“Longe da Arvore” é
o segundo livro do Andrew Salomon que leio. O primeiro foi “O
demônio do meio-dia”, uma viagem sem concessões aos
subterrâneos da depressão. Uma obra fundamental sobre o
tema.
Já “Longe da
Árvore – Pais, Filhos e a Busca da Identidade” (um
calhamaço de mais de 800 páginas) trata dos dramas dos
pais supreendidos com “filhos disfuncionais”, tipo rebentos
surdos, anões, com sindrome de down, autistas, esquizofrenicos
prodígios, crianças geradas em estrupo, filhos
criminosos e transgêneros. Salomon (gay, depressivo e
disléxico), apresenta as dificuldades de sua própia
história pessoal e familiar como motivadora para se
aprofundar neste espinhoso tema.
Dentro do “correto”,
do “certo”, os pais, naturalemnte narcisistas, esperam que os
filhos sejam / representem uma continuidade saudável da sua
linhagem. Alguem perfeito, sem defeito de fabricação,
que, através de uma “vida normal” e com genes perfeitos,
gere novos frutos, nova descendência, e , desta forma, garanta
a preservação da família. Esta seria a
“Identidade Vertical” (a “natural”), que envolve a cultura,
as tradições, a nação, a língua, a
tribo, o meio.
Mas e quando esta tal
esperada “criança perfeita” apresenta “defeitos” ?
Algo para o qual os pais não estavam preparados ? Algo que
destrói as expectativas ? Que lança os pais num mundo
desconhecido onde a anomalia é a realidade ? Onde o
comportamentos, formações ou necessidades “bizarras”
revelam uma “monstruosidade” ? Algo que arrebenta a “Identidade
Vertical” que desconcerta o programado ? Arruína as
expectativas e introduz um “corpo estranho” no cotidiano ?
Surge então a
idéia de “Identidade Horizontal”, aquela que será
moldada pelas características biológicas e / ou
comportamentais dos filhos, e para as quais os pais vêem-se
sem o poder de “cura”.
Diante do irrefutável
o que fazer ? Que caminho seguir ? Aceitar, negar, rejeitar, assumir
?
O livro é
recheado de histórias de famílias / casais / indivíduos
supreendidos com “crianças assimétricas” e de como
lidaram com isto (desde a rejeição até a
completa aceitação).
Sabiamente Salomon não
julga as decisões dos envolvidos e atua como um acompanhante e
testemunha das inúmeras histórias (algumas durante
vários anos)..
No fim o super livro
revela-se um elogio à diversidade. Um majestoso respeito às
diferenças, ao “irregular”. E, desta forma, um monumento
essencial à vida.
Fantástico.
----------------------------------------------------------------------------
Excelente entrevista de Salomon para o Milênio (Jorge Pontual)
Clique na imagem abaixo
-------------------------------------------------------------------------------
Fotos
----------------------------------------------------------------------------
Excelente entrevista de Salomon para o Milênio (Jorge Pontual)
Clique na imagem abaixo
-------------------------------------------------------------------------------
Fotos
![]() | |||
Andrew Salomon |
![]() |
Salomon com seu companheiro e seu filho. |
No comments:
Post a Comment