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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Tuesday, August 27, 2013

Livro : “Garota exemplar” - Gillian Flynn,



“Garota exemplar” , da americana Gillian Flynn, é um livro em camadas.

Quando parece que estamos indo num caminho óbvio, a autora introduz uma reviravolta que nos faz repensar tudo o que lemos anteriormente. 

Partindo de um acontecimento misterioso, porém banal, (esposa sumida – marido suspeito), Gillian nos oferece uma banquete gelado servido servido por um casal “moderno”  (Nick e Amy) – que parte do retrato do perfeito “american way of life” para o mais absoluto terror de uma relação arruinada .

E para isto, a autora joga todo o tempo com o leitor, atraindo-o e traindo-o a cada capitulo. 

A partir de certo momento é impossível prever o que virá a seguir.  

O livro começa a queimar nas mãos e ficamos com medo de seguir adiante. Rola um misto de fascínio e repulsa. 

Eu vibrei a cada página. 

E, confesso, sendo bem preconceituoso, pensei em vários momentos : “como uma mulher pôde escrever isso?”.

Algumas passagens são tão definitivamente masculinas que é supreendente o  perverso olhar machista  e, é verdade, misógino.

Mas  a coisa vai além. Muito além. 

Gillian não doura a pílula e, quando a perversidade surje, não tem medo de ir cada vez mais fundo na descrição da maldade, egoísmo e interesses que motivam as ações dos protagonistas.

Atenção : quem curte personagens perfeitamente definidos como bons ou maus afaste-se deste livro. 

Aqui eles são sombrios, camuflados. Seus valores são relativizados de acordos com os acontecimentos que muitas vezes lhes escapam das mãos.

Diante de cada surpresa do destino eles se adaptam no sentido de agir para melhor se ajustar em suas zonas de conforto (mesmo que estas zonas apóiem-se em valores nada morais).

O livro cresce a cada página e leva a um final, digamos, dúbio, que tanto pode agradar ou decepcionar.

Meu sentimento foi de “incômodo”.

Se por um lado aplaudi a ultima frase, por outro lado me incomodei com a, na minha opinião, concessão da autora ao “lado bom da força”.

Leiam e tirem suas próprias conclusões.

Gillian Flynn


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“O retrato de um casamento tão aterrorizante que vai fazer você passar um bom tempo pensando em quem realmente é a pessoa que está ao seu lado na cama.” - Time

“Um thriller arrebatador, o retrato magistral do desenrolar de um casamento.” - The New Yorker

“Um thriller engenhoso e perverso. Uma leitura de tirar o fôlego, Garota exemplar mostra, por meio de reviravoltas e estranhezas, as tênues relações de poder entre homens e mulheres e como muitas vezes os casais estão à mercê de forças além de seu controle.” - Entertainment Weekly

“Com uma trama digna de Alfred Hitchcock, Garota exemplar vasculha os recônditos mais sombrios da psique humana. Uma leitura deliciosa, que vai prendê-lo até a última página.” - People

“Um suspense de ritmo alucinante e também uma cuidadosa análise da relação conjugal. Extremamente bem construído e surpreendentemente reflexivo, é uma leitura maravilhosa.” - The Boston Globe

“Ao mesmo tempo um thriller e uma história de amor macabra, escrito de forma incrível, com voltas e reviravoltas nada óbvias.”  - New York Post

“Com um humor negro e inteligente, Garota exemplar traz à tona uma verdade sobre os casamentos aparentemente perfeitos: às vezes é seu pior inimigo quem desperta o melhor em você e, nesse caso, é bom mantê-lo por perto.”  - Salon

“A história se desenrola de forma precisa e fascinante. Mesmo quando você sabe que está sendo manipulado, procurar as peças que faltam é metade da emoção.”  -  Oprah.com
 


 

Filme - A Invocação do Mal



Vou dizer uma coisa : sou sou macaco velho em filmes de terror e minha tendência é assumir um olhar sarcástico, irônico e debochado diante de qualquer obra do gênero. 

A imensa maioria do que vejo resume-se a um amontoado de clichês, adornados por sustos óbvios que não impressionam nem assustam ninguém. 

E foi com esta vibe que sentei para assistir “Invocação do mal” (The Conjuring, 2013) sem saber muito bem sobre o que se tratava, além da óbvia mentira de que se tratava de uma história “baseada em fatos reais”.  

Pois bem, como se diz aqui no sul : “me caiu os butiá do bolso” (ou “fiquei de cara”, ou “fiquei pasmo”, etc). 

Confesso que nunca iria me imaginar gritando, dando saltos da cadeira e sentir todo meu corpo se enrijecer de tensão. 

Que suadouro, que medo, que horror !

... que cagaço....

A história não poderia ser mais batida : uma família  é assombrada por um espírito do mal e chama uma equipe de paranormais para dar conta do assunto. 

Sim, simples assim. 

Mas qualquer clichê cresce muito se tiver por trás um bom roteiro, uma boa produção, em elenco excelente (Lili Taylor, Vera Farmiga, Patrick Wilson e Ron Livingston) e um diretor em momento de singular inspiração  (James Wan). 

E é esta conjunção de fatores que fazem “Invocação do mal” um expoente no gênero. 

Com referências óbvias a “Poltergeist”, “O exorcista”, “Os pássaros”, “Terror em Amityville”  e outros, o filme revela-se uma primazia do horror. 

Alguns sustos são definitivamente um absurdo de terríveis. 

Um deles, em especial – não vou dizer qual – me fez ir do grito espontâneo a um ataque de riso nervoso e incontrolável (algo para mim inimaginável).

O filme está sendo apontado como a melhor produção de terror de 2013, e eu concordo totalmente. 

Dizem que já está sendo produzida uma segunda parte devido ao sucesso. É aquela velha história : já vão começar a sugar e descaracterizar a obra por conta da ganância. 

Tudo bem. 

Assim como diversas outras “sagas” , “Invocação” vai acabar caindo na vala comum das idéias exauridas em sequências totalmente dispensáveis. 

Mas este primeiro ficará sempre como um excelente exemplo de uma obra sólida e competente do terror. 

Filmaço. 




Comentários :

Bruce Diones ("New Yorker") : "Wan transforma os muitos solavancos durante a noite em uma pequena sinfonia hitchcockiana de terror, por meio de longas e estranhas cenas, silêncios dramáticos e sustos repentinos que são assustadoramente envolventes"

Chris Nashawaty ( "Entertainment Weekly" ) :  "Wan magistralmente aperta os nervos do público, usando humor e efeitos sonoros para os choques que nunca ficam baratos (jogo de esconde-e-aplaude nunca foi tão horripilante)".

Trailer

Peter Singer - Fronteiras do Pensamento




“A ética não se deve basear nas emoções, e sim na razão e na filosofia. Este é um grande desafio”. 
Isto dito ontem por Peter Singer, na palestra do Fórum Fronteiras do Pensamento, iluminou a noite. 

Peter falava sobre nosso entendimento e compromisso prático  com o que não vimos nem vivenciamos diretamente, como por exemplo a extrema pobreza do mundo, a destruição da atmosfera e o mau trato com os animais.

Ou seja para nós é muito mais fácil assumirmos posições sobre assuntos próximos a emoções, como o aborto e a eutanásia, do que sobre temas “distantes”, como os citados anteriormente. 

E o pior é que isto é verdade. Saindo da palestra – que teve como foco a extrema pobreza no mundo, a destruição da atmosfera, o mau trato com os animais e a extinção da raça humana -  fomos displicentemente lanchar e conversar sobre problemas  de relacionamentos conjugais, cinema, literatura, viagens e coisas afins.  

Afirmo que se o encontro tivesse como foco temas “mais quentes” o papo teria outro rumo. Porem, entre uma cerveja e outra, a palestra de um dos maiores filósofos da atualidade foi sendo descartada de acordo com o humor dos presentes. 

Pensar cansa e agir mais ainda.  

Estamos errados ? 

Nossa natureza nos puxa para zonas de conforto nas quais “o que não vimos não nos incomoda”. 

Então nada mais natural ignorar tais assuntos e acordar no dia seguinte e reclamar do frio e da chuva que está incomodando Porto Alegre.

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Reproduzo abaixo o texto que saiu na ZH de hoje sobre a palestra do mestre

 CONFERÊNCIA

Os quatro desafios da humanidade

Filósofo Peter Singer falou ontem sobre as obrigações morais das pessoas

Se você pudesse numerar os principais desafios éticos para a humanidade no século 21, quantos eles seriam? Para o filósofo australiano Peter Singer, seriam quatro: pobreza global, mudanças climáticas, tratamento dos animais e como diminuir o risco de extinção de nossa espécie.

Singer apresentou ontem à noite no Salão de Atos da UFRGS uma das palestras mais concorridas desta edição do Fronteiras do Pensamento. Com o apoio de material apresentado em Datashow, procedimento raro neste fronteiras, o filósofo mostrou dados, estatísticas e provocações sobre os principais problemas que a humanidade enfrenta neste terceiro milênio. Para ele, todos estão de alguma forma interligados.

– Vou falar muito rápido, mas espero dizer algo sobre a natureza e a complexidade desses desafios, e não quero que vocês se sintam satisfeitos com o que vou dizer, mas curiosos para buscar informações e formar sua própria opinião.

O primeiro tema abordado pelo intelectual foi a pobreza global, sintetizada em estatísticas brutais: sete milhões de crianças morrem por ano de doenças relacionadas à pobreza, males perfeitamente tratáveis com recursos irrisórios. Singer narrou uma fábula da qual tirou uma regra moral: alguém que veja uma criança se afogando deveria salvá-la mesmo correndo o risco de estragar seus melhores sapatos? Sim, de acordo com o autor de Ética Prática.

– Se temos como evitar algo ruim sem sacrificar alguma coisa da mesma de importância moral, temos a obrigação moral de agir.

Mas isto, segundo ele, não deveria valer só para uma criança se afogando. Muitos poderiam doar, sem prejuízo ou sacrifício, recursos que poderiam salvar vidas.

Poupar os animais para conter o aquecimento global

Singer dedicou parte da palestra ao problema das mudanças climáticas, provocadas muitas vezes pelos países ricos com suas altas taxas de emissões de gases causadores do efeito estufa. A perversidade do sistema é que, segundo ele, os países pobres, que pouco contribuem para a mudança climática, são os que sofrem seus maiores efeitos.

– Os países ricos estão arruinando os pobres ao excederem suas cotas de emissões. É uma questão moral vital e pouco fazemos a respeito – disse Singer.

O terceiro tópico é uma das bandeiras mais antigas de Singer, que escreveu, em 1975, Libertação Animal. De acordo com ele, não há por que submeter os animais ao tratamento cruel que a pecuária industrial em larga escala os faz sofrer – reduzindo também o risco de extinção da espécie humana. A grande quantidade de rebanhos atual contribui para o aquecimento global de modo mais intenso do que os meios de transporte: Ingerir 250 gramas de carne de gado é, em produção de metano, como dirigir em torno de 16 km num automóvel.

– Reduzir o consumo de carne é uma responsabilidade para diminuir o aquecimento global e, ao mesmo tempo, o sofrimento dos animais – convocou o pensador.

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é apresentado pela Braskem e tem o patrocínio de Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura e Gerdau. A promoção é do Grupo RBS. O projeto conta com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul como universidade parceira e tem parceria cultural de Unisinos, Prefeitura de Porto Alegre e Governo do Rio Grande do Sul.

carlos.moreira@zerohora.com.br
CARLOS ANDRÉ MOREIRA

Tuesday, July 02, 2013

Livro–Lágrimas de Silêncio ( Angélica - Angela Chaves)

Angela Chaves Lagrimas de Silencio_capaÉ inegável que problemas todo mundo tem.

Uns mais, outros menos, mas todos enfrentam dificuldades  em diversas ocasiões da vida. 

Frente a estes momentos, dependendo do que acontecer,  podemos achar que nosso sofrimento é o maior que alguém pode suportar.

E é mesmo, pois cada um sabe a dor que sente. 

Mas, ao lermos a história de vida da Angelica (relatada em “Lagrimas de Silencio”,  Suliani Editora ), somos obrigados a olhar nossos “problemas” e reconhecer que  se olharmos para o lado vamos ver  que nossos percalços  tornam-se quase que piadas comparados  a situações para nós impensáveis, mas que  são dura realidade para outros. 

“Lagrimas do Silencio” relata de forma crua e direta (e com uma coragem ímpar) a aterrorizante trajetória de Angélica (nome fictício da autora Angela Chaves), uma menina do interior do RS que teve sua infância destruída por uma família abusiva.

E Angela não doura a pílula. A descrição dos seus tormentos desde criança até adulta atinge níveis cada vez mais angustiantes.

Fome, frio, descaso , abandono, miséria. Surras, maldades. Abusos, ameaças. Rejeição, desprezo, tortura. Estupros, violência, incesto. Zoofilia, pedofilia. Alcoolismo, prostituição, exploração, assassinato. Loucura, depressão, tentativas de suicídio. Tudo isto foi realidade na sua vida.

E ela acabou dando a luz a duas crianças frutos deste universo de desgraças. Uma filha do seu próprio pai e outra de seu meio irmão.

O livro é curto, de poucas páginas, porém assustador, pavoroso.

Senti medo de ir adiante diversas vezes. O espiral  de sofrimento da menina parece não ter fim. Quando achamos que o ápice da maldade aconteceu, sucede-se outro, e outro, e mais outro. E somos convidados a  testemunhar tudo impotentes, paralisados, incrédulos.

Como Angela mesmo diz, as palavras são insuficientes para expressar sua dor. E ao lermos sua história, concordamos. Se para nós leitores não existem palavras que expressem o choque ao tomarmos o conhecimento da sua infância arruinada, quanto mais para ela que tenta transmitir em texto a tragédia de sua alma dilacerada.Angela Chaves Lagrimas de Silencio_back

Depois de fechar o livro, acabei me lembrando das palavras finais  o personagem Kurtz em “Coração das Trevas” de Joseph Conrad, diante do reconhecimento da maldade humana :

“O horror, o horror”.

E acrescento :

O incompreensível, o inexplicável, o abominável, o execrável, o aterrorizante, o paralisante, o  inominável, , o odioso.

Nem mesmo recorrendo  a todas as palavras do dicionário que lembrem “inferno”  e / ou “sofrimento”  serão suficientes para, remotamente, descrever o massacre do corpo, alma e  mente da menina gaucha, perpetrado  por uma família e circunvizinhos absolutamente doentes.

Angela é uma vencedora.

Tive oportunidade de abraçá-la ao adquirir o livro. Tudo muito rápido e gentil.

Porém o poder de sua história me marcou para sempre.

E isto, afirmo, acontecerá com qualquer um que a conheça.

montagemlivro

Para adquirir o livro, envie um mail diretamente para Angela que ela passa as orientações

angellatchaves@gmail.com