Verdades. mentiras, reflexões e insanidades ditadas por forças ocultas Autores : Iuri Palma (iuri.palma@gmail.com)
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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Friday, September 29, 2017
Filme - The End of The End (Último show do Black Sabbath)
Emocionante.
Esta é a descrição de "The End of the End", documentário que mostra o ultimo show da banda Black Sabbath, em Birminghan em 4 de Fevereiro deste ano, e que teve apresentação única ontem em cinemas selecionados espalhados pelo mundo todo.
Aqui em Porto Alegre, o público no Cinemark do BarraShopping presente ontem à noite, reunia dinossauros do rock de terceira idade (eu incluído), adultos, jovens e crianças (tinha até uma menininha com uma boneca), todos unidos na celebração do som poderoso perpetrado por Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler (e mais o baterista contratado Tommy Clufetos que não deixou pedra sobre pedra na sua performance).
E dá-lhe "Paranoid","Fairies Wear Boots", "War Pigs", "Iron Man", "Black Sabbath", "Snow Blind" e outras, executadas com tesão e garra para delírio do povo no estádio, e também no cinema.
Mas o que me "caiu todos os butiá do bolso" foi a execução de "Changes", em versão quase que improvisada num estúdio, bem ao final do filme.
Que momento magnífico.
Eu, que já tinha chorado quando eles tocaram "Paranoid", me derramei em lágrimas com "Changes" e só pensava no fiasco que seria as luzes acenderem e eu com o rímel todo borrado.
Mas, graças aos deuses do rock, o filme tem várias cenas extras após os créditos finais, e então pude me recompor e sair de boa.
O engraçado foi que, ao saírmos, um amigo que estava conosco confessou que também tinha chorado cascatas em "Changes" e que também estava receoso de sair fungando da sala.
... He he ... bizarro...
De qualquer forma o documentário é destruidor. Rock pesado, visceral, direto na veia para ser ouvido no volume máximo e lavar a alma.
Magnífico.
Tuesday, September 26, 2017
Mundo Gay - O que define um ícone gay atualmente ?
Ser
queer é ser um
perdedor.
Ser
queer é ser um
estranho em desvantagem perpétua frente a
um mundo “normal”, binário e encaixotado.
Ser
queer é buscar
conforto e
validação para si próprio
ao observar,
admirar e “empatizar” com histórias de triunfo pessoal de
personalidades poderosas
e conhecidas,
pois, tais histórias lembram sempre que,
apesar de tudo, a vida pode ser melhor.
Ser
queer é manter
essas histórias em grande consideração, idolatrando-as
e certificando-se de que jamais
serão esquecidas.
Ser
“queer” é
celebrar o
perdedor que se tornou um vencedor, mas que
nunca perdeu contato com suas origens.
Historicamente, os genuínos
ícones LGBT enfrentaram alguma
espécie de sofrimento
público, porém
mostraram extraordinária resiliência
debaixo do
olhar alheio.
Judy
Garland, que uma vez foi considerada um "patinho feio",
lutou para tornar-se uma lenda
evidenciando suas inseguranças,
e se
tornou um
farol de esperanças
para as adversidades
do povo queer.
Grace
Jones, também, em toda a sua furiosa
bravata punk, persiste, pois
o modo como expressa seu inquebrável senso
de si mesma , “normaliza”
o estranho.
Ícones
queer, então, são revolucionários, vigorosos
e magnéticos.
Elliott H. Powell, professor assistente da
Universidade de Minnesota, diz claramente : ícones queer são
"aqueles que, consistentemente e publicamente, desbravam
fronteiras e lutam
contra preconceitos
raciais, sexuais e
de gênero".
A
recusa do status quo faz dos Ícones
“queer”
"professores e guias da
inconformidade.
Eles
nos ajudam a enfrentar
as opressões do presente, e nos ajudam a sonhar
com outro mundo de possibilidades ".
Noah
Michelson, o diretor editorial da HuffPost's Voices e o editor
executivo das Queer Voices da HuffPost, diz que a
resposta é subjetiva.
Claro,
existem os óbvios ícones queer, como Madonna, Cher, RuPaul, Ellen,
e até mesmo
Oscar Wilde, pessoas
cujas carreiras e vidas
públicas devem
muito à comunidade queer,
seja por meio de identificação e
/ ou vivendo suas
verdades com
orgulho.
Eles
são pioneiros e têm algo a dizer.
"É
difícil, hoje em dia, ser um ícone queer",
diz Michelson, porque no momento em que você atribui esse título a
alguém, fica mais
fácil listar todas as razões pelas quais eles
podem não ser
dignos disso.
Eles
são defensores
da causa LGBT?
Eles devem ser
defensores ou
somente o exemplo de suas vidas
é o suficiente?
"A função a que
servem é uma espécie de encarnação dos valores do momento, quer
isto se trate de
dizer “verdades
para o poder”, quer se trate ser bem
sucedido, ou então
que isto signifique
apenas ser muito bonito", diz,
Riese, a
fundadora,
editora-chefe e
CEO da Autostraddle.
"Historicamente",
ela acrescenta, "as mulheres (ídolos)
queer têm sido relacionadas à mulheres
que comandam a porra toda;
são aquelas que estão cagando para o que
os homens pensam sobre elas, aquelas que são donas do próprio
nariz”.
Também,
uma ou outra não
precisa necessariamente se identificar como queer para ser
transformada em
ícone.
Michelle
Obama e Hillary Clinton surgem numa escala
especial de ícones queer
por sua perseverança e humildade.
Britney
Spears, que se identifica como uma mulher heterossexual cisgênero,
é um pilar de força e tenacidade,
constantemente lançando musicas que bombam
em clubes, bares, casas e outros espaços
LGBT.
Agora, com a revolução do gênero em pleno
andamento, Powell considera Laverne Cox como um excelente exemplo de
um ícone queer moderno.
"Eu
adoro muitas coisas sobre Laverne Cox, mas o
que acho especial é como ela usa sua fama
para abordar questões políticas urgentes", explica ele.
"Quer
seja produtora
executiva do
documentário CeCe McDonald, que aborda o
policiamento e o encarceramento em massa de mulheres trans negras,
ou usando os Grammys para dar a conhecer a
história de Gavin Grimm, Laverne Cox
mostra como usar
seu acesso à midia para
falar sobre realidades concretas
diárias.
"Cox
também”, acrescenta ele”,
“mantém a luz brilhando sobre figuras históricas cujas jornadas
a ajudaram a chegar onde ela está hoje, pessoas como" Marsha P.
Johnson, Sylvia Rivera, Miss Major, Lady Chablis, Diahann Carroll,
Janet Jackson, Rihanna , e, claro, Beyoncé. "
Este é um ponto importante em ser um ícone queer
: não apagar o passado, mas sim honrá-lo,
comemorá-lo e trabalhar para manter vivos os nomes dos
“ancestrais” queer.
Powell
cita o "Snatch Game" no RuPaul's Drag Race, um segmento do
show onde as rainhas drag devem se vestir e
representar personalidades icônicas, como
sendo uma ótima lição sobre
a história queer , “ [destacando] ícones
queer que muitas
vezes são ignorados num mundo
cheio de
falta de conhecimento e/ ou esquecimento”.
Icones
queer realmente são fontes de conforto e inspiração.
Historicamente,
os homens queer celebram as personalidades
femininas fortes,
pois, como diz Michelson, "a sexualidade masculina queer tem
sido ligada à sexualidade feminina, pois ambas são fortemente
demonizadas e vigiadas.”.
Ícones
queer são aqueles que triunfaram quando quase tudo funcionava contra
eles.
Eles
podem ser qualquer um ou, bem, qualquer coisa (
como o agora referenciado ìcone queer,
Babadook). "Eu
acho que todos são
dignos de uma certa maneira, seja por eles
fazerem as pessoas se sentirem
liberadas ou
empoderadas”,
diz Michelson.
Atualmente
pode alguém ser um ícone queer e não ser
um militante LGBT?
Sim,
pois qualquer
pessoa pode ser
um ícone se ela
ajuda alguém a amar a sí mesmo
(porém a identificação e o enfrentamento
do poder são vitais para o movimento do
direito queer.)
Seria
surpreendente que todos os ícones queer fossem abertos politica e
socialmente, mas, como diz Michelson, um indivíduo não precisa
"preencher todos os requisitos"
para ser aprovado com louvor.
Riese,
no entanto, vê as coisas um pouco diferente, dizendo que
"definitivamente ser “estranho” -
queer- é uma grande razão para tornar-se um ícone
queer”
Com
Beyoncé como exemplo, ela diz "o dela
contratar apenas mulheres para trabalhar
nas suas turnês, de que toda sua banda é composta por mulheres, e
dela ser muito franca quando trata de assuntos de feminismo ou
racismo, faz dela um ícone queer”
São aqueles que tomam posição, e usam sua
poder para elevar e apoiar as vozes das pessoas marginalizadas, que
se tornam ícones queer.
Eles
nos lembram onde estivemos, para que possamos trabalhar para um
futuro melhor e mais inclusivo.
Ícones
queer são então um lar de de liberdade,
um lar de sonho talvez,
mas ainda um lar.
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Link para a matéria original abaixo :
Monday, September 25, 2017
Mundo Gay - Gente com merda na cabeça - Primeiro casamento de gays neonazistas em Charlottesville (Virginia, EUA)
![]() |
Matthew Brooks, e Shawn Thomas
|
Em meio ao caos e à
violência dos recentes distúrbios de Charlottesville, dois amantes
neo-nazistas locais decidiram unir seus destinos em casamento.
Sob o auspício do
padre Bartolomeu Frederickson da Igreja Episcopal de São Francisco,
dois neonazistas se uniram perante Deus durante o que se acredita ser
o maior encontro de nacionalistas brancos, neonazistas e membros do
Ku Klux Klan em décadas.
"Que dia melhor para mostrar nosso amor ao mundo do que este belo evento que reúne
milhares de pessoas da mesma fé e crenças raciais? ", disse
Matthew Brooks, o feliz recém casado aos repórteres.
"Nem todos os
neonazistas são contra os homossexuais. O amor entre dois machos
arianos brancos é uma coisa linda, mas isto não seria a mesma coisa
se fosse com um negro ou com um promíscuo”, esclareceu ele.
O casamento, que
foi oficiado pelo padre Frederickson em uma casa particular onde 62
convidados participaram das festividades, é oficialmente a primeira
"união gay neo-nazista" no estado da Virgínia conforme os
novos casados Matthew Brooks, 56, e Shawn Thomas, 52 .
Embora os
recém-casados sejam ambos membros do grupo de supremacia branca
“Vanguard America”, com sede na Virgínia desde 2005, nenhum
porta-voz oficial da “Vanguard America” estava disponível para
comentários.
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Link para a notícia original.
Teatro - Antígona
Um momento único.
Para mim, uma das melhores peças do Festival Porto Alegre em Cena
juntamente com "O Testamento de Maria" - e de resto uma das
melhores que vi na minha vida.
Na encenação apresentada no Teatro
São Pedro, a tragédia de Sófocles é contada por uma
extraordinária e intensa Andréa Beltrão, que se reveza, de forma
assombrosa, entre vários personagens da história, além da óbvia
Antígona.
Temos então o vingativo Creonte, o trágico Édipo, o
sábio e amaldiçoado Tirésias, a arrependida Ismênia, o apaixonado
Hemom e muitos outros vindo à cena pela força, energia e talento da
Andrea.
Fantástico.
Uma encenação que comprova a atualidade e a
perenidade dos clássicos, além impactar com a força que só teatro
é capaz..
Inesquecível.
Fiquei de joelhos ....
Teatro - Lifting
“Lifting” é uma peça do espanhol Felix Sabroso (com a fantástica Drica
Moraes e outras mais) que pretende divertir enfileirando sketches, de
“mulheres à beira de um ataque de nervos”, às voltas com os problemas da
ditadura da beleza.
Só que não.
O que vemos é uma colcha de retalhos, descosturada e mal arrematada, que apresenta, aqui ou ali um ou outro momento de humor proporcionado por algumas situações bizarras, surreais, absurdas.
Porém estes momentos não são suficientes para encobrir alguns discursos bem preconceituosos do texto quanto à aparência feminina – e alguma coisa da masculina também - , tipo a condenação explícita de rugas, barriga, culotes, peitos e bundas caídas, calvície, etc, tudo jogado na cara da plateia de uma “forma cômica” e "reflexiva".
…. hummm ….
Enfim, é claro que tudo pode ser visto como uma grande crítica à imposição “do belo”, como uma crítica à incessante busca da perfeição à qual as mulheres, inseguras, se lançam almejando a eterna juventude.
Sim, a obra pode até ter esta leitura, porém a forma como a maioria das coisas foi apresentada me cheirou preconceituosa.
No final não sei se a peça condenou ou validou a neurose quanto as tais intervenções estéticas, as quais, para mim, são completamente válidas desde que a pessoa não extrapole e se torne um zumbi esticado.
Mas a peça é ruim e não vale a pena…
Só que não.
O que vemos é uma colcha de retalhos, descosturada e mal arrematada, que apresenta, aqui ou ali um ou outro momento de humor proporcionado por algumas situações bizarras, surreais, absurdas.
Porém estes momentos não são suficientes para encobrir alguns discursos bem preconceituosos do texto quanto à aparência feminina – e alguma coisa da masculina também - , tipo a condenação explícita de rugas, barriga, culotes, peitos e bundas caídas, calvície, etc, tudo jogado na cara da plateia de uma “forma cômica” e "reflexiva".
…. hummm ….
Enfim, é claro que tudo pode ser visto como uma grande crítica à imposição “do belo”, como uma crítica à incessante busca da perfeição à qual as mulheres, inseguras, se lançam almejando a eterna juventude.
Sim, a obra pode até ter esta leitura, porém a forma como a maioria das coisas foi apresentada me cheirou preconceituosa.
No final não sei se a peça condenou ou validou a neurose quanto as tais intervenções estéticas, as quais, para mim, são completamente válidas desde que a pessoa não extrapole e se torne um zumbi esticado.
Mas a peça é ruim e não vale a pena…
Friday, September 22, 2017
Mundo Gay - Sobre a tal "cura gay"
Desde
que o juiz da 14ª Vara do Distrito Federal, Waldemar Cláudio de
Carvalho, acatou a liminar proposta pela "psicóloga"
Rozângela Alves Justino – uma “profissional” presbiteriana
(casualmente
a mesma religião da mãe do filme “Orações para Bobby – quem
não viu, veja),
dona de uma entidade descrita como associação de "apoio ao
ser humano constituída segundo os princípios cristãos", e que
quer "garantir o direito de pessoas de deixar a
homossexualidade" –, temos visto algumas manifestações de
“entendedores” (como o MBL e outros) dizendo que o
acatamento da liminar não representa nenhum tipo de ideia de “cura
gay” e que toda a gritaria, contra a decisão judicial, é burra e
injustificada.
Será
?
Vejamos.
Mas
vamos por parte :
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1) O
que é uma liminar ?
Liminar
é uma decisão judicial que analisa um pedido urgente.
Tipo a
situação de alguém que não pode esperar que seu processo transite
de forma “normal” na justiça.
Alguém que tem uma situação de fragilidade
premente
e que precisa de uma decisão imediata, mesmo que seja precária.
Uma
liminar tem como requisitos o “fumus bonis iuris” (quando há
fundamentos jurídicos aceitáveis) e o “periculum in mora”
(quando a demora da decisão causar prejuízos).
Ou
seja, a doutora tava louca de pressa.
--------------------------------------------------------------------------
2) Mas
o que consta no seu pedido ?
Objeto
: Pedido de liminar contra a Resolução 001/1999 do CFP (Conselho
Federal de Psicologia)
--------------------------------------------------------------------------
3) O
que é a Resolução 001/1999 do CFP?
É
uma Resolução que “estabelece normas de atuação para os
psicólogos em relação à questão da Orientação Sexual”
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A
Resolução 001/1999 diz, entre outras coisas :
“Os
psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a
patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem
adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para
tratamentos não solicitados.”
"Os
psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham
tratamento e cura das homossexualidades”
"Os
psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de
pronunciamentos públicos, nos meios de com unicação de massa, de
modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos
homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.”
Então,
a liminar proposta pela “Ro” é contra a maneira como os
psicólogos foram orientados a agir no que diz respeito à
homossexualidade.
--------------------------------------------------------------------------
5) O
que ela pede explicitamente ?
A
doutora pede a suspensão dos efeitos da Resolução 001/1999 do CFP,
dizendo que a Resolução é um “verdadeiro ato de censura” e que
impede os psicólogos de “desenvolver estudos, atendimentos e
pesquisas científicas acerca dos comportamentos ou práticas
homoeróticas”;
Ou
seja, a liminar quer que os psicólogos possam sim, enxergar a
homossexualidade como um desvio – ou uma prática- que deva ser
“estudado”, “atendido” e “pesquisado”.
Ora,
se a OMS (Organização Mundial de Saúde) já definiu que a
homossexualidade é algo natural, por que os psicólogos brasileiros
deveriam ver a questão como “estranha”?
Por que não, então,
estabelecer que a heterossexualidade, por ser tão natural quanto,
também seja passível de “estudo”, “atendimento” e
“pesquisa”?
Que
piada, né ?
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6) E
o tal juiz o que fez ?
Deferiu
(ou aceitou) a liminar e determinou que o Conselho Federal de
Psicologia aceite que seus profissionais promovam “estudos ou
atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à
(re)orientação sexual”
Ou
seja, de agora em diante os psicólogos podem desenvolver estudos e
atender casos de (re)orientação sexual, no que se refere à
homossexualidade.
--------------------------------------------------------------------------
E
ainda tem gente que a liminar não fala sobre cura gay?
Abaixo, imagens da liminar
-------------------------------------------------------------------------
Sobre o que trata a liminar :
------------------------------------------
No link abaixo um texto excelente com muitos mais esclarecimentos sobre este disparate:
As Entrelinhas da 'Liminar da Cura Gay': a homofobia disfarçada de liberdade
Teatro - O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu
![]() |
Renata Carvalho como Jesus trans |
Acabo de sair do teatro onde assisti 'O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu', a tal de peça profana que muita gente, sem ver, se largou a jogar pedras e pediu sua proibição.
O que tenho a dizer?
Pelo que vi, para mim tudo o que foi apresentado se resume a uma única pergunta : "Um gay é alguém capaz de atos de bondade (ou ser objeto de bondade) conforme Cristo ensinou, ou não ?"
Se as pessoas acham que sim, que um gay tem capacidade de agir de forma bondosa (conforme a mensagem do Salvador), a peça definitivamente não tem nada, absolutamente nada, de profano ou agressivo à religião cristã.
Muito pelo contrário : a peça celebra a palavra de Cristo no que ela tem de mais boa, sábia e inclusiva.
Agora, se alguém pensa que um gay é pecador, alguém que só age com maldade e definitivamente não possui valor algum - e que deve ser extirpado da sociedade-, a peça sim pode ser considerada profana só pelo fato dela ter uma forte pegada “queer” (mas que não se esgota nisto).
Só que, para mim, uma pessoa que pensa assim não vive a palavra de Cristo. Alguém assim é o tipo de pessoa que sempre tem um dedo em riste julgando os demais, e que se esquece da imortal “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”.
Portanto não sei mesmo o porque de tanta celeuma por causa de uma obra totalmente pró Cristo.
Além disto, o fato da figura do Rei dos Reis ser representada por uma travesti em momento algum rebaixa sua imagem.
Ao contrário; o que temos, no desenrolar da ação, é este "ser híbrido" divulgando uma constante mensagem de união e comunhão entre todos, independente de gênero (o que eu acredito que Cristo faria).
Enfim, o que eu acho mais bizarro é que a excepcional peça “O testamento de Maria”, que vimos ontem neste mesmo festival, é infinitamente, repito, infinitamente mais “profana” que a peça “da travesti”, e sobre “O testamento” ninguém falou nada (certamente porque os tais “formadores de opinião”, que influenciam a massa de “zumbis da moral”, não manjam nada de teatro e se ligam apenas no sensacionalismo barato, se ligam apenas no assunto “que causa”).
Sim, acreditem, “O testamento de Maria” - que passou em brancas nuvens- é uma peça afrontosamente anti-cristã (literalmente acaba com tudo) enquanto “O evangelho” é totalmente pró Cristo.
Portanto, quem joga pedra nesta peça, revela que só sabe papagaiar o que ouve na mídia, sem ter o mínimo de conhecimento ou capacidade intelectual de refletir e pensar por si próprio. Ou então é alguém que, em sua alma, anseia pelo Genocídio Gay.
Mas enfim, vamos em frente…. Bola adiante….
Só é triste constatar, quando este tipo de coisa acontece, o tamanho da desinformação e preconceito que ainda existe por aí...
Porém, quem sabe um dia ...
Teatro - O Testamento de Maria

Ver a figura de Maria, mãe de Jesus, vinculada explicitamente à deusa grega Ártemis - uma deusa que expressa uma síntese das energias multifacetadas da essência feminina – é simplesmente desestabilizador.
Ainda mais se esta mesma figura de Maria se expressa como as mulheres trágicas e ameaçadoras do teatro grego - como Medeia, Antígona, Electra, Hécuba –, personagens que trazem em si a força da natureza, dos elementos, do destemor de revirar suas fúrias .
Porém é isto o que vivemos diante da estupenda peça “O testamento de Maria”, apresentada nesta edição do Porto Alegre em Cena.
Escrita por Colm Tóibin, e encenada com sucesso na Broadway, “O
testamento de Maria” é um monólogo dramático avassalador, defendido pela
vulcânica Denise Weinberg de forma absolutamente assombrosa, que
detona as verdades criadas e impostas por uma religiosidade presunçosa,
que estabelece “leis” - criadas pelo homem - para aterrorizar,
controlar e rebaixar a espiritualidade..
O que temos na peça é uma contundente denúncia daquele tipo de crença que se julga “superior”, detentora do “conhecimento”, conhecedora das “leis”, que se baseia “no que está escrito” para justificar seus atos de maldade, interesse e preconceito (algo bem evidente no Brasil atual)
Fiquei absolutamente pasmo. Me caiu todos os butia do bolso.
Definitivamente uma das melhores peças da minha vida.
O que temos na peça é uma contundente denúncia daquele tipo de crença que se julga “superior”, detentora do “conhecimento”, conhecedora das “leis”, que se baseia “no que está escrito” para justificar seus atos de maldade, interesse e preconceito (algo bem evidente no Brasil atual)
Fiquei absolutamente pasmo. Me caiu todos os butia do bolso.
Definitivamente uma das melhores peças da minha vida.
Thursday, September 21, 2017
Mundo Gay - Pabblo Vittar - Haters gonna Hate
Alguns haters da
Pabllo Vittar têm postado ultimamente mensagens dizendo que os
artistas gays bons eram, por exemplo, Elton John, Freddie Mercury,
Ney Matogrosso, Cazuza, Renato Russo e outros.
Que toda esta
ladainha em cima da Pabllo é desnecessária, pois o mundo LGBT já
estava muito melhor representado por tais ícones.
Bem, quem pensa
assim tá completamente equivocado.
Primeiro, todos os
artistas citados “performaram”, se não dentro, pelo menos nos
limites da figuração hétero.
Destes, somente Ney
Matogrosso foi quem criou uma “persona” diferenciada. Porém a
estampa do Ney era pura androginia – algo fortemente vinculado à
natureza, ou algo cibernético, sei lá -, algo indefinido, que
permitia as mais diversas interpretações, inclusive ser visto como
um palhaço pelas crianças. Assim, nenhum destes artistas nunca
representou um “mal” para a família tradicional brasileira.
Pabllo não. Pablo é
a primeira travesti (ou drag) que chega ao mainstream brasileiro.
E travesti, todos
sabem, faz parte de uma minoria marginalizada, perseguida e
definitivamente não aceita socialmente.
Pabllo é pioneira.Nunca antes, na
história da música brasileira, isto tinha acontecido.
Também, dentro do
grupo dos tais artistas “gays normais”, nenhum -absolutamente
nenhum– iniciou sua carreira já sendo um defensor ferrenho da
causa LGBT. Nenhum começou sua trajetória já dando a cara a tapa e
promovendo o empoderamento das minorias como a Pablo fez.
Alguns deles, com o passar dos anos, promoveram sim discursos e até trabalhos gay friendly (vide o cd “The Stonewall Celebration Concert”, do Renato), mas nenhum se colocou lado a lado com a causa logo de início.
Pablo é totalmente o oposto e já saiu levando porrada direto (inclusive dos gays).
Alguns deles, com o passar dos anos, promoveram sim discursos e até trabalhos gay friendly (vide o cd “The Stonewall Celebration Concert”, do Renato), mas nenhum se colocou lado a lado com a causa logo de início.
Pablo é totalmente o oposto e já saiu levando porrada direto (inclusive dos gays).
E quanto à musica ?
Os haters dizem que
a música da Pabllo é “menor” se comparada aos outros mestres.
Que a música dela “não tem profundiade”, “não tem poesia”,
é “menor”, é “porcaria”, e isto e aquilo. PQP ! Mais uma
vez, quem fala este tipo de coisa só revela desconhecimento, pois
não tem a mínima coerência comparar a Pabblo com Cazuza, por exemplo.
Pabllo vem na linha
da “drag music”, um estilo cujo primeiro registro no Brasil data
de 1995, quando a travesti carioca Andreia Gasparetty lançou o cd
“Escândalo” que trazia a pérola Desaqüenda la Mona.
Sim, 1995! Lá já
se ouvia -somente dentro da comunidade gay é claro- este tipo de música
“superficial” e “descerebrada” feita “apenas” para
divertir, estilo que os tais conhecedores do que é "bom e de valor” tanto detestam. Isto é puro preconceito.
E, por fim, os
haters adoram dizer que ela “canta mal”.
Bem, só tenho a
dizer que, quem quer se divertir pouco tá se lixando se quem tá
cantando é a Callas ou a Florence Foster Jenkins.
O povo quer mais é
se jogar e ser feliz, livre e sem preconceito.
E como isto
incomoda…
PS.: É óbvio que este texto em momento algum tem a intenção de desmerecer o trabalho de todos os ícones gays citados (os brasileiros foram estudados dentro do trabalho sobre MPB GAY disponibilizado nos links abaixo).
Todos são extraordinários e tiveram suas carreiras influenciadas de acordo com o período histórico no qual surgiram e/ou aconteceram, o que explica seus posicionamentos extra-música.
O que incomoda é esta necessidade dos haters em rebaixar de todas as formas o trabalho da Pabllo, inclusive criando comparações esdrúxulas e desnecessárias.
PS.: É óbvio que este texto em momento algum tem a intenção de desmerecer o trabalho de todos os ícones gays citados (os brasileiros foram estudados dentro do trabalho sobre MPB GAY disponibilizado nos links abaixo).
Todos são extraordinários e tiveram suas carreiras influenciadas de acordo com o período histórico no qual surgiram e/ou aconteceram, o que explica seus posicionamentos extra-música.
O que incomoda é esta necessidade dos haters em rebaixar de todas as formas o trabalho da Pabllo, inclusive criando comparações esdrúxulas e desnecessárias.
Para quem quiser
saber mais sobre a música Gay no Brasil, disponibilizo os links
(cinco partes) de um trabalho que desenvolvi para um curso de
Especialização em Literatura Brasileira (UFRGS)
Quarta parte Quinta parte
Friday, September 15, 2017
Filme - "Tom of Finland"
Neste momento no
qual se discute o que é ou não arte, o que dizer de um artista cuja
obra surgiu em revistas gays semi-clandestinas de quinta qualidade
da década de 50, e que hoje conta com itens no acervo no Museu de
Arte Moderna de Nova Yorque, e que também foi objeto de exposição
no Instituto Cultural Finlandes (Paris), Casa da Cultura (Estocolmo),
Museu de Arte Contemporânea (Los Angeles), Instituto de Arte
Contemporânea (Londres) e outros, além de ter sido publicado pela
editora Taschen em item de luxo ?
O artista em questão
é o Touko Valio Laaksonen, que agora tem sua vida, obra e
influência mostrada no filme “Tom of Finland” (2017) de Dome
Karukoski, uma produção de cinco milhões de euros que demandou três anos de filmagens na Finlândia, Suécia,
Alemanha, Espanha e Estados Unidos
Segundo
seu diretor, a obra foi
proibida
em mais de 50 países por seu tom abertamente homossexual, sobretudo
em países de
expressão árabe.
Verdade ou não, o lance é que o filme pode
incomodar alguns
“não iniciados” por suas cenas homoeróticas,
que afinal nem são tão “perturbadoras” assim.
De
qualquer forma, o grande mérito do filme é revelar a influência de
Touko (depois rebatizado como Tom of Finland), para a cena gay
mundial.
Numa
época (anos 50) quando
a visão sobre os gays ainda era fortemente influenciada por Oscar
Wilde com seus rapazes diáfanos, e
em meio ao tenebroso Macartismo,
Tom
esculhambou tudo criando um
mundo composto por motociclistas, policiais, soldados, marinheiros
cowboys e outros “símbolos
de machismo”, vivendo
sua sexualidade de forma absolutamente descarada.
Fortemente
influenciado por sua experiência como
tenente durante a segunda
guerra – que o fez um fetichista de uniformes -, e devoto fanático
da figura de Marlon Brando
em “O Selvagem” - que o transformou num
“leather” para o resto da vida - , Tom permitiu aos gays “se
empoderarem” e se afastarem daquela imagem afetada de dândis
recostados em
chaise-longes e
se esfumaçando com
piteiras enquanto ouviam
Marlene Dietrich.
Nada
disto.
Segundo o
poeta, critico de arte e autor Edward
Lucie-Smith, Tom “alterou o modo como os gays pensavam sobre si
mesmo. Ele também mudou a forma como os héteros pensavam a respeito
dos homossexuais. Enquanto alguns héteros sentiam-se desconfortáveis,
ou mesmo ameaçados pela nova forma de comportamento gay proposta por
Tom, outros, mesmo contra sua vontade, a acharam sedutora, e, na
maioria das vezes inconscientemente, absorveram aspectos do
imaginário de Tom nos seus próprios estilos de vida. Ele mudou não
apenas seus
jeitos
de vestir, como
também afetou alguns de seus aspectos de comportamento como postura e gestual”
(Fashion in Popular Culture – Literature, Media and Contemporary
Studies). ...(Pausa
: Será
verdade? Sei lá, mas de uma coisa eu sei : muitas vezes os
gays são os primeiros a adotar algum estilo para, depois, os heteros
virem na cola.)
Mas
voltando ao Tom – que
entre seus fãs temos Camille Paglia e John Waters - ,
a partir dos seus desenhos ,
os gays se apropriaram de muitos dos
ditos “símbolos
masculinos” e construíram toda uma nova cultura para o meio
(inclusive o Village People), que perdura até
hoje.
O
filme não é grande coisa,
por conta do seu enredo
“fraquinho”, mas cumpre
muito bem seu papel de resgatar a obra
e influência deste
artista tão importante.
Vale
a pena
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Algumas obras :
Thursday, September 14, 2017
Show - As Bahias e a Cozinha Mineira
Uma pajelança.
Só assim para definir o show de ontem à noite do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira no Teatro São Pedro.
Pop, rock, dance, maracatu, blues, samba, axé, manguebeat, tudo misturado num mix musical destruidor.
Assucena Assucena e Raquel Virgínia, as vocalistas trans, demoliram a cena com suas performances elétricas carregadas de energia.
Confesso que não conhecia o grupo, mas me apaixonei. Virei fã.
Este trecho da música "Reticências" me conquistou.
Só assim para definir o show de ontem à noite do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira no Teatro São Pedro.
Pop, rock, dance, maracatu, blues, samba, axé, manguebeat, tudo misturado num mix musical destruidor.
Assucena Assucena e Raquel Virgínia, as vocalistas trans, demoliram a cena com suas performances elétricas carregadas de energia.
Confesso que não conhecia o grupo, mas me apaixonei. Virei fã.
Este trecho da música "Reticências" me conquistou.
Tuesday, September 12, 2017
Mundo Gay - Manifestação de apoio à Exposição QueerMuseu em Porto Alegre
O clima ficou tenso hoje à tarde na frente do Santander Cultural., na Praça da Alfandega
De um lado o povo do MBL (e alguns simpatizantes), e do outro, representantes de vários grupos sociais e partidos políticos protestando contra o fechamento da Exposição QueerMuseu.
Como não podia deixar de ser, os lados antagônicos quase entraram em êxtase vociferando um contra o outro.
Mas, por estar em minoria diante dos manifestantes raivosos, o povo do MBL para não acabar levando umas bordoadas, acabou saindo rapidinho para alegria e vitória dos que ficaram.





De um lado o povo do MBL (e alguns simpatizantes), e do outro, representantes de vários grupos sociais e partidos políticos protestando contra o fechamento da Exposição QueerMuseu.
Como não podia deixar de ser, os lados antagônicos quase entraram em êxtase vociferando um contra o outro.
Mas, por estar em minoria diante dos manifestantes raivosos, o povo do MBL para não acabar levando umas bordoadas, acabou saindo rapidinho para alegria e vitória dos que ficaram.
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