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Friday, October 03, 2014

Livro - Rin Tin Tin - A Vida e A Lenda


“Rin Tin Tin - A Vida e A Lenda”, de Susan Orlean (Editora: Valentina) é um livro para a terceira idade? Para aquela geração, tipo dos anos 60 e 70, que cresceu assistindo “As aventuras de Rin tin tin” nas velhas televisões preto e branco ?

Crianças que acompanhavam mesmerizadas as aventuras do valente cão pastor alemão, companheiro do garoto Cabo Rusty ( que gritava Yo ho Rinty! Toda vez que necessitava de ajuda), juntamente com o atrapalhado Sargento O`Hara e o Tenente "Rip" Masters ?


Bem, sim e não.

Para mim, que fiz parte desta geração, o livro me levou a reviver emoções e sonhos da infância quando eu meus irmãos e amigos sonhávamos ter um cão tão nobre e inteligente quanto Rinty (e chegamos a ter um pastor alemão, mas ele acabou sendo dado a um fazendeiro depois de morder a bunda de um garoto numa festa de aniversário lá em casa).

Mas o livro não é só para os saudosistas. Na verdade “Rin Tin Tin - A Vida e A Lenda”, é uma saga de obsessão, paixão, sucesso e ruína quase inacreditável, retratada na vida de várias pessoas que dedicaram suas existências a construção e defesa de um sonho, e que sofreram (alguns duramente) as consequências das suas escolhas e caminhos.

E isto, afinal, é universal.

No livro acompanhamos basicamente três figuras :

1) Lee Duncan, um jovem soldado americano (com um forte sentimento de orfandade), que encontra – numa campanha na França durante a Primeira Guerra em 1918 - uma ninhada de cães numa cidade arruinada, e faz das tripas coração para cuidar e transportar dois filhotes para os EUA (um macho e uma fêmea).
Lee e Rinty filhote

Lee fica obcecado com o“machinho” (chama-o de Rin Tin Tin. Como surgiu este nome ? Leiam olivro. É muito legal mesmo sua origem),  e dedica praticamente todo seu tempo para treiná-lo.

Nesta relação, Rin Tin Tin acaba desenvolvendo habilidades extraordinárias e um comportamento “inteligente”, o que leva Lee a crer estar diante de um cão superior, com um diferencial único (o que era verdade).

Nesta época (início dos anos 20), a indústria hollywoodiana crescia nos EUA e Lee – depois de algumas bênçãos do destino – consegue transformar Rinty num astro das capaz de arrastar multidões aos cinemas.

Então dono e cão tornam-se personalidades nacionais com direito a muitos prêmios, red carpet, mordomias e muita grana.

 Mas a coisa não podia durar para sempre e Lee passa da glória à bancarrota com o advento do cinema falado e a morte do pioneiro Rin Tin Tin (a descrição do envelhecimento e últimos anos de vida do primeiro Rinty é “de chorar”).

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Herbert Leonard
2) Herbert “Bert” Leonard, um gerente de produção nova-iorquino (super brigão), que decide investir num programa de TV tendo Rin tin tin como astro, nos anos 50, resgatando o herói canino do ostracismo.

Não preciso dizer que o programa foi um sucesso mundial, o que tornou Leonard um milionário muito influente no negócio de entretenimento televisivo (ele produziu mais duas séries de sucesso “Rota 66” e “Cidade Nua”).

Com a morte de Lee, Bert assume (na verdade herda) o legado de Rin Tin Tin. Porém, a partir daí – com o mundo em mudança, onde a figura do cão herói se torna um tanto anacrônica - , a carreira do produtor só vai ladeira abaixo com uma mistura de “idéias geniais”, fracassos, investimentos, dívidas enormes e decisões absurdas num conjunto de estripulias que o levou cada vez mais ao fundo do poço.

De qualquer forma é impressionante acompanhar a fixação de Bert com a figura de Rin Tin Tin e sua luta para, mesmo causando danos materiais e emocionais a si próprio, manter a integridade da simbologia do cão.
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3) Daphne Hereford uma mulher determinada cuja avó, apaixonada pelo cão, ... “estava tão decidida a ter um herdeiro dele que em 1956 descobriu o endereço de Lee Duncan e enviou-lhe uma carta pedindo um filhote.

 “Toda a vida eu quis ter um Rin Tin Tin”, ela escreveu, acrescentando, antes de perguntar o preço: “Eu não sou uma dessas texanas ricas que tem por aí. Sou uma mulher simples, criada num sítio.” 
Daphne Hereford

Disse que queria começar “um legado vivo de Rin Tin Tins em Houston”, e prometeu que se Lee lhe enviasse um filhote, ela devolveria imediatamente a caixa de transporte por correio. Impressionado com tanta determinação, Lee concordou em conceder-lhe um filhote de Rin Tin Tin IV, “de excelente qualidade”. 

Quando a avó morreu, em 1988, Daphne assumiu a tutela do legado. Ressuscitou o Fã-Clube Rin Tin Tin e registrou todas as patentes que pôde, relativas a Rin Tin Tin. 

Todo o seu dinheiro ia para os cães, o fã-clube e outros projetos relacionados. Morava numa pequena casa de cômodos em Latexo, Texas, e se virava como podia com as despesas.

Para Daphne, tratava-se de preservar a estirpe dos Rin Tin Tins, que se podia traçar passado adentro — cão após cão, geração após geração, com um ou outro percalço, mas jamais interrompida — de Old Man (que era o seu Rinty) até o primeiro Rin Tin Tin e, o mais importante, a ideia original: aquilo que você ama de verdade nunca morre.
 
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Após a morte de Lee, Daphne e Bert, distantes um do outro e cada um a sua maneira, dedicaram suas vidas a preservar a iconografia do cão. Porém, num absurdo acaso do destino, envolvendo o astro Lee Aaker (Cabo Rusty), acabam entrando em conflito.

Lee Aaker - decadência total
E por falar em Lee Aaker e demais atores da série, de modo geral o saldo para todos, depois do encerramento de “As aventuras de Rin Tin Tin”, foi negativo. Principalmente para o astro infantil. Aliás o lance dele com o impostor Paul Klein (leiam o livro) é algo, digamos, “bizarro”.

Mas “A Vida e A Lenda” vai além da história de Rin Tin Tin e os humanos que se envolveram com ele. Vai além e muito. Na narrativa, Susan constrói um fenomenal panorama histórico e social relacionado a relação do homem x cão (e de resto com outros animais domésticos).

É maravilhoso acompanhar as transformações das “utilidades” dos cães através das décadas; partindo de animais de pastoreio e vigilância, passando por “soldados” de guerra e outros usos (principalmente em shows), até transformarem-se em leais companheiros e amigos do homem, no sentido que vemos hoje (com até certo exagero, é verdade).

Enfim, um livro magnífico para qualquer um que se interesse pelo Rin Tin Tin, por história, por cães, por televisão, por cinema, por amizade, por companheirismo e sonho.

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EXCERTOS :
 
A AUTORA FALA DA SUA RELAÇÃO PESSOAL COM RINTY :
 
Naquela época, a década de 1950, Rin Tin Tin era universal: estava em toda a parte, como que impregnado no próprio ar. Eu tinha só 4 anos por ocasião da sua primeira temporada na TV, de modo que a minha lembrança se resume a alguns rabiscos esmaecidos. 

Susan Orlean
Como, porém, meu irmão e minha irmã assistiam ao programa religiosamente, o mais provável é que eu me aboletasse ao lado deles para assistir também. 

Quando se é tão pequena, coisas assim são simplesmente absorvidas: elas se tornam parte de você. A sensação que trago em mim é a de ter conhecido Rin Tin Tin a vida inteira, como que por osmose. 

Ele é parte do meu ser, como uma cantiga de ninar que sou capaz de repetir sem saber de onde tirei. Sobre o ruído de fundo da minha primeira infância, eu percebo nitidamente um toque de corneta, um menino chamando “Yo Rinty” e um cachorrão saltando de um lado para o outro da tela, sempre a postos para salvar a pátria.
 
LEE ENCONTRA A NINHADA NUMA CIDADE ARRUINADA DURANTE A PRIMEIRA GUERRA (1918)


Seu relato nos garante que ele caminhou pelo campo inventariando o lugar (...) Familiarizado com cães, ele notou que a construção de concreto, longa e baixa, localizada na margem do campo era um canil, provavelmente construído pelos alemães para seus soldados caninos. Lee foi até lá dar uma espiada. 

Quando seus olhos se adaptaram à escuridão, o que viu foi uma carnificina infernal: vinte e poucos cães mortos por bombas de artilharia. Entrou no canil, passando por entre os corpos. 

Eram claramente cães militares. Um deles tinha uma gaiola de pombo-correio amarrada às costas, com dois pombos ainda vivos. Lee os libertou. Em meio ao silêncio, escutou ganidos. Seguindo o som até o fundo do canil, encontrou, no canto mais afastado daquela ruína sinistra, uma desesperada fêmea de pastor-alemão com uma ninhada de cinco filhotes.
 
DESCRIÇÃO DO PRIMEIRO RIN TIN TIN 
 
( ...) Rinty tinha 3 anos. Perdera a fofura de filhote, mas adquirira um manto lustroso e escuro, quase  negro, com raias douradas nas patas, mandíbula e peito. 


A cauda era peluda como a de um esquilo. Não era demasiado alto nem demasiado largo, não tinha um peito particularmente profundo nem patas especialmente longas e musculosas, mas era vigoroso e ágil, tão ligeiro quanto um cabrito montês. 

Tinha orelhas comicamente grandes, como duas tulipas, e bastante afastadas pelo largo crânio. 

Seu focinho era mais impressionante do que belo e a expressão preocupada, compassiva e generosa: em lugar da típica excitação canina, expressava um quê de sensibilidade, a melancolia de quem observa com tolerância e resignação a aventura de viver, lutar e ter esperança.
 
O PRIMEIRO RINTY PARTICIPA DE UM CONCURSO DE HABILIDADES, É FILMADO E, COMO SE DIZ, O RESTO É HISTÓRIA
 
Rin Tin Tin e uma fêmea chamada Marie foram os finalistas na competição de salto. A barreira, um muro de pranchas de madeira, foi colocada a 3,50m de altura. Ambos a superaram. A barreira foi, então, elevada 8cm para o desempate. O árbitro e seus assistentes se reuniram ao lado para ver de perto. Marie foi a primeira. 

Ela saltou por sobre o muro, mas bateu na prancha superior com as patas traseiras. Rin Tin Tin se preparou. “Charley Jones manteve o foco da câmera em Rinty enquanto ele levantava voo e aterrissava do outro lado”, escreveu Lee. “Rinty saltou mais alto que a cabeça do árbitro e todos os outros.” 

Vencera um obstáculo de quase 3,60m, um feito impressionante para qualquer cão, que dirá para um que pesava apenas 38kg. Jones ficou encantado com a nova câmera e a filmagem. Lee presumindo tratar-se de um experimento fortuito, pareceu não lhe dar
muita atenção: estava mais interessado nas menções que Rinty recebeu nos jornais de Los Angeles. 

Decidiu, então, iniciar um álbum de recortes, “sem jamais ter sonhado”, como escreveu, “que um dia Rinty estaria nos jornais de todo o mundo”. 

O filme do salto de Rin Tin Tin permaneceu, no entanto, na mente de Lee, porque nas semanas seguintes à exposição ele foi tomado por um renovado desejo de colocá-lo em Hollywood. 

“Eu fiquei tão excitado com a perspectiva do cinema que pensava nisso dia e noite”, escreveu. “Eu estava interessado em filmes, não em armas.”
 
(...) 

O prazer de Lee era o seu cachorro. Pelo que se deduz de seus cadernos, tinha poucos amigos, nenhum interesse por garotas e hobby algum que não incluísse o seu cão. Achava, também, que Rin Tin Tin dava “sinais de gênio”. 

Depois de ler “Por que Não Fazer o seu Hobby Render Dinheiro?” em 1921 e de sentir a influência de Hollywood, que ficava bem perto de sua casa, decidiu fazer exatamente isto: escrever um roteiro para um filme que tivesse Rin Tin Tin como astro. Queria ganhar o concurso da revista, mas começou também a pensar no passo seguinte — convencer um estúdio a fazer um filme “estrelando Rin Tin Tin”.
 
LEE PENSA NO ROTEIRO DO PRIMEIRO FILME DE RINTY (WHERE THE NORTH BEGINS)
 
Lee não só acreditava ter essa “faculdade de escrever histórias” como até já produzira uma, inspirada num conto popular sobre um príncipe e seu amado cão. Dizia o conto que o príncipe Llewellyn caçava lobos em sua propriedade certa manhã quando deu pela ausência de seu cão, Gelert, companheiro de todas as horas. 

Retornando ao castelo, Llewellyn foi ao quarto do filho imaginando que o cão estivesse dormindo ao seu lado. O que encontrou, no entanto, foi uma desgraça: a cama ensopada de sangue e o cão encolhido num canto. 

Entendendo que o cão havia matado o seu filho, o príncipe, furioso, desembainhou a faca de caça e estripou-o. Enquanto o cão agonizava, porém, Llewellyn percebeu um movimento ao lado da cama. 

O menino estava deitado,incólume, junto ao corpo de um lobo, que Gelert obviamente matara para protegê-lo. Llewellyn logo se deu conta do terrível engano, mas era tarde demais para salvar o cão. O ato final de Gelert, antes de sucumbir, foi lamber a mão do príncipe, perdoando-lhe o erro fatal

Lee deu ao seu roteiro o título Where the North Begins. Em lugar do príncipe, seu personagem principal era um caçador de peles; o cão era um animal extraviado que fora criado por lobos. 

O caçador, Dupre, passa a confiar no cão por tê-lo ajudado a enfrentar o proprietário de uma feitoria e seu capanga. Um dia, Dupre é instado a sacrificar o cão por ele ter matado uma criança. Ele concorda, relutante, mas o cão foge e se junta a um bando de lobos. 

Quando, mais tarde, Dupre descobre que a acusação era falsa, vai à floresta e encontra o cão. Em vez de rejeitar Dupre por tê-lo traído, o cão o recebe sem rancor e eles voltam a ser leais companheiros. 

O cenário era outro, mas a história de Lee mantinha intactos os temas da lenda de Llewellyn: a intimidade entre um homem e seu cão; a virtude do cão e sua muda resignação à falsa denúncia; o efeito obnubilante da ira; a capacidade do cão de absolver e perdoar; a necessidade humana de culpar; o generoso martírio do cão, assimilável ao de Cristo.

 Para um homem como Lee, que fora abandonado pelo pai, a história de um pai tão devotado ao filho que seria capaz de matar por ele devia ser uma deliciosa fantasia
 
TRECHOS DE CARTAS DE FÃS A LEE
 
001 . “Esse pastor-alemão teve uma participação tão destacada na minha infância que eu nunca poderei esquecê-lo. Finalmente tenho a oportunidade de agradecer-lhe, Sr. Duncan, por ter tido um papel nessa história tão bonita, por ter tido um papel nos dias felizes da minha infância, por ter encontrado esse prodigioso cão-prodígio que é Rin Tin Tin.”


002. “Caro Sr. Duncan, nós adoraríamos ter um cachorro igual a Rin Tin Tin. Dawn trabalha de babá para juntar dinheiro, e Chris vende manteiga para a gente poder comprar um. Michael economiza tudo o que ganha, e Gail também trabalha de babá e vende manteiga. Já juntamos mais de 22 dólares e 55 centavos. Se não for suficiente, por favor escreva-nos dizendo quanto precisamos economizar.” Lee respondeu-lhes dizendo que eles teriam um filhote se conseguissem juntar 25 dólares no fim do mês. ( ... as crianças ganharam seu cão e ficaram maravilhadas...)

CAROLYN, FILHA DE LEE, QUE SEMPRE TEVE A IMPRESSÃO DE QUE SEU PAI GOSTAVA MAIS DOS CÃES DO QUE DELA.

Em meio à torrente de atenções criada pelo programa (de televisão), Carolyn e sua mãe se esforçavam para se adaptar à versão mais recente da sua vida doméstica.

 Nunca fora fácil conviver com o cão famoso, e com o homem famoso por trás do cão, mas agora era menos ainda, especialmente para Carolyn, que certa vez me disse ter tido “a infância mais estranha do mundo”. 

Todas as crianças que conhecia assistiam ao programa e fantasiavam viver a vida dela, com Rin Tin Tin em seus quintais.  Ela, no entanto, sentia-se perdida, uma espécie de adendo — a reles e deselegante irmãzinha de um cão.

A SÉRIE DE TV PERDEU O SENTIDO DIANTE DAS MUDANÇAS SOCIAIS DA DÉCADA DE 50 E 60
 
(crianças e jovens) ... mudavam de atitude e, sobretudo, que começavam a se tornar independentes de seus pais, elas se convertiam numa força renovada e poderosa, refletida pela cultura popular. Em 1956, surgiram Marlon Brando, Elvis Presley, o American Bandstand e Uivo, de Allen Ginsberg; em 1957, On the Road, de Jack Kerouac, e em 1959, Almoço Nu, de William S. Burroughs. 

Em 1955, o filme Rebelde sem Causa, com James Dean fazendo o papel de um adolescente desajustado, foracelebrado como o retrato definitivo dos subúrbios norte-americanos, e Sementes de Violência, com seu elenco de jovens antissociais e a primeira trilha sonora de rockand-roll da história do cinema, mostrara os adolescentes urbanos como indivíduospredatórios e cruéis. 

A doce promessa do pós-guerra — uma vida cômoda e abastada em comunidades-dormitório povoadas de bebês de bochechas rosadas — vinha azedando. 

As comunidades-dormitório afluentes eram mortalmente enfadonhas, e seus bebês, agora, adolescentes entediados. Um cão herói e uma tropa de cavalaria começaram a parecer relíquias de um passado distante.
(…)
Ele (o seriado) era antiquado, construído sobre a crença na bravura e a afeição inocente de um menino por um cão. Não bastasse, havia também um inabalável respeito pela autoridade oficial — como disse Rip Masters, em mais de um episódio: “Desafiar a autoridade do governo dos Estados Unidos não compensa!” Afinado, em seus primórdios, com o espírito da época, o seriado parecia agora um tanto fora de passo. O mundo vinha mudando. Contestar era a palavra de ordem.

RINTY, VALORES E RECOMPENSAS.


“Essa receptividade universal só pode ser entendida tendo-se em conta que o seriado de TV e os valores que ele projeta e defende — coragem, lealdade e decência — se tornaram tão identificados com a tradição norte-americana de justiça, fraternidade e liberdade quanto o beisebol, o hambúrguer e o futebol das tardes de domingo.”
(…)
“Porque”, disse Bert, vagarosamente, “nós (...) pensávamos — eu, pessoalmente, achava que essa era uma excelente maneira de contar pequenas histórias morais. 

Por isso Rin Tin Tin foi um grande sucesso: durante todos esses anos, ele veiculou experiências de vida simples e positivas que expressam a mais autêntica recompensa pelas boas ações, o amor e a relação com o cão, o menino, a cavalaria e tudo o que há de positivo na vida americana. 

E fizemos isso não apenas... não era só uma questão de dinheiro. Eu sempre acreditei que, se você fizesse uma coisa que valesse a pena, ganharia muito dinheiro. 

E era esse o objetivo, fazer uma coisa maravilhosa com que as pessoas se identificassem, algo de que elas gostassem, e daí viria o sucesso e todas as demais recompensas, morais e financeiras. Foi por isso que eu adotei Rin Tin Tin”.
 
A OBSESSÃO DE ALGUMAS PESSOAS COM O PERSONAGEM.
 
Em que momento a devoção se converte em cegueira? É impossível uma pessoa idolatrar algo, ou alguém, sem ter alguma capacidade de autoengano e esquecimento. 

Afinal, não há nada perfeito neste mundo — nada que, para continuar merecendo o amor de outrem, não exija, de vez em quando, um desvio do olhar, umouvido seletivo ou um bem calibrado lapso de memória. 
Apaixonar-se por algo ou alguém requer capacidade de relevar o que pode haver de errado com o outro. Até onde, porém, é razoável relevar? 

Até que ponto a lealdade supõe a capacidade de esquecer, de gostar de estar apaixonado; até que ponto ela precisa da verdade? 

Saber graduar a nossa devoção — isto é, ter clara a diferença entre insistir em fazer de conta que não vimos e renunciar rápido demais — parece ser uma aptidão vital, um talento. 

Conhecer nosso limite já seria uma bênção. Parece, no entanto, que estamos condenados a pesar as coisas com um dedo na balança, ora loucos para desistir, ora entusiasmados em excesso.

UM CÃO ETERNO

“Sempre haverá um Rin Tin Tin”, disse Lee Duncan, repetidas vezes, a repórteres, visitantes, revistas de fã-clubes, vizinhos, familiares e amigos. No começo, devia soar absurdo — uma doce ilusão a respeito do animal que amenizara a sua solidão e o fizera famoso em todo o mundo. Mas Lee estava certo: sempre houve um Rin Tin Tin. 

 segundo Rin Tin Tin não tinha o talento do pai, mas era assim mesmo Rin Tin Tin, levando adiante o que o primeiro começara. Depois de Rin Tin Tin Jr. houve Rin Tin Tin III, depois outro Rin Tin Tin, depois outro e mais outro: sempre houve mais um. 

E Rin Tin Tin sempre foi mais do que um cão: foi uma ideia e um ideal — um herói, mas também um amigo, guerreiro zeloso, gênio sem fala, ermitão e sociável. 
 
Foi ao mesmo tempo um cão e muitos cães, animal de verdade e personagem inventado, cachorro de estimação e celebridade internacional. 
 
Nasceu em 1918 e nunca morreu.



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VÍDEOS 
 
Abertura da Série (infelizmente com som meio baixo)


 
Episódio “A Última Patrulha (1955)” -  Dublagem Original


 
Trecho do Filme “Where The North Begins” – Primeiro filme de Rin Tin Tin

Sunday, September 28, 2014

Video - Chandelier ( Sia )


Agradecimento Macabro

Quando nos deparamos com algo como o clip “Chandelier” da Sia, nos perguntamos : O que ela quer dizer com estas imagens?

O clipe ocorre todo dentro de um apartamento caindo aos pedaços no qual uma garota, com um evidente ar de abandono, dança (brinca?) de forma energética,  com  de expressões que vão da melancolia à alegria (forjada?).

O clipe traduz solidão, orfandade, carência e, ao mesmo tempo, uma determinação da garota com algo que eu não saberia dizer o que  é, mas que para mim,  pela a assustadora imagem final (quando ela faz um gracejo meio macabro para a câmera), sugere suicídio.

Será?

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Vídeo Oficial


Tradução Portugues


Também muito boa a apresentação ao vivo no Ellen Show


Vídeo - Home (Naughty Boy ft. Sam Romans)

Naughty Boy

Um belíssimo clip que fala em "voltar para a casa". O final é emocionante. Vale a pena mesmo.

Também em versão "lyrics" que também é fantástico.

Versão Original



Versão Lyrics


Thursday, September 25, 2014

Vídeo - Evangélicos vão eleger Deus !

Que piada!

Então desde que o mundo é mundo Deus não fez nada para mudar a sociedade pois não tinha tido, até agora, a oportunidade de ser eleito pelo voto direto para a Presidência de um país?

Quer dizer que agora o povo vai finalmente colocar Deus no comando?

É muito ridículo.

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É claro que a Marina talvez não concorde com este tipo de discurso absurdo (não posso afirmar que sim), mas, de qualquer forma, tem muita gente que acredita nesta insanidade.

A humanidade ainda não aprendeu que o fanatismo, seja de qualquer naipe, só traz separação, perseguição e desgraça ?



Wednesday, September 24, 2014

Video - Vovó Lole

Tenho que compartilhar isto.

Eu sou um obcecado por velhos.

Fico observando direto os anciãos em todos os ambientes (ruas, restaurante, super, cinema, praia, etc).

Fico observando seus movimentos, suas falas, como andam, como agem, seus modos, suas dificuldades.

Fico me imaginando na idade deles (que já não está tão longe) e como estarei quando chegar lá.

Nestes momentos sempre me lembro da música do Antony and the Johnsons, "Hope There's Someone",  que traduz de forma magnífica o que penso. 

E quando vejo o vídeo da Vó Lole, vejo luz.

Maravilha.

Vídeo da Vovò Lole



Antony and the Johnsons, "Hope There's Someone" - Legendado

Friday, September 19, 2014

Livro - “A condição indestrutível de ter sido”



“Um livro perigoso”. 

Foi assim que defini o “A condição indestrutível de ter sido”, diretamente à autora Helena Terra no encontro de leitores da Livraria Sapere Aude Livros quarta a noite.  

Perigoso ? 

Sim, pois a retratar a paixão de forma tão visceral e real os leitores podem descobrir (ter que enfrentar /  reconhecer ) suas auto fraudes amorosas e  acabarem direto na moldura do desespero.

Helena não deixa pedra sobre pedra ao descrever, com uma escrita absolutamente lapidar, a construção (e desconstrução)  de um castelo de emoções danadas,  impulsionado por uma paixão (imaginária ou não?) que a leva a heroína perigosamente à beira da loucura (ou ela já chafurda o tempo todo nela?).

Sendo assim, é óbvio que “A condição..”  não  se trata de uma história de “amor”, dentro daquilo que poderia ser considerado “romântico”, “belo”, “cor de rosa”. 

Longe disto.
Helena Terra

Na verdade o livro é o quadro de uma obsessão.

A narrativa em primeira pessoa, mostra uma mulher  ensimesmada e com uma forte queda à “vitimização”   (o homem, Mauro / Mau, é um crucificado sem voz),  o que gera áreas nebulosas, incertas, e o resultado é que, mesmo que vejamos a narradora em vários momentos como uma louca e fora da casinha, não há como não nos reconhecermos, em algum ou em vários momentos,  na montanha russa de sentimentos retratados no texto.  

Tipo, quem nunca ?

Tipo quem nunca quis “uma história”, e por isto imagina, cria, afirma, desconfia, engana-se, retrai-se, cai na real e lamenta ?

Livraço.

Wednesday, September 17, 2014

Teatro - Vingança - Musical inspirado pela obra de Lupicínio Rodrigues

 
 Texto de Niara Palma


Como é participar de um momento mágico? Como é se sentir transportado para outro lugar, inesperado, inusitado, surpreendente e ao mesmo tempo extremamente familiar? Como se tudo que tu esperasses acontecesse, mas de uma maneira insólita, emocionante, inacreditável?
Hoje participei de um momento mágico, sublime, emocionante.

Conheço e amo o legado de Lupicínio Rodrigues desde criança, graças à minha mãe, Isis Palma, fã ardorosa do drama, da poesia, da força das palavras de Lupicínio. Mesmo quando criança, sem passar pelos dissabores do amor, sentia fascínio pelas palavras fortes, carregadas de emoção.

Com a maturidade, o que eu intuía, passou a fazer sentido, a tocar fundo na alma, a traduzir sentimentos que não somos capazes de confessar em voz alta. Mas Lupicínio canta tudo isso, falava de vingança, a dor de ver um amor nos braços de um outro qualquer, admitia que, por um simples prazer, fui fazer meu amor infeliz, dizia que nunca, nem que o mundo caia sobre mim, nem se deus mandar, nem mesmo assim, as pazes contigo eu farei, e tantas outras frases que demonstram amor, ódio, rancor, sentimentos proibidos na sociedade politicamente correta e baseada na auto-ajuda por uma vida plena e feliz como a sociedade de hoje exige.

Mas mesmo assim Lupi, íntimo para nós gaúchos, persiste. Por quê? Talvez a resposta não demonstre um lado muito bom da minha personalidade, mas, tendo Lupicínio na alma desde sempre, já pensei várias vezes, não só em casos de amor, muitos outros:  “eu gostei tanto, tanto quando me contaram, que tive mesmo é que fazer esforço pra ninguém notar...”

Com toda essa expectativa, assisti ao espetáculo musical “Vingança” de Anna Toledo, Dirigido por André Dias no Theatro São Pedro lotado, no dia de aniversário  de nascimento de 100 anos de Lupicínio Rodrigues em Porto Alegre.

Dia mais especial, impossível....

Confesso que já fui emocionada, mas nunca, nem que o mundo caia sobre mim, poderia dizer que estava preparada para o que estava por vir. De forma alguma!


Texto de Iuri Palma 

Isto é o que eu chamo de "espetáculo", onde todos os recursos, tudo o que se vê em cena cumpre perfeitamente seu papel. 

A peça é praticamente irretocável. Os atores, músicos, iluminação, cenografia, tudo conspira para a magia cênica.  

Mas, sem dúvida alguma, o que paira, o que se impõe, o que domina é a obra do Lupi. 

Confesso que fiquei meio abobado ontem no São Pedro. 

Saber que era o dia do centenário do nascimento do gênio e estar assistindo a um musical inspirado nas suas canções foi realmente "perturbador".

Para mim, isto define um artista. Alguém que com sua simplicidade certeira baseada nas paixões humanas,  constrói algo que chamamos de "clássico", algo universal e eterno. 

E este "clássico" permanece e fecunda em novas obras, atravessando gerações. 

"Vingança" é um exemplo disto.

É impossível não se emocionar com o desfile precioso de canções inseridas brilhantemente nos momentos exatos da peça. 

Então dá-lhe "Vingança", "Volta", "Esses Moços", "Maria Rosa", "Nunca", "Ela disse-me assim", " Felicidade", "  Foi Assim" e tantas outras. 

Pelo amor de Deus ! Fala sério ! Não é de cair de quatro salivando e embasbacado?

Magnífico.


Ficha técnica :

Musical de Anna Toledo
Direção Musical Guilherme Terra
Direção Geral André Dias
Com Amanda Acosta, Andrea Marquee, Anna Toledo, Jonathas Joba, Leandro Luna e Sérgio Rufino
Músicos Guilherme Terra (Piano), Jeferson de Lima (Violão) e Ricardo Berti (Percussão)

Tuesday, September 16, 2014

Teatro – A morte de Ivan Ilitch

O imortal e genial Nelson Rodrigues proferiu uma frase definitiva dirigida ao “criativo” povo do teatro : “Sejam burros”.

Toda a vez que ele via o que alguns diretores faziam com suas peças (com montagens cheias de “inovações”) ele se perguntava : por que não simplesmente contar uma história, sem grandes arroubos e invencionices ?

 Por que tanta “criatividade”? Como fica a boa e velha narrativa?

Este pensamento ficou o tempo todo na minha cachola ao ver a falcatrua cometida ontem na Alvaro Moreira  com a “morte” da “A morte de Ivan Ilitch” perpetrada pela atriz e diretora Cácia Goulart, num monólogo dramático (de 1h 40 minutos !! – haja paciência e sono ) adaptado da excepcional novela de Liev Tolstoi.

Que pé no saco.

Eu tenho uma relação muito pessoal com “A morte de Ivan Ilitch”. Para mim uma das obras humanas mais perfeitas realizadas. Li três vezes o livro e certamente lerei outras tantas. Pode-se dizer que é um dos livros fundamentais da minha vida. Então foi com a expectativa lá nas nuvens que adentrei o teatro.

Mas que rasteira.

Em termos visuais a iluminação é maravilhosa e o cenário é altamente plástico e eficiente.

Mas o texto ? MÉLDÉLS !! Tu te pergunta : será que a artista leu o livro? De onde ela conseguiu extrair tanta bobagem? O que tem a ver aquele Ivan mostrado no palco com o do livro? Por que tanto grito e angústia? Por que tanto contorcionismo? Cadê a história? Meu companheiro, que não leu o livro, ficou boiando em várias passagens (como a do “Caio”, por exemplo).

É claro que todo o assim chamado "artista" tem que “transgredir”, “inventar”, “instigar” (..meu saco de vômito, por favor..), para provar seu “talento”, e por isto acha-se no direito de “recriar” , “reinterpretar” qualquer clássico, e, consequentemente, cometer as maiores imbecilidades possíveis (que aliás o povo do teatro “adora”).

Esta montagem do “Ivan” é praticamente uma cartilha passo a passo de como cometer merda no palco.

O que foi engraçado foi ouvir o diálogo de duas velhinhas próximas. Uma tri indignada ficava cutucando a companheira : “Mas este não foi o livro que tu me emprestou!”. “A história não era assim”. “Não to entendendo”, e por aí vai. E a outra não sabia o que responder. Nem eu saberia.

Para mim a cena que resume o “espetáculo” é quando a atriz (muito “corajosa” e "desinibida") escarra num penico.

E ai eu pensei : finalmente ela tá mostrando sua “proposta”, escarrando em Tolstoi, em Ivan Ilitch e no público.

Realmente resume tudo.

Wednesday, September 10, 2014

Teatro - Tríptico Samuel Beckett

01-TRÍPTICO-SAMUEL-BECKETT-crédito-Daniel-Seabra
Nathalia Timberg (84 anos), Samuel Beckett (nobel de literatura) e “Teatro”, uma receita pré-definida para definir “Arte”. Sim, daquele tipo que você é obrigado a achar tudo, mesmo que seja uma bosta. Se bem que não é bem o caso deste "Tríptico Samuel Beckett", uma livre adaptação das obras "Para o Pior Avante", "Companhia" e "Mal Visto Mal Dito", inéditas do Brasil, e encenada no atual Porto Alegre em Cena.

O tal espetáculo tem seus méritos. Além dos aspectos estéticos (achei muito boa a iluminação – muita penumbra - e o cenário tri minimalista), o que curti – até certo momento – foi o estranhamento provocado pelo texto, onde as palavras – sem linearidade alguma – são despejadas sobre a incauta plateia, que luta para dar um algum sentido, algum encadeamento, alguma lógica ao todo.

Só que não.

A partir de certo momento, fica claro que o que está rolando é um fluxo de frases desconexas e aleatórias – estruturado em três monólogos - pipocando na mente de uma mulher em três fases da vida (infância, maturidade e velhice à beira da morte). Tipo frases à procura de um ouvinte. Uma coisa bem “densa”, para não dizer fora da casinha.

Bem, o que dizer das atrizes ?

Juliana Galdino faz a fase de maturidade, e, ao ser confrontado com a performance da atriz, tu te pergunta : por que ela não usa um rímel à prova dágua, tipo da Panvel mesmo? Sim, pois a artista chora horrores e fica com a face lambuzada de tinta preta. É claro que é um truque para criar a assim conhecida “máscara trágica teatral”. Então dá-lhe água preta escorrendo pescoço abaixo para comprovar o talento da diva. Em termos de voz, Julia mata a pau com entonações que vão do sussurro ao grito, e de resto não entendi muito bem o agasalho da Adidas que ela usa (e sua), mas tudo bem, tal modelito deve ter seu “símbolo”.

Paula Spinelli, com sua voz de chamar golfinhos e olhos esbugalhados, faz a menina. A coisa é tão insípida que nem vale a pena falar mais nada ( o lance do ouriço na caixa é “algo”).

Nathalia fala por último. A outra vez que a vi no palco foi com “Tres Mulheres Altas” onde ela dividia a cena com a Marisa Orth e Beatriz Segall, sei lá eu há quantos anos. Realmente a deusa mata a pau. Sua voz é inconfundível, seu olhar matador. E a coisa vai neste ritmo. Impressionante. Só que, é claro, o texto não ajuda e tu fica mais envolvido pelo talento da poderosa do que pelo pretenso drama da moribunda.

E bota drama nisto. A questão é : por que tanto drama, tanta angústia, tanta desgraça existencial? Esta seria a tal da famosa “condição humana”? A mulher no palco é o quadro do martírio. Êta mulher sofrida. Será que ela não curte uma Valesca Popozuda? “Menas”, né?

E no final, como não poderia deixar de ser, o povo da arte aplaude em pé e grita “bravo”, mesmo sem ter entendido porra nenhuma. Sim, é claro, todos posam de “profundos” pois, de outro modo, passariam atestado de jumentos culturais.

Então tu tem mais é que aproveitar o aconchego do teatro (o ar condicionado tava ótimo) para relaxar e curtir o non-sense, ou pensar na lista do supermercado, ou dormir (ou tudo ao mesmo tempo, como aconteceu comigo).

Sunday, September 07, 2014

Livro–Indefensável

Bruno 001'Indefensável — O Goleiro Bruno e a História da Morte de Eliza Samudio' , de autoria dos repórteres policiaiss Leslie Leitão, Paula Sarapu e Paulo Carvalho (Record 2014), narra de forma brilhante todo o caso do assassinato de Eliza Samudio em 2010, orquestrado pelo ex goleiro Bruno (Flamengo) e seus comparsas (Bola, Macarrão e outros).

O texto é tão vibrante e cinematógráfico que o leitor praticamente se sente como uma testemunha ocular de toda a narrativa.

Nesta vibe super estimulante  acompanhamos a trajetória de um atleta especial, desde sua infância sofrida, passando pela consagração nos campos até a condenação pela morte da ex-amante.

Bruno emerge das páginas como um cara tri esforçado e talentoso (além de carismático e líder) que deslumbrou-se com a grana e a fama (quem não ?) e, a partir daí, acreditou ser um personagem acima do bem e do mal que podia tudo (porém com um cérebro de ervilha); um semi deus intocável que não admitia ser alvo de qualquer tipo de crítica ou cobrança.

Neste quadro de soberba e egocentrismo  (se achando  horrores) o “rei” não admitiu ser alvo das acusações da periguete “maria chuteira”  que foi para a imprensa expor sua situação de mulher grávida e ameaçada.

O poderoso, então, na sua “revolta”, perde completamente a noção e parte para ”eliminar o problema”, que envolveu ameaças, pressão para a realização de um aborto, agressões físicas, tortura e finalmente a morte do incômodo, que foi milimétricamente planejada pelo Macarrão com total aprovação e consciência do capitão rubro negro.

Depois do desaparecimento da garota, acompanhamos as investigações problemáticas, prisões e as sessões dos julgamentos dos criminosos.

Com a descrição dos julgamentos o livro cresce muito,  revelando o quanto as sessões foram conturbadas, com várias idas e vindas de estratégias de defesa (algumas completamente esdrúxulas – tipo a hipótese de romance entre Bruno e Macarrão) , inúmeras manobras jurídicas para botar areia e atrasar ao máximo os processos, troca de advogados a toda hora, etc.

Isto sem falar na absurda tentativa de assassinato do promotor Henri Wagner que teve uma atuação exemplar - a transcrição dos seus discursos são espetaculares - e conseguiu enjaular toda a corja.

Livraço.

Bruno 002

Monday, September 01, 2014

Fantástico– Vai fazer o quê ?

fantastico

Nada mais ridículo que o quadro do Fantástico ontem que, a título de testar a reação das pessoas, simulou uma cena onde um homem ( e depois uma mulher) “maltratavam” uma cachorra num parque.

A idéia era gravar o que os transeuntes fariam ao presenciar tamanha barbaridade, e as cenas gravadas mostraram alguns destes realmente indignados e que partiram para cima do “dono malvado” na defesa do pobre animal. 

E eu me perguntava : o que estes cidadãos conscientes comeram no almoço, ou o que eles iriam comer no jantar? Frango, porco, pato, vaca (uma coisa Friboi)?

Sim, pois de que adianta se indignar com o sofrimento de um cão se depois o que se vê no prato são pedaços de carne?

Pra mim é muita hipocrisia.

Não há justificativa para quem se choca com o sofrimento de um cão (ou um gato) e depois saliva diante de animais mortos.

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