Fetos com até nove meses de vida abortados à força, mortos e jogados no lixo por outras mulheres.
Mulheres sendo capturadas e esterilizadas – por outras mulheres-, num procedimento “rápido” de apenas 10 minutos.
Filhas não vistas como “agregadoras de valor” à família, e, por isto, rebaixadas, oprimidas e impedidas de aparecer nas fotos com homens parentes.
Meninas bebês sendo deixada nas ruas e mercados -por seus pais- na esperança inútil de que alguém “as pegasse”, situação na qual eram expostas aos animais e morriam em média em dois dias na frente de toda a população.
Quando o regime comunista chinês implementou a política do “filho único”, que perdurou de 1979 a 2015, com a intenção de evitar um boom populacional no país – o que causaria, na visão do partido comunista, uma fome generalizada que levaria ao canibalismo - , uma ostensiva propaganda para limitar as famílias a terem um único filho foi implementada em todos os cantos do país.
Paralelamente, o regime adotou diversas ações para que a regra fosse cumprida, como nomeação de “chefes locais” em todas as cidades, bairros e vilarejos do país, encarregados de fiscalizar todas as famílias nos arredores, criação de equipes de mulheres especializadas em doutrinar a população e levar a cabo ações como abortos e esterilizações forçados, implementação de “selos de qualidade” para as famílias com apenas uma criança, etc.
O resultado foi que praticamente todas as famílias preferencialmente queriam filhos homens (porque, culturalmente na China, o homem tem mais valor que a mulher), o que gerou um verdadeiro “descarte” de bebês femininos que incluía abandono e morte.
Depois, quando o governo chinês abriu as fronteiras para que outros países adotassem bebês locais, o descarte foi transformado numa grande e próspera rede de tráfico humano que “empregava” até lixeiros para andar pelas ruas e ir recolhendo os bebês abandonados que encontrassem.
“One child Nation”, disponibilizado na Amazom Prime, é um documentário necessário e brutal – narrado por Nanfu Wang, uma mulher chinesa que teve que abandonar os estudos para trabalhar quando criança para que seu irmão (o mais valorizado, é claro) pudesse estudar - que mostra a aniquilação total de vidas sob um regime hediondo que destrói qualquer possibilidade das pessoas serem protagonistas da suas próprias vidas e escolhas.
3 comments:
Meu Deus, meu Deus!
triste mesmo
This documentary is incredibly eye-opening and highlights the devastating consequences of such restrictive policies.
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