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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Friday, May 18, 2018

Teatro - Balé Ralé




O homem fóssil da Prússia que dava o cú.

A mãe raivosa e favelada, em luto pelo filho assassinado pela polícia, que quer acabar com a raça humana.

O menino que é abusado pelo pai durante o banho e se protege do trauma relacionando porra com espuma de sabonete.

O rapaz que se apaixona por um homem-bomba.

O menino que é testemunha do relacionamento do pai com uma travesti.

O rapaz que quer usar sua namorada como refém e gritar ao mundo, com a grande glória de entrar ao vivo no programa do Datena, a merda da situação social em que vive.

A mulher miserável que dá os filhos em sinaleiras.

Estes são algumas das vozes presentes no espetáculo Balé Ralé, do grupo carioca Teatro dos Extremos, apresentado ontem no Teatro do Sesc.

Blackyva


Baseada no livro de contos de Marcelino Freire, “Balé Ralé – 18 Improvisos”, a peça é pura louvação do poder das palavras que constroem, de forma assombrosa, discursos que vão do dilacerante ao lírico.

Os atores estão magníficos.

Tatiana Henrique chega a assustar – de verdade - como a mãe que “dá os filhos”. Gente, que medo que ela se avançasse na plateia e começasse a dar porrada e cuspir no povo.

Samuel Paes de Luna desperta pura tristeza na figura do menino abusado pelo pai.

Juracy de Oliveira destrói como o namorado sequestrador, o apaixonado pelo homem bomba e o menino dançarino.

Blackyva é pura raiva e ódio como a mãe que odeia a paz.

E Fabiano de Freitas (o diretor) cumpre com louvor o papel de “dono do cabaré imaginário” onde rola todo o bafão, além de ser o narrador do caso do fóssil gay.

Muito bom mesmo.

Mais uma vez o teatro provando sua força.

Thursday, May 17, 2018

Budismo e Vegetarianismo



Para o budismo, a “natureza do Buda” está presente em cada ser, ainda que de forma apenas latente nos seres sem as faculdades intelectuais para manifestá-la, como no caso dos animais. 
A qualidade específica dos seres humanos refere-se à capacidade de utilizar de maneira plena essa natureza. A compreensão dessa grande vantagem que temos, sem dúvida confere um valor inestimável à condição humana. Todavia, longe de gerar desprezo pelas outras formas de vida, ela incentiva o budista a vivenciar uma compaixão ainda maior pelos seres imersos na ignorância de modo mais profundo do que ele, e o budista se esforça em sanar o sofrimentos desses seres. Do ponto de vista do budismo, é inadmissível utilizar a inteligência humana para explorar outros seres. 

No Sutra da Descida a Lanka, um dos sermões do Buda Sakyamuni pronunciados há 2.500 anos, lemos :

Mas que tipo de virtude praticam esses seres? Enchem o ventre de carne animal, espalhando o medo entre os animais que vivem nos ares, nas águas e sobre a terra! [...] Os praticantes do Caminho devem se abster de carne, pois comê-la é fonte de terror para os seres”

Quando o budista escolhe seguir o Caminho, pronuncia a seguinte frase: “Tomo refúgio no Dharma e prometo não prejudicar mais nenhum ser”. É evidente que essa promessa também se aplica aos animais. Sabe-se que o budismo rejeita a ideia sustentada pelas religiões monoteístas de que os seres humanos foram concebidos para ocupar o ponto mais alto da criação, com as demais criaturas concebidas para satisfazer as exigências dos seres humanos e servir-lhes de alimento e diversão. Todos os seres são considerados com o direito fundamental de existir e de não sofrer.

Shantideva, o mestre budista indiano que viveu nos séculos VII-VIII, resumiu essa ideia num célebre verso: “ Se temos todos um igual desejo de sermos felizes, por qual privilégio seria eu o único objeto dos meus esforços para alcançar a felicidade? E se nós todos tememos o sofrimento, por qual privilégio teria ou direito a ser protegido, eu apenas e não os outros?”
Shantideva
Sobre isso o Dalai Lama comenta :

Devemos proteger os outros do sofrimento da mesma forma como faríamos com nós mesmos, e devemos nos preocupar com o bem-estar dos outros tanto quanto com o nosso. Quando protegemos nosso corpo, nós o consideramos como uma entidade única e protegemos também todas as suas partes. Mas os seres formam um conjunto, pois partilham a dor e a alegria, e todas as partes desse conjunto devem ser tratadas da mesma maneira.

Dalai Lama
Como definir o que é um “ser sensível”?

Um ser considerado “sensível” é um organismo vivo, capaz de diferenciar bem-estar de dor e de fazer a distinção entre as diversas formas de ser tratado, ou seja entre as diferentes condições propícias ou nefastas à sua sobrevivência. Um ser sensível também é capaz de reação consequente, de modo a evitar ou se afastar do que poderia interromper sua existência, buscando o que lhe for favorável. No budismo tibetano, por exemplo, os seres são designados pela palavra ‘gro ba que significa a ação de “ir”, no sentido de ir “na direção” do que lhe for favorável e de “se afastar” do que lhe for nocivo.

Subjetiva ou não, a tendência natural até mesmo de uma minhoca é a de continuar viva. Para tanto, não é preciso que ela disponha das capacidades intelectuais necessárias para a formação de conceito de “dor”, “existência” ou “finitude”. O budismo faz assim uma diferença entre a reação instintiva de uma animal minúsculo, que se afasta de um estímulo nocivo em potencial, e a reação, puramente mecânica, da flor que se inclina em direção do sol por fototropismo. Os movimentos das plantas são inteiramente comandados por fatores externos. A planta não tem escolha e, num dado momento, apenas uma direção de movimento é possível. Enquanto o metabolismo vegetal é imediato, o animal pode postergar sua ação. 

Nos organismos mais rudimentares, essas reações não espelham, é claro, uma ação refletida ou uma experiência subjetiva de “bem-estar” ou de “sofrimento”. Essas reações fazem parte, no entanto, de uma continuidade, cuja complexidade gradual leva ao aparecimento de um sistema nervoso, o qual passa então a permitir a percepção das sensações de dor e, em seguida, a consciência subjetiva da dor. Ter em conta essa continuidade deve, portanto, nos levar a valorizar e respeitar toda forma de vida.


Budismo e vegetarianismo.

Nem todos os budistas são vegetarianos, e os textos não são unânimes em condenar o consumo de carne. Determinados sutras do Grande Veículo, o Mahayana, são, porém, inequívocos, como o Sutra da Descida a Lanka que declara :

Para não se tornar fonte de terror, as pessoas na condição de vida do bodisatva, que manifestam uma vida plena de benevolência, não devem se alimentar de carne. [...] A carne é um alimento para os animais ferozes, é impróprio dela comer. [...] Matar animais por lucro, trocar mercadorias por carne, ambas são más ações: um mata, o outro compra, os dois cometem erro.

Da mesma forma, no Sutra do Grande Parinirvana, o Buda diz: “Comer carne destrói a compaixão”, e aconselha seus discípulos a se afastarem do consumo da carne “da mesma forma como rejeitariam a carne de seus próprios filhos”. Muitos mestres tibetanos também condenaram o consumo da carne animal.

O imperador Ashoka, que se tornou adepto do budismo e do vegetarianismo no mesmo momento, promulgou vários decretos, 150 anos após a morte de Buda, para que os animais fossem tratados com benevolência. Em especial, ele ordenou a inscrição de preceitos em grandes pilares exigindo que seus súditos tratassem os animais com bondade e proibiu os sacrifícios animais em seu território.
 
Ashoka
Os budistas chineses e vietnamitas são estritamente vegetarianos. Os tibetanos vivem num elevado planalto recoberto de imensas pradarias que apenas permitem a criação de rebanhos de iaques, cabras e carneiros. Renunciar ao consumo de carne sob tais condições implicava, até pouco tempo, limitar a alimentação à manteiga, iogurte (no verão) e tsampa, a tradicional farinha de cevada tostada. Essas condições levaram as populações, em grande parte nômades, a viver de seus rebanhos, e os tibetanos, em sua maioria, gostam muito de carne.

No entanto, eles têm consciência do aspecto imoral do seu comportamento e procuram saná-lo, abatendo apenas a quantidade de animais estritamente necessária para que sobrevivam. No exílio, na Índia ou no Nepal, é crescente o número de mosteiros tibetanos que não permitem a carne nas refeições preparadas em suas cozinhas.

Shabkar
Para o budista, em geral, ser vegetariano ou vegano (sobretudo nos países industrializados) é um modo de manifestar sua compaixão pelos animais. Ao contrário dos hindus vegetarianos, para o budista a carne não é “impura” por si mesma. Para ele, não haveria nada de errado, em princípio, em comer animal morto de forma natural.

 Além disso, muitos praticantes budistas compram com regularidade os animais destinados ao abate, para soltá-los na natureza ou em locais de refúgio, onde serão bem tratados. 

Por exemplo, lemos na autobiografia do eremita tibetano Shabkar, que viveu nos séculos XVIII-XIX, que durante sua vida ele salvou centenas de milhares de animais da morte. 
 
No Tibete, os animais cuja vida é assim “comprada” terminam seus dias em tranquilidade com o restante do rebanho. Essas práticas são ainda correntes entre os fiéis budistas. No Butão, onde predomina o budismo, a caça e a pesca são proibidas no país todo.

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Texto retirado do livro : "Em defesa dos animais - direitos da vida", de Matthieu Ricard





Wednesday, May 16, 2018

Filme Closeness - Tesnota



 Uma garota oprimida por camadas de preconceitos.

Primeiro, por ser mulher.

Segundo, por ser pobre.

Terceiro, por saber que sua mãe prefere seu irmão à ela.

Quarto, por pertencer a uma minoria étnica (judia) numa cidade de maioria islâmica.

Quinto, por viver numa comunidade machista, patriarcal.

Sexto, por namorar, para absoluta desaprovação de todos, um rapaz da etnia Kabardiana (islâmica).

Este é o quadro de vida de Ilana em “Closeness”, filme de estreia de Kantemir Balagov premiado em Cannes em 2017 com o troféu FIPRESCI (Fédération Internationale de la Presse Cinématographique).

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Ilana (Darya Zhovner, uma atriz iluminada – me lembrou muito uma Sigorney Weaver novinha) é uma garota vivendo com sua família (os Koft), em situação precária em Nalchik, uma cidade deprimente no Cáucaso do Norte (Russia) em 1998.

Logo de cara fica evidente que Ilana é muito mais próxima de seu pai Avi (Artem Tsypin ) do que de sua mãe Adina (Olga Dragunova).

Tanto que é ela quem trabalha com o pai na oficina mecânica da família, ao invés do seu irmão David (Veniamin Katz).

Ilana tem espírito rebelde – usa o tempo todo uma jaqueta com a figura de um leão nas costas- e, neste seu papel de “filho homem” – o que significa aceitação e reconhecimento naquele lugar -, ela se afasta da feminilidade usando roupas e trejeitos masculinos; tanto que no início do filme fiquei confuso quanto ao sexo daquele “mecânico”.

Também ela namora Zalim (Nazir Zhukov) e só anda com rapazes Kabardianos – o que praticamente só significa se embriagar em muquifos de quinta – . Isto, é claro, bem longe dos olhos da família.

Numa noite de festa, para comemorar o noivado de David com Avi (Atrem Cipin), David e Avi são sequestrados por Kabardianos que pedem resgate em valor bem acima do que a família pode pagar.

Os Koft, sabendo que não contariam com a ajuda efetiva da polícia na busca do seu filho e da namorada, buscam apoio na comunidade judaica, somente para passar por humilhações e exploração (acabam vendendo a oficina por valor bem inferior para conseguir parte do resgate).

Na busca desesperada para conseguir o resto do dinheiro, Avi (o pai amoroso) e Adina (a mãe intolerante) acabam usando Ilana como “moeda de troca".

O que a filha é, o que ela quer e o que ela necessita é irrelevante.

Mas Ilana não se entrega e acaba manifestando sua rebeldia através da única coisa que é realmente sua.

(sem spoiler)

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Ilana é um personagem gigantesco e complexo.

Vamos da afeição ao asco diante das suas atitudes e ações surpreendentes.

Num verdadeiro embate silencioso com o universo ela é muitas.

Com o pai, busca afeição e amor.

Com o irmão, alterna momentos de raiva e absoluta ternura.

Com o namorado vai da agressão física à entrega emocional.

Já com a mãe, o buraco é mais embaixo.

Ciente de que Adina prefere David `a ela – além de expô-la à negação da sua felicidade -, Ilana é um verdadeiro turbilhão de emoções em relação à mãe.

Uma coisa tipo “entre tapas e beijos”, se bem que aqui a coisa tá mais pra “tapas”.

Tanto que a garota passa o filme todo buscando contato físico com o pai, com o namorado e com o irmão – até de forma agressiva em algumas situações – mas, em nenhum momento, chega perto da mãe.

A coisa é super punk e leva a um final ambíguo que impressiona.

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Aliás, “impressionante” é um termo menor para definir “Closeness”.

Eu fico mais para “Apavorante”

O filme tem uma sequência absurdamente chocante com cenas reais de soldados russos sendo torturados e mortos na guerra da Chechênia naquele que ficou conhecido como “Massacre de Dagestan" (https://en.wikipedia.org/wiki/Dagestan_massacre) .

Achei totalmente desnecessária e confesso que não tive estômago para assisti-la por completo.

Pena que este expediente sensacionalista tenha sido usado, pois , sem ele,  “Closeness” tem méritos suficientes para ser uma obra impactante e inesquecível.

 Super.

Tuesday, May 15, 2018

Padre Jean Meslier - Ateu, Comunista e Defensor dos Animais


Jean Meslier 

Padre francês (1664-1729) que durante o dia rezava missas e, à noite, escrevia seu “testamento” metendo pau em todo tipo de exploração (político, social, religiosa).

Foi precursor de ideias que viriam florescer mais tarde como o iluminismo, o comunismo e o ateísmo.

O curioso é que os vários conteúdos encontrados sobre ele na internet, enaltecendo seus pensamentos radicais,  quase na sua totalidade simplesmente não falam da sua visão indignada sobre a exploração animal.

Mas, sim, Meslier – um enfezado com qualquer tipo de tirania -, também estendia sua revolta à forma como os humanos tratavam os animais.  

Meslier inclusive “... chega a considerar a indiferença ou mesmo a crueldade dos cristãos com os animais como uma das provas da inexistência ou da hostilidade de Deus” (Matthieu Ricard  no livro “Em defesa dos animais”).

Palavras de Meslier sobre os animais :

“É crueldade e barbárie matar, golpear e degolar, como é feito, animais que não fazem nenhum mal, porque eles são tão sensíveis ao sofrimento e à dor como nós, apesar das afirmações vãs, falsas e ridículas dos nossos novos cartesianos, que os tratam como meras máquinas sem alma e sem nenhum sentimento [...]. Opinião ridícula, afirmação perniciosa e doutrina detestável, uma vez que tende, de modo manifesto, a sufocar nos corações humanos qualquer sentimento de bondade, de gentileza e de humanidade que possam ter por esses pobres animais. [...] Abençoadas sejam as nações que tratam os animais de forma benigna e favorável e que se apiedam do sofrimento e das dores dos animais, mas amaldiçoadas sejam as nações que os tratam com crueldade, que os tiranizam, que apreciam derramar seu sangue e alimentar-se com avidez de suas carnes”
(Mémoire des pensées et sentiments de Jean Meslier)



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Alguns Links para saber mais sobre Meslier 

Este primeiro link fala sobre a visão de Meslier sobre animais :





Sobre sua frase : "O mundo só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre" 

Monday, May 14, 2018

Filme / Teatro - Tom na Fazenda


Tom, um jovem gay urbano, perde seu namorado (Guillaume) num acidente de trânsito.

A fim de acompanhar os funerais do amado viaja ao interior, à fazenda da família de Guillaume.

A questão é que a mãe de Guillaume (Ágata), não sabe que seu filho era gay, então, para não incomodar a mãe, o irmão de Guillaume (Francis – um fazendeiro bruto e agressivo), obriga Tom a mentir sobre sua relação com o falecido.

Fragilizado, Tom compactua com a farsa, sem saber que esta concessão é o início de outras que o levarão a permanecer na fazenda num ambiente de agressões físicas e emocionais perpetradas pelo perturbado Francis.

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A história é punk e assisti as suas duas versões : o filme, de Xavier Doland, e a peça, de Michel Marc Bouchard.

Vi o filme primeiro e fiquei muito perturbado pela passividade de Tom diante das agressões do “cunhado”. Claro que a relação abusiva que se estabelece entre ele e Francis é muito complexa – não dá para santificar um e crucificar outro - revelando momentos de ódio, afeto, dependência, rejeição e atração.

O jogo físico-mental que se estabelece entre é cheio de camadas que indignam e desassossegam o público o tempo todo.

A peça é a mesma coisa, só que o impacto é muito maior.

Ver ao vivo toda a humilhação física e mental de Tom é torturante, quase insuportável.

Os atores estão magníficos. Armando Babaioff (Tom) e Gustavo Vaz (Francis) são pura energia e vigor em cena. Suas alternâncias de raiva, choro, dor e afeto são desconcertantes.
Kelzy Ecard (a mãe) e Camila Nhary (a “namorada fictícia”) complementam a grupo de talentos com louvor

Mas o que me perturbou muito é que o final da peça é completamente diferente do final do filme.

Tão diferente que se pode pensar em duas histórias distintas.

O peça termina num tom de revenge, com Tom – aparentemente – dando o troco à Francis.

Já o filme termina numa espécie de vácuo, com Tom num tom (sic) de (des)conforto e (in)decisão.

Mas o que achei bizarro é que a peça é o filme podem ser complementares, o que não seria de todo impossível, uma vez que o roteiro cinematográfico foi escrito numa parceria entre o Xavier Doland (diretor) e o Michel Marc Bouchard (o autor da peça).

Será que eles quiseram fazer uma pegadinha?

Sei lá, mas o que é bom mesmo é constatar que se está diante de uma obra provocativa.

Muitos podem não gostar, mas indiferente ninguém fica.

Vegetarianismo - Memes Vegetarianos / Veganos


MEMES VEGETARIANOS / VEGANOS


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Fui vegetariano (ovo-lacto) durante muito tempo e  me tornei vegetariano estrito há alguns anos. Não como carne, nem ovos, nem leite, mas confesso que ainda escorrego sim numa torta de chocolate de vez em quando.

Comecei a criar (ou piratear)  memes vegetarianos /veganos para colocar (apresentar / discutir) questões que envolvem a adoção do Vegetarianismo / Veganismo. 

Tenho publicado estes memes em grupos do Facebook e a receptividade vão desde reações positivas até o mais absoluto ódio, deboche e desprezo, passando pela avaliação de vários "especialistas" que fazem questão de contrapô-los e desmerecê-los com seus cabedal de conhecimentos acadêmicos / religiosos / científicos / morais, etc.

Ok, normal.

Enfim, mas o que é importantes para mim é a ideia de prover os vegetarianos e veganos com alguns conteúdos que os auxiliem a responder à muitas das agressões e questionamentos a que são expostos diariamente.

Para aqueles que curtirem algum, usem e abusem o quanto quiserem. 

Outros memes virão.

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1 - Meme comparativo sistema biológico


Fontes :
 

http://arcoirisuniversal.org/salud_natural.html



Obs .: Este meme é muito encontrado na Internet. Porém eu não conhecia nenhum em português

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 Meme inspirado pelo vídeo "Vegano X Cristão" (link para o vídeo, abaixo do meme)

 



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Memes inspirados pelo livro "A Política Sexual da Carne - Uma Teoria Feminista-Vegetariana" de Carol J. Adams  (vou fazer uma resenha mais tarde)




 

 




 

   
Livro inspirador dos Memes acima

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Meme inspirado pelo livro "Em Defesa dos Animais - Direitos da Vida" de Matthieu Ricard

Livro inspirador do Meme acima - virão outros com certeza. Estou lendo este livro agora

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Memes inspirados por outros postados na Internet. 

Obs .: Vários destes memes são cópias (apenas traduzi) e outros são releituras / recriações.




 

 

 

 

 

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Memes criados por mim (não achei nada parecido na Internet)
  
Inspirado por uma fala de Peter Singer (filósofo autor de "Libertação Animal") numa palestra que tive oportunidade de assistir aqui em Porto Alegre

Inspirado por : http://www.bbc.com/earth/story/20170109-plants-can-see-hear-and-smell-and-respond



 
 
 
 

  

Friday, May 11, 2018

Teatro - Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens


“Impactado”

Este foi o termo que definiu minha sensação ao final da peça “Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens”, do Grupo Coletivo Negro (SP), ontem à noite no Teatro do Sesc.

Baseada em depoimentos de jovens negros, e com texto apoiado nas letras e discursos dos Racionais MCs, “Farinha” é uma “peça-show” absurdamente sensorial que te deixa travado na cadeira com uma encenação de cair o queixo.

Um “performer”, Jé Oliveira (absolutamente fantástico), um Dj premiado e uma banda. Pronto! Tá montada a tribo que incendiou o teatro com uma pajelança desconcertante.

Fiquei zonzo, bestializado.

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Mesmo pegando um recorte específico da questão do negro brasileiro (meninos e homens heterossexuais negros das favelas e subúrbios de São Paulo), acredito que nunca o grito da negritude tenha ecoado de forma tão vigorosa e combativa na cena brasileira.

O painel foi imenso.
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No lado social, a questão do homem de cor periférico, sua família, suas brincadeiras, sua memória e relações. Seu cotidiano permeado pela violência, pela banalização da morte, pelo constante alerta e defesa. Sua vivência sob o peso do preconceito, do rebaixamento, da exclusão. Seus sonhos, anseios. Sua sexualidade e afetos.

No lado político, a consciência moldada a partir da descoberta de ícones como Malcom X, Zumbi e Racionais MCs. A descoberta de textos que espelham dores, a descoberta de conteúdos que discutem, enraízam e definem. A identidade construída a partir daquilo que representa, que dá voz.

Do lado musical ..... méldéls, que maravilha !
Marvin Gaye, Jorge Benjor, Cheryl Lynn, Kool and The Gang, Hyldon, Cassiano, Jackson Five, James Brown, rap, jazz, samba, funk . Isto sem falar, é claro, do rap poderoso e onipresente dos Racionais.

Mas, tirando este lado festivo que dá uma aliviada na parada, confesso que a peça me assustou.

Nunca na minha vida tinha visto tão de perto tanta raiva, indignação, revolta e palavras de ameaças tipo “... se liguem, a coisa vai virar...”, “... se liguem, Zumbi tá voltando ...”, com olhares intimidadores para a plateia.

Mêêêdoooo.

Tanto que, no final, quando eles entraram com umas armas tipo metralhadoras, me caguei todo. Pensei “é agora que vou ser esburacado”.

Mas não. As tais “armas” eram, na verdade, potentes lanternas que projetaram “Todo poder ao povo” nas paredes do teatro.

Ufa !

Mas o discurso enfurecido rola o tempo todo durante a encenação, quase sem refresh.

Não tem como não ser afetado.

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Fora as dores sociais que são trovejadas direto, a peça insere uma homenagem à Marielle (necessária) e, como não poderia deixar de ser, ao “metalúrgico barbudo preso em Curitiba”.

Ai meu cú! De novo? Que bela bosta.

Mas, o que foi legal, é que quando rolou a tal “homenagem ao Lula”, o povo simplesmente não se manifestou (como tinha se manifestado no caso da Marielle).

Um silêncio constrangedor tomou conta do teatro.

Aí o Jé Oliveira ficou meio sem chão e emendou um “ ... agora tem que mandar pra cadeia também o Aécio e o Temer...”.

Ai sim o povo aplaudiu.

Que merda . Por que sempre tem quer rolar “Lula Livre !”, “Salvem o Lula!”, “Free Lula!” em tudo que é peça?

Isto sem falar que eles também deram um jeito de debochar do Moro através de uma “bandeira-cortina-pano” provocativa.

Mas, enfim, estas babaquices não inutilizaram o conjunto da obra.

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E que obra !

Durante o espetáculo eu pensava

“Esta porra – apesar de violenta e assustadora - deveria estar nas escolas, nas praças, nas igrejas, no congresso, nos salões, nas comunidades, na televisão, na internet.

Esta porra deveria ser jogada na cara da sociedade, no seio da família brasileira, e assim, quem sabe, contribuir para provocar mudanças e transformações reais”.

Super.

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No final, o grupo propôs um debate com os presentes.

Foi a oportunidade para eu me manifestar e dizer que, por ser branco, tive a impressão de que não tinha conseguido entender, captar todo o discurso encenado.

E também comentei que, por ser “das antigas”, vinha de uma tradição na qual o samba (tipo Martinho, Beth, Bezerra), davam voz às questões da negritude. E que o que eu percebia é que agora este lugar tinha sido ocupado pelo Rap.

A questão de “não entender tudo o que foi visto” foi reforçada pela manifestação de uma mulher negra (que reclamou de não ter visto a questão da mulher negra em cena), e por uma bixa negra (que reclamou de não ter visto a questão das bixas negras em cena).

A isto, o elenco respondeu que o recorte da peça é muito específico (jovens negros heterossexuais), mas que eles buscaram expandir o discurso para abarcar a maior identificação possível com o público (inclusive com os brancos).

Verdade. Apesar de eu não ter entendido tudo, não teve como não me identificar e compreender (com) muito do que foi visto.

Já quanto ao rap ter tomado o lugar do samba na questão da representatividade negra, houve uma concordância.

Sim, o rap, o grito de revolta e resistência oriundo dos guetos americanos, ecoou nas favelas e periferias do Brasil e passou a ser o seu meio de expressão mais autêntico.

Muito bom.

Valeu demais.

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Irada, furiosa e necessária.

Tomara que a peça volte a Porto Alegre e mais pessoas a assistam.

Thursday, May 10, 2018

Filme - Verdade ou Desafio



Aí tu sai de casa, vai até o cinema, compra entrada e insumos (pipoca e bebida), senta na poltrona, espera as luzes apagarem, assiste propagandas e trailers até que, finalmente, o filme começa. 

Você assiste a sessão e, no final, fica com o espírito pleno, certo de que todas tuas expectativas foram plenamente atendidas.

Neste sentido,  “Verdade ou Desafio” cumpre com louvor todas as probabilidades e entrega, com méritos, uma bosta épica. 

É admirável o empenho, o esforço de todos os envolvidos na sua criação (produtores, diretor, roteiristas, atores, música, efeitos, tudo), todos numa sinergia, todos numa vibe criativa para gerar uma obra digna de disputar pódium com os piores filmes de todos os tempos.

É comovente como a união pelo desastre – pelo pior -  é efetiva e frutifica de forma magnífica.

“História” medonha, diálogos infames, personagens ultrajantes, situações cretinas,  sustos bocós, absolutamente nada funciona. 

No final tu fica : “Tu queria merda? ... Então toma merda !”

Enfim...

Fazer o que no final das contas?

Só pensar : “Valeu o ingresso”.