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Wednesday, September 17, 2014

Teatro - Vingança - Musical inspirado pela obra de Lupicínio Rodrigues

 
 Texto de Niara Palma


Como é participar de um momento mágico? Como é se sentir transportado para outro lugar, inesperado, inusitado, surpreendente e ao mesmo tempo extremamente familiar? Como se tudo que tu esperasses acontecesse, mas de uma maneira insólita, emocionante, inacreditável?
Hoje participei de um momento mágico, sublime, emocionante.

Conheço e amo o legado de Lupicínio Rodrigues desde criança, graças à minha mãe, Isis Palma, fã ardorosa do drama, da poesia, da força das palavras de Lupicínio. Mesmo quando criança, sem passar pelos dissabores do amor, sentia fascínio pelas palavras fortes, carregadas de emoção.

Com a maturidade, o que eu intuía, passou a fazer sentido, a tocar fundo na alma, a traduzir sentimentos que não somos capazes de confessar em voz alta. Mas Lupicínio canta tudo isso, falava de vingança, a dor de ver um amor nos braços de um outro qualquer, admitia que, por um simples prazer, fui fazer meu amor infeliz, dizia que nunca, nem que o mundo caia sobre mim, nem se deus mandar, nem mesmo assim, as pazes contigo eu farei, e tantas outras frases que demonstram amor, ódio, rancor, sentimentos proibidos na sociedade politicamente correta e baseada na auto-ajuda por uma vida plena e feliz como a sociedade de hoje exige.

Mas mesmo assim Lupi, íntimo para nós gaúchos, persiste. Por quê? Talvez a resposta não demonstre um lado muito bom da minha personalidade, mas, tendo Lupicínio na alma desde sempre, já pensei várias vezes, não só em casos de amor, muitos outros:  “eu gostei tanto, tanto quando me contaram, que tive mesmo é que fazer esforço pra ninguém notar...”

Com toda essa expectativa, assisti ao espetáculo musical “Vingança” de Anna Toledo, Dirigido por André Dias no Theatro São Pedro lotado, no dia de aniversário  de nascimento de 100 anos de Lupicínio Rodrigues em Porto Alegre.

Dia mais especial, impossível....

Confesso que já fui emocionada, mas nunca, nem que o mundo caia sobre mim, poderia dizer que estava preparada para o que estava por vir. De forma alguma!


Texto de Iuri Palma 

Isto é o que eu chamo de "espetáculo", onde todos os recursos, tudo o que se vê em cena cumpre perfeitamente seu papel. 

A peça é praticamente irretocável. Os atores, músicos, iluminação, cenografia, tudo conspira para a magia cênica.  

Mas, sem dúvida alguma, o que paira, o que se impõe, o que domina é a obra do Lupi. 

Confesso que fiquei meio abobado ontem no São Pedro. 

Saber que era o dia do centenário do nascimento do gênio e estar assistindo a um musical inspirado nas suas canções foi realmente "perturbador".

Para mim, isto define um artista. Alguém que com sua simplicidade certeira baseada nas paixões humanas,  constrói algo que chamamos de "clássico", algo universal e eterno. 

E este "clássico" permanece e fecunda em novas obras, atravessando gerações. 

"Vingança" é um exemplo disto.

É impossível não se emocionar com o desfile precioso de canções inseridas brilhantemente nos momentos exatos da peça. 

Então dá-lhe "Vingança", "Volta", "Esses Moços", "Maria Rosa", "Nunca", "Ela disse-me assim", " Felicidade", "  Foi Assim" e tantas outras. 

Pelo amor de Deus ! Fala sério ! Não é de cair de quatro salivando e embasbacado?

Magnífico.


Ficha técnica :

Musical de Anna Toledo
Direção Musical Guilherme Terra
Direção Geral André Dias
Com Amanda Acosta, Andrea Marquee, Anna Toledo, Jonathas Joba, Leandro Luna e Sérgio Rufino
Músicos Guilherme Terra (Piano), Jeferson de Lima (Violão) e Ricardo Berti (Percussão)

Monday, July 07, 2014

Musical–Crazy For You

crazy for youUma noite nada propícia para sair de casa. Porto Alegre, 03 de Julho 2014. Quinta feira. Inverno, chuva torrencial, frio do cão. Teatro longe pra caralho (SESI). Trânsito uó. Correria total.

Qual o evento ? “Crazy for You”. Musical de 1992, baseado em Girl Crazy (musical de 1930), com musicas de Ira e George Gershwin. No elenco a diva Claudia Raia e o fantástico Jarbas Homem de Mello, a mesma dupla que arrasou no Cabaret.

E lá fomos nós.

Adaptada por Miguel Falabella e dirigida por José Possi Neto, a trama conta a história do playboy e dançarino frustrado Bobby Child (Mello). Ele sonha com os Índicepalcos, mas acaba sendo enviado, por sua mãe dominadora, para uma cidade dos cafundós dos EUA com a missão de cobrar uma dívida referente ao teatro local. Lá, ele se envolve com a comunidade dos matutos e apaixona-se pela esquisitona Polly (Claudia). Seduzido, ele tem a ideia de criar um espetáculo para salvar o lugar da falência. A partir daí um divertido jogo de erros se estabelece, tudo sublinhado por canções ótimas e coreografia nada menos que fantástica, com muito sapateado e acrobacias.

Alguns momentos são especiais, principalmente com a Polly cantando “Someone to watch over me” (me levou às lágrimas) e a sequencia de dança do final do primeiro ato, “I got Rhythm “. Fascinante.

A produção é impecável, o elenco excelente e a música soberba. O que se pode pedir mais?

No fim das contas, mesmo debaixo de mau tempo na ida e na volta do teatro, a peça valeu cada segundo.

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Video com um trecho da peça (I Got Rhythm)

Vídeo – “I Got Rhythm”, com Gene Kelly (Filme : Um Americano em Paris)

Claudia Raia arrasando em “Alguem que olhe por mim” (Someone to watch over me)

“Someone to watch over me” com Amy Winehouse

“Someone to watch over me” com Lea Salonga

Thursday, June 28, 2012

TEATRO - A PRIMEIRA VISTA & CABARET

TEATRO - A PRIMEIRA VISTA

Drica Moraes & Mariana Lima
Segunda peça que vejo do canadense Daniel MacIvor. 

A primeira foi “It on It” e me impressionou muito. Portanto foi com boas expectativas que fomos ao Sáo Pedro domingo passado para conhecer “A primeira vista” com as ótimas Mariana Lima e Drica Moraes. 

Mas que surpresa : ao invés de um texto “denso”, “dramático” como “It on It”, “A primeira vista” (a primeira vista) é super leve, light, tranquila, sem nenhum arroubo emocional, sem grandes dramas. 




A história é de uma simplicidade só : duas garotas se conhecem numa loja de material para acampamento e acabam desenvolvendo uma relação que se estende pelo resto de suas vidas. 

Durante a peça somos levados a acompanhar diversos encontros delas (alguns fortuitos, outros não), onde os diálogos nunca se aprofundam de forma incisiva. Isto é até de certa forma explicado com uma frase recorrente durante a peça : “Nada é suficiente”. O sentido ambíguo, a leitura desta frase define – numa visão bem poética – que o “nada se basta”. Não é necessário acrescentar, adicionar, acumular. O pouco, o simples, o “nada”, basta para preencher muitas necessidades – inclusive as emocionais ( e as da peça também).

Então o que se ve no palco é uma fila de cenas “bonitinhas” mas sem grande expressão (quase nada é apresentado). Os diálogos são truncados, cortados – com algumas passagens bem viajantes -, isto sem falar do humor um tanto “fora da casa” ,que pra mim não funcionou diversas vezes. Esta situação foi me exasperando e fui criando um distanciamento cada vez maior até me desligar da cena.

 No final não achei grande coisa e fui saindo um tanto decepcionado ao passo que meu companheiro estava em prantos. Curioso, indaguei-o para que tudo aquilo , e ele, aos poucos foi me abrindo os olhos para uma série de fatos e situções que me tinham passado despercebido, os quais, sem dúvida alguma, dão outra dimensão, revelam outros segredos e engrandecem a montagem. Atrás da sutileza, o invisível, o não dito sustenta uma riqueza humana que fala aos corações com uma sensibilidade ímpar.

Falar das atrizes chega até a ser ridículo. Não dá pra destacar nenhuma. Nada menos que perfeitas as duas.

TEATRO - CABARET 

Bem, o que falar sobre Cabaret ? Na verdade utilizar qualquer superlativo é redundante, desnecessário.


Estar diante de um clássico, soberbamente executado, é uma experiencia única que invade nosso espírito, nos transporta, nos fascina. A magia do teatro explode, se impõe diante de nós, que acabamos subjugados pelos demónios da cena. O palco é o altar onde o feitiço acontece, o espaço onde nossa mente é tragada para um mundo de ilusão / verdade que faz a delícia dos sentidos.

Cabaret é um dos maiores musicais de todos os tempos. Contando a história da ascenção do nazismo na Alemanha dos anos 30, sob o olhar de pessoas comuns, a peça equilibra de forma perfeita, riso, emoção e reflexão. E a montagem brasileira é perfeita.

Claudia Raia é uma diva e mata a pau integralmente – uma atriz completa. Sua Sally Bowles surge numa personalidade mais forte, diferente da garota ingênua e frágil que a Liza imortalizou no filme homonimo. São dela os dois melhores numeros musicais (na minha opinião) : “Maybe this time” - que fecha o primeiro ato (com eu aos prantos), e “Cabaret” - que fecha a peça (com eu aos prantos novamente) . Nossa diva não deixa nada a desejar. Perfeita.

Jarbas Homem de Mello, como o MC – Mestre de Cerimônias – é simplesmente perfeito, também numa caracterização bem diferente do excelente Joel Grey. Jarbas faz um MC viril, raivoso, cínico, debochado e, sem dúvida alguma, corajoso. Super ator.

O resto do elenco mantem o nível da apresentação lá em cima. Isto sem falar da parte tecnica (luz, musica, som, cenografia, etc), tudo executado de forma primorosa.

Fantástico.

Monday, March 26, 2012

Teatro - Emilinha e Marlene


Uma viagem no tempo, uma fonte de encantos, uma celebração da musica Brasileira.

Com três horas de duração ( o que a princípio me assombrava pois estava vindo podre de cansado do show da Maria Rita em homenagem à Elis no Anfiteatro Por do Sol), “Emilinha e Marlene” não deixa dúvidas de que a palavra “espetáculo” é a que melhor define o que se vê em cena.

A partir de uma espécia de acerto de contas entre duas irmãs - cada uma fã de uma das cantoras - a peça celebra a trajetória artística daquelas que protagonizaram a maís famosa “rivalidade” na história da MPB.

É uma aula de história da música brasileira. 

Começa em 1949 quando, por “circunstâncias polêmicas”, Marlene desbanca Emilinha do título de “Rainha do Rádio” e a “inimizade” entre elas - devidamente fomentada pela mídia - cai nas graças do povo.

A partir daí, em ordem cronológica, a peça avança mostrando em paralelo carreira e a vida das divas e também vários momentos em que elas se encontraram.

Solange Badim e Vanessa Gerbelli estão perfeitas como Marlene e Emilinha, respectivamente.

Me caiu os butiá ao ver a “incorporação” de Solange como Marlene. Quem teve a oportunidade de ver alguma apresentação da cantora fica chocado / assustado com a perfeição da composição corporal da atriz. Isto é claro sem falar do canto e da interpretação. Impressionante.

Ja a Vanessa Gerbelli faz – com uma riqueza de alma abençoada - uma Emilinha doce, apaixonada, cativante. Gente, esta atriz canta pra caralho, e confesso que a meus olhos ficaram molhados em algumas canções, principalmente “10 anos”.

Definitivamente não dá pra dizer qual das duas é “a melhor”. As duas matam a pau em tudo. A cada entrada, a cada linha, a cada canção de cada uma delas, a platéia fica fascinada, arrebatada, maravilhada.

Alias, a platéia é algo digno de nota. A imensa maioria dos presentes – pelo menos na apresentação que vimos no São Pedro – era de, digamos, uma faixa etária mais “avançada” que estava ali para recordar e se divertir. Que fantástico. 

O pessoal tava muito assanhado e não conseguia se conter. Era evidente a felicidade de muitos vovôs e vovós ao reviverem aquelas canções que fizeram parte de suas vidas. 

Antes de incomodar, isto só complementava o clima de nostalgia e deleite que se estabeleceu na casa.

No final das contas, as tais três horas de duração passam a ser “três horas de prazer”. Tudo flui de forma perfeita, generosa,excitante. Os atores, a iluminação, os figurinos, os músicos, o som, tudo enfim em harmonia para uma montagem perfeita, irretocável.

Como se diz, “adoro musicais”, e é simplesmente fantástico ver uma montagem deste nível bebendo na saborosa história da MPB e saciando os espectadores com puros momentos de magia.

Clipes das Divas

Marlene - Lata Dágua - Cena do filme "Tudo Azul"




Emilinha - Tomara que chova - Cena do filme "Aviso aos Navegantes"