os outros (mais
fortemente, com 'o outro', porque no plural fica diluído demais), mas de
concreto pouca gente faz o que deve ser feito. E asumir a defesa de minorias exploradas e espoliadas é sempre uma guerra difícil de vencer.
Um bom 2006 pra você cheio de sonhos e crença que podemos construir um mundo melhor.

Waldomiro

Anonymous said...

Ainda não vi o filme, mas pretendo. Depois da atuação da Charlize Theron em "Monster", imagino que ela esteja tudo-de-bom neste filme também.
Hoje em algumas situações não chega a ter "um pênis de borracha no local da comida" ( até porque é um produto caro de obter-se), mas ainda existem profissões e lugares onde a presença da mulher é indesejada.
Conheço uma pessoa que diz : odeio chefe mulher.......essa com toda certeza colocaria um pênis de corracha no prato de comida da chefe.
Bjo

Themis