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Thursday, January 12, 2006

Mentiras e Interesses da Sedução (Freakonomics)

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O quanto mentimos para conquistar alguém? Dizem que no jogo da sedução vale tudo : pose, charme, olhares, sorrisos e, claro, algumas pequenas mentiras ou omissões (para ficar mais light). Isto é certo ou errado? Eu seria hipócrita se dissesse que é errado pois afinal sei bem que ninguém se revela totalmente logo de cara ao aproximar-se de alguma pessoa que lhe interessa.

De qualquer forma é interessantíssimo conhecer alguns resultados de uma pesquisa, realizada por dois economistas americanos, sobre os dados de um site de encontros dos EUA.

O texto foi retirado do best-seller “Freakonomics” de Steven. D. Levitt e Stephen J. Dubner.

“Ali Hortaçsu, Günter J. Hitsch e Dam Ariely analisaram os dados de um dos principais sites de encontros, direcionando seu foco para cerca de 30 mil usuários, metade deles em Boston e a outra metade em Sam Diego. Cinquenta e sete por cento deles eram homens, e a idade média válida para todos os usuários era de 26 a 36 anos. Embora representassem uma miscigenação racial adequada para se chegar a algumas conclusões sobre raça, eram predominantemente brancos.

Igualmente, eram mais ricos, altos, magros e bem-apessoados do que a média. Ao menos a confiar no que haviam escrito sobre si mesmo. Mais de 4% dos paqueradores online afirmavam ganhar mais de $200 mil por ano, embora menos de 1% de usuários da Internet efetivamente ganhe tanto, o que sugere que três em quatro desses abonados tenham exagerado.

Usuários de ambos os sexos declaram ser cerca de uma polegada mais altos que a média nacional. Quanto ao peso, o dos homens se mostrou em compasso com a média nacional, enquanto as mulheres quase sempre se declaravam cerca de nove quilos abaixo da média nacional.

O mais notável é que 70% das mulheres afirmavam ser donas de uma beleza “acima da média”, incluídas aí 24% delas que se diziam “lindas”. Os homens não ficavam atrás: 67% descrevem a si próprios como “acima da média”, incluíndo aí 21% “muito bonitos”. Isso reduz a apenas 30% o percentual de usuários com aparência “média”, incluíndo aí 1% com aparencia “abaixo da média” o que indica que o típico usuário dos sites de encontros seja ou um fantasista ou um narcisista ou meramente avesso ao significado de “médio” (...).

Vinte e oito por cento das mulheres no site disseram ser louras, um número bem acima da média nacional, o que indica a presença de muita tinta ou de muita mentira, se não de ambas.

Alguns usuários, porém, mostraram-se estimulantemente honestos. Oito por cento dos homens – cerca de 1 em 12 – admitiram ser casados, sendo que metade se declarou “feliz no casamento”. A honestidade, porém, não os faz temerários. Desses 258 “bem casados” da mostragem, apenas 9% optaram por juntar uma foto. O lucro de ganhar uma amante evidentemente foi desbancado pelo risco de ter o próprio anúncio descoberto pela esposa. (“E o que você foi fazer nesse site?”, o marido poderia protestar, embora de nada fosse adiantar.)

De todas a receitas para se dar mal em um site de encontros, deixar de juntar uma foto certamente é mais infalível ( não que a foto precise ser, obrigatóriamente, do próprio; muitos usam a de um estranho mais bonito, mas tal feitiço em geral acaba virando contra o feiticero). Um homem que deixa de incluir sua foto recebe apenas 1/4 do volume da correspondência eletrônica enviada a outro que a inclua; no caso das mulheres, 1/6.

Um homem de baixa renda, pouca instrução, insatisfeito no emprego, não muito atraente, ligeiramente acima do peso e careca que inclua a sua foto tem mais chance de receber alguns e-mails do que outro que declare receber $200 mil e ser estonteantemente lindo, mas deixe de incluir uma foto. Existem múltiplas razões para alguém não incluir uma foto – trata-se de uma dificuldade técnica, o freguês tem vergonha de ser flagrado pelos amigos ou, simplesmente, é feio – mas, como no caso de um carro zero com a tabuleta de “vende-se”, os interessados concluirão que algo muito errado se esconde sob o capô.

Arrumar um encontro não é fácil. Cinquenta e sete por cento dos homens que põem anúncio não se recebem sequer um e-mail; 23% das mulheres não obtêm uma única resposta. Por outro lado, as características que suscitam melhor retorno não surpreenderão ninguém que conheça minimamente os dois sexos. Com efeito, as preferências expressas pelos paqueradores online combinam direitinho com os estereótipos mais comuns de homens e mulheres.

Por exemplo, os homens que dizem querer um relacionamento duradouro se saem muito melhor do que os que buscam um namoro passageiro. No entanto, as mulheres atrás de namoros passageiros dão-se maravilhosamente bem.

Para os homens, a aparência da mulher é fundamental.

Para as mulheres, a renda do homem é da maior importância. Quanto mais rico, mais e-mails um homem recebe. No caso das mulheres, ao contrário, o apelo da renda apresenta uma curva que sobe e desce: os homens não querem sair com mulheres que ganham pouco, mas quando elas começam a ganhar demais, eles fogem apavorados.

Os homens gostam de sair com estudantes, artistas, musicistas, veterinárias e celebridades (evitando secretárias, aposentadas e integrantes das forças armadas e da polícia). As mulheres preferem os militares, políciais e bombeiros (...), bem como advogados e executivos financeiros. As mulheres evitam operários, atores, estudantes e homens que trabalham com comida ou com atendimento.

Para os homens, ser baixo é uma grande desvantagem (o que talvez explique por que tantos mentem nessa área), mas o peso não tem tanta importância. Para as mulheres, ser gorda é mortal (o que explica por que elas mentem).

Para um homem, ter cabelo vermelho ou encaracolado é ruim, assim como ser careca, mas tudo bem se a cabeça for raspada. Para uma mulher, cabelo grisalho é péssimo, enquanto madeixas louras são o máximo. No mundo da paquera eletrônica, uma cabelera loura numa mulher vale mais ou menos o mesmo que um diploma universitário – e, com a tinta custando $100 e a anuidade acadêmica $100 mil, o preço é um bocado mais barato.

Além de todas as informações sobre renda, instrução e aparência, homens e mulheres no site de encontros incluem a raça a que pertencem. Indicam, também, suas preferencias com relação à raça de potenciais namorados. As duas respostas campeãs foram “a mesma que a minha” e “ não faz diferença”. (...)

Cerca de metade das mulheres brancas no site e 80 % dos homens brancos declaram que a raça não fazia diferença, mas os dados relativos às respostas contam uma outra história. Os homens brancos que afirmam que a raça lhes era indiferente enviaram 90% de seus e-mails de sondagem para mulheres brancas. As mulheres brancas que disseram não se importar com a raça mandaram 97% de seus e-mails de sondagem para homens brancos.”

11 comments:

Tristão said...

Está muito bom o seu blogue.

Anonymous said...

Meu Rei !
Eu creio que vale tudo no jogo da sedução, mas devemos tomar cuidado p´ra não sair muito fora da realidade, p´ra não corrermos o risco de termos que explicar coisas não verdadeiras.
O Lance é seduzir......depois ver como fica!!!!!!

Bjo

Anonymous said...

MUITO INTERESSANTE A PESQUISA... ACHO Q VOU ME PREPARAR MELHOR...

Mao

Anonymous said...

Muito interessante. Esta pesquisa serve para confirmar o quanto a sociedade mente, a começar pelos indivíduos que com suas pequenas mentiras vão tecendo esta teia de hipocrisia que nos rodeia e que infelizmente de uma forma ou de outra acabamos fazendo parte.

Euclides

Anonymous said...

Interessante, pois as pessoas vivem reclamando que tem problemas, mas se esquecem de um " pequeno detalhe ": elas próprias criam-os e ao fazê-lo anulam as mentiras, adotando como se fosse verdades absolutas o que dizem. E depois, como cumprir as palavras se na verdade vc não é detentor de tais atributos.

A vida é muito simples, mas o ser humano é capaz de complicá-la de tal sorte que alguns, como eu mesmo, não conseguem desfazer o nó em que se meteram.

Deixo essa reflexão aos mais moços e que tenha alguma valia, pois sempre é um custo vc se auto-punir, se mostrar copletamente despido, mais ainda perante pessoas que vc nunca viu e sem dúvida vão te julgar, de alguma forma.
Um abraço a todos os e-amigos,
CADÚ !!!!!!!

Mariana said...

bom... eu não me lembro de ter mentido tanto assim :P
eu acho q na internet, vale muito mais o q vc escreve do que a sua aparência.
bjo

Anonymous said...

Não acho certo mentir nesse tipo de situação.

Se você cria uma falsa expectativa, é certo que você vai decepcionar. Agora, se você faz uma imagem um pouco pior de si mesmo, mas sincera, vai surpreender.
Questão de lógica *Rs

Além do mais, de uma relação que começa com mentiras não se pode esperar muita coisa.

Eu, ao menos, se descubro quando alguém mentiu pra mim, por besterinha que seja, já perco confiança na pessoa. E pra reconquistar é quase impossível. Não recomendo.

É melhor ser sincero e atrair realmente quem gosta de você ou fazer todo mundo gostar de um personagem e viver neuroticamente. Depois você se torna escravo da própria máscara e não vai saber como sair disso...

AND

Permanente said...

Parece que não se incomodam muito com os encontros reais. Talvez nem acreditem que conseguirão realmente encontrar alguém real. De que adianta mentir tanto se na hora do olho no olho, a realidade se mostrará nua e crua?

Guga said...

É tudo externo... aparência, posses... é interessante como essa pesquisa mapeia o grau de infelicidade das pessoas, insatisfeitas consigo mesmas e aspirando ser o que não são... e procurando alguém que também não é o que gostaria de ser.

É triste.

Tatiana said...

Rapaz, tu gostas de uma pesquisa mesmo.
Fiquei feliz lendo a tal pesquisa porque me incluo em uma das profissões mais interessantes para chamar a atenção dos homens...
Tenho uma maiga que frequenta váris sites de encontros. Se ferrou algumas vezes, mas vive intensamente. Eu acho meio desesperador aessa situação.
Continuo vasculhando. Desço mais uma vez e leio o texto que segue.

Rodrigo Thor said...

esse livro é show.
Onde conseguiste?