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Monday, April 25, 2011

Livro : A Vida Imortal de Henrietta Lacks

Livro : A Vida Imortal de Henrietta Lacks

Acredito a família Lacks nunca imaginou que seu nome iria entrar para a história da humanidade da maneira ocorrida.

Henrietta Lacks, sem querer acabou sendo a doadora do primeiro conjunto de células que sobreviveu e se reproduziu (foram cultivadas) fora do organismo humano e que, deste modo, permitiu as mais diversas experiências e desenvolvimentos científicos (a cura da polimilite por Jonas Salk é um exemplo).

O livro “A Vida Imotal de Henrietta Lacks”, um grande projeto de mais de 15 anos da escritora Rebecca Skloot, conta não só a história (um tanto trágica) da família de Henrietta - seus filhos sofreram diversos traumas por conta dos desdobramentos do uso as células da mãe - como também relata os diversos avanços e discussões científicos e legais também originados desta experiência realizada no início da década de 50.

Um livro excelente perfeitamente acessível para os leigos em medicina e ciência de modo geral.

Conceito : Ótimo

Autor : Rebecca Skloot

Editora : Companhia das Letras

Tradutor : Ivo Korytowski

Link Wikipedia

Entrevista com Rebecca Skloot publicada no Jornal Zero Hora em 25/05/2011

No rastro da imortalidade

A jornalista Rebecca Skloot. Foto: Manda Townsend/Divulgação

Numa parede da minha casa, está pendurad

a a foto de uma mulher que nunca conheci, o canto direito rasgado e colado com fita adesiva. A mulher encara a câmera e sorri, mãos nos quadris, saia e blazer impecáveis passados a ferro, lábios pintados com batom vermelho-escuro. É o fim da década de 1940, e ela ainda não chegou aos trinta anos. Sua pele mar

rom-clara é macia, seus olhos ainda jovens e alegres, alheios ao tumor que cresce dentro dela — um tumor que deixará seus cinco filhos órfãos e mudará o futuro da medicina. Sob a foto, uma legenda revela seu nome: “Henrietta Lacks, Helen Lane, ou Helen Larson”.
Ninguém sabe quem tirou a foto, mas ela apareceu centenas de vezes em revistas e compêndios científicos, em blogs e paredes de laboratórios. Ela costuma ser identificada como Helen Lane, mas com frequência não pos

sui nenhum nome. É simplesmente chamada de HeLa, o codinome dado às primeiras células humanas imortais do mundo — suas células, retiradas do colo de seu útero meses antes de ela morrer.
Seu verdadeiro nome é Henrietta Lacks.


Passei anos contemplando essa foto, indagando que tipo de vida a retratada levava, o que teria acontecido com seus filhos e o que ela acharia de células do colo de seu útero vivendo para sempre — compradas, vendidas, embaladas e expedidas aos trilhões para laboratórios do mundo todo. Tentei imaginar como ela se sentiria se soubesse que suas células subiram nas primeiras missões espaciais, para os cientistas descobrirem o que aconteceria com células humanas em gravidade zero, ou que elas ajudaram em alguns dos avanços mais importantes da medicina: vacina contra pólio, quimioterapia, clonagem, mapeamento de genes, fertilização in vitro. Tenho certeza absoluta de que ela — como a maioria de nós — ficaria chocada se soubesse que há agora trilhões de células suas sendo reproduzidas em laboratórios, muito mais do que o número de células que um dia existiu em seu corpo.

Quando estava na escola, em uma aula de biologia, a hoje jornalista especializada em ciência Rebecca Skloot ouviu falar pela primeira vez das HeLa – uma linhagem de células que foram responsáveis por revolucionar a pesquisa da biomedicina. Cultivadas em um meio de cultura artificial, as HeLa tinha incrível capacidade de reprodução e sobrevivência desde que providas dos nutrientes necessários. Foi então que o professor de biologia que ministrava a aula apresentou um nome: Henrietta Lacks, uma jovem mulher negra de quem as primeiras células haviam sido retiradas em 1951, célulcas que continuavam se reproduzindo sem parar décadas depois. As HeLa haviam ajudado, basicamente, a entender como as células humanas reagiam em praticamente qualquer circunstância, porque podiam ser produzidas de modo barato, se reproduziam em velocidade assombrosa e resistiam ao envio pelo correio a laboratórios distantes. E essa verdadeira fábrica biológica havia nascido de um câncer cervical em uma mulher pobre nos Estados Unidos, uma mulher que morrera sem sequer saber que suas células haviam sido usadas para esse tipo de pesquisa.

A figura de Henrietta Lacks e suas células são os fios condutores para que Rebecca retrate, em A Vida Imortal de Henrietta Lacks (Companhia das Letras), uma ampla história da evolução não apenas das ciências biológicas como das próprias questões éticas que se apresentaram com o desenvolvimento promovidos pelas pesquisas com as células HeLa. Por telefone, entrevistamos Henrietta Lacks sobre seu livro, que aborda biologia, ética, questões raciais e sociais dos Estados Unidos desde os anos 1950. Como a entrevista precisou ser editada devido às limitações da página do jornal impresso, publicamos aqui no blog a conversa na íntegra:

Zero Hora — No início do livro, a senhora conta como tomou conhecimento da existência das células HeLa e de como boa parte das mais importantes pesquisas na biomedicina devia-se a essas células extraídas de uma mulher anônima. Esta história lhe impressionou pelo caráter humano ou por essa história desconhecida e suas implicações éticas?
Rebecca Skloot — Ambas as coisas. Eu sempre gostei de ciência quando eu era mais jovem. E quando eu tinha 16 anos, na escola, na mesma época em que ouvi falar das células HeLa pela primeira vez em uma aula de biologia, meu pai ficou muito doente, e se voluntariou para um estudo médico para tentar encontrar a cura para a doença, uma enfermidade misteriosa que não se sabia qual era. Eu cresci vendo meu pai ser usado em pesquisas, e pensando sobre a ética de pesquisas com pessoas. A pesquisa que foi feita com ele não era nada parecida com a que foi feita com a família de Henrietta, mas me deixou interessada no assunto. E também parte da minha família é judaica, e parentes meus foram vítimas do Holocausto e morreram em campos de extermínio. Desde bem cedo eu aprendi sobre as experiências que os nazistas realizaram com judeus e fiquei interessada na história das pesquisas. E ao mesmo tempo eu pensei que era importante contar a história daquela mulher, então foi uma combinação de ambas as coisas.

ZH — A senhora mencionou os campos nazistas. Uma das grandes discussões atuais no campo da ciência é sobre a validade de se utilizar determinados dados coletados pelos médicos de campos de concentração em suas experiências com prisioneiros judeus. A senhora vê algum paralelo entre essa questão e a levantada pela história de Henrietta, que gerou uma grande gama de pesquisas a partir de células retiradas sem autorização?
Rebecca — Acho que são coisas diferentes. Quando as células HeLa foram retiradas de Henrietta nos anos 1950, era uma prática comum retirar amostras de tecidos de pacientes sem consentimento. Não havia parâmetros éticos a serem quebrados quando as primeiras amostras foram coletadas. Mas quando os cientistas voltaram nos anos 1970 para examinar a família de Henrietta e fizeram pesquisas com eles sem consentimento para tentar entender o que tornava as células de Henrietta especiais, era uma época diferente, já havia leis exigindo a autorização. Depende de que época das pesquisas com células HeLa estamos falando. A família Lacks, os filhos de Henrietta, eles ouvem com frequência essa pergunta: “você acha que as pesquisas com as células HeLa deveriam ser interrompidas devido às questões éticas envolvidas na forma como foram obtidas”? E eles acham que não. Eles se sentem muito bem com relação às células, eles acham que a contribuição que elas deram para a humanidade foi muito importante. Mas ao mesmo tempo eles permanecem insatisfeitos com o modo como as coisas foram feitas. Só que ao contrário da discussão sobre se os dados das pesquisas nazistas em judeus devem ser usadas ou mesmo de outras pesquisas feitas nos próprios Estados Unidos, Henrietta não foi morta como resultado das experiências, nem seus parentes sofreram qualquer dano. Nesse sentido, é muito difícil comparar as duas situações.

ZH — No livro, a senhora narra não apenas a evolução das pesquisas HeLa ou a história de Henrietta. Também se transforma em personagem e conta a difícil aproximação até ganhar a confiança da família dela para poder contar a história. Foi essa a parte mais difícil da elaboração do livro?
Rebecca — Sim, essa foi definitivamente a parte mais difícil da pesquisa para o livro: obter a confiança da família. Eles já haviam confiado em outras pessoas antes, mas quando eu os procurei eles não tinham mais confiança em ninguém. Para eles, eu era apenas mais uma em uma longa lista de pessoas que os procuraram querendo alguma coisa deles. E no passado isso não funcionou muito bem. Então convencê-los e ganhar sua confiança ao ponto de eles se sentirem à vontade para falar comigo demorou anos. Foi a parte mais desafiadora do trabalho. A pesquisa para o livro levou muito tempo. Outro grande desafio foi compilar a história das pesquisas com as células HeLa, o que foi muito difícil. Há um número muito grande de pesquisas feitas com essas células, é um montante gigantesco de informações. Há bancos de dados onde são arquivados artigos científicos, e você pode fazer uma pesquisa por palavras-chave, como faria no Google, e se você for até um desses bancos de dados e pesquisar por “HeLa”, seria o mesmo que pesquisar “E” no Google ou alguma palavra muito comum. Há um aluvião de informações e é muito difícil distinguir o que no meio daquilo é importante mencionar, o que é interessante mas não necessariamente importante, então eu gastei um bom tempo fazendo isso.

ZH — A senhora também conta no livro que seu editor tentou convencê-la a reduzir ou mesmo eliminar a linha narrativa dos filhos de Henrietta. Qual foi o motivo?
Rebecca — Era outro editor naquela época. Outro dos motivos pelos quais o livro demorou tanto tempo para ser publicado foi que esse editor queria que eu eliminasse completamente a família de Henrietta da história e me focasse apenas nas células. E eu precisei brigar para tirar o livro da editora e levar a obra para outra casa publicadora, o que acabou acontecendo. Acho que é difícil até mesmo imaginar o porquê dessa solicitação, uma vez que as maiores respostas emocionais que os leitores têm oferecido estão ligadas àquelas pessoas, e não à história científica. É na verdade uma história sobre uma família, sobre o que acontece quando você perde uma mãe muito cedo, é uma história sobre seres humanos e os efeitos da ciência sobre eles. E é isso o que as pessoas gostam nessa história, e é o que ajuda as pessoas a entenderem por si mesmas a importância da ciência. Eu acho com muito veemência que todas as histórias científicas deveriam ser entremeadas com as histórias das pessoas envolvidas, mas há algumas pessoas na área de edição de assuntos científicos que acham que o lado humano das histórias não interessa, é apenas o pano de fundo. Mas o público em geral precisa de histórias como essas para entender a ciência.

ZH — Por meio da história de Henrietta a senhora fala da própria evolução não de pesquisas científicas mas dos parâmetros éticos da ciência, além de lançar um olhar sobre a sociedade americana dos anos 1950 e estender o olhar à geração dos filhos da doadora. É um projeto bastante amplo. Em algum momento durante a execução a senhora chegou a ficar apreensiva com a enormidade da tarefa?
Rebecca — É engraçado, porque esse livro demorou tanto tempo para ser escrito justamente por ser sobre sobre tantas coisas, pela complexidade da história que eu tentei colocar dentro dele. Há questões de medicina, questões raciais e sociais, é sobre tantas coisas diferentes. Enquanto eu escrevia o livro meus pais brincavam comigo perguntanso se eu não podia ter começado com um projeto menor para um primeiro livro. E eu tenho andado tão ocupada desde que o livro saiu nos Estados Unidos, em fevereiro de 2010, e eu tenho viajado, dado entrevistas e conferências, feito sessões de autógrafo, ido a eventos literários sem parar sobre esse livro por mais de um ano. A atividade tem sido tão constante que não tive tempo de parar e olhar para trás. O sentimento que consigo identificar é o alívio por haver acabado, eu tenho trabalho nesse livro desde os 19 anos (hoje ela tem 38), e agora estou contente por as pessoas o estarem lendo e falando sobre ele.

ZH — Sobre o modo que as pessoas têm falado sobre o livro, como foi a recepção na comunidade científica?
Rebecca — Tem sido muito positiva. Muitas pessoas do chamado grande público achavam que a recepção entre os cientistas não seria boa porque o livro conta algumas histórias com aspectos negativos resultantes da ciência, achavam que os cientistas se sentiriam expostos e que não gostariam que essas histórias fossem contadas. Mas a maioria dos cientistas tem se mostrado satisfeita de o livro ter contado essa história, de as pessoas estarem discutindo ética na ciência e pesquisas sobre células. Nos Estados Unidos e em outros países há um enorme abismo separando as minorias e os cientistas. Há medo das pesquisas, as pessoas não participam de pesquisas, então muitos cientistas estão satisfeitos de o livro estar circulando e dando a oportunidade a eles de falar sobre essa história, como uma forma de superar alguns dos erros cometidos no passado e reparar alguns dos danos provocados. E há milhões de cientistas que estão contentes com a publicação do livro porque há anos trabalhavam em pesquisas com as células HeLa e não sabiam de onde elas haviam vindo, os que sabiam achavam que eram de uma mulher chamada Helen Lane, que é um nome fictício. Uma das coisas que eu tentei com muito afinco foi deixar claro que havia um ser humano atrás daquelas amostras biológicas, mas que os cientistas envolvidos também eram seres humanos, eu tentei contar todos os lados da história para mostrar que os cientistas também estavam bem-intencionados, não eram cientistas malévolos tentando prejudicar aquela família. É uma história sobre a ciência se movendo mais rápido dos que códigos éticos ou as regulamentações governamentais.

Monday, September 27, 2010

It on It


Já tinha tentado assisitir a peça em São Paulo e não consegui. Agora no Porto Alegre em cena, finalmente !!

Quando me deparo com uma peça como It on It, só posso pensar : "só mesmo o teatro ...!".

Isto acontece quando a chamada magia do tablado irrompe nos sentidos, nas emoções. Sim, pois em nenhuma outro tipo de expressão é possível vivenciar a conjunto de sentimentos despertados por It on It. O jogo de cena apresentado na peça, como uma sinfonia dissonante, sinuosa, atordoa o espectador a cada minuto, com as várias mudanças de personagens e camadas de texto (uma peça que é uma montagem de uma peça, alem da vida particular dos protagonistas).

Os atores Fernando Eiras e Emílio de Mello (soberbos), iluminam um belo conjunto humano (homens, mulheres e crianças), cada qual expondo seus dramas, desejos, vontades, esperanças e desesperanças.

Há tambem muitas brincadeiras com o proprio exercicio teatral que acabam por fascinar os espectadores (os finais que não são finais, são ótimos) e o resultado é uma encenação exemplar em todos os sentidos.

Ah, uma coisa que vou agradecer o resto da minha vida a It on It é ter conhecido a Lesley Gore !..

Que cantora maravilhosa!. Gamei !

O desaparecimento de Alice Creed


Realmente poucos filmes ainda são capazes de surpreender.


"O desaparecimento de Alice Creed" é um destes casos únicos. Com uma produção mínima, hiper-enxuta, com apenas três atores em cena, com uma economia de recurso evidente, o filme fisga pelo que se pode ter de melhor, ou seja, sólidos roteiro, direção, atuação e montagem. Quando bem orquestrados, estes elementos definem a qualidade de um filme, e isto acontece em "O desaparecimento..".


A história é mínima : dois marginais sequestram garota milionaria a fim de pedir resgate. O cenario é apenas um apartamento (quarto, sala e banheiro) e as imagens iniciais que mostram os sofrimentos da garota no cativeiro, são chocantes, beirando ao explicito. É uma prova de fogo para o espectador continuar a assistir os suplícios da jovem e não querer desistir.


Mas o esforço vale a pena. Sem querer estragar o prazer de quem se aventurar e assistir este filme, posso dizer que nem o mais descabelado guru, agarrado com os mais poderosos oráculos, pode prever o que acontece na história.


Os atores dão um banho, especialmente a Gema Arterton (a garotinha do Principe da Persia, aqui num papel que é porrrada pura) e o insano Eddie Marsan.


O final é fantastico.

Vincere



Ida Dalser casou com o jovem político Mussolini com quem teve um filho chamado, como o pai, Benito. Porém Mussonili era casado com outra, e Ida, ao reivindicar seus direitos de esposa legítima (na cabeça dela), acabou por ser trancafiada num sanatório até sua morte, caminho que seu filho tambem percorreu.


“Vincere”, de Marco Bellochio, pretende contar, com forte tom de dramalhão operístico - a beira do artificial total - a tresloucada história desta mulher insana e apaixonada.

Bati cabeça para os atores. Vittoria Mezzogiorno, Filippo Timi estão fantásticos. Principalmente ele, que acaba fazendo dois papéis, o do próprio Mussolini e, depois, o de seu filho crescido. Tem uma cena absurdamente boa que é quando o filho é instigado pelos colegas a imitar o pai. Filippe simplesmente arrebenta na caracterização over do Mussolini.

O filme é bom, vale a pena, mas nada demais.

Friday, September 17, 2010

O livro dos Insultos - H. L. Mencken



Henry Louis Mencken, - ou H. L. Mencken (12 de setembro de 1880, Baltimore, Maryland – 29 de janeiro de 1956), foi uma das vozes mais poderosas no jornalismo americano. Sarcástico, debochado – e até mentiroso – atacava qualquer ordem, idéia, pensamento estabelecido dentro do que ele apontava como delícias da estupidez humana (principalmente politica e religião).


“O livro dos insultos”, traz uma seleção de textos, traduzida por Ruy Castro, que dão um magnífico panorama do que se passava na mente do ensandecido Mencken. Fiquei maravilhado com suas idéias transgressoras – que até hoje com certeza despertam a ira de muitos -, com seu tom sarcástico, debochado, totalmente iconoclasta. Tipo, “não tô nem aí para quem ficar doído”. Ele não poupa ninguem, não respeita qualquer instituição.


Com paixão e astucia, seu cavalo de batalha é o compromisso em atacar quaisquer dogmatismo, preconceitos, politicagem e fanatismos gerais. É uma metralhadora giratória atingindo tudo o que ele considera de podre, hipócrita, falso no universo humano.


Com refinamento de guilhotina, Mencken impulsiona o leitor para a verdade atrás do estabelecido; desmascara, desmistifica as certezas, o inquestionável. Sua voz arruína o status quo, desestabiliza, balança as crenças, o certo, o incontroverso.


Puxa o tapete de todos.

Realmente uma beleza !

Algumas de suas máximas :

· Mostre-me um puritano e eu lhe mostrarei um filho da puta.

· Nunca deixe que seus inferiores lhe façam um favor. Pode custar-lhe caro.

· Um homem educado é aquele que nunca bate numa mulher sem ter um motivo justo.

· Imoralidade é a moralidade daqueles que se divertem mais do que nós.

· As únicas pessoas realmente felizes são as mulheres casadas e os homens solteiros.

· Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive.

· Digam o que disserem sobre os Dez Mandamentos, devemos nos dar por felizes por eles não passarem de dez.

· O principal conhecimento que se adquire lendo livros é o de que poucos livros merecem ser lidos.

· Pelo menos numa coisa homens e mulheres concordam: nenhum deles confia em mulheres.

· De fato, é melhor dar do que receber. Por exemplo: presentes de casamento.

· A consciência é uma voz interior que nos adverte de que alguém pode estar olhando.

· Os solteiros sabem mais sobre as mulheres que os casados. Se não, também seriam casados.

· O adultério é a democracia aplicada ao amor.

· A fé pode ser definida como uma crença ilógica na ocorrência do improvável.

· Quanto mais envelheço, mais desconfio da velha máxima de que a idade traz a sabedoria.

· Pode ser um pecado pensar mal dos outros, mas raramente será um engano.

· O cristão vive jurando que nunca fará aquilo de novo. O homem civilizado apenas resolve que será mais cuidadoso da próxima vez.

· Nunca superestime a decência da espécie humana.

· Incrível como meu ódio pelos protestantes desaparece quase por completo quando sou apresentado a suas mulheres.

· É difícil acreditar que um homem esteja dizendo a verdade quando você sabe muito bem que mentiria se estivesse no lugar dele.

· A guerra contra os privilégios nunca terá fim. Sua próxima grande campanha será a guerra contra os privilégios especiais dos desprivilegiados.

· Padres e pastores são cambistas esperando por fregueses diante dos portões do Céu.


Monday, August 30, 2010

Confie em mim - Harlan Coben



Há algumas semanas vi o filme francês “Não conte a ninguém” (“Ne le Dis à Personne”), baseado no livro de um escritor que eu não conhecia, Harlan Coben.

É claro que já tinha lido alguma coisa sobre ele, tudo relacionado a super best-sellers, daquele tipo que vende milhões de copias a cada lançamento. Tudo bem, nada contra. Mas isto não é motivo para me motivar a conhecer um escritor. Por isto, até então, nada me chamava a atenção para o dito.

Para minha agradável surpresa, achei o filme ótimo. Com uma trama ótima, bem amarrada a história possui todos os melhores ingredientes para um thriller exemplar, inclusive com uma impactante revelação final que abrilhanta ainda mais o enredo. Mesmo não tendo lido o livro, e com o talento do roteirista que fez uma adaptação perfeita, para mim ficou evidente que o material original era muito bom. Então, de uma tacada só, comprei dois livros do Harlan, - “Confie em mim” e “Desaparecido para sempre”.

Com expectativa comecei a ler o “Confie em mim”, e não consegui largar. Como é o primeiro livro que li dele, não posso dizer se a qualidade deste equipara-se aos outros, mas se os demais apresentarem os mesmos elementos, tem muita coisa boa pela frente.

Naquele conhecida estrutura de histórias paralelas que acabam se encontrando, o livro consegue manter o leitor intrigado diante dos diversos acontecimentos aparentemente desassociados um do outro. Com uma mão firme, típica de quem domina todas as peças, todos os elementos e regras que fazem um bom suspense, Harlan conduz a trama com maestria até o final.

Muito bom mesmo.

Sunday, August 22, 2010

A invenção da Mentira e O Escritor Fantasma

DOIS FILMES DE FINAL DE SEMANA

A Invenção da Mentira



A Invenção da Mentira, do Rick Gervais, é uma comédia que se passa num mundo onde todos falam somente a verdade, onde não existe o conceito de mentira, de engano. Assim as pessoas “são francas e verdadeiras”, o que dá margem para que os mais estranhos, agressivos, preconceituosos e maldosos comentários sejam ditos de maneira natural na conversa cotidiana.

Gervais faz Mark Bellinson, um roteirista cinematográfico gordinho e “mané” que, depois de passar poucas e boas, acaba “descobrindo” a mentira e seus efeitos benéficos e, a partir daí, inicia uma trajetória de sucesso e riqueza.

Para não estragar a surpresa, digo que Mark acaba inventando a “maior mentira de todas”, algo que acaba mudando toda a cultura humana.

A cena da invenção da grande mentira é genial. Um soco na cara do espectador. Iconoclasta total.

Muito bom.

O Escritor Fantasma



Roman Polanski de volta a melhor forma, depois de umas bombas tipo "O nono portal" e "Lua de Fel".

Este filme me lembrou muito a estrutura narrativa de Chinatown, outro clássico do diretor. Como naquele, aqui o espectador é convidado a ficar lado a lado com o protagonista a medida em que este vai desvendando gradativamente a trama. Isto acaba criando uma cumplicidade e um comprometimento com o herói.

Ewan McGregor faz The Ghost, um ghostwriter, contratado por um ex primeiro ministro britânico (Pierce Brosnan numa atuação fantástica), para completar suas memórias, uma vez que o ghostwriter anterior morreu (acidente ou suicídio... ou outra coisa ?) , e o livro tem que continuar.

O filme é ótimo, com pelo menos duas cenas geniais : uma é o lance do GPS no carro e outra a imagem final.

Coisa de gênio.

A Origem - Inception



Um dos mais fortes parâmetros que me faz sentir estar diante de um filme único, especial, é quando minha mente se sobressalta, se surpreende. Quando ocorre o fascínio, a reviravolta nos neurônios. E isto não é fácil. Depois de anos “voracidade fílmica”, acho que conheço a maioria dos clichês, das formulas e modelos utilizados para “contar uma história”, mesmo que esta se vista de “cinema de autor”, “filme de arte” e outros “rótulos originais”. Nada contra, absolutamente.


Aliás acredito que seja isto mesmo que buscamos, dependendo do nosso interesse. E por aí vai : comedia, drama, terror, suspense, romance,arte, etc. Cada um com seus desenhos, suas regras e caminhos.


A ficção é um dos gêneros mais ricos, mais abertos para se criar realidades (no presente, passado ou futuro), onde os autores estabelecem leis, culturas, ações, tecnologias, etc., que permitem os personagem vivenciar situações irreais, dentro da nossa percepção imediata de verdade. Isto cria um leque muito grande de possibilidades, que acaba abarcando desde obras legitimamente boas, até lixos totais.


Diante disto, Origem, do Christopher Nolan, é uma ficção absolutamente surpreendente em todos os melhores aspectos que fazem a diferença. Numa sexta-feira, depois de uma semana estafante no trabalho, depois de uma noite mal dormida, depois da ginástica, depois de tomar analgésicos para tratar dores de inflamação no joelho, depois de comer lanche do Macdonalds, entrei na sala escura mais dormindo do que acordado. Inclusive escolhi uma sessão dublada para não ter que me esforçar muito, já que nem força para ler as legendas eu tinha.


Eis que a sessão começa e nada de especial é mostrado. Era óbvio que a cena inicial era um sonho, e também era óbvio que as pessoas acordaram de um sonho dentro de outro sonho. Ah que surpresa !!.. O sono começou a bater. O filme continua e a trama logo muda de foco. Êpa ! ... De extrator de idéias e segredos do subconsciente, a linha agora é entrar no subconsciente de alguem para plantar uma idéia de modo que a pessoa assuma que tal idéia é legitimamente sua. Que interessante. E num estilo Tropa de Elite os invasores de mente começam sua jornada cabeça adentro da vítima.


O que se vê daí pra diante é absolutamente fantástico, uma experiência única com sonhos se desdobrando em sonhos e os guerreiros avançando sob os auspícios de Morfeus, Hipnos e outros deuses oníricos.


Fiquei chapado. Minha cabeça girava, eu me via sorrindo para a tela igual a um bocó estúpido completamente maravilhado. Dentro da lógica ilógica dos sonhos tudo se encaixava e desencaixava. Dentro de uma linha coerente, reta as coisas mudavam, transmutavam-se, perdiam e ganhavam sentido.


Com a ação ocorrendo em vários planos oníricos, os ritmos diferenciados em realidades distintas afastavam-se e unificavam-se dentro de uma incoerência verdadeira, e tudo o que se via mantinha sentido no abstrato nas nuvens de tempestade do inconsciente.


Por fim a lógica explode e nossos instintos e emoções mais primitivas tomam a frente da nossa percepção diante do que se está vivenciando, e temos que puxar lembranças e experiências dos nossos próprios sonhos para acompanhar a jornada dos personagens.


O final é magnífico, perturbador.


Sai do cinema embasbacado.


Link para comentario do Pablo Villaça (Cinema em Cena)


Thursday, August 19, 2010

Clube das Gordas



Clube das Gordas (Fat Girls), escrito, dirigido e protagonizado (êta ego-trip) por Ash Christian, é uma produção independente de baixíssimo orçamento (chega a dar dó de tão pobrinha), que mostra as desventuras de uma jovem bibinha com a família, escola, namorados e outros dramas da vida real.

Pretendendo realizar uma comédia “alternativa com toques de humanidade’, o autor vai enumerando os clichês : a bibinha gorda que quer ser estrela da Broadway, a melhor amiga também gorda que é filha de um casal lésbico, a mãe evangélica que faz “hamburgers sagrados”, o pai bagaço que morre nos braços de uma anã dominatrix, o garoto bonito que é alvo das paixões do protagonista, o professor que dubla divas em boates gays, o hispânico adotado por família afro-americana totalmente sem preconceito, e por aí afora.

O problema do filme é querer juntar muito tempero na sopa, sendo que o resultado parece mais um ralo caldo morno Knorr. Tudo é desconexo. A história abre muita frentes, sendo que nenhuma delas vai pra frente (sic). Parece que o Ash estava preocupado demais em dizer “olha como eu posso ser genial e original”, e se esqueceu de amarrar bem um roteiro. Claro que as coisas não precisam ser totalmente finalizadas, mas porque então lançar várias possibilidades de tramas e depois deixá-las cair no vazio ?

Na verdade a mensagem que o roteirista quer passar é “Todo mundo tem uma garota gorda dentro de si”. Isto significa que aquela sensação que temos de não nos encaixar em alguma coisa, a sensação de “ser diferente”, de se ver desassociado, meio fora da casa ., é representada pela gordinha interior.

A idéia é simpática, mas o filme é ruim.