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| O Poder do Agora - Capa |
Um livro que eu dificilmente
- quase certamente não – compraria, “O Poder do Agora”, de Eckart Tolle, me foi
presenteado por uma amigo que disse
“Este é o livro !”, “O
definitivo!”.
E as chamadas da capa
só pareciam confirmar o status de “super livro” , tipo :
“Primeiro lugar na lista do The New York Times”
“Um guia para a iluminação espiritual”
“Este é um dos melhores livros que surgiram nos últimos tempos. Cada
frase transmite verdade e poder” (Deepak Chopra”
“Um dos maiores fenômenos da literatura espiritual. Mais de
5 milhóes de livros vendidos em todo o mundo”
Ao deparar com esta avalanche de elogios, já fiquei com um
pé atrás.
Mas, tudo bem,
comecei a leitura procurando não exercitar o preconceito e logo de cara fui
fisgado pelas idéias de Eckart.
A questão central do livro – como o título diz – é o poder
do “Agora”.
E o que seria isto ?
Seria o exercício contínuo, da busca do homem em estar em contato consigo mesmo no momento
presente, no “Agora”, sem apegar-se ao
passado nem ao futuro, que seriam duas ilusões.
O que já foi, tá morto, e o que será, ninguém sabe. Assim, o que se tem de concreto, o que se tem
nas mãos para trabalhar o viver é o agora,
o momento presente.
O homem acredita que sua situação de vida presente, boa ou
má , é fruto de um acúmulo de vivências, aprendizados, condicionamentos e experiências - mais ou menos involuntárias - ocorridas desde o nascimento.
Este processo gera uma “identidade”, um “eu”, um ego formatado
que cria, sustenta e defende diversas
“verdades” -
muitas vezes ruins (traumas, dores, doenças, desilusões, raiva, ódio,
preconceito, insatisfação, etc )- , e que não consegue – nem quer / nem sabe como- se libertar destas condições.
O futuro torna-se então uma paisagem (ilusória) de
esperança e desejo onde - desde que alcançadas as condições
estabelecidas pelo ego ( quase sempre materiais e/ ou emocionais) – o mal, os traumas, as dores, a insatisfação
desaparecerão e a recompensa e a felicidade
finalmente acontecerão.
Assim o ego “sobrevive” oscilando entre passado e futuro,
reforçando a “identidade atual “ ( baseada no passado), e sonhando com
uma ”identidade futura” – aquela que ele deseja atingir para finalmente “estar bem e ser feliz”.
Deste modo o indivíduo aceita que a
“vida” é um balançar contínuo entre o que se acredita que “é” – construído
desde o nascimento - e
aquilo que gostaria de ser e / ou ter.
Neste ambiente, o ego
se afirma, se defende , se reconhece e se individualiza, mesmo que para isto, muitas vezes, ocorra a identificação – ou a resignação - com o sofrimento, com a dor, com a doença ,
com a derrota, com o negativo .
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| Eckart Tolle |
Mas isto deveria ser assim ?
O autor pergunta : se o ego pudesse “escolher”, escolheria o
sofrimento, a prisão, a dor, o trauma ?
Parece que é óbvio que não. Então porque as pessoas se
sentem tão presas a situções negativas
das quais não vêem escapatória e /ou alternativa ?
Segundo o autor, isto acontece porque o ego é frágil e medroso em relação a mudanças.
O “eu” procura cada
vez mais agregar, incorporar imagens de si mesmo (desejos, vontades preferencias, amor,
desamor, ódio, indiferenca, culpa, etc ), a fim de estabelecer uma identidade a
qual se agarra para se definir, se “conhecer”.
Afinal, se o ego abre mão dos seus conceitos, preconceitos, abre mão daquilo que o diferencia, o que o faz se faz reconhecer (como vítima, vencedor, ou
qualquer coisa), o que o identifica - o
que sobra ?
Tipo, se eu deixar de acreditar que eu ” sou o resultado de tudo o que vivi até agora” (além de já ter nascido com a herança do
inconsciente coletivo) , então quem sou eu ?
É uma idéia tri punk
e deixa o povo meio num mato sem cachorro.
Mas o que o autor quer mostrar – e o faz de uma forma bem
acessível – é que o verdadeiro “eu” – aquilo que vem a ser nossa verdadeira
natureza - reside no “Ser” e não no ego – este que “conhecemos”, este
que nos faz dizer “eu sou assim”, ou “eu sou assado” por causa “disso ou
daquilo”.
Este “eu do Ser” – que está além do ego - seria uma manifestação , um raio, um
vislumbre da força cósmica que cria e sustenta a vida.
Este força primitiva reside dentro de todos os fenômenos
corpóreos (materiais) e/ou incorpóreos
(invisíveis), e surge – é alcançada / vivenciada - quando o ego é extinto.
Aquele que consegue contato com esta verdade íntima,
ultrapassa as barreiras da identidade -
e da morte - e mergulha na energia eterna – onde não existe mais a
separação - e se unifica com o Todo.
“O Poder do Agora”
diz que, já que esta manifestação do divino está em cada um, tudo o que o homem teria que fazer é atingir
este íntimo e, a partir daí, renascer sob um nova luz, uma nova “consciência” –
se bem que ele usa esta palavra também em sentido negativo.
Este é um conceito que aparece em diversas filosofias e
religiões e está vinculado ao desafio de trilhar um caminho de práticas que conduz ao “Reino do Céu”, “Nirvana”, etc ( um estado livre das formas).
Mas o livro não fica apenas neste mundo “além da imaginação”
e aborda , de forma bem incisiva e “alternativa”, conceitos de pecado, perdão,
trauma, dor, doença, sofrimento, alegria, felicidade, etc, e de como o homem
vivencia tais, de forma consciente e/ou inconsciente
Porém, como se trata de “ensinamentos” - quase todos batidos e rebatidos
em cima das mesmas teclas ( o que é bem
natural) - a obra torna-se chata e
repetitiva em determinados trechos.
Mas reconheco que não
li da forma calma, pausada, tranquila e reflexiva que o autor recomenda para
a abordagem da escrita / conteúdo.
Para não viajar muito – nem tenho o ferramental adequado
para aprofundar o assunto – digo que o livro é realmente muito bom, quase todo
estruturado em perguntas e respostas, o que facilita em muito a leitura.
E afirmo que é dificil que alguem termine a leitura sem
ter aprendido algo de positivo com as idéias
instigantes propostas por Eckart Tolle.
Frases de Eckhart
"As
soluções sempre aparecem quando saímos do pensamento e ficamos em silêncio, absolutamente presentes, ainda que seja só por um
instante"
“...
viver no AGORA é o melhor caminho para a felicidade e a iluminação”
“Nós
fortalecemos tudo aquilo que combatemos, enquanto todas as coisas a que
resistimos persistem”
“Qualquer coisa da qual nos ressentimos no outro e à qual
reagimos com intensidade também existe em nós.”










