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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Tuesday, July 08, 2014

Livro–A Culpa é das Estrelas

a culpa e das estrelasComecei a ler e larguei.

Não me entusiasmei.

Dei um tempo (alguns meses) e retomei.

Gostei.

Gostei principalmente do tom nada melodramático da trama (que por si só já é uma tragédia), da postura dos personagens (que nunca se entregam à autocomiseração), do motivação da ação (literatura - o que deve ser louvado), da relevância das novas tecnologias e suas reflexos (games, internet, email, redes sociais), da linguagem “simples” e “juvenil” ( mas nem tanto, como podem alguns preconceituosos supor).

A história é contada a partir do olhar da Hazel, umaa culpa e das estrelas1 garota de 16 anos condenada pelo câncer, e seu envolvimento com Gus (um garoto que ela conhece no grupo de apoio aos portadores de câncer) e mais uns poucos personagens (família, um escritor, um amigo, uma amiga meio perua).

Neste núcleo, afastado da sociedade dita “normal” (e sim voltado para a impermanência, finitude e morte próxima ) não há grandes cenas de conflito, não há grandes dramas, não há choradeira e desespero.

Todos que estão envolvidos na tragédia mantêm-se -aparentemente - positivos (se é que alguém pode isto) diante do cenário.

E as relações se sustentam - estoicamente - na dor, no sofrimento, no apoio, no viver bem ao máximo, no realizar desejos e sonhos imediatos.

É louvável o talento de John Green, que borda uma trama “simples” porém universal  :  vida e morte.

“Simples” ?

Impossível ficar indiferente.

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Monday, July 07, 2014

Musical–Crazy For You

crazy for youUma noite nada propícia para sair de casa. Porto Alegre, 03 de Julho 2014. Quinta feira. Inverno, chuva torrencial, frio do cão. Teatro longe pra caralho (SESI). Trânsito uó. Correria total.

Qual o evento ? “Crazy for You”. Musical de 1992, baseado em Girl Crazy (musical de 1930), com musicas de Ira e George Gershwin. No elenco a diva Claudia Raia e o fantástico Jarbas Homem de Mello, a mesma dupla que arrasou no Cabaret.

E lá fomos nós.

Adaptada por Miguel Falabella e dirigida por José Possi Neto, a trama conta a história do playboy e dançarino frustrado Bobby Child (Mello). Ele sonha com os Índicepalcos, mas acaba sendo enviado, por sua mãe dominadora, para uma cidade dos cafundós dos EUA com a missão de cobrar uma dívida referente ao teatro local. Lá, ele se envolve com a comunidade dos matutos e apaixona-se pela esquisitona Polly (Claudia). Seduzido, ele tem a ideia de criar um espetáculo para salvar o lugar da falência. A partir daí um divertido jogo de erros se estabelece, tudo sublinhado por canções ótimas e coreografia nada menos que fantástica, com muito sapateado e acrobacias.

Alguns momentos são especiais, principalmente com a Polly cantando “Someone to watch over me” (me levou às lágrimas) e a sequencia de dança do final do primeiro ato, “I got Rhythm “. Fascinante.

A produção é impecável, o elenco excelente e a música soberba. O que se pode pedir mais?

No fim das contas, mesmo debaixo de mau tempo na ida e na volta do teatro, a peça valeu cada segundo.

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Video com um trecho da peça (I Got Rhythm)

Vídeo – “I Got Rhythm”, com Gene Kelly (Filme : Um Americano em Paris)

Claudia Raia arrasando em “Alguem que olhe por mim” (Someone to watch over me)

“Someone to watch over me” com Amy Winehouse

“Someone to watch over me” com Lea Salonga

Thursday, July 03, 2014

Livro–“Sem medo de falar – Relato de uma vítima de pedofilia” (Marcelo Ribeiro)

marcelo ribeiro sem medo de falar capa“Fui abusado na infância”. Só quando consegui pronunciar esta frase para minha mulher, aos 42 anos, é que pude começar a viagem em busca de meu passado. Ele estava enterrado pelo sofrimento, pela vergonha e pelo medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia.

Não sofri um abuso apenas sexual – o que já seria muito. Também fui abusado moral e psicologicamente. Sofri violência física. Minha família foi induzida à mentira e aos subterfúgios que me afastaram de meus pais e meus irmãos. Quase perdi minha mulher que é tudo para mim.

A história começa quando eu, ainda menino, comecei a cantar no coral da cidade onde morava com meus pais e meus seis irmãos (...)”

Assim começa “Sem medo de falar – Relato de uma vítima de pedofilia” (Paralela – 2014)  de Marcelo Ribeiro, onde o autor, num corajoso exercício de resgate da sua integridade, relata os abusos físicos, morais e sexuais que viveu sob o jugo do sórdido maestro do coral (vinculado à Igreja Católica), de uma cidade do interior de MG, do qual participou da infância à juventude.

Neste “ambiente cultural” , criado e administrado na verdade como bem delimitado universo no qual o mestre musical reinava absoluto – impondo regras, limites, exigências, ameaças, castigos físicos e recompensas - , Marcelo, além de – obviamente – aprender música, foi alvo da ação criminosa do dirigente que, em movimentos muito bem orquestrados (lentos e certeiros), enredou o garoto numa relação de domínio absoluto (moral, emocional e sexual), na qual o monstro extravasou sua perversidade.

Hábil em manipular a inexperiência e confusão do adolescente, a fera disfarçada de cordeiro (mas que era alvo de “reconhecimento” social pelo seu “trabalho relevante”) , lançou o jovem num trágico pesadelo de culpa e silêncio que resultou (já depois de ter abandonado o coral) num adulto torto, imperfeito, preconceituoso e “destruidor” (ele não conseguia manter a estabilidade das relações amorosas e familiares).

Nesta condição, Marcelo acaba num processo de “perda” (emocional e material) e tormento que culmina numa poderosa experiência extra- corpórea (e eu acredito 100 % nisto, pois passei por algo semelhante que foi um turning point definitivo (sic) na minha vida – e só quem vivencia isto acredita ), a partir da qual ele inicia sua dolorosa trajetória de reconstrução.

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Alternando trechos auto biográficos (indo da indignação ao “perdão”, passando por suas ações de denúncias perante a igreja e judiciário, com transcrições de reportagens sobre pedofilia na Igreja Católica e diversos comentários sobre o assunto (morais, sociais, psicológicos e jurídicos) , “Sem medo de falar..” é um libelo contra o abuso , contra charlatanice, contra a inoperância das autoridades e, sobretudo, um vigoroso alerta para este mal que se esconde muitas vezes nas mais respeitáveis instituições (igrejas, família, escola).

Livraço.

Entrevista com Marcelo aqui

Filme - Amnesia : The James Brighton Enigma

600full-amnesia -the-james-brighton-enigma-posterAmnesia: The JAMES BRIGHTON ENIGMA (Amnésie: L'Enigme James Brighton ) é um filme canadense (2005) independente, baseada em fatos reais (dizem), mas com alterações de nomes e lugares reais.

Já no título somos instigados pelas duas palavras : amnésia e enigma. Sim, pois mesmo que o protagonista, a partir de determinado momento, “se lembre de tudo”, isto não é suficiente para elucidar “seu enigma”.

A história é uma versão de um fato que teria ocorrido em 1998 : um jovem nu e ferido é encontrado em um terreno abandonado em Montréal. Levado para um hospital, descobre-se que ele sofre de amnésia total (sua única “recordação” é saber ser gay).

Sob tratamento, ele tem flashes sobre seu passado, incluindo lembrar seu nome, James Brighton (Dusan Dukic) , que não são suficientes para que ele recupere integralmente a memória.

James então é adotado – depois de aparecer num programa de televisão - por um professor de linguística, Felix (Norman Helms), membro de uma ong GAY - que o leva para morar consigo. Felix o introduz na comunidade gay de Montreal, na qual ele se torna uma espécie de queridinho devido a sua história triste e aparência frágil.

Porém nem todos compram o drama do rapaz e suspeitas sobre a veracidade do seu drama começam a surgir.

Desmentindo esta possibilidade, James topa ser entrevistado por diversos programas de televisão, na ânsia de ser reconhecido por alguém (família, amigos) e assim traçar seu caminho de retorno ao lar. No entanto as piores suspeitas sobre sua personalidade parecem se confirmar, quando sua história aparece num programa sensacionalista dos EUA e ele é então reconhecido como Matthew Honeycutt, um americano acusado de alguns delitos leves.amnesia-the-james-brighton-enigma

Com esta revelação, ninguém mais tem certeza se ele é real ou se é apenas um fingido.

Sua mãe o busca no Canadá e o traz para casa nos EUA, onde ele continua a afirmar não reconhecer nem a cidade nem os parentes, ambos mergulhados na cultura religiosa pentecostal local. O único ser vivo do qual se lembra é o cachorro da família (vejam só, que ironia).

Aos poucos ele vai se enquadrando, porém o aumento dos pesadelos e dos angustiantes flashbacks revelam gradativamente um passado de problemas psiquiátricos, agravados por uma repressora comunidade religiosa (seu irmão é um pastor evangélico), que resultou em (provavelmente) colapso nervoso, delinquência, fuga -um interlúdio amoroso -, e violência homofóbica.

Confrontado com este cenário caótico, o rapaz parece finalmente encontrar um caminho – doloroso é verdade - para esclarecer tudo e finalmente saber quem é

Mas será que é isto o que ele quer? Será que o que ele se lembra é verdade? Será que ele continua a fingir?

Será...?

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559Bem,

No fim das contas “Amnesia...” é um filme irregular, com um roteiro capenga com  algumas subtramas paralelas que não são explicadas de forma satisfatória.

Mas nem tudo está perdido e o filme tem seu valor. Porém só vale ver se não se esperar muito.

Mas se não ver, não se perde nada.

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Trailer

Wednesday, June 25, 2014

Filme–In the Name of

in the name of posterAdam (o brilhante ator Andrzej Chyra) é um padre jesuíta católico, já trintão aparentemente,  que descobriu sua vocação num momento de revelação aos 21 anos.

Hoje, depois de anos como servo de Deus - e depois de  ser transferido para muitas paróquias diferentes (as razões não são totalmente claras), ele trabalha numa comunidade rural do interior da Polônia que abriga rapazes com problemas sociais (os boys são brutos, cruéis, violentos e se comportam no limite da  marginalidade).

Mas Adam é um tipo quente, carinhoso e um sacerdote comprometido que realmente se preocupa com seu rebanho. Porém, do lado dos meninos,  ele é visto com admiração por alguns e alvo de escárnio e desprezo de outros.

No seu trabalho religioso e social, Adam conta com o apoio de Adão Michal (Lukasz Simlat), um professor que abandonou o seminário ao se apaixonar por Ewa (Maja Ostaszewska). Esta, é uma mulher tomada pelo tédio do local e que, tentando dar uma alegria a sua vida,  “desnuda-se’ para Adam, tentanto seduzi-lo. Só que o sexo não rola, pois a verdade é que Adam é gay ( e em profundo conflito sexo-celibato-desejo-repressão).in the name of 002

Quando Adam conhece Lukasz (Mateusz Kosciukiewicz, marido da diretora), o filho estranho e com a língua presa de uma família rural simples, sua abstinência auto-imposta torna-se um fardo pesado.

De modo delicado e casual, aos poucos desenvolve-se entre o padre e o jovem uma relação um tanto “bucólica” ( a passagem deles brincando no milharal traduz bem o clima “natureza”),  que vai resultar na belíssima aproximação no carro, numa cena verdadeiramente “tocante” (no sentido prático e emocional).

Em paralelo, Adam envolve-se no drama de um adolescente  que em segredo de confissão revela ser gay. Este rapaz acaba suicidando-se após envolver-se com outro (que faz a linha “marginal”) também interno da comunidade.

in the name of 003Neste clima turbulentocheio de conflitos intimos e sociais a coisa não pode dar mesmo certo, e Adam acaba indo embora do local. Só que....

Bem, não vou revelar o final, mas digo que a ultima cena é realmente ... (não sei dizer) ..., com uma solução ambígua que pode ou não agradar.

Eu, particularmente, gostei – talvez pela ousadia, mas, ao mesmo tempo, não se pode dizer que a conclusão, repetindo,  seja totalmente satisfatória (tudo depende de ponto de vista).

De qualquer forma o filme é muito bom e merece ser conhecido.

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A cena da procissão, com o close na comunidade ao som de “Funeral” da Band of Horses é realmente linda.

Não resisti, extrai o clipe do filme e legendei.

Assista abaixo

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Algumas fotos

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Friday, June 20, 2014

Filme - “Eu, Mamãe e os Meninos ("Les garçons et Guillaume, à table!")



Uma furiosa  ego-trip.

Assim é este “Eu, Mamãe e os Meninos ("Les garçons et Guillaume, à table!" 2013 ) “ escrito, produzido, dirigido e Interpretado (em mais de um papel !!) pelo Frances  Guillaume Gallienne,

Não precisa dizer mais nada, né? 

Quem mais, a não ser uma criatura de ego godzilaco  se empenharia em somar tantas funções num longa milimetricamente construído para celebrar seus múltiplos  talentos?

Só que o Guillaume dá com os burros n´água.  

O filme não é nada. Na tentativa de soar como uma comédia é ridículo, com poucas cenas engraçadas e outras totalmente absurdas (A cena do clister é ... sem comentários... só vendo).

O legal é que a ideia é bem original.   

"Eu, mamãe e os meninos" é um relato autobiográfico,  baseado num monólogo tetral de sucesso na França, sobre o acerto de contas de Guillame com sua mãe, que foi a responsável por profundos conflitos de identidade sexual do filho.

Com dois irmãos mais velhos, Guillame desde cedo é tratado como “garota” pela genitora  – ela faz uma diferenciação entre ele e os irmãos, deixando bem claro que ele não faz parte da categoria “meninos” - , o que o leva a desenvolver uma (torta) identidade gay.

Guillaume ama tudo do universo feminino,  especialmente a mãe, e faz de tudo para agradá-la - inclusive parecer-se com ela. Chega mesmo a confundir sua avó (Françoise Fabian), que o o toma por sua própria filha em alguns momentos.

O pai (André Marton) não sabe como lidar com este filho “sui generis”, pois, ao invés do menino se dedicar a atividades viris (esportes, por exemplo), o boy faz mais a linha delicado e intelectual e, para “brincar”, traveste-se de  Sissi, a imperatriz da Áustria. Veja só que fôfo.

É claro que, diante de todo este quadro cor de rosa, o povo todo acha  Guillaume é biba,  inclusive ele mesmo. Suas experiências (algumas involuntárias) e interesses (ele meio que se apaixona por um colega de escola) reforçam sua (pretensa) homossexualidade.

 Só que a coisa não é bem assim e o jovem, depois de passar poucas e boas,  acaba descobrindo o feminino como objeto concreto da sua sexualidade..

Neste sentido, o filme inverte a ideia mostrada em muitos outros que seguem a linha “gay que se descobre e sai do armário”. Aqui a coisa ocorre ao contrário, o que é muito legal.

Só que o filme é ruim, sem ritmo, sem graça, sem drama.

Aliás, a “cena pra chorar” (sim, aquela do teatro na qual Guillaume  se declara à mãe)  é primária, forçada, constrangedora.

Resumindo, não dá para entender como esta porcaria foi ganhador de vários César, o principal prêmio francês de cinema.

A nada engraçada cena do clister

Wednesday, June 18, 2014

Filme– Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive.

Supreendente, para dizer o mínimo.

Nicht-der-Homosexuelle-ist-pervers_dvd_coverUm documentário ficcional - ou um ensaio cinematográfico - realizado em 1971 (!??), pelo cineasta Rosa Von Praunheim que é uma verdadeira metralhadora giratória (algumas vezes injustificada) – mas sempre instigante e quase sempre “real” – tendo como alvo a cultura gay alienada de então (que não é muito diferente da atual).

O cineasta, de forma corajosa, vocifera contra o comportamento frívolo, hedonista, individual e interesseiro dos gays, em detrimento de uma ação revolucionária que busque de forma organizada a afirmação e conquista de direitos sociais para todos..

Neste docu-drama (relizado num tom anárquico, incomodativo, meio fora da casa) acompanhamos Daniel, um jovem que chega à Berlin e acaba tragado pelos “vícios gays da cidade grande”. Ali, na impura metrópole, a pureza (sic) do rapaz é paulatinamente arruinada a medida em que ele é maculado pelas exigências e regras do mundo homo.

Jovem e belo, Daniel passa a ser alvo da “bicha rica e fina”, das “bichas velhas”, dos “caçadores” (rola muito sexo anônimo em parques e banheiros publicos), que o leva a um crescendo de vazio e frustração emocional. german001

Nas suas andanças pela cidade, o rapaz acaba mapeando todos os comportamentos e dramas gays imaginados pelo diretor. Assim temos o apego ao mundo da beleza, da moda, da arte, da celebração da juventude, da pegação, do s fetiches, dos bares, da busca do homem certo, do desprezo às bichas velhas, da rivalidade entre as “bichas loucas” e as “do armário”, da busca de um casamento nos moldes heteros, do vazio amoroso, do desespero emocional, - isto sem falar da violência física e emocional das quais são alvos – etc; tudo mostrado como elementos criadores (definidores) de um (sub) mundo que, ao mesmo tempo, protege (na verdade os esconde e os oprime) e exclui os gays.

O recado do diretor é claro (e isto é mostrado na sequencia final onde Daniel é acolhido e catequizado por um grupo de gays militantes) : enquanto os gays não se organizarem como comunidade na construção da sua cidadania (e ele chega a falar em alinhamento com os Black Panthers e feministas!!), ao invés de se preocuparem apenas com frivolidades, vão ser condenados a eternos párias sociais.

german004O filme é punk e não deixa pedra sobre pedra. Tanto que, em alguns momentos, me pareceu que o Von Praunheim exagerou na crítica nivelando quase tudo pelo pior. Sim, o fato de uma bicha se interessar por arte, por exemplo, necessariamente não exclui a possibilidade da bonita ter uma consciência política-social (ou exclui?).

De qualquer forma – possíveis divergências à parte - “Não é o homossexual que é perverso,...” é um “must see” . É instigante, necessário e infelizmente – é verdade - ainda atual. Um documento, uma porrada básica para todo o povo gay atual e futuro.

Fantástico.

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Trechos do discurso do filme :

“Gays não querem ser gays. Eles querem ser diferentes.Querem se associar ao kitsch e à burguesia como o cidadão comum.Eles anseiam por um lar onde possam viver com um companheiro honesto e leal.”german005

“Gays exigem que seus semelhantes sejam estetas, cuidando de sua aparência. Isso os orgulha e os distingue dos outros. Condenados como doentes e inferiores pela burguesia, tentam ainda mais ser como ela,a fim de extinguirem sua sensação de culpa com uma soma excessiva de virtudes da classe média. São politicamente passivos e conservadores, em gratidão por não serem mortos espancados”.

“Gays têm vergonha de sua natureza. Por séculos, a educação cristã os ensinou que eles não passam de porcos. Por isso, eles escapam dessa pavorosa realidade para um mundo romântico de cafonices e ideais. Eles têm sonhos glamourosos com alguém que lhes ajudaria a escapar de suas dificuldades diárias para um mundo de amor e romance.”

german006Uma relação homossexual, por mais que ambos os parceiros a desejem, está fadada ao fracasso. Eles se escondem como criminosos, forçados a iniciar suas relações indo direto ao sexo. O sexo por sexo ignora as necessidades individuais do parceiro. Ele serve apenas como um objeto de desejo. Com um pouco de sorte, esta condição é mútua. Mas não basta para estabelecer uma relação satisfatória.”

“Gays tentam simular um casamento de classe média. Ao invés de odiarem os responsáveis pelo seu infortúnio, eles desejam um relacionamento duradouro concedido pela Igreja e pelo Estado”

“Um casamento de classe média é baseado na criação de filhos e na opressão da esposa. O casamento gay não pode ser nada além de uma imitação ridícula, já que a falta de funções mútuas é substituída por um amor romântico e irrealista.”german007

“Esse amor romântico e idolátrico não é nada além de amor-próprio. A maioria dos gays não se dá conta de que o amor que sentem é, na verdade, amor-próprio. O parceiro é visto como um ídolo de suas próprias expectativas e anseios. Eles não tentam nem entendê-los nem prestar atenção a eles. Eles inclusive sobrecarregam seus parceiros com seus próprios problemas.”

“O casamento gay fracassa devido à rivalidade de dois homens orgulhosos,que foram criados não para seguir seus interesses juntos, mas como competidores. A falta de deveres mútuos e a incapacidade de progredirem,por serem egocêntricos, logo levam ao trágico fim de uma amizade romântica. O que resta é a solidão e um vasto vazio,que logo é abarrotado com novos sonhos imaginários e vãos.”

“A crença popular de que os gays são mais artisticamente dotados é, na verdade, uma lenda. Eles só se dedicam tanto à arte porque acreditam que isso torna a sua vida mais suportável.”

german009“Enquanto a educação e a arte forem meios dos ricos e poderosos deturparem questões humanas e econômicas,elas devem ser radicalmente rejeitadas.”

“Tendo se decepcionado a vida toda, muitos tornam-se frios e cruéis. Tudo que veem em seus parceiros é um objeto sexual.”

“Homossexuais têm uma necessidade maior de independência e sucesso do que os outros. Eles sabem que numa idade avançada não serão amados pelo que são”.

“A coisa mais importante para os gays é uma ênfase excessiva da juventude e do físico. Comprar um rapaz também significa recuperar uma parte de suas próprias juventudes perdidas.”german010

“Para a burguesia, tudo se resume a decoração, televisores e carros. Para os gays, tudo se resume à moda. Assim como embalagens de produtos distraem de seus verdadeiros conteúdos,gays usam a moda para chamar atenção para seu aspecto exterior. O desejo de adornar seus corpos vai de encontro a enorme vaidade dos gays, que logo são incapazes de amar ninguém além de si mesmos.”

“Homossexuais não têm nada em comum além do forte desejo de dormir com um homem. O desejo crescente pelo corpo masculino nu os fazem deixar suas famílias e ir a lugares onde podem encontrar gays. Na companhia de outros gays, eles podem esquecer por um momento que são leprosos e párias da sociedade. Todavia, eles se odeiam. Os outros são vistos como um reflexo de seu próprio infortúnio. O medo da sexualidade, as sensações de culpa, que lhes são impostos pela sociedade, e um forte espírito de competição fazem deles inimigos secretos entre si.”

german012“A fim de poderem se comunicar,eles inventam certas semelhanças,que não passam de falsidades. Eles desenvolvem rituais e estruturas superficiais. Assim como a burguesia, eles se julgam pela sua aparência.”

“Daniel, que já vive em Berlim há dois anos agora, não está mais satisfeito em encontrar homens em cafés elegantes, boutiques e piscinas públicas. Ele está fascinado pelo mundo exótico dos bares gays. Ele fica excitado a cada vez que entra num desses bares com seus enormes espelhos, a iluminação rosa e vermelha e aqueles ritmos sensuais. Ele adora empurrar-se por uma multidão de jovens homens que o observam com passiva admiração. Ele precisa desse tipo de autoafirmação para superar sua solidão, que, após muitas noites entorpecentes, começa a crescer dentro dele.”

“Para os gays, a liberdade não se trata de assumir responsabilidades, mas do caos Eles ficam presos a um estado infantil. Estão constantemente excitados, escolhendo um caso barato a um relacionamento possivelmente mais valioso.”german013

“Gays têm problemas em dedicarem-se a uma relação estável. Cheios de vaidade e remorso eles trocam olhares, sempre em busca da verdadeira felicidade.”

“Em conformidade com o asco da sociedade pela velhice, envelhecer é a pior coisa que pode acontecer aos gays.”

“Gays morrem jovens com frequência, pois tudo o que fazem é adorar o corpo masculino jovial, enquanto ignoram todas as qualidades humanas.”

“Muitos não admitem a própria idade por pura vaidade. Eles tentam se manter artificialmente jovens, mas isso os faz parecerem ridículos.”

german015“A vida de homossexuais de idade não é nenhum mar de rosas. Eles são frequentemente expostos a um isolamento desumano que, assim como uma úlcera crescente, os privam de cada uma das últimas migalhas de felicidade da vida.”

“(...) agora é hora de nos ajudarmos. Todos nós fomos intimidados por nossas famílias, e agora somos compostos apenas de fraquezas. Porque nunca seremos capazes de esquecer as restrições que nos foram impostas na infância.”

“É crucial que mudemos nossa maldita situação. Não podemos culpar sempre os outros.”

“Sair do armário é crucial para todos os homossexuais. Temos de ter a coragem de dizer a todos que somos gays. É difícil, mas é a única forma.”german017

“Nos sentimos dependentes e culpados, e como resultado, nos tornamos mal-humorados e erráticos. Não conseguimos nem ser honestos com aqueles que amamos. “

“Não devemos mais ter medo de nossos pais e patrões. Precisamos nos organizar contra os malditos patrões que querem nos demitir por sermos gays.”

“Arriscamos nos tornar tão insensíveis que julgaremos as pessoas apenas pelos seus corpos, e no fim sofreremos também, pois somos sozinhos privados de amor.”

“Homossexuais têm uma imagem kitsch do amor eterno , como encontrada nos contos de fadas, na TV, filmes, ou revistas. O amor eterno é um disparate. As pessoas devem ficar juntas enquanto for aprazível, ao invés de jurarem amor eterno e verdadeiro umas às outras, o que sempre vai levar à decepção.”

german018“Gays reunidos criam uma atmosfera tensa. Os outros são vistos como reflexo de seus próprios problemas. Estamos sempre caçando, é por isso que nos vestimos elegantemente.”

“Devemos amar uns aos outros e não sermos rivais. A opressão dos gays fez do sexo e dos casos vitais para eles, e para muitos, essas se tornaram as suas atividades principais. Tente ser mais individual, mais independente!”

“Por medo da velhice, a maioria dos homossexuais busca por sexo freneticamente. Homossexuais de mais idade tornam-se agressivos, pois são desprezados pelos mais jovens. Se chegar o momento em que os gays não ligarem só para a aparência física, a velhice não será mais uma grande questão.”german019

“Saiam de seus esconderijos! Tomem as ruas! Unam-se pelos seus direitos! “

“Devemos nos tornar livres eroticamente e socialmente responsáveis. Unamo-nos aos Black Panthers e ao feminismo, e lutemos contra a opressão das minorias!”

“Cuidemos dos problemas uns dos outros no trabalho! Mostrem sua solidariedade se um colega entrar num conflito e podem contar com a ajuda deles em troca.”

“Envolvam-se na política! Ser gay não é um filme!”

“Nós, gays imundos, queremos nos tornar humanos e ser tratados como tal! Temos de lutar por isso! “

german022“Queremos ser aceitos, e não apenas tolerados. Mas não se trata apenas de sermos aceitos pelas pessoas, mas também de como nos tratamos. Não queremos nenhum grupo anônimo! “

“Queremos uma ação em conjunto, para que possamos nos conhecer enquanto combatemos nossos problemas e aprendemos a amar uns aos outros!”

“Precisamos nos organizar! Precisamos de bares melhores, bons médicos e um local de trabalho seguro!”

“Tenham orgulho de sua homossexualidade! Saiam dos banheiros! Tomem as ruas! Liberdade para os homossexuais!”

 

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Trecho do filme :