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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Saturday, November 17, 2012

McKayla Maroney não está impressionada



Mckayla no podio em Londres

Nas olimpíadas de Londres a  ginasta americana McKayla Maroney, na modalidade salto sobre o cavalo,   no seu segundo salto, levou um tombo e acabou perdendo a medalha de ouro para a romena Sandra Izbasa. 

Ficou com a prata.   

Quando subiu ao pódio para receber sua conquista, fechou  a cara.

A imagem de descontentamento da atleta virou febre na Internet e rendeu montagens hilárias sob o título “Mckayla Marone não está impressionada”, onde sua cara aborrecida contempla várias eventos (considerados impressionantes, clássicos, icônicos, etc), sem esboçar nenhuma reação.

Na internet tem muita coisa da “não impressionada”. Reproduzo abaixo alguns
Nao impressiomada com a evolução do Homem





Não impressionada com a alta cúpula americana acompanhando o ataque a Bin Laden

Nâo impressionada com o abraço do Cristo Redentor com a Estatua da Liberdade


Não impressionada com Chuck Norris
Não impressionada com o nascimento do Rei Leão
Não impressionada com as novas tecnologias do Stevie Jobs
Nâo impressionada com o King Kong
Não impressionada com "Os Mercenarios"
Não impressionada com o beijo da Britney e Madonna
 

Não impressionada com Moises abrindo o Mar Vermelho

Não impressionada com Susan Boyle
Não impressionada com a aterrisagem lunar

Nao impressionada com o casamento real
Nao impressionada com a ressurreição de Cristo
Nao impressionada com a Torre Eiffel
Nâo impressionada com a explosão da Casa Branca
Não impressionada com o Justin Bieber

Nao impressionada com o Descobrimento do Brasil

Não impressionada com Einstein
Nao impressionada com Cinquenta Tons de Cinza
Nao impressionada com o Monstro do Lago Ness

Nao impressionada com a Capela Sistina
Nao impressionada com o menino médium
Nao impressionada com a coleção de premios da Adele
Nao impressionada com a Santa Ceia
Nao impressionada com Rocky um Lutador

Nao impressionada com O Exorcista
Nao impressionada com o Alien
Nao impressionada com a Saga do Crepusculo
 
Nao impressionada com o encontro do Gollum com sua Precious
Nao impressionada com sua ascenção ao Céu - Arrebatamento
 A montagem abaixo é fantástica. Nâo sei porque cargas dágua alguns banheiros masculinos começaram a ser decorados com fotos de mulheres espantadas e impressionadas bem diante dos mictórios.  A introdução da  expressão da Mackayla arruinou os garanhões de plantão
Nao impressionada com o instrumento do garanhão.

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Obama recebe e imita Mckayla

Friday, November 16, 2012

Livro - Ultimas Palavras (Christopher Hitchens)



Ultimas palavras - Christopher Hitchens

Em 2010, exatamente durante a turnê de divulgação do seu livro de memórias "Hitch-22", que  foi um grande sucesso,  o jornalista e polemista britânico Christopher Hitchens,recebeu o diagnóstico de câncer  em estado avançado no esôfago.

A partir daí, e nos dezoito meses que teve de sobrevida, Christopher empenhou-se em relatar  em artigos na Vanity Fair – variando de um tom cáustico a apelos dramáticos -   sua trajetória através do ele chamou de “Terra da doença”, até finalmente encontrar  “... minha velha amiga, a escuridão”

Agora a compilação destes artigos – acrescida de outros textos, inclusive um de sua esposa Carol Blue – está sendo lançada mundialmente sob o título de "Últimas Palavras"(tradução de Alexandre Martins, Globo Livros, 96 páginas, 24,90 reais), um livro pequeno,  mas poderoso e intenso..

De um bom vivant, de uma celebridade mundial, de um grande intelectual e humanista no auge do seu potencial criativo,  acompanhamos em “Ultimas palavras”,  Christopher ser  pouco a pouco  subjugado pela realidade da dor e da deterioração do corpo (diz ele : “Eu não tenho um corpo, eu sou um corpo” ou  “Corpo passa de amigo confiável  a algo neutro e , depois, inimigo traiçoeiro ... Proust?”)
Grande admirador da inteligência e capacidade humana (um defensor ferrenho da ciência), o jornalista relata a  busca da cura através dos mais avançados tratamentos e drogas (algumas experimentais) . A cada nova proposta,  a cada nova possibilidade ou sugestão de terapia,  ele continua sua jornada,  muitas vezes   dura e desencorajadora.

Paralelamente ele  escreve sobre outros assuntos, ações e reflexões que precederam sua elegia.

Por exemplo, com fina ironia Christopher  comenta as reações dos crentes (de várias religiões) ao saberem que ele, um dos maiores pregadores  do ateísmo no mundo, estava marcado pelo câncer.  Ouviu  desde maldições diretas condenando-o ao fogo eterno do inferno,  até as boas intenções daqueles que estavam dispostos a “orar” pelo seu restabelecimento e, dessa forma, caso ocorresse o milagre da cura, provar que “deus existe”.  
Christopher

Também faz uma longa e contundente reflexão sobre a máxima nietzscheana “ o que não me mata me fortalece”.   Antes do câncer  Christopher, que esteve frente a frente com a morte em  coberturas de guerras pelo mundo, sentia que isto era verdade a cada “volta para casa” -  tipo “eu sobrevivi e agora sou mais forte”.  Mas esta convicção  cai por terra diante da realidade direta e dolorosa do tratamento quimioterápico.  Hitchens é golpeado pela fragilidade do corpo e, diante da exposição crua da carne,  questiona Nietzsche.

De qualquer forma,  percebe-se sempre o  esforço  do autor – conhecido pela defesa da razão - em fugir ao sentimentalismo e à autopiedade, os quais, compreensivelmente, surgem aqui e ali de modo  emocionante.

Falar em coragem ? , ou em “luta contra o câncer ?”
Christopher diz : “Corajoso?  Tá! Guarde isso para uma luta da qual você não pode fugir”  - e eu complemento : “... e vamos ver o que acontece !”. Ou seja, podemos ser “corajosos”, porém,  diante da  verdade imutável da morte, como ficamos ? Cadê a “coragem” ?  -  Então, mesmo querendo enfrentar a entrada no sepulcro  com um estoicismo Socrático, Hitchens belamente e humanamente escancara seu medo e fragilidade diante do desconhecido (e assim nos aproxima da sua mente, da sua "alma").

Grande defensor do “humano”, Hitchens procura claramente fugir do papel de vítima e compartilha com seus leitores sua luta impressionante pela  lucidez, pela preservação da sua percepção, da sua consciência.

Seus derradeiros registros -  reunidos em frases esparsas  no final do livro – dão a dimensão do seu compromisso  concreto - e transcendental -  com suas idéias e intelecto..

Christopher se foi , mas -  sem querer ser piegas, pois acredito que ele não suportaria isto - , não posso deixar de dizer que ele nos legou  seu juízo e sabedoria impares.

Assim,  seu trabalho, sua obra (que pode não  estar certa  sempre, mas que está léguas acima de qualquer pensamento mediano) - certamente  continuará a iluminar as mentes e corações daqueles que buscam e defendem a verdade e o humano  além dos regimes políticos,  além das religiões, além das superstições, dogmas e crenças, nesta e nas gerações futuras.

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Reproduzo abaixo alguns trechos do livro :

Primeiro sintoma da doença :

“Mais de uma vez em minha vida acordei com a sensação de estar morto. Mas nada me preparou para o começo da manhã em junho em que recobrei a consciência sentindo-me como acorrentado a meu próprio cadáver. Toda a minha cavidade torácica parecia ter sido retirada e depois preenchida com cimento de secagem lenta. Eu ouvia minha respiração fraca, mas não conseguia inflar os pulmões. Meu coração parecia bater demais, ou muito pouco. Qualquer movimento, por menor que fosse, exigia preparação e planejamento. Exigiu um esforço extenuante e atravessar meu quarto de hotel em Nova York e chamar a emergência. Eles chegaram com muita rapidez e se comportaram com imensos profissionalismo e cortesia. Tive tempo de pensar em por que eles precisavam de tantas botas e capacetes e tanto equipamento pesado de apoio, mas agora, repassando a cena, vejo-a como uma deportação gentil e firme, me levando do país dos saudáveis através da fronteira desolada que leva à terra da doença.”

Descrição da “Terra da Doença” :


“A nova terra é bastante receptiva, à sua maneira. Todos sorriem, encorajadores, e parece não haver racismo. Prevalece um espírito em geral igualitário, e aqueles que mandam no lugar obviamente chegaram onde estão por mérito e trabalho duro. Por outro lado, o humor é um tanto pobre e repetitivo, parece que ninguém conversa sobre sexo, e a cozinha é pior do que a de qualquer outro destino que já visitei. O país tem idioma próprio – uma língua franca que consegue ser ao mesmo tempo insensível e difícil, e que contém nomes como ondansetrona, uma medicação contra náusea -, bem como alguns gestos perturbadores aos quais é preciso se acostumar. Por exemplo, um profissional que você vê pela primeira vez pode, de repente, enfiar os dedos no seu pescoço. Foi assim que descobri que meu câncer se espalhara para os nódulos linfáticos, e que uma dessas belezinhas deformadas – localizada na minha clavícula direita – era suficientemente grande para ser vista e sentida.”

Aceitação da Morte :

“A famosa teoria dos estágios de Elisabeth Kübler-Ross, segundo a qual a pessoa (frente à morte certa – nota minha ) evolui da negação para a raiva, depois avança para a depressão até finalmente chegar ao êxtase da “aceitação”, até agora não se aplicou ao meu caso. De certa forma, imagino, passei algum tempo “em negação”, conscientemente queimando a vela nas duas pontas e descobrindo que isso com frequência produz uma luz adorável. Mas por essa razão não consigo me ver socando a testa, em choque, nem me ouvir gemendo que tudo é tão injusto : tenho provocado a ceifadora a brandir a foice na minha direção, e agora sucumbi a algo tão previsível e banal que entedia até mesmo a mim. A raiva estaria fora de questão pelo mesmo motivo. Em vez disso, sinto-me muito oprimido pela persistente sensação de desperdício. Eu realmente tinha planos para minha próxima década e achava que tinha dado duro o bastante para merecer. Não vou viver para ver meus filhos casando ? Para assistir o World Trade Center se erguendo novamente ? Para ler – ou quem sabe escrever – os obituários de velhos vilões como Henry Kissinger e Joseph Ratzinguer ? Compreendo, porém esse tipo de não pensamento exatamente pelo que ele é : sentimentalismo e autopiedade. Meu livro (Hitch-22 entrou na lista dos mais vendidos no dia em que recebi o pior dos boletins noticiosos, e por acaso o último voo que fiz como pessoa presumivelmente saudável (….) foi aquele que me tornou dono de um milhão de milhas da United Airlines, podendo desfrutar de upgrades gratuitos pelo resto da existência. Mas ironia é o meu negócio, e simplesmente não consigo ver ironias nisso tudo : seria menos pungente descobrir o câncer no dia em que minhas memórias fossem classificadas como um fracasso memorável ou no dia em que me enxotassem de um voo na classe econômica ? Á pergunta cretina “Por que eu ?”, o cosmos mal tem o trabalho de responder : “Por que não ?”

Aquilo que pode ser afirmado sem provas, pode ser descartado sem provas

Sobre seu ateísmo na hora final :

Ele comenta um texto encontrado na Internet onde um crente registra :

“Quem mais acha que Christopher Hitchens ter cancêr de garganta terminal (sic) foi a vingança de Deus por ele usar sua voz para blasfemá-lo ? Ateus gostam de ignorar FATOS. Gostam de afirmar como se tudo fosse uma “coincidência”. Verdade ? É apenas “coincidência” [que] de todas as partes de seu corpo Christopher Hitchens tenha conseguido um câncer na única parte de seu corpo que usou para blasfemar ? Tá, continuem acreditando nisso, ateus. Ele vai se contorcer de agonia e dor e se reduzir a nada, e depois ter uma horrenda morte agonizante, e ENTÃO vem a parte realmente divertida, quando ele é mandado para sempre para O FOGO DO INFERNO, para ser torturado e queimado”

Segue o comentário do Christopher :

“Há numerosas passagens nas escrituras sagradas e na tradição religiosa que por séculos transformaram esse tipo de regozijo em crença hegemônica. Muito antes de isso dizer respeito a mim, pessoalmente, eu entendia as objeções óbvias a tal argumentação. Primeiro, qual mero primata está tão desgraçadamente certo de que pode conhecer a mente de deus ? Segundo, esse autor anônimo quer que seus pontos de vista sejam lidos pelos meus filhos inocente que também estão passando por um mau momento, obra desse mesmo deus ? Terceiro, por que não lançar um raio sobre mim, ou algo similarmente assombroso ? A divindade vingativa tem um arsenal tristemente pobre se a única coisa que consegue pensar é exatamente o câncer que minha idade e “estilo de vida” sugeriam que eu pudesse ter. Quarto, afinal de contas, por que câncer ? Quase todos os homens têm câncer de próstata quando vivem o suficiente para tal : é uma coisa indigna, mas distribuída igualitariamente entre santos e pecadores, crentes e ímpios. Se você sustenta que deus concede cânceres sob medida, também tem de levar em conta o número de crianças com leucemia. Muita gente devota morreu jovem e com dor. Bertrand Russell e Voltaire permaneceram ativos até o fim, assim como muitos criminosos, psicopatas e tiranos. Portanto, esses infortúnios parecem medonhamente aleatórios. Minha garganta até o momento não cancerosa – apresso-me a garantir a meu correspondente cristão acima – não é de modo algum o único órgão por meio do qual blasfemei. E mesmo que minha voz desapareça antes de mim, continuarei a escrever polêmicas contra ilusões religiosas, pelo menos até dizer alô à minha velha amiga, a escuridão. Nesse caso por que não câncer no cérebro ? Como um aterrorizado imbecil semiconsciente, eu poderia até mesmo gritar pedindo um sacerdote na hora da conta, embora neste momento declare, estando ainda lúcido, que a entidade se humilhando dessa forma de fato não seria “eu”. (Tenham isso em mente, para o caso de boatos e invenções posteriores.)”  

Corra o risco de pensar po si próprio.  Voce alcançará muito mais felicidade, verdade, beleza e sabedoria desta maneira

Thursday, November 15, 2012

Filme - Homme au Bain

"Homme au bain" é vazio.

E isto parece ser exatamente o que o diretor  Christophe Honoré buscou, uma vez que o que se ve durante os 73 minutos são ilustrações dos  verbetes  básicos da "Cartilha do Existencialista Amador".

François Sagat (um conhecidíssimo ator pornô gay) faz Emmanuel, um rapaz de corpo escultural - na verdade um protótipo da beleza masculina - que vive nos subúrbios de Paris e  que é, sem que saibamos porque, abandonado pelo cineasta e namorado Omar ( Omar ben sellem), que parte para New York para promover seu filme.

A partir daí  "Homme" mostra em paralelo as andanças de Omar pela big apple - onde praticamente nada acontece além de uma relação fugaz que ele vive com um garoto (de modo bem raso)  -  e o que ocorre com Emanuel, o abandonado na Europa.

No lado frances o filme mostra mais consistência ( pero no muita). Emanuel (o deixado para trás)l encarna uma espécie de objeto de desejo de homens e mulheres e - perdido por ter perdido (sic) o namorado - acaba se entregando a vários contatos íntimos e absolutamente superficiais.

É especialmente interessante - e para mim a melhor parte do filme - a cena onde ele exibe seu corpo nú para um, digamos, "cliente", que, ao ver toda aquela exuberância, compara-o a uma obra de arte kitsch (mas que obra de arte !).

Este mesmo cliente, pede que ele dê uma lição num garoto que acaba de sair do seu apartamento  - também não se sabe porque -, o que acontece numa cena de spanking , que tanto pode ser vista como uma catarse emocional do Emanuel, quanto o cumprimento da promessa feita anteriormente.

Mas isto tudo são conjecturas, uma vez que o filme não explica e não soluciona nada.
Gostei do contraste "carne / intelecto"

Os personagens demonstram a profundidade de pires de formiga. Aparecem e somem ao deus dará. Todos meio perdidos, solitários. Todos em em busca .... ( do que ?).

E a coisa assim vai.

O que pode irritar ou fascinar quem assiste.

Eu particulamente achei uma M.

Curiosidades :


" Homme au Bain é na realidade duas narrativas complementadas. Inicialmente pensado para curta-metragem nos subúrbios de Gennevilliers com François Sagat, os cerca de quarenta minutos filmados fizeram Christophe Honoré pensar que talvez tivesse material interessante o suficiente para criar uma longa-metragem. A solução foi complementar com uma narrativa filmada em formato vídeo digital quando da viagem do cineasta a Nova Iorque para a promoção do seu filme anterior com Chiara Mastroianni, Non ma fille, tu n’iras pas danser (2009). Em Homme au Bain é a visão do namorado em fuga por Nova Iorque"

Registro retirado do site Splitscreen

Meu comentário : Isto explica o porque das cenas que acontecem em New York parecerem forçadas. e desnecessárias..

Videos : 

Numa cena, particularmente bonita, Francois dança (meio desajeitado) ao som de "How Insensitive" (com Nancy Wilson) , versão de "Insensatez" do nosso imortal Tom Jobim. Veja abaxo.



Noutra, os personagens cantam uma musica da Kate Bush que eu adoro : "The man with the child in his eyes" (seria uma referência ao François ?)..  Cortei a cena e postei no Youtube. Veja abaixo.

 

Homme au bain - Trailer



Nancy Wilson - How Insensative



Fernanda Takai - Insensatez



Kate Bush - The man with the child in his eyes





Wednesday, November 14, 2012

Lady Gaga em Porto Alegre

Lady Gaga baixou sua "Born This Way Ball" ontem  em Porto Alegre.  Fantástico !

O que poderia ser um show frio e calcado apenas na técnica (aliás excelente), na fantasia, na alegoria,  acabou revelando-se um grande abraço emocionado entre a diva e seus fãs.

E isto fez toda a diferença.

Gaga sabe o que quer e , entre um número e outro – todos perfeitos- , abre espaços para seu discurso libertário, inclusivo, provocativo.

Ela conclama  todos a se divertirem, a se assumirem, a resistirem, a serem o que são e não se importarem com a opinião dos outros.  - E seus  “little monsters”, seus freaks,  respondem ao chamado trajando-se  nas montarias mais bizarra, além de passarem cada minuto da apresentação em estado histérico-catatônico -

Enquanto o show rolava na bela - e fria - noite, eu refletia sobre a importância da permanência, da atualização, da reciclagem deste tipo de mensagem.

Vivi  uma época  onde as coisas eram ditas nas entrelinhas, onde  liberdade era objeto de desconfiança – uma período de medo e repressão.  Depois, a partir do fim da ditadura, tivemos oportunidade de avançar - ou acreditar -  numa sociedade aparentemente mais libertária, mais igualitária -  mas sem dúvida ainda sob a forte sombra do preconceito -

De qualquer forma – a partir dos 80´s -, sob os ventos de uma alvorada mais respirável -  tivemos o privilégio de contar com a arte daquela que pode ser considerada a precursora da Gaga.

É claro que estou falando da Madonna, uma artista  ousada que influenciou o comportamento de toda uma geração.

“Na cama com Madonna” (o filme), “Sex” (o livro), musicas como “Erotica”, “Justify my love”  e “Like a prayer” (o clipe)  são exemplos de postura  no trabalho desta pioneira e que, sem dúvida, foram fortes  exemplos de “I dont give a damn for what you think”.

É quase impossível que qualquer pessoa defensora da liberdade individual – mesmo não gostando de todos os aspectos da arte da diva – deixe de reconhecer sua atitude libertária.

E agora Gaga,  mantém este discurso, esta atitude, renovando-a para a geração atual.

Isto é muito importante. Isto é necessário. É imperioso.

É vital, pois  a raiva , o preconceito, a perseguição, a acusação, o ódio sempre vão fazer parte da natureza humana.  O homem sempre vai julgar, apontar o dedo e condenar o outro.

E quando vemos uma artista, com alto nível de qualidade como a Gaga  discursando diretamente ao coração da audiência, motivando as pessoas a assumirem sua natureza (“I was Born this way”), trazendo  suas intimidades para a luz,  celebrando a diversidade, não há como não reconhecer  seu mérito, seu valor.

Longa vida à Lady !

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Abaixo reproduzo algumas das falas da diva durante o show, de acordo com o que registrei.

Certamente pode haver erros, mas os recados tão mantidos.

FALANDO SOBRE SEU PAPEL, SUA MISSÃO :

“ Eu não sou um alienígena. Eu não sou uma mulher. Eu não sou um homem. Eu sou Voces ! Eu sou tudo aquilo que vocês podem ser. E  vocês podem ser o que quiserem.  Não importa qual o seu sexo, não importa como você se veste, não importa sua religião.  Mandem a merda todos aqueles  que os criticarem. Só existe uma vida para ser vivida ! Portanto sejam verdadeiros !

SHOW NUM DIA ÚTIL :

“Quem aqui tem que trabalhar amanhã ?”

Uma galera enorme levantou a mão (inclusive eu)

E ela :

“Tô pôco me lixando pra quem tem que trabalhar amanhã. Eu tenho que trabalhar amanhã ! Mas hoje estamos juntos, e isto não é um funeral ! É uma festa ! “

PREÇO DO INGRESSO :

“Eu sei que o ingresso é caro. E sei o quanto é duro trabalhar para comprar a entrada. Portanto muito obrigado por se esforçarem para estarem  aqui esta noite. Assim como vocês se esforçaram eu também vou me esforçar para fazer o melhor show! Divirtam-se !”

VIVENCIAS NO RJ :

No Rio de Janeiro, estive na favela do Cantagalo. Lá não vi as crianças conectadas nos seus Ipads e Iphones.  Que maravilha ! A meninada me convidou para jogar futebol !  E uma mulher me chamou : “Ei, Gaga, você sabe cozinhar a galinha  à brasileira ?” E eu fui pra casa dela e cortamos a galinha, cebolas e vegetais. E fizemos uma sopa de galinha excelente !”

RECADOS AOS FÃS :

“Quando olho para vocês, me lembro de mim mesma.  Eu sei o que vocês estão sentindo. Muito obrigado!”

“Voces estão acabando com meu coração !”

“Musica não é  guerra, não é ódio. Música é paz”

REALIZAÇÃO E SONHO :

“Nunca desistam dos seu sonhos !”

“Sou apenas um garota de Manhatan, New York. Nunca pensei em chegar até aqui. Quando eu era criança costumava olhar as estrelas no céu e imaginar se um dia eu chegaria a ser uma delas.  E quando as  coisas aconteceram, quando as janelas se abriram -  e eu fui olhar as estrelas -   eu vi VOCES !”

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Um momento especial do show foi quando uma garota desconhecida - que estava entre os primeiros little monsters chamados ao palco - largou-se a cantar "You and I" na cara dura, sob as bençãos da Gaga.

Foi um choque. O povo não entendeu nada. Não se sabia se era alguma coisa expontânea ou se era ensaiado.

A garota arrasou e saiu ovacionada.

Agora se sabe que ela é a Laura Pinzon, uma garota guerreira de 13 anos aqui de Porto.

Vejam abaixo a saga da little gaucha




Depoimentos de um grupo de outros littles chamados ao palco. Esta bee loirinha tava muito lôca. Força pra ti, bee. Tudo de bom.


Tuesday, November 13, 2012

Modernidade - Dormindo de conchinha

Jackie Samuel
Acho ótima a possibilidade do ser humano poder pagar para “tratar” determinadas dificuldades pessoais, as quais, a princípio poderiam ser vistas como "de fácil solução individual". 

Sem falar na prostituição (que defendo como ótima terapia para casamentos), o mundo moderno oferece, neste sentido, uma série de personal-qualquer-coisa que estão no mercado para auxiliar a clientela a suprir certas necessidades e tarefas – algumas consideradas  - “banais”

Então temos o personal-stylist (para ajudar a criatura a se vestir) , o passeador de cães, o personal-winer (auxílio para escolher vinhos), personal assistant para arrumar os armários e guarda roupas,  e outros. Isto em falar no personal trainer no mundo da malhação.

E eis que agora surge a personal-dorme-conchinha.

Vejam só : a americana Jackie Samuel, de 29 anos, para pagar seus estudos, resolveu oferecer o serviço de abraçar, dormir (com) e acalentar pessoas.

Cobrando US$ 60 por hora, Jackie “dorme” com até 30 pessoas por semana (uma de cada vez, é claro) , sem distinção de raça, credo, cor, idade ou sexo.

Livre de qualquer conotação sexual, o “repouso abraçado” é oferecido para preencher, por algumas horas, carências emocionais e afetivas das pessoas.  

Em entrevista ao Daily Mail Jackie  diz :

“Acho que nasci sabendo aconchegar. O aconchego é saudável, faz bem para o espírito e é divertido. Acredito que os clientes vêm a mim por várias razões. Os mais velhos são sozinhos, suas mulheres já morreram e eles precisam apenas de alguém para ficar com eles, passar algum tipo de contato humano”

As pessoas, como sempre, podem julgar Jackie como uma exploradora do sofrimento alheio, da solidão do próximo. Uma mercenária, uma oportunista, ou mesmo uma prostituta (ela foi perseguida na faculdade quando os colegas descobriram sua atividade)

Prossegue ela :

“Algumas pessoas dizem que sou pior do que uma prostituta, porque acham que o aconchego é algo mais íntimo do que sexo. Já me disseram que estou monetizando o amor”

Interessante esta questão :  “o aconchego é mais íntimo que o sexo ?”..

De qualquer forma o negócio está dando tão certo que Jackie oferece “abraço duplo”, ou seja, a possibilidade do cliente dormir “ensanduichado” (sic) por duas personal-dorminhocas (Jackie e sua “ajudante” Colleen).

Viva a modernidade !

Para mais detalhes, cliqueaqui.






Friday, November 09, 2012

Filme : Gonzaga - de Pai para Filho

Cartaz - Gonzaga
No início da década de 80 assisti aqui no Gigantinho em Porto Alegre um show tremendamente especial.

Um show único, reunindo duas das maiores referências da MPB.

De um lado, Luiz Gonzaga, um ícone, um mito. O responsável por revelar ao Brasil a cultura, os costumes, os dramas do Nordeste em obras primas que registram a dureza, sofrimento e a alegria do sertão, como “Asa Branca”, “Assum Preto”, “Xote das meninas” e inúmeras outras.

Do outro, Gonzaguinha, um carioca filho do asfalto. Uma voz que ousou desafiar a ditadura e cantar a vida e seu tempo em obras poderosas como “Comportamento Geral”, “Sangrando”, e outras.

Foi uma noite mágica.

O ginásio lotado entoou cada canção, cada número apresentado com emoção única - e é claro que a massa explodiu quando pai e filho iniciaram o hino “Asa Branca”.

Inesquecível.

Muito  se passou desde então.

Há alguns anos li o ótimo “Gonzaguinha e Gonzagão: Uma História Brasileira”, da Regina Echeverria.

Nesta obra ímpar, Regina vai muito além de meramente narrar a trajetória artística dos protagonistas e acaba traçando um rico painel do relacionamento cheio de conflitos, dúvidas, brigas, abandonos e encontros entre pai e filho.

Então, nesta linha de fã antigo, fui assistir ontem o “ Gonzaga - de pai pra filho”, do Bruno Xavier, (baseado no livro da Regina), que conta a biografia do Rei do Baião, ao mesmo tempo em que relata uma espécie de acerto de contas entre as gerações (um tema universal).

Solidamente estruturado e tecnicamente irretocável, “Gonzaga” é repleto de qualidades que evidenciam o cuidado e a competência dos envolvidos no projeto (aqui se vê o uso de cada real investido na produção). Além disto, o filme tem o mérito de ilustrar muito bem os atritos, divergências e, finalmente, a reconciliação que marcaram as vidas dos heróis em cena.

Palmas para o roteiro da Patrícia Andrade, que consegue, ao mesmo tempo, ser didático e altamente emocional.

Adélio Lima - Fantástico em cena
Os atores (sem exceção) estão nada menos  que perfeitos.

Se eu fosse destacar apenas um, seria o Adélio Lima, que faz o Gonzagão maduro. Adélio revela uma força em cena reservada apenas ao restrito mundo das grandes atuações Irretocável. Vai atuar assim lá na casa do Exu !

Mas, sem dúvida, todos demais também mostram talento em performances vigorosas.

O que dizer de Julio Andrade como Gonzaguinha ? O cara é o próprio ! Que mêda ! Uma coisa incorporação ? Chama o Allan Kardec e manda o espírito subir !

E a Nanda Costa ? E a Cyria Coentro? E o Claudio Jaborandy ? E a Zezé em participação mínima ?
Gente, fala sério. Que elenco !

Com certeza muitos vão reclamar da “música invasiva”, do mar de lágrimas que percorre o filme inteiro, do excesso de cenas melodramáticas, piegas, sentimentais.

Julio Andrade tomado pelo espirito do Gonzaguinha
Certamente dizendo que estes são truques, clichês óbvios para provocar emoções baratas nos espectadores.

E são mesmo ! E funcionaram muito bem comigo ! Chorei cântaros durante quase toda a projeção.

Além disto, a cada música reconhecida - todas muito bem inseridas nas cenas (vide “Assum Preto” na pequena cozinha, ou “Respeita Januário”, na festa do filho pródigo) - eu levava um soco no peito. Não tinha como segurar “o sal no meu rosto” (que eufemismo ridículo).

Mas o “pior” ficou pro fim, quando aparecem as cenas reais da tal turnê que Pai e Filho fizeram nos 80´s.

É óbvio que me transportei no tempo e me vi, juntamente com meu irmão já falecido, novamente no Gigantinho, no meio daquela massa humana, vibrando com os dois gênios no palco.


Me acabei em lágrimas histéricas.

No acender das luzes, tive que sair “à francesa” do cinema, disfarçando meu estado lamentável.

Mas, como disse o “.. inha” : Explode coração !

- e assim eu estava...


TRAILER



RESPEITA JANUÁRIO (é a própria descrição da cena do filme)



ASA BRANCA



COMPORTAMENTO GERAL



SANGRANDO



O QUE É, O QUE É





GAL MATANDO A PAU EM ASSUM PRETO



VIDA DE VIAJANTE






Monday, November 05, 2012

Filmes da Semana


Filme : PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL - (The Expatriate) 

Filme muito ruim. Com um roteiro pretensioso que naufraga miseravelmente na tentativa de bolar uma “história complexa”. Tipo, vão enfiando personagens e situações, a fim de enriquecer a história , mas que, no fim das contas, acaba não dizendo nada com nada.. O Aaron Eckhart é tudo de bom, mas, convenhamos que aqui ele pisou feio na bola.  Nada funciona.

Sinopse (fonte : cinepop) :

Sinopse: Um Ex-agente da CIA planeja recomeçar sua vida. Primeiro, ele deseja se aproximar de sua distante filha adolescente. Em seguida, arruma trabalho em uma empresa multinacional na Bélgica como expert em segurança. No entanto, em seu primeiro dia no novo emprego, ele descobre que a empresa não existe mais, que seus colegas se foram e que sua assistente, na verdade, é treinada para matar ele e sua filha. Então, eles fogem, sabendo que precisam confiar um no outro. Algo que se torna difícil quando ela descobre a verdade sobre o passado negro dele.

Obs : Sinopse furada total. Esta história de assistente assassina não existe, e a situação do “primeiro dia no novo emprego” é totalmente errada. Com certeza o escritor do cinepop não viu o filme e tirou a sinopse da cabeça dele.

TRAILER



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Filme : SAFE

O Jason volta matador (como sempre). Só que aqui ele acrescenta cenas de “interpretação”. E não é que o brutamontes se sai bem ? Dá uma peninha do Brucutu nas cenas nas quais ele chora. Dá vontade de levar o gajo pra casa. Só que o cara esconde um animal assassino dentro dele e coitado de quem atravessar seu caminho quando ele tá de corno virado. Fala sério. Mas o filme é ótimo. Roteiro enxuto, criativo, bem bolado. As cenas de lutas e ação são ótimas Super sessão pipoca.

Sinopse (fonte : adorocinema) :

Luke (Jason Statham) é um ex-policial durão que salvou uma menina oriental (Catherine Chan) das mãos de bandidos dentro de um trem do metrô. O único problema é que ele não fazia ideia de que ela era portadora de uma informação extremamente importante, capaz de mobilizar a máfia russa, chinesa e ainda policiais corruptos. Agora, ele também tem o que todos querem e vai defender com a própria vida para que a justiça seja feita, nem que para isso seja necessário começar uma guerra urbana.

TRAILER
 

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Filme : MAGIC MIKE

Gostei mesmo.  Mas nada demais. Este é o tipo de filme onde você acha tudo rasteiro, ou enxerga várias camadas, varias leituras, varias interpretações, e assim o qualifica super bem. Fica ao gosto do fregues (ou freguesas, né ?). Mas o que realmente importa é que os boys são expostos como carne no açouque e as cenas de palco são excelentes. O Channing tá muito bem, mas quem rouba o filme é o Matthew McConaughey (ele inclusive interpreta uma ótima musica de sua própria autoria). Já o Joe Manganiello ( o Alcides do True Blood) só posa de gostoso e não acrescenta nada à história. Dizem que o Channing quer fazer o Magic Mike 2. Será verdade ? Vai dar ibope ?

Sinopse (fonte : adorocinema) :

Mike (Channing Tatum) é um experiente stripper, que está ensinando a um jovem a arte de seduzir as mulheres em um palco, de forma a conseguir delas o máximo possível de benefícios. Ao mesmo tempo que em passa seus conhecimentos para Adam (Alex Pettyfer), começa a se interessar pela a irmã dele, Brooke (Cody Horn). Com o tempo, Adam vai se mostrando cada vez mais confiante e deixa o dinheiro fácil subir na cabeça. Começa a lidar com drogas e a ignorar as pessoas próximas, mas ainda assim contará com a apoio de Mike e Brooke. Dirigido por Steven Soderbergh (Traffic), o longa conta ainda com Matthew McConaughey, Joe Manganiello e Olivia Munn no elenco.

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Filme : SKYFALL (007)

Filmaço. Há tempos não via um filme de ação tão bom. Depois do James lutar contra vilões megalomaníacos, com ambição de dominar o mundo, aqui ele tem enfrentar uma situação bem pé no chão, cheia de referências a sua própria existência (infância, família, profissão, etc). O Craig tá ótimo, mas o Javier tá excelente como o vilão Raoul Silva. Sua entrada no filme é antológica, assim como a cena de “sedução” entre ele e James. Outro ponto alto é a “participação” do carro Aston Martin DB5 no filme. Confesso que chorei na aparição do automóvel. A cena remeteu direto a minha infância, quando eu sonhava em ter um “carro mágico” como aquele. Super James.

Obs : Os letreiros iniciais,com a múica da Adele,são fantásticos.

Sinopse (fonte : adorocinema) :

O roubo de um HD contendo informações valiosas sobre a identidade de diversos agentes, infiltrados em células terroristas espalhadas ao redor do planeta, faz com que James Bond (Daniel Craig) parta atrás do ladrão. A perseguição segue pelas ruas de uma cidade na Turquia e acaba em cima de um trem. Precisando impedir que a peça seja levada, M (Judi Dench) ordena que a agente Eve (Naomi Harris) dispare, mesmo sabendo que o tiro pode atingir Bond. É o que acontece, fazendo com que o agente 007 despenque de uma altura incrível. Considerado morto, Bond passa a levar uma vida como "fantasma" até assistir, pela TV, o ataque terrorista sofrido pelo MI6 em plena Londres. Disposto a mais uma vez defender seu país, ele retorna à capital inglesa e se reapresenta a M, mesmo guardando uma certa mágoa dela por ter ordenado o disparo. Logo eles descobrem que o responsável pelo roubo e o atentado é alguém que conhece muito bem o modo de funcionamento do MI6.

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