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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Monday, November 07, 2005

No meu tempo...

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“Um dos problemas de uma longa vida é perder a perspectiva de seus contemporâneos e começar a ver tudo em termos de história. Todos passam por isto, embora nem sempre a clareza deste dilema lhes ocorra. Ter vivido mais do que nossos contemporâneos nos coloca tão fora da turma como quando éramos a aluna nova no novo colégio, no terrível e crucial pátio de recreio. Não contamos mais o tempo no ritmo que queremos, mas no do que lembramos, prefaciando cada lembrança com o fatal “no meu tempo...”, como se o tempo fosse de alguém e como se fosse mais seu então do que agora”.

Com este parágrafo suscinto e verdadeiro a excelente jornalista Ana Maria Bahiana inicia a resenha do novo disco de Paul McCartney (Chaos and creation in the backyard) publicada no último número da revista Bizz.

Conforme ela afirma, realmente esta questão (perder o link com o contemporâneo) é um processo pelo qual todos passamos com maior ou menor consciência. A medida em que avançamos na idade surgem outros interesses, outras necessidades, outras responsabilidades que, muitas vezes, vão nos afastando ou transformando muitas das motivações das nossa vida.

Isto está errado? É um problema?

Penso que a questão, a discussão se faz em cima do quanto isto nos incomoda.

O SAUDOSISTA

Para muitos de nós pode ser tranquilo, natural, assumir um comportamento saudosista com o qual nos identificamos. Deste modo podemos passar a adotar comentários do tipo “no meu tempo...” ou “na minha época..”. Particularmente não acho errado isto, nem um pouco. O que apenas me incomoda é quando este tipo de fala é acrescida de “.. é que era bom...”, ou seja, completando : “... no meu tempo é que era bom..”. Não concordo com este tipo de frase de maneira alguma; me soa pretensiosa, superior. Acho um desrespeito com as novas gerações.

O INCOMODADO

Por outro lado, para muitos outros esta perda de link com o contemporâneo pode incomodar. Pode trazer a sensação, conforme descrita pela Ana, de estar num colégio novo como aluna nova que não sabe como se encaixar numa turma que vive num universo com regras, jogos, falas e comportamentos diferentes. Esta é a sensação de parecer anacrônico, fora de moda, ultrapassado....antigo ou velho enfim. Acredito que este grupo de pessoas sofre mais pois sente realmente o crescer da distância, da separação.

O RENOVADO

Poderíamos dizer que existe uma terceiro universo de pessoas mantem o interesse no que está rolando, nas novidades. Procuram se informar, se atualizar. Tentam acompanhar o ritmo e a dinâmica dos acontecimentos, das idéias. Tudo isto independentemente de querer provar alguma coisa, de querer parecer “moderno” ou “atual”. A motivação aqui é manter a mente aberta à novidade, ao aprendizado, ao conhecimento. Mas este também é um processo difícil pois requer uma constante renovação, um constante repensar, um constante rever conceitos. Requer a prática de um exercício árduo de difícil realização; muitas vezes de luta com a própria acomodação da mente....E não é todo mundo que está disposto a praticá-lo.

4 comments:

Guga said...

Interessante as 3 categorias... penso que você não deve ter se disposto a exaurir a lista de categorias possíveis, mas sendo 3 bem genéricas, acho que eu tenho um pouco das 3, talvez em graus diferenciados para diferentes aspectos da vida.

Acho que deve ser assim mesmo. Como a gente muda com o tempo, para certos assuntos nos mantemos renovados, para aqueles que não nos identificamos mais, mas curtimos no passado, nos sentimos saudosistas, e para aqueles que curtimos um dia e tivemos uma decepção, ou nos desagradamos, aí nos sentimos incomodados...

Eu penso que comigo é assim.

Rodrigo Thor said...

também acho que tenho as 3.
Pra cada aspecto da vida assumo uma postura diferente.
Acho que depende muitos dos nossos paradigmas e da dificuldade que temos de quebrá-los. Alguns são fáceis, aslguns estamos só aguardando, e outros são bastante resistentes.

Dayse said...

Genial, caro Iuri.
Escrevi coisas relacionadas a isso, como num post em que digo que sou minha própria "time-eater", no sentido de comer o tempo que passou para não ficar reprisando e caindo no saudosismo. Na segunda situação que mencionas, conheci alguém que parecia identificar-se comigo e que, ao me ouvir falar sobre minha paixão por tecnologia, comentou "Também adoro novidades tecnoógicas". O próprio termo "novidades" me pareceu fora de lugar. Quem ama tecnologia se depara só com novidade o tempo todo. Depois, eu soube que ele traduz com caneta e papel. Vá adorar novidades assim, hein? ;-)
Eu me encaixaria na terceira categoria, porque não me identifico com pessoas da minha idade ou pouco mais velhas que mencionam sucessos dos anos 60 e 70 como suas preferências e nunca ousam o novo.
Ótimo, como sempre, o teu texto.

Beijo

Anonymous said...

Meu Rei!Já que tu conheces tão bem a minha alma, sabes o quanto saudosista eu sou!
Acho o máximo termos coisas do nosso passado que ainda nos cause emoções boas e até algumas taquicardias, porém.....também acho maravilhoso as facilidades que esse mundo novo e cibernético nos apresenta...logo....como diria nossa amiga MAO....nem tanto para direita nem a esquerda...vamos escolher o caminho do meio (não do LG), o do equilíbrio.
Como sempre te amando.....
ludwig