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Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
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Wednesday, January 23, 2013

Musica - Esther Lee (Where Glory Began)

Esther Lee - Where Glory Began
Dela não se sabe muita coisa.


Não se sabe nada da sua vida, nem exatamente quando nem de que ela morreu.

Mas, certamente, ela é (foi)  a protagonista de uma das propostas mais radicais da história das gravações.

Do seu leito de morte em 1974, Esther Lee  gravou um álbum (sombrio ou alegre, dependendo do ponto de vista) sustentado apenas por sua magnífica voz.

O tema das musicas variam de uma profunda humanidade a conteúdos  fortemente religiosos.

Porém independentemente de se acreditar ou não no credo cristão, na vida após a morte, na reencarnação, ressurreição, transmutação, na extinção absoluta, ou qualquer coisa que o valha, o que realmente impressiona é a sonoridade tranquila que sai do seu corpo terminal.

Somando isto ao  titulo do álbum (“Onde a Gloria Começou"), e a foto que ilustra sua capa,  o que se tem é  uma impressionante caminhada para a ultima jornada.

Poderoso e emocionante.

Todas as faixas abaixo :


01. Floatsome Driftwood (2:08)
02. She Said Goodbye (3:18)
03. Dust On Your Picture Frame (2:22)
04. Materialistic Man (1:11)
05. I Know It's Love (2:45)
06. His Crimson Blood (2:06)
07. The Joy Came Down (0:40)
08. Oh Glory Hallelujah (2:43)
09. Jesus Is The Christ (5:17)
10. Your Rugged Cross (3:25)
11. Jesus Of Blue Galilee (2:23)
12. The King Is Come (1:05)
13. Go Into The World (0:56)

Dados :

Album: Esther Lee - Where Glory Began
Label: (private press)
Catalog: 42769
Credits: Produced by The Ministering Carpenter, recorded at Ye Old Garage Studio
Date: 1974

Saturday, January 19, 2013

Filme - Django

Django - poster
Tarantino fez de novo.

Para quem é seu fã, Django é um prato cheio.

Nesta merecida homenagem ao finado gênero spaghetti-western, o insano abusa da criatividade e oferece um banquete de achados, com pulso filme e de forma nada aleatória.

 O filme conta a história de Django (Jamie Foxx) , um escravo que é libertado pelo caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz).

 King necessita o auxilio do escravo para identificar alguns homens procurados.

Em troca da ajuda, o pistoleiro promete uma parte da recompensa ao jovem negro.

Django concorda e acaba "trabalhando" com o caçador, com quem aprende todas as artimanhas do oficio.

Em um determinado momento da trajetória dos pistoleiros, Django conta ao alemão a história de como sua companheira, a escrava Broomhilda (Kerry Washington), foi chicoteada, marcada a ferro e vendida.

Sensibilizado, Schultz decide auxiliar Django no busca da sua companheira, o que os levarão a bolarem uma insana estratégia para resgatá-la das garras do escravagista Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Neste “western enviesado” estão todas as marcas que fazem de Tarantino um dos mais originais diretores.

Django - poster 1966
 Diálogos nonsenses que antecedem momentos de pura brutalidade, tensão quase insuportável maquiada sob aparentes conversas amigáveis, violência explícita, sangue jorrando, humor negro em sua máxima expressão, diálogos afiados, personagens absolutamente bizarros, e por aí afora, tudo aparece em Django.

Porem aqui, por se tratar de uma obra sobre a escravidão (um assunto realmente sério), Tarantino acrescentou, de forma banal mas tremendamente contundente e chocante, a crueldade do tratamento, tanto de forma explícita (com mortes, torturas e abusos diversos), como implicita (quando os negros são tratados / referenciados como sub-humanos)

Os atores estão excelentes com destaque absoluto para Leonardo Di Caprio e Samuel L.Jackson (este incorporando um dos personagens mais bizarros de toda a história do cinema).

A trilha sonora é fantástica.

Para mim com dois destaques : a musica inicial, do filme Django de 1966 (aliás Franco Nero – o Django original- que faz uma ponta neste Django 2012/13) e “I got a name” (que eu adoro), do Jim Croce.

Legendei as duas.

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Django, com Luiz Bacarov - legendado em portugues



I got a name, com Jim Croce - legendado em portugues



Trailer do filme 

  

Friday, January 18, 2013

Clipes legendados–Musicas de saudades

 Acho incrível a capacidade de algumas canções em tratar sentimentos perdidos.

 Nestas, geralmente as letras falam de emoções do passado que o(a)  protagonista vivenciou de modo intenso e fundamental, mas que agora existem apenas na lembrança.

 A poesia destas musicas expressam  num tom melancólico, as lembranças suaves de algo que encontrou seu fim ou de algo que poderia ter sido e não foi  (tipo um romance mal resolvido).

 Reproduzo abaixo algumas deste estilo que curto de modo especial

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 JAMES BLUNT - 1973

Uma canção triste que evoca uma época (o ano de  1973) quando o casal protagonista era jovem, cheio de energia e vivia noitadas de festas.

Hoje o homem, sob o efeito do álcool, toca em sua mente a música dos amantes e afirma que, mesmo que o tempo passe, a imagem que ele carregará para sempre é a deles juntos curtindo em um clube em 1973, quando então, viçosos e cheios de energia gritavam : “Aqui vamos nós de novo  !”

Clipe legendado abaixo, postado no VIMEO pois o Youtube o bloqueou por “violação de direitos autorais”

Blog James Blunt 1973 teste from Iuri Palma on Vimeo.

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THE KILLERS - MISS ATOMIC BOMB

Aqui a pegada é mais “o que poderia ter sido e não foi”.

Falando de baladas em uma nova cidade para a qual se mudou na sua juventude, o cantor lembra de uma garota em especial, a tal Miss Atomic Bomb, com a qual “ficou” , mas que acabou ferindo-o de alguma forma.

Ele reconhece sua inocência e deslumbramento de então – e os momentos em que foram “vencedores” - mas afirma (já machucado) que  ela sentiria sua falta quando ele partisse (o que certamento ocorreu).

Clipe legendado abaixo, postado no VIMEO pois o Youtube o bloqueou por “violação de direitos autorais”

Clipe The Killers - Miss Atomic Bomb, legendado em portugues - br from Iuri Palma on Vimeo.

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LEONARD COHEN – DANCE ME TO THE END OF LOVE

Esta é tri sombria e, num clima meio dancing retrô, pede, dentro da poesia poderosa do Leonard, “dance me até o fim do amor” (ou seria da vida ?).

No clipe, este apelo entre os amantes é cumprido à risca, e as imagens mostram casais jovens em imagens idílicas, casais já maduros dançando e casais “separados”, onde a dança só pode acontecer apenas por uma das partes.

Belo e tristíssimo ao mesmo tempo.

Clipe legendado abaixo.


Thursday, January 17, 2013

Livro–Podemos dizer adeus mais de uma vez (David Servan-Schreiber)


David Servan SchreiberMichel de Montaigne (1533-1592): “Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e constrangimento”.

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David Servan-Schreiber (21 de abril de 1961 – 24 de julho de 2011) foi um psiquiatra francês que alcançou fama mundial com a publicação do livro “Anticancer” (2008), traduzido para mais de 40 lingua, no qual relata sua passagem pelo câncer cerebral e sua estratégia de complementar o tratamento clássico – cirurgia, quimioterapia e radioterapia – com tratamentos experimentais e técnicas de modelação das defesas naturais através do controle emocional (ioga, meditação), exercícios físicos e alimentação.

Disse ele então : "Eis o que aprendi: se todos temos células cancerosas dentro de nós, temos também um corpo preparado para frustrar o processo de formação de tumores. Compete a cada um de nós utilizá-lo"

Servan-Schreiber afirmou que nós podemos estimular nossas defesas naturais contra esse mal, que "é mais uma questão de estilo de vida que de genes”.

Pois bem, em Maio de 2010 Schreiber voltou a ter alguns sintomas. Buscou seu médico e tomou conhecimento, em Junho de 2010, do resultado de uma ressonância magnética onde “As imagens mostravam uma esfera gigantesca, totalmente vascularizada, no meu lobo frontal direito, que preenchia a cavidade aberta pelas duas operações a que me submetera muitos anos antes. Meu oncologista hesitava. Não achava que se tratasse de uma recidiva do tumor. Tendia a acreditar que fosse um edema impressionante, formado tardiamente em reação a uma radioterapia anterior. Mas não estava seguro.”David Servan Schreiber

Depois veio o veredito : “ o diagnóstico era categórico : não era um edema, era uma recaída do tumor”

A partir daí Serva, reiniciou sua luta contra o maligno, porém desta vez ciente de que tudo seria mais difícil e que as chances de sucesso eram ínfimas.

“Podemos dizer adeus mais de uma vez”, narra a trajetória de Schreiber desde o novo diagnóstico até dois meses antes de sua morte, quando a doença já lhe roubara a voz e quase todos os movimentos.

Como um longo ritual de adeus, o livro traz poderosas reflexões do psiquiatra em relação a doença, escolhas e atitudes de vida, família, relacionamento amoroso, dor, medo, conforto, afeto, religiosidade, questões práticas que envolvem “o morrer”, e muito mais.

Tratando de um assunto tabu “Podemos dizer...” é, como afirmou o Paris Match “Um manual de vida estarrecedor. Para ler, reler, reler de novo, meditar e remeditar. Honesto até o fim”.


Trechos do livro :

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CALMA INTERIOR
 
David Servan SchreiberQuantas vezes ouvi meus amigos dizerem: "Cuide-se." Eles sabiam que eu corria o mundo, encadeando sem interva­los conferências, entrevistas, projetos. A preocupação deles era de que eu me sobrecarregasse.

Eu os tranquilizava, dizendo: "Tem razão, vou desacelerar." Mas não fazia isso.

Muitas vezes afirmei praticar tudo aquilo que recomendo em Anticâncer. É verdade de modo geral, a não ser num pon­to: impondo-me um ritmo de trabalho estafante e, no todo, excessivo, não cuidei suficientemente de mim, durante muitos anos. Esse esgotamento remonta na verdade à publicação de meu livro anterior, Curar... As demonstrações de interesse e reconhecimento que recebi me deixaram tão feliz, que me en­treguei de corpo e alma à defesa daquelas ideias. Peguei o cos­tume de viajar pela França, pela Europa, mas também à Ásia, aos Estados Unidos, ao Canadá. Obriguei-me a passar por inúmeros fusos horários, cujo efeito negativo sobre o sistema imunológico todos conhecem, o que ocorre por meio da pro­dução de hormônios de estresse, como o cortisol, e por meio da perturbação dos ritmos naturais básicos.

Esse grande desregramento de meus ritmos biológicos culminou no ano passado com a recaída. O livro Anticâncer fora muito bem recebido nos Estados Unidos, e eu estava sen­do constantemente solicitado pela imprensa. A defesa daquelas concepções me deixava tão envolvido, que eu pura e sim­plesmente esqueci de me poupar. Em 2009-2010, fiz em média uma viagem por mês entre as duas costas do Atlântico, e uma ou duas viagens por semana pela França ou pela Euro­pa. Era demais. No fim do ano, eu estava literalmente esgota­do. Foi na sequência disso que o tumor reapareceu.

Com o recuo da doença, acho que fui impelido por uma vontade muito humana de esquecer a minha
condição, de me sentir "normal", de levar a vida "como todo mundo". Acho, principalmente, que me deixei levar por uma espécie de pecado do orgulho, pois cheguei a me sentir quase invulnerável. Ora, nunca se deve perder a humildade diante da doença. Ninguém tem nenhuma arma invencível contra ela, e as melhores técni­cas da medicina moderna podem ser derrotadas. É um grave erro esquecer até que ponto a biologia é determinante.

Embora precisasse continuar humilde, cometi o erro de acreditar ter encontrado a fórmula mágica que me permitiria continuar saudável mesmo me entregando de corpo e alma aos projetos que me apaixonavam.

Tive a fraqueza de acreditar que estava protegido pelo simples fato de respeitar certo nú­mero de precauções: cuidava da alimentação, andava todos os dias de bicicleta, meditava um pouco e fazia um pouco de ioga todos os dias. Acreditei que isso me daria licença para ignorar necessidades fundamentais do meu organismo, como o sono, ritmos regulares e repouso.

Capa Podemos dizer adeus mais uma vez.inddEm retrospectiva, o erro me salta aos olhos. Embora eu não represente uma "experiência científica" única, acredito que é possível extrair, legitimamente, algumas lições da minha desventura: não devemos nos esgotar, não devemos nos sobre­carregar. Uma das proteções mais importantes contra o câncer consiste em encontrar certa calma interior. Não ignoro que para todos aqueles que exercem profissões difíceis, que traba­lham à noite, por turnos de oito horas, esse conselho não é facilmente aplicável. Assim como não o é para os que têm fi­lhos pequenos ou adolescentes, ou então para os que precisam viajar muito.

Pessoalmente, não consegui encontrar essa calma, e hoje me arrependo. Não soube ficar perto da natureza e dos ritmos naturais. Estou intimamente convencido de que frequentar bosques, montanhas, rios é uma prática que possibilita recarre­gar incrivelmente as baterias, talvez por permitir que a gente se baseie no ritmo das estações, o que deve contribuir para o equi­líbrio e a cura do organismo. Não conheço estudos científicos que respaldem essa intuição. Mas a ideia de que a harmonia com a natureza é um dos meios de alimentar a saúde do corpo é coerente com toda uma série de verdades estabelecidas.

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CONSEGUIR REALIZAR A TRAVESSIA

A terceira questão que se apresenta para mim hoje em dia é a da morte. Há vinte anos vivo com essa “Espada de Dâmo­cles" sobre minha cabeça e tive várias oportunidades de pensar no assunto.
  • Nota : * Dâmocles era um cortesão que invejava o poder dos tiranos. Para fazê-lo entender os perigos desse poder, Dionísio (tirano de Siracusa) ordenou que, durante um banquete, ficasse suspensa sobre a sua cabeça uma espada pesadíssima, presa a uma simples crina de cavalo. Essa imagem é usada para indicar os grandes perigos que ameaçam cair sobre nós a qualquer momento.
Evidentemente, enquanto investia muito nas ati­vidades que me davam satisfações profundas, minha atenção era em grande medida desviada das questões supremas. Mas nunca deixei de me perguntar: "Quando a coisa voltar, será que eu vou ter tanto medo como da primeira vez? Ou será que as novas prioridades da minha vida, todas as lições essenciais que aprendi quando fui jogado no fogo, vão me ajudar a en­frentar essa prova com calma?"
David Servan SchreiberHoje, que estou mais perto desse acontecimento do que nunca, percebo que reajo no conjunto como vários pacientes que tratei como psiquiatra, doentes de câncer ou de outras patologias, que deviam enfrentar a perspectiva da morte. Como muitos deles, tenho medo de sofrer, não tenho medo de morrer. O que temo é morrer no sofrimento. Esse medo é geral, parece-me, em todos os seres humanos e até mesmo nos animais.

Na outra noite, estava na cama, deitado do lado esquer­do, ou seja, o lado atualmente prejudicado pela progressão do câncer. Queria me virar e não conseguia. Sentia uma espécie de entorpecimento que tomava conta de meu corpo. De re­pente, tive medo de que aquele entorpecimento progredisse, de que atacasse meus músculos torácicos e acabasse por impe­dir minha respiração. Pensei: se não conseguir respirar, vou morrer. Vou morrer aqui, agora, nesta noite, desse jeito, sem ninguém por perto, sem ninguém que saiba o que está aconte­cendo. Então tive muito medo.

Depois, rapidamente, eu me disse que, afinal, aquele en­torpecimento não era de todo desconfortável. Comparado com as dores violentas que eu sofrera nos dias anteriores, era uma sensação amena, envolvente, progressiva, como quando estamos fora e faz muito frio. Se eu tivesse de morrer daquela maneira, e não um ano depois de passar por provações infer­nais, no fundo não seria ruim. Aquele pensamento me apazi­guou tanto, que adormeci. Ao acordar na manhã seguinte, evidentemente estava respirando... E, sobretudo, aprendera que podia viver aqueles instantes a salvo do terror.

Muitas vezes assisti meus pacientes no momento em que a esperança de cura ou de alívio dos sintomas se transmuda em outra realidade, a realidade da morte iminente. Tive o privilé­gio de observar como então eles entram em outro tipo de es­perança, o de "morrer bem". E uma questão extremamente importante e um objetivo muito legítimo. Afinal de contas, a trajetória da vida leva à morte, desemboca na morte, e gosto de pensar, como muitos filósofos, que a vida é uma longa preparação para esse instante soberano.

Depois que a gente desis­te de lutar contra a doença, resta ainda um combate para tra­var, o combate para morrer bem: ter a capacidade de dizer até logo às pessoas a quem precisamos dizer até logo, de perdoar as pessoas que precisamos perdoar, de pedir perdão às pessoas pelas quais precisamos ser perdoados. Deixar mensagens, arru­mar as coisas. E partir com um sentimento de paz e "conexão".
David Servan Schreiber
Ter a possibilidade de preparar a partida é, na verdade, um grande privilégio. Os noticiários de televisão, com o seu grande número de acidentes e catástrofes, nos lembram todas as noites que a morte violenta pode surgir a qualquer instante, ceifando repentinamente a vida de suas vítimas e privando seus parentes da etapa tão preciosa do adeus.

Podemos nos preparar para esse momento crucial com a ajuda de bons "aliados": médicos, advogados e, claro, amigos e familiares. Essa provação eu sinto como vital, e para mim é também uma fonte de esperança transpô-la com sucesso. De­pois disso, o que acontecerá "do outro lado"?

Não sei.

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TESTAMENTO GRATIFICANTE

A tarefa mais difícil e mais temível, sem dúvida, consiste em tomar as decisões referentes ao futuro dos filhos. É preciso se sentar com o cônjuge e dizer: "Sabe, preciso falar com você sobre um assunto difícil... Não sei quanto tempo ainda vou estar por aqui. E querer tapar o sol com a peneira fazer de conta que vai correr tudo bem. Há coisas que a gente pode prever para nossos filhos. Se você concordar, fique sabendo que para mim é mais tranquilo falar disso, saber que as coisas estão em seus devidos lugares. E só você pode me ajudar a fa­zer isso." David Servan Schreiber

É uma conversa emocionante, profundamente tran­quilizadora também. Sou testemunha disso. O fato de não estar mais aqui para ver meus filhos crescer e para protegê-los é motivo de grande dor para mim. A única ideia que tem o poder de me tranquilizar é que os deixo com urna excelente mãe, que saberá amá-los e protegê-los.

Nesses instantes carregados de emoção, deve-se tentar não "exagerar na dose", evitar cair na armadilha do sofrimen­to patético. É natural pensar na dor dos que ficam, porém sentimentalismo demais pode provocar ideias pessimistas, que são inúteis e perniciosas. Concentrar-se no aspecto prá­tico, ao contrário, é muito benéfico, pois a ação concreta é sempre preferível às ruminações negativas. Pode-se falar dos funerais, do lugar onde se quer ser enterrado, do testamento.
Essas questões geram muito menos angústia do que se pensa.

Fiquei muito surpreso ao descobrir até que ponto a reda­ção de um testamento pode ser gratificante. Ela cria um senti­mento de domínio total e, ao mesmo tempo, de generosidade, doação, transmissão. Também me lembro de uma conversa recente com meu irmão Edouard, em que demos muita risada enquanto fazíamos uma lista das músicas e canções que seriam tocadas enquanto — não tenho pressa... — eu estivesse agonizando.

Confesso que me ocorre com frequência pensar no meu enterro, mas não de um modo mórbido. Se ousasse, quase es­creveria o roteiro de meus funerais. Com todos aqueles parti­cipantes que estarão de ótimo humor e dirão tantas palavras gentis a meu respeito, com uma atmosfera transbordando de benevolência.

Nada de polêmica agressiva, nada de ataques gratuitos. Esse será como que o ponto culminante de minha vida, uma espécie de apoteose. Que pena ser o único que não assistirá a tal evento! Mas até agora resisti à tentação e me abs­tive de ditar essas instruções. Será que estou realmente na me­lhor posição para cuidar desses detalhes?

Minha longa experiência na assistência a moribundos talvez me tenha endurecido um pouco diante do terror da morte. No entanto, não esqueço que se pode perder toda a bela serenidade na hora H. Embora tenha visto muita gente apagar-se tranquilamente, às vezes vi algumas pessoas, às quais não faltava coragem, morrerem em meio à angústia. Não está excluída a possibilidade de isso me acontecer também. Vou evitar ser arrogante nesse ponto. E peço aos meus entes queri­dos que não me queiram muito mal se perceberem que senti medo às portas da morte.

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LUZ BRANCA
 
David Servan Schreiber

Avistando seus entes queridos já falecidos na auréola da luz de amor, os "viajantes" dessas experiências de quase morte só tinham uma vontade: ficar "do outro lado". Explicavam que, nos dias e nas semanas anteriores, aqueles seres amados tinham começado a aparecer em seus sonhos ou a fazer-lhes visitas como "fantasmas" amistosos, ou então a insinuar-se em seus pensamentos involuntários.

Era como se quisessem prepará-los para a grande passagem. E, chegado o dia, aqueles avós, pais, irmãos ou esposos falecidos estavam ali, no fim do túnel, para acolhê-los. Meus pacientes ficavam tão contentes por reencon­trá-los! Mas alguém dissera: "Você não está pronto, precisa vol­tar para a terra." E eles tinham acordado na cama do hospital, com a impressão terrível de terem sido expulsos do paraíso.

Embora espantado, sobretudo no início, com essas histó­rias de além-túmulo, sempre me abstive de considerar que aqueles pacientes estavam "loucos". Em psiquiatria, o concei­to de "loucura" é bem preciso. Refere-se a crenças e comporta­mentos que 1) não são necessários ao funcionamento da pes­soa e 2) causam-lhe prejuízo. Portanto, não basta que alguém demonstre ter crenças e comportamentos inabituais para me­recer o qualificativo de "louco". Pode tratar-se de alguém que esteja um pouco "à margem" de sua época (um excêntrico, um artista etc.), ou mesmo "à frente" dela (um visionário).

Tomemos o caso de Jesus — ou de Sáo Paulo, Maomé e de uma infinidade de outros profetas. Um psiquiatra um tanto limitado diria que Jesus era esquizofrênico, porque tinha vi­sões e ouvia vozes; ou que era bipolar ou maníaco-depressivo porque alternava episódios de exaltação e períodos de abati­mento. Então, caberá achar que Jesus era um psicótico? A questão parece pertinente principalmente porque suas ideias e ações lhe valeram um fim pouco desejável, o que corresponde ao segundo critério de definição da loucura.

Na minha humilde opinião, seria melhor abandonar es­sas concepções estreitas e redutoras, e ver em Jesus um grande espírito muito à frente de seu tempo e talvez de todos os tem­pos. Quanto às pessoas que "atravessam a morte", estas voltam às vezes com crenças que as tornam mais fortes. Disso eu não concluiria por certo que é lícito acreditar em qualquer balela, desde que ela nos dê ilusão de força. Mas deixar de ser aterro­rizado pela morte já é algo apreciável! Essas experiências, no mínimo pelo recurso que oferecem contra a angústia, já mere­cem ser estudadas. Para um cientista, aliás, elas constituem os únicos dados disponíveis sobre uma realidade fundamental e difícil de discernir.

Num plano mais íntimo e mais modesto, posso dizer que, na etapa desconfortável em que me encontro hoje, esses testemunhos me parecem mais preciosos que nunca. Aceito sua inevitável dimensão misteriosa ou "mística". Em compen­sação, nelas não encontro nenhum argumento a favor deste ou daquele dogma religioso.

No fundo, o que essas ideias têm de tão satisfatório para mim é que oferecem uma visão da morte compatível com mi­nha profunda e eterna necessidade "relacional". Estar ligado a pessoas sempre foi de importância capital para o meu modo de ser. Quando fiquei sem isso, mesmo que transitoriamente, mergulhei rapidamente na tristeza e senti que minha energia vital evaporava. A morte, se for vista como um rompimento de todas as relações, para mim se torna uma visão de pesadelo: ao perder a vida, eu perderia todo e qualquer elo com o húmus que me alimenta, estaria condenado à solidão absoluta... Tam­bém não ignoro a suposição de que os mortos não sentem nada. Mas a ideia da escuridão deserta e isenta de amor me petrifica.

Ao contrário, a perspectiva de me reunir ao conjunto das almas humanas e animais num universo banhado de luz, in­tercâmbio e amor tem tudo para me deixar feliz. Evidente­mente, nada prova que as visões que ocorrem nesse tipo de experiência sejam reflexo de uma "realidade" qualquer. Pode muito bem ocorrer que nada mais sejam senão a atividade alu­cinada de um punhado de neurônios anarquizados pelo co- quetel químico do óbito. Mas, no ponto em que estou, prefiro Ímàgímr que minha morte se parecerá com o famoso túnel que desemboca na luz branca. Seria maravilhoso ser acolhido pelas ondas luminosas de amor e por todas as pessoas que tan­to amei e que morreram antes de mim, meu pai, minha avó e aquele avô que eu adorava.

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DO AMOR

David Servan SchreiberDesde que o braço e a perna do lado esquerdo ficaram paralisados, e os sintomas não parecem querer ceder, eu me digo que o câncer pode acelerar a qualquer momento. Portanto, está na hora de fazer um balanço da minha vida. O que fiz de bom e de menos bom? No que tive sucesso, no que fracassei?
O campo em que tive menos sucesso, devo confessar, foi o do amor. Por alguma razão misteriosa, não soube amar as mulheres como gostaria de ter amado. É como se eu tivesse ficado tempo demais na superfície — nem sempre, de todo modo. É um de meus maiores pesares.

Quando eu era muito jovem, tinha a cabeça cheia de ideias imbecis sobre o assunto. Para mim, amor era coisa que o homem impunha à mulher, pois ela era por essência recalci­trante. O único modo de agir era subjugá-la. Uma história de amor era em primeiro lugar uma história de conquista, depois uma história de ocupação. Pura relação de força, na qual o homem tinha interesse em se manter na posição dominante. Nem pensar em "deixar-se levar", mesmo depois de ela se ren­der. Como a dominação era ilegítima, ele devia "vigiar" cons­tantemente sua conquista, devia mantê-la sob sua influência, se quisesse evitar que ela se rebelasse. Impossível imaginar uma ralação harmoniosa, uma relação baseada na troca ou numa igualdade qualquer dos parceiros.

Ainda me pergunto de onde me vinham aquelas ideias idiotas que deterioraram minhas histórias de amor até por vol­ta dos meus 30 anos. Com aquela concepção imperialista na cabeça, eu me esforçava por me comportar como potência ocupante. Minha busca amorosa se resumia à procura de um território para conquistar. Resultado: eu amava, às vezes lou­camente, mas não era amado. Ou melhor, mesmo quando era amado — isso às vezes acontecia —, eu não me autorizava a me sentir amado. Porque nesse caso precisaria depor as armas e concordar em deixar de ser o mandachuva.

As histórias que vivi naquela época de grande imbecili­dade me deixaram um tremendo gosto de frustração.
Por exemplo, eu tinha a íntima convicção de que as mulheres são feitas de tal modo que não se interessam absolutamente pelo amor físico. Mas não havia só o sexo. Achava que elas na rea­lidade não se interessam por nada. Que só medianamente sentem gosto por sair para passear, assistir a um filme ou jan­tar num restaurante simpático. Quanto a mim, ao contrário, era capaz de sentir verdadeiro prazer em sair para namorar, jantar fora...

Está claro que alguma mulher podia ficar felicíssima em compartilhar essas coisas comigo e até ter muita vontade de fazer amor. Mas eu mantinha o rumo imperialista inflexivel­mente. Nem pensar em me deixar comover, muito menos influenciar.

Que tristeza ter perdido unto tempo e tantas oportuni­dades de felicidade! Vinte anos depois, ainda resta alguma coi­sa: minha mulher muitas vezes se queixa de que eu não sei me deixar amar... Felizmente, acabei me desvencilhando daquelas ideias grotescas. Por volta dos 30 anos, dei um salto quântico que me projetou a anos-luz, num universo encantado em que as mulheres são dotadas de inteligência e conseguem compar­tilhar comigo uma infinidade de interesses comuns. Parei de medir a mulher amada com o padrão de um modelo ideal pelo qual ela só podia sair perdendo. Entendi que o melhor, em amor e em tudo, é inimigo do bom, e que a procura da perfei­ção é danosa.

Finalmente fui capaz de viver verdadeiras histórias de amor com mulheres que eram iguais a mim, humana e intelec­tualmente. Consegui abandonar o frustrante papel de "tutor". Aprendi que há muito mais prazer em dar e receber do que em dominar ou impor-se pela sedução. Em suma, eu me tornei bastante aceitável em amor. Se bem que ainda me resta a im­pressão de às vezes estar perdido num território desconhecido cujos pontos de referência não conheço bem e cujos sinais nem sempre sei decifrar direito.

A descoberta metafísica do que pode ser uma relação amorosa mais autêntica trouxe-me uma recompensa inespera­da: por incrível que pareça, o espírito de igualdade no casal estendeu-se à minha relação com os meus pacientes. Comecei a ter com eles não digo uma relação de amor, mas em todo caso uma ligação afetiva e baseada no respeito. Que descoberta extraordinária para o médico jovem e arrogante que eu era! Já não precisava me obrigar a uma atitude de controle ou domi­nação. A relação podia ocorrer em mão dupla, e eu podia me enriquecer com toda a humanidade de meus pacientes...

Essa transmutação ocorreu paralelamente às tremendas provações pelas quais passei quando o tumor foi diagnostica­do. Descobrir-me frágil, mortal, sofrendo e apavorado foi algo que me abriu os olhos para o infinito tesouro da vida e do amor. Todas as minhas prioridades foram subvertidas, até a tonalidade emocional da minha existência. O fato é que me senti muito mais feliz depois do que antes, o que, de qualquer modo, é inesperado.

Senti também uma espécie de nascimento espiritual. Eu, que era o cientista típico, racionalista e ateu, Piquei de algum modo "em estado de graça". A provação me aproximara de Deus e tinha se tornado tão crucial para mim, que, quando eu fazia os exercícios de meditação, me surpreendia tentando fa­lar com Deus, comunicar-me com ele. Pedia-lhe que me man­tivesse naquele estado extraordinário de felicidade e abertura. Agradecia pela graça que a doença me trouxera. E prometia que utilizaria aquela luz para ajudar os outros na medida de meus meios.

Vivi aquela vida que se tornara incandescente e depois, inexplicavelmente, a perdi. Mais tarde, alguns místicos com quem discuti o assunto disseram que esse é um fenômeno bem comum: encontrar "a graça" e perdê-la. Alguns dedicam o res­to da vida tentando reencontrá-la...

Sou feliz por ter conhecido essa maravilha, mesmo que por pouco tempo. Quando penso no modo como minha vida foi transfigurada por ela, desejo que todos possam um dia co­nhecer essa experiência -— de preferência sem operar o cére­bro. No fundo, é o objetivo da psicoterapia, e é isso o que ela realiza quando "funciona". As pessoas que foram ajudadas por métodos eficazes como o EMDR (terapia baseada nos movi­mentos dos olhos), nas TCC (terapias cognitivo-comporta- mentais) ou na meditação, vivenciam algo da ordem de uma manifestação repentina, de um renascimento.

Estou convenci­do também de que esse objetivo pode ser igualmente atingido quando se adota um modo de vida respeitoso da ecologia glo­bal (a da natureza e a das relações humanas), modo de vida que chamo de "anticâncer". Expressei esse desejo no fim de meu livro: se evitarmos tudo o que estraga a vida e, ao contrá­rio, favorecermos tudo o que a alimenta, poderemos desenvol­ver os maravilhosos recursos ocultos no fundo de nós.

Tere­mos um olhar novo para o que nos cerca: a natureza, nossos filhos, nosso trabalho. Descobriremos nossa capacidade de dar com generosidade e de receber com gratidão. Tudo isso, que é fundamental, não está reservado só para as pessoas afetadas pelo câncer ou por outras doenças graves.

Monday, January 14, 2013

Filme – A indomável sonhadora

Indomavel Sonhadora - Poster
A Indomável Sonhadora (péssimo título em português – o original “Feras do sul selvagem” é perfeito) retrata aquele tipo de gente que vive em condições quase miseráveis,  e  que,  geralmente nos filmes de terror,  aparece no meio do nada para, com suas falas e modos sinistros, darem alguma informação ao povo educado e gozador da cidade, geralmente quanto ao local que eles procuram  (e onde terão o que merecem)  – ou para vender-lhes gasolina que sai de bombas pré-históricas.

Um exemplo notório destes silvícolas atrasados ficou registrado no clássico “Amargo Pesadelo”, especialmente na cena onde um dos “da floresta”  toca banjo com o “homem da cidade”, antes de toda a tragédia começar (veja clipe no fim do post).

É claro que para nós civilizados  fica evidente que estes primitivos não gostam nem um pouco dos “de fora”, não aceitam aproximação nem (falsas) intimidades  e vivem num mundo com   regras e códigos próprios (alguns  avançando perigosamente no politicamente incorreto).

Tudo o que escapa ao seu universo ( muito daquilo que  vimos como conquistas da modernidade) é visto por eles com receio e/ou desconfiança.

Pois no “A  Indomavel..” , surpreendentemente, este povo da periferia da civilização é o protagonista.

A trama é vista  a partir do olhar da pequena Hushpuppy ( Quvenzhané Wallis- excelente), uma garota de  seis anos que  vive com o pai Wink (Dwight Henry - ótimo), e demais nativos locais  em “Bathtub” , uma comunidade em uma ilha da Baia de Lousiana separada do mundo por uma barragem (esta situação reforça  a idéia de um local isolado e meio perdido)

Ali,  onde  parece ser o local do fiofó do Atlas Mundial,  o cotidiano de Hushpuppy  é rico em experiências.

Sua casa (se é que se pode chamar assim tal ambiente), fica no meio do mato. É suja, úmida, bagunçada, remendada  e aberta ao tráfego de todos os animais domésticos ou semi-domésticos (galinhas, porcos, gato, cachorro, insetos, etc).
 
Quando a garota não está na escola,  perambula pelo mato, mantendo um contato bem orgânico e sensorial com a fauna, flora e  elementos  ( -  água, fogo, terra e ar são tratados com forte simbologia durante todo o longa –).

Wink  vive em outro barraco próximo a ela, mas some eventualmente durante alguns dias e deixa a menina se virando sozinha.

Num de seus retornos, a garota percebe as vestes estranhas do pai (um avental de hospital e uma pulseira laranja de paciente), não entende o que é  e o questiona,  só para receber xingamento e agressão de volta.

A mãe não vive ali (ela pode estar morta, ou não), porém  a menina conversa com ela através da imaginação.
Hushpuppy e garotas preparam-se para a "Viagem em busca da mãe"

O pai,  dentro do seu jeito enviesado – e já sabendo estar doente- , se esforça  para ensinar à filha formas de sobrevivência,  como conseguir comida, como usar a força, etc, tudo para torná-la independente.
 
E para isto usa  artifícios duros,  inclusive chamando a garota de “cara”.

Numa cena a menina, ao invés de utilizar uma faca, é ensinada pelo pai a “animalizar” a abertura e ingestão de um caranguejo  diretamente com as mãos, o que ela faz e é então aplaudida.

Na escola, a professora Bathsheba (Gina Montana)  inflama a imaginação da gurizada com histórias sobre selvagens animais pré-históricos chamados Aurochs,  que seriam libertados do gelo quando as calotas polares do Polo-Sul se derretessem, momento no qual a terra seria inundada.

Assim, dentro da proibição de não temer nada da vida e sim estimulada a ser durona, a garota direciona todos seus medos (perda do pai, ausência da mãe, forças da natureza, etc) para os ameaçadores Aurochs.

Quando Bathtube é inundada após uma tempestade (na verdade seria o efeito Katrina) todo o frágil equilíbrio local é destroçado, o que expõe os habitantes a duras realidades.

A natureza de amiga passa a ser uma ameaça ( a inundação do local pelo mar mata a flora e a fauna). Desolados, eles então resolvem explodir a represa. O que executam,  fazendo a agua baixar aos níveis anteriores, porém só para revelar mais destruição e morte.

Por outro lado, para a menina o fato de as águas terem subido é sinal evidente do derretimento das calotas polares e a conseqüente liberação dos Aurochs.

Isto faz com que ela comece  a ter visões dos monstros avançando, supostamente para pegá-la.

Em seguida, através da força das autoridades, ela e todos demais  são recolhidos e levados a um abrigo / hospital

Hushpuppy enfrenta os Aurochs
Lá são “agredidos”  com os bárbaros costumes da civilização que incluem comer em pratos, limpar-se, pentear o cabelo, usar roupas limpas e receber tratamento  médico

Eles então, horrorizados,  se unem para fugir de tal inferno.

No retorno a Bathtube, Hushpuppy , juntamente com outras meninas, embarcam numa “Viagem em busca da mãe”.

Para isto atiram-se desprotegidas às águas e são resgatadas por um barqueiro sem rosto (não é bem assim, na verdade não aparece o rosto dele numa interessante cena  de diálogo),   que as leva a uma espécie de cabaré onde as garotas encontrarão, terão carinho e dançarão com suas (supostas) mães.

Toda esta sequência pode ser entendida como um sonho (ou delírio) de Hushpuppy, pois é absolutamente surreal;   sensação que se estende à volta das garotas ao lar quando então são  atacadas pelos Aurochs.

As outras meninas fogem, mas Hushpuppy fica e enfrenta  os monstros, numa demonstração clara de enfrentamento e superação dos seus medos.

Já nesta condição ela vivencia o que seria seu maior temor e termina o filme com a postura  e o olhar de alguém profundamente transformado e amadurecido.

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Dirigido por Benh Zeitlin, o longa não é de fácil digestão.

Seja pelo tema árduo, pelo forte simbolismo, pelas “cenas cruas”, pelo ritmo lento ou  pela quase “falta de emoção”,  o paladar geral pode não agradar  muitos.

No “A indomável”  é difícil criar empatia por personagens tão embrutecidos e feios,  e o filme não faz muitas concessões neste sentido, o que passa a ser  um mérito.

Então, para “apreciar” (se é que isto seja possível) a obra, é necessário que o espectador se esforce para despir-se de uma série de conceitos e assim se introduzir (ou pelo menos tentar se )  na realidade dos personagens.

Isto provoca repulsa e estranhamento em vários momentos e atração e carinho em outros.

Não digo que “A Indomável..”  seja “bom” ou “ruim” (fica a cargo de cada um), mas definitivamente é uma experiência instigante

Fica na categoria do “vale a pena”,  mas “se prepare”.

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Notas :

1 ) A seleção de elenco pedia garotas entre seis e nove anos de idade para o papel de Hushpuppy. , Quvenzhané Wallis, então com cinco anos,  impressionou os cineastas durante a audição, com sua incrível capacidade de leitura,  seu grito extremo e sua habilidade em arrotar sob comando,  ambos utilizados em cenas do filme

2 )  Dwight Henry (Wink)  não procurava trabalho como ator, conforme explicou para o San Diego Reader:
  • “Antes de eu ser escalado para o papel, eu tinha uma padaria chamada “Henry's Bakery and Deli” bem em frente da agência de elenco onde o Court 13 tinha seu estúdio.  Eles costumava aparecer para fazer seu lanche ou tomar seu café nas manhãs.  Depois de alguns meses acabamos desenvolvendo uma espécie de relacionamento. Eles acabavam deixado flyers na padaria com seus números de telefones ofertando a possibilidade das pessoas aparecerem em seus filmes. “
Durante uma longa hora ele fez seu teste e foi escolhiro.  Entretanto, na época, Henry estava no meio de uma mudança para um prédio maior nas vizinhanças de Nova Orleans, e os cineastas tiveram dificuldade em encontrá-lo. Ele explicou que não poderia abandonar seus negócios, mas eles estava determinados a tê-lo no papel de  Wink.
Gente Diferente - Poster
Henry então concluiu :
  • “ Eu enfrentei o Katrina com a água pelo pescoço, e, portanto, tinha um  entendimento de alma sobre o que o filme tratava.  Eu trouxe ao papel uma paixão que outro ator, que nunca viu uma tempestade de verdade, nem uma enchente ou perdeu tudo,  não poderia ter. Eu tinha dois anos quando o Furacão Betsy invadiu Nova Orleans, e meus pais me colocaram no sótão de casa. Um “forasteiro” não traria paixão igual ao papel, como eu trouxe”.
3 )  Este filme me lembrou em vários momentos o infelizmente esquecido “Gente Diferente” (com as fantásticas Jill Clayburgh e Barbara Hershey) que traz para a cena a mesma categoria de excluídos do “A indomável..”

Só que no filme do Andrey Konchalovskiy temos uma relação explícita entre a família do pântano e a família da cidade, que ocasiona  profundas mudanças de entendimentos e comportamentos de vida em alguns personagens.

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Trailer do "Indomável sonhadora"



Famosa cena do duelo de banjos em "Amargo Pesadelo"




Saturday, January 12, 2013

Filme - Copacabana Palace

Copacabana Palace - Poster

 “Copacabana Palace”, uma produção Franco/Italiana/Brasileira, de 1962, dirigida por Stefano Vanzina, que  já teria  caído da vala do esquecimento cinematográfico não fosse pela magnífica trilha sonora de bossa nova (o estilo estava no  auge), a esplêndida fotografia  colorida e o enredo “original” que retrata o Brasil de um modo, digamos, bizarro-antropológico.

No longa,  nosso país  é vendido como um lugar ingênuo, alegre, tropical, sensual e macumbeiro.

Um lugar primitivo para o qual as pessoas viajam para cair na farra,  curtir e gozar, dentro da idéia de que , como bem disse do teólogo e historiador holandês Caspar Barlaeus : "ultra aequinotialem non
peccavi" (não existe pecado abaixo do Equador).  Ou seja,  aqui debaixo o que rola é  só devassidão e hedonismo.


Neste sentido  Copacabana Palace acompanha - no estilo do enredo onde várias narrativas  ocorrem  em paralelo -   as peripécias de vários estrangeiros que querem se dar bem em pleno carnaval carioca, tendo como pano de fundo a hospedagem de todos no célebre hotel da Avenida Atlântica.

O filme é primor de ruindade,para dizer o mínimo. Roteiro ridículo, interpretações tacanhas, falta de timing / ritmo,  e humor inexistente são oferecidos a cada  minuto.  

Trilha Sonora - Copacana Palace
O que acaba salvando “Copabana..”  da ruína completa são as passagens musicais, a bela fotografia e as situações bizarras (algumas tentando fazer humor e outras não)  que aparecem aqui e ali.

Com o elenco mainstream composto quase que exclusivamente por estrangeiros, temos a oportunidade de ver nesta “comédia” atores nacionais ainda  jovens  (Tonia Carrero e Paulo Gracindo.), em papéis menores e irrelevantes (exceto pela personagem da Doris Monteiro que ganha um certo
destaque).

Também constam na nominata do elenco os nomes do John Herbert e do CylFarney, mas não consegui identificá-los em cena.

Fica o desafio para quem tiver saco para tanto.

As três histórias apresentadas são :

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HISTÓRIA 1 : LADRÕES INTERNACIONAIS  PLANEJAM SURRUPIAR  CONTEÚDOS DOS COFRES DO HOTEL COPACABANA PALACE.

Teodoro van Der Werf  (Francis de Wolf). é um milionário quebrado que planeja, juntamente com seu parceiro Raymond Broussarc (Raymond Bussières), roubar as jóias guardadas nos cofres do Copacabana Palace.

Para isto, após aterrisarem por aqui,  eles buscam numa favela,  a ajuda do Ugo (Walter Chiari), um ex companheiro de falcatruas que eles haviam abandonado no RJ em uma situação difícil, há um
ano. 

Neste meio tempo longe dos salafrários,  Ugo  casou-se com a brasileira Maria  (Doris Monteiro, belíssima e boa atriz), arranjou  um emprego de garçom numa espelunca e, se achando esperto,  agora tentava fazer seu papagaio repetir o slogan “Casa da Banha sempre melhor”,   para ganhar o prêmio de 500 mil cruzeiros oferecido por um programa de rádio (comandado pelo Paulo Gracindo) 

Ressabiado com os “amigos”, Ugo. recusa a “trabalho”. Porém os falcatruas  dão um jeito de convencer a bela  Maria. de que têm uma proposta de um bom negócio para o seu marido, e assim, através dela, pressioná-lo a participar do “empreendimento”.

Mas o mais absurdo de tudo é que a Maria (confirmando o exótico do local) decide que quem deve dar a palavra final sobre o assunto é o Pai de Santo  da  MACUMBA.

Sim, e  além de explicar didaticamente aos estrangeiros o que seria a tal macumba, a bela nativa arrasta todos para um terreiro para verem de perto como funciona  a magia tropical brasileira.

A cena é “algo”, com direito a dança, fumacê, incorporação, mensagem e tudo o mais.

Fico só pensando o que aqueles que assistiram a este filme na época pensaram sobre os ritos brasileiro. Que tipo de religião os tupiniquins primitivos praticam - , só faltou o vudu e sacrifício humano -.

Algumas cenas abaixo :

CENA : MARIA EXPLICA O QUE É A MACUMBA

Ugo  explica a sua esposa  Maria os motivos para não aceitar a “proposta” dos amigos. Ela então propõe deixar a decisão para o Pai de Santo da Macumba.


CENA : RITUAL DA MACUMBA

Todos estão no terreiro. O povo canta, dança, fuma e incorpora (tem uma criatura que parece uma boa duma trava). De repente Oxossi “baixa” no Ugo e manda sua mensagem.


CENA : PROGRAMA DE RADIO COM PAULO GRACINDO
Paulo aparece como o locutor que anima o concurso do papagaio que deve enunciar  o slogan.




CENA : TONIA CARRERO COMO MILIONARIA

Os escroques já estão no Copacabana Palace e Tonia aparece para buscar um isqueiro cravejado de diamantes.  O que eles querem e passar a mão no conteúdo do cofre que ela alugou no hotel. Só que tudo dá errado e eles acabam no zero e saindo do Brasil como clandestinos num navio.




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HISTORIA 2)

AEROMOÇA GOSTOSA E EM CHAMAS QUER DAR PRO TOM JOBIM.

Silvia Koscina faz a sensual aeromoça Ines. que  vem ao Brasil atrás do músico Tom Jobim, um passageiro brasileiro que ela havia auxiliado numa emergência de saúde num vôo em Portugal.  

A  devassa chega aqui com mais duas colegas - Laura Brown & Gloria Paul,  - (os penteados / perucas de todas elas – mesmo na praia- são um arraso) , e, bem Messalina, faz toda uma linha “eu já dei pra ele”, deixando as amigas com inveja e com água na boca.

Depois tudo se revela um engodo, pois a linda não tinha dado pro mestre e nem sabia que ele era casado, e, pior ainda : fiel !

E mesmo os demais amigos do Tom (os inacreditáveis atores João Gilberto e Luiz Bonfá ) que na cabeça desmiolada e dura de laquê da Ines  seriam os parceiros ideais  para as outras duas ,
também são casados e indisponíveis (fala sério).

O que acontece é que as bonitas acabam se envolvendo é com as famílias dos guapos, com direito a participarem da intimidade do saudável lar tupiniquim

Numa cena bem doméstica  vemos os  devotos esposos, com suas pudicas esposas e proles, mais as aeromoças,  amontoados defronte a uma televisão assistindo o populacho brincar o carnaval, demonstrando que tudo acabou “em família”.

Depois, para não ficarem no seco absoluto, recebem um convite do Jorginho Guinle para brincarem num baile chique. E no final as boas voltam  para a Itália, chateadas e meio frustradas por não terem realizado completamente seu desejo de pecar.

Algumas cenas abaixo

CENA : CONVITE AO TOM

A gostosa Ines da Silva liga para o Tom dizendo que chegou ao Brasil e marca um encontro com ele, além de arrumar outros machos locais (Luiz Bonfa e  Joâo Gilberto) para as amigas sedentas. 

Notem os  penteados de beira de piscina. No final Ines diz “vamos nos arrumar !”-  e olha que elas receberam um convite para irem para a praia ! O que será que ta faltando na produção das lindas ?



CENA :  AS BOAS ESTRANGEIRAS E OS GARANHÕES BRASILEIROS NA BEIRA DA PRAIA

Música : Canção do Mar (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo)

Cantam : Luiz Bonfa, João Gilberto e Antonio Carlos Jobim

As bonitas ainda não sabem que os gajos são casados (e bizarramente fiéis),  e se deleitam no prazer do momento idílico sob o sol com olhares  sonhadores. Mas elas não perdem por esperar.



CENA : TOM REVELA SER CASADO E INES CAI NUMA ARMADILHA DOMÉSTICA

O interessante aqui é ver Tom interpretando. Muito legal.


CENA : AEROMOÇAS ESTRANGEIRAS E FAMÍLIAS BRASILEIRAS ASSISTEM O CARNAVAL PELA TELEVISÃO.

O curioso é que a esposa do Tom (Anita)  diz que no Rio o carnaval é bonito apenas pela televisão  

Mas uma das aeromoças (Lucia) contrapõe afirmando que nos bailes fechados todos se divertem.

Questão : de onde elas tiraram estas afirmações ?

De qualquer forma é interessante acompanhar o tipo de folia – e o entusiasmo - da baixa e da  alta sociedade morena.


CENA : INES E AMIGAS RECEBEM UM CONVITE PARA UM BAILE PROMOVIDO POR JORGINHO GUINLE

Ines recebe convite – com direito a escolha de fantasia - para um baile promovido por “Jorginho”(que só pode ser o Guinle). Na sequencia uma das aeromoças informa que o tal  Jorginho é filho de um
dos homens mais ricos do Brasil.

Jorginho foi um dos grandes promotores do carnaval brasileiro. Se hoje as celebridades vêm para cá para curtir a festa, deve-se muito ao que ele fez desde a década de 50, quando começou  a trazer gente famosa para conhecer e curtir nossa Folia de Momo,  e assim divulgá-la lá fora.



CENA : “BAILE” DE  CARNAVAL  DA CLASSE CHIQUE:

Música : Só Danço Samba (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)

Canta : João Gilberto e Os Cariocas
A música é ótima, mas nada a ver com a proposta do clima de uma festa de carnaval. Uma das aeromoças “dança” a “bossa-nova-carnaval” no estilo twist.


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HISTORIA 3 )

PRINCÍPE GAY QUER DAR FLAGRANTE DE ADULTÉRIO NA ESPOSA INDÓCIL.

Aqui temos  a saga do príncipe Buby von Raunacher (Claude Rich), que depois revela-se gay e que persegue a  esposa Zina von Raunacher  (Mylène Demongeot ) ao redor do mundo a fim de flagrá-la em flagrante de adultério .

Para isto ele conta com a ajuda de Da Fonseca (Paolo Ferrari), seu advogado, que nutre uma tesão pela bela do patrão.

A pecadora viaja acompanhada do bonitão Nicky  Gutierrez (Ruggero Baldi)  que obviamente o princípe julga ser o amante da bonita.  Só que o guapo  não “faz” a bonita, o que a deixa em brasa o tempo inteiro (ele tem sempre uma desculpa para cair fora ou eles são interrompidos por algum evento).

Numa cena muito bizarra a gostosa está num barco onde a tripulação é composta exclusivamente por negrões deusos tupiniquins. Ao ver tanta gostosura em ébano por perto (e ainda por cima eles cantam !), a Zina  fica siderada, porém o Nicky  não faz nada para apagar seu fogo.

Neste meio tempo, o  príncipe Bubyacaba se envolvendo – de forma não explícita, é claro, pois estamos em 1962-  com um camareiro do Copacabana Palace(um nativo moreno que entra mudo e sai calado da película).

E este mesmo  trabalhador terceiro mundista  acaba se envolvendo também com o belo Nicky.

Sim, o suposto amante da deusa  também é gay (sabemos isto ao final do filme) e,  num momento de confissão, revela que estava perto da gostosa apenas pra ver se conseguia “se curar” do seu desvio.

A Deusa, arrasada e não comida, acaba se jogando  nos braços do Da Fonseca e assim consegue satisfazer seus instintos impuros.

As bibas (o príncipe e o amante) partem juntas do Brasil.

Algumas cenas abaixo -

CENA : GOSTOSA ROLA NA CAMA SOZINHA

A bela Zina  rola indócil, deusa e ansiosa na maciez dos lençóis, mas seu amante prefere nadar na piscina de que “estar” com ela.  Mal a linda sabe que ele é uma biba enrustida.


CENA : NEGÕES DEUSOS ENLOUQUECEM A LOIRA

Musica : Sambolero (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo) -

Canta : Luiz Bonfá

Esta cena é fantástica. A Deusa e seu “amante” estão num veleiro onde a tripulação é composta apenas por negões deuses que cantam uma espécie de canto da sereia tropical. A loura fica louca e chama o Nicky para“algo”.  Só que ele mais uma vez dá um jeito deescapar da devassa.


CENA  : PRINCIPE BIBA DÁ UMA GERAL NA ÁREA COM BINÓCULOS

A cena inicia com o  príncipe Buby vendo seu amante brasileiro ser beijado no rosto por uma colega de trabalho, que ele, indignado, chama de “Piranha”.  Mas o rapaz acaba lhe mandando um tchauzinho, o que o  acalma.

Depois ele volta o binóculo para a praia, algumas garotas lindas e faz cara de nojo.

Mas quando foca em alguns rapazes sarados puxando ferro e exibindo os músculos, fica encantado.

A sequência termina com o Raymond Bussières exibindo seu corpão sob o sol, o que deixa a biba passada de horror.


CENA  : FLAGRANTE DE ADULTÉRIO FRUSTRADO.

O príncipe, mais o advogado Da Fonseca, juntamente com a polícia, arrombam a suíte onde, supostamente, pegariam a Zina e o Nicky em pleno ato. Só que, para decepção de todos, o que encontram é o suposto amante bebendo champanhe com o camareiro (traduzido como “garçom”)  do hotel (o mesmo que tem  um rolo com Buby).  O príncipe obviamente logo saca qual é o lance que tá rolando. 

Da Fonseca então acessa o apartamento ao lado e desperta a  linda princesa do seu sono.  Ela fica assustada, mas ele se encarrega de esclarecer todo o bafão.

A polícia cai fora para tratar do roubo do cofre do hotel (link com o núcleo dos escroques) e deixa o povo na mão, sem resolver nada.

O príncipe então (completamente “louca”)  parte para cima do Nicky e  questiona seus atos (afinal, aparentemente até então,  ele estava de caso com sua esposa e agora descaradamente se revelava um igual).

Nicky  explica seus motivos, Zina escuta e fica bege, Da Fonseca aproveita o momento para agarrá-la e ela (provando ser uma mulher fácil) cede.
No final as bibas partem juntas do Brasil e, aparentemente, Zina fica com Da Fonseca.




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OUTRAS CENAS :
CRÉDITOS INICIAIS 

Música : Samba do Avião (Antonio Carlos Jobim)

Canta : Jula de Palma e os 4 x 4 de Nora Olandi


 FIM DE FESTA :

Musica  : Tristeza (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo)

Canta : Norma Bengell

Bela passagem que ilustra o amanhecer do dia seguinte a uma festa. Vemos o povo ainda brincando na beira do mar e outros voltando para casa.



PANORAMICA DA PRAIA DE COPACABANA

Aqui vemos o povo e  barco disputando espaço na areia, algo inimaginável hoje.



DESFILE DE ESCOLAS E BLOCOS NA RUA

Muito interessante ver como o povo brincava o carnaval na época.



FINAL          

Música : Samba do Avião (Antonio Carlos Jobim)

Ugo encontra os escroques Teodoro van Der Werf  e Raymond Broussarc  também como clandestinos no navio que o levaria para fora do Brasil. Assustado com tanto azar, prefere então atirar-se ao mar e voltar a nado para a Cidade Maravilhosa, do que ficar com os “amigos”.

Fim desta obra prima do absurdo.



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FOTOS  (RETIRADAS DO SITE DO TOM) :

Abaixo na foto, Antonio Carlos Jobim ao lado de Luiz Bonfá, de perfil, junto a atriz Sylvia Koscina entre os membros da equipe de filmagem de "Copacabana Palace". Abaixo, João Gilberto, ao violão, com o diretor Stefano Vanzina e as atrizes Laura Brown e Gloria Paul, respectivamente.





LuizBonfá, Laura Brown, Gloria Paul, João Gilberto, Antonio Carlos Jobim e Sylvia
Koscina, durante as filmagens de "Copacabana Palace".