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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Friday, October 01, 2004

Amor a três



Comecei a ler um livro chamado “Amor a três” de Barbara Foster, Michel Foster e Letha Hadady. Barbara e Michel são casados há vinte anos e Letha vive com ambos formando o que se chama um clássico “ménage à trois”. O livro se propõe a discutir de forma séria a possibilidade da existência de um relacionamento amoroso e consensual entre três pessoas. Um trio vivendo em comunidade plena.

Diz a contracapa: “Este amor não-convencional (o ménage) é muito pouco conhecido e estudado em nossa cultura puritana e estereotipada”. E na orelha: “O ménage à trois é bastante diferente de um triângulo amoroso. Em geral, este se origina de uma relação de adultério, e um dos três é excluído. Por outro lado, no ménage, os três participantes têm status igual, e a relação se inicia a partir de um consenso de todos”.

Como pode se ver, é um assunto fascinante e polêmico que certamente povoa o imaginário amoroso-erótico de muita gente. Ainda estou no início mas já apareceram diversas idéias interessantes que gostaria de compartilhar:

* O relacionamento a dois é redutor, mesquinho e egoísta a partir do momento em que se estabelece a idéia de “eu”, “tu”, “nós dois” e “os outros”. Isto tira a possibilidade de crescimento harmonioso da dupla o que, inevitavelmente, descambará para a insatisfação, traição, ressentimentos e separação.

* Todos fantasiam com alguma outra pessoa : “A superimposição fantasiada”, escreveu ele (Lawrence Lipton - cronista do mundo beat), é “o crime menos citado e o mais infame, e aquele mais amplamente praticado entre os defensores confessos do código moral judaico-cristão ...(...) ...É o inconfessável.”. Lipton refere-se à fantasia de que seu parceiro na cama é outra pessoa – talvez uma pessoa real que você conheça e deseje, ou vislumbrou ou viu na mídia, mas em geral é alguém mais jovem ou de melhor aparência. Em uma variante, você imagina que o seu parceiro está fazendo amor com outra pessoa, também atraente. Esta pode ser considerada uma fantasia homo-erótica, mas é na verdade uma fantasia de três na cama. Quanto mais monogâmico é um relacionamento, mais provável que um ou ambos os parceiros empreguem este dispositivo – ou percebam que durante o sexo sua mente foi tomada pela imagem de uma terceira pessoa.”... (....) ...“Todos levamos para o quarto a imagem da pessoa desejada, e muito frequentemente ela não corresponde ao nosso amante real. “Quem é o terceiro que está sempre ao seu lado?, perguntou T.S. Eliot.”

* Os autores fazem questão de diferenciar o que eles consideram um ménage consensual da idéia de adultério, prostituição ou de fantasias pornográficas : “ O adultério em geral conduz a um triângulo amoroso clássico que mistura excitação erótica com o pavor de se expor”... (...) ...O adultério e o ménage compartilham no seu início um desejo de viver plenamente. Mas rapidamente tomam caminhos diferentes. O adultério floresce sobre a suspeita, o ciúme e a raiva. O ménage exige honestidade e, no mínimo, aquiescência dos três “.

* O menáge pode não ser entendido apenas como um agrupamento físico amoroso. Também pode ser entendido como trazer para dentro de um relacionamento convencional, algum terceiro que complemente a dupla através de idéias, intelectualidade, sabedoria, fascinação, erotismo, etc, ou seja alguem que proporcione a surgimento e a manutenção de algum tipo de excitação mental.

* Questões inerentes a qualquer ménage : “Sejam célebres ou obscuros, os participantes dos ménages bebem todos das mesmas fontes de narcisismo , voyeurismo, e da irredutível necessidade de serem três. São todos testados no fogo do ciúme. A dialética interna da paixão versus a compaixão permanece constante. A questão de quem é meu e a quem pertenço são repetidamente colocadas e respondidas. Se o egoísmo prevalece, ainda que em um dos três, o relacionamento vai degenerar para um triângulo amoroso clássico, com suas espionagens, brigas, culpas, divórcios e violência. Mas se e quando o ménagem cresce junto, uma energia especial pode e tem feito coisas fascinantes acontecerem – nas artes, no cinema ou na vida. Na nossa vida”.

Como se pode ver os autores são defensores do ménage aberto como forma de realização emocional plena e uma resposta positiva aos comportamentos escusos (adultério, traição, prostituição, perversão, etc) que são buscados para extravasar desejos reprimidos.

O que eu penso a respeito?

Me permito a não emitir opinião, mesmo porque acredito sinceramente que cada um deve procurar o seu prazer, sua realização erótica-emocional da maneira que mais lhe convier.

A única coisa que importa é a honestidade, consigo mesmo e com o(s) outro(s).

4 comments:

Dayse said...

Pois, meu caro, minha primeira obra de ficção tratava exatamente disso (ainda trata, e se eu a trato como passado, é porque abandonei -- por enquanto -- o projeto de publicá-la). Era sobre as muitas possibilidades do amor, homo, bi, hetero, a três (sem libertinagem, mas também sem hipocrisia).
Acredito que qualquer possibilidade é válida, desde que tenha, no mínimo, a essência do amor real.
Beijo

Anonymous said...

Acredito que relacionamentos que estrapolam o casal
(dupla)torna-se algo retrógrado a medida que vemos que
o casal foi de certa forma uma evolução daquele modelo
de sutão que tinha várias mulheres. Enretanto vejo que
existem vários desafios ao casal moderno até pela
presença da internet em vivenciar novas experiências
como por exemplo trocar "a amante" como era antes pelo
"o amante", onde muitas vezes aquele que se intitulava
hetero, hoje aceita em seu imaginário a possibilidade
de ter uma vida dupla, bissexual: casado com mulher e
tempo amante homem. Quem quiser conversar o tema,
especialmente homens, reservadamente por e-mail poderá
fazer.

Anderson.

defloripa2001@yahoo.com.br

Anonymous said...

Seguinte...

Acho este assunto interessante...
Hoje com 44 anos e fazendo 45 dia 20/10 vejo este
assunto com outros olhos...
Conheço um 3 gays q vivem juntos aki em Curitiba
e vivem muito bem...
Meu namorado indiretamente sugeriu a gente fazer a mesma coisa, ou seja, incluir outro em nosso relacionamento... Não aceitei.... resultado, perdi o namorado e agora estou só...
Viemos de famílias com culturas muito diferentes umas das outras.... mas até onde elas estão certas???
A influencia religiosa judaico cristã, influencia muito isto...
Interessante q ontem a noite estava lendo sobre os Orixás e o meu santo, XANGÔ, vivia com duas mulheres...
E hoje surge este teu assunto...
Estou quase cinquentão e preciso mudar alguma coisa em
minha cabeça para ser feliz....
Só sei uma coisa.... se não tentar, NUNCA poderei dizer se deu certo ou não....

Abraços

Kaiser

Mariana said...

Nossa, existem vários leques para este tema. Tipo, não considero menage um triangulo amoroso. Na minha cabeça são coisas distintas que tomam proporções totalmente diferentes. Assim como o livro colocou. Aliás, bem interessante.

beijos da sua sobrinha querida.

Mari

ps: depois le meu blog