Hino do Blog - Clique para ouvir

Hino do Blog : " ...e todas as vozes da minha cabeça, agora ... juntas. Não pára não - até o chão - elas estão descontroladas..."
Clique para ouvir

Showing posts with label teatro. Show all posts
Showing posts with label teatro. Show all posts

Wednesday, September 17, 2014

Teatro - Vingança - Musical inspirado pela obra de Lupicínio Rodrigues

 
 Texto de Niara Palma


Como é participar de um momento mágico? Como é se sentir transportado para outro lugar, inesperado, inusitado, surpreendente e ao mesmo tempo extremamente familiar? Como se tudo que tu esperasses acontecesse, mas de uma maneira insólita, emocionante, inacreditável?
Hoje participei de um momento mágico, sublime, emocionante.

Conheço e amo o legado de Lupicínio Rodrigues desde criança, graças à minha mãe, Isis Palma, fã ardorosa do drama, da poesia, da força das palavras de Lupicínio. Mesmo quando criança, sem passar pelos dissabores do amor, sentia fascínio pelas palavras fortes, carregadas de emoção.

Com a maturidade, o que eu intuía, passou a fazer sentido, a tocar fundo na alma, a traduzir sentimentos que não somos capazes de confessar em voz alta. Mas Lupicínio canta tudo isso, falava de vingança, a dor de ver um amor nos braços de um outro qualquer, admitia que, por um simples prazer, fui fazer meu amor infeliz, dizia que nunca, nem que o mundo caia sobre mim, nem se deus mandar, nem mesmo assim, as pazes contigo eu farei, e tantas outras frases que demonstram amor, ódio, rancor, sentimentos proibidos na sociedade politicamente correta e baseada na auto-ajuda por uma vida plena e feliz como a sociedade de hoje exige.

Mas mesmo assim Lupi, íntimo para nós gaúchos, persiste. Por quê? Talvez a resposta não demonstre um lado muito bom da minha personalidade, mas, tendo Lupicínio na alma desde sempre, já pensei várias vezes, não só em casos de amor, muitos outros:  “eu gostei tanto, tanto quando me contaram, que tive mesmo é que fazer esforço pra ninguém notar...”

Com toda essa expectativa, assisti ao espetáculo musical “Vingança” de Anna Toledo, Dirigido por André Dias no Theatro São Pedro lotado, no dia de aniversário  de nascimento de 100 anos de Lupicínio Rodrigues em Porto Alegre.

Dia mais especial, impossível....

Confesso que já fui emocionada, mas nunca, nem que o mundo caia sobre mim, poderia dizer que estava preparada para o que estava por vir. De forma alguma!


Texto de Iuri Palma 

Isto é o que eu chamo de "espetáculo", onde todos os recursos, tudo o que se vê em cena cumpre perfeitamente seu papel. 

A peça é praticamente irretocável. Os atores, músicos, iluminação, cenografia, tudo conspira para a magia cênica.  

Mas, sem dúvida alguma, o que paira, o que se impõe, o que domina é a obra do Lupi. 

Confesso que fiquei meio abobado ontem no São Pedro. 

Saber que era o dia do centenário do nascimento do gênio e estar assistindo a um musical inspirado nas suas canções foi realmente "perturbador".

Para mim, isto define um artista. Alguém que com sua simplicidade certeira baseada nas paixões humanas,  constrói algo que chamamos de "clássico", algo universal e eterno. 

E este "clássico" permanece e fecunda em novas obras, atravessando gerações. 

"Vingança" é um exemplo disto.

É impossível não se emocionar com o desfile precioso de canções inseridas brilhantemente nos momentos exatos da peça. 

Então dá-lhe "Vingança", "Volta", "Esses Moços", "Maria Rosa", "Nunca", "Ela disse-me assim", " Felicidade", "  Foi Assim" e tantas outras. 

Pelo amor de Deus ! Fala sério ! Não é de cair de quatro salivando e embasbacado?

Magnífico.


Ficha técnica :

Musical de Anna Toledo
Direção Musical Guilherme Terra
Direção Geral André Dias
Com Amanda Acosta, Andrea Marquee, Anna Toledo, Jonathas Joba, Leandro Luna e Sérgio Rufino
Músicos Guilherme Terra (Piano), Jeferson de Lima (Violão) e Ricardo Berti (Percussão)

Tuesday, September 16, 2014

Teatro – A morte de Ivan Ilitch

O imortal e genial Nelson Rodrigues proferiu uma frase definitiva dirigida ao “criativo” povo do teatro : “Sejam burros”.

Toda a vez que ele via o que alguns diretores faziam com suas peças (com montagens cheias de “inovações”) ele se perguntava : por que não simplesmente contar uma história, sem grandes arroubos e invencionices ?

 Por que tanta “criatividade”? Como fica a boa e velha narrativa?

Este pensamento ficou o tempo todo na minha cachola ao ver a falcatrua cometida ontem na Alvaro Moreira  com a “morte” da “A morte de Ivan Ilitch” perpetrada pela atriz e diretora Cácia Goulart, num monólogo dramático (de 1h 40 minutos !! – haja paciência e sono ) adaptado da excepcional novela de Liev Tolstoi.

Que pé no saco.

Eu tenho uma relação muito pessoal com “A morte de Ivan Ilitch”. Para mim uma das obras humanas mais perfeitas realizadas. Li três vezes o livro e certamente lerei outras tantas. Pode-se dizer que é um dos livros fundamentais da minha vida. Então foi com a expectativa lá nas nuvens que adentrei o teatro.

Mas que rasteira.

Em termos visuais a iluminação é maravilhosa e o cenário é altamente plástico e eficiente.

Mas o texto ? MÉLDÉLS !! Tu te pergunta : será que a artista leu o livro? De onde ela conseguiu extrair tanta bobagem? O que tem a ver aquele Ivan mostrado no palco com o do livro? Por que tanto grito e angústia? Por que tanto contorcionismo? Cadê a história? Meu companheiro, que não leu o livro, ficou boiando em várias passagens (como a do “Caio”, por exemplo).

É claro que todo o assim chamado "artista" tem que “transgredir”, “inventar”, “instigar” (..meu saco de vômito, por favor..), para provar seu “talento”, e por isto acha-se no direito de “recriar” , “reinterpretar” qualquer clássico, e, consequentemente, cometer as maiores imbecilidades possíveis (que aliás o povo do teatro “adora”).

Esta montagem do “Ivan” é praticamente uma cartilha passo a passo de como cometer merda no palco.

O que foi engraçado foi ouvir o diálogo de duas velhinhas próximas. Uma tri indignada ficava cutucando a companheira : “Mas este não foi o livro que tu me emprestou!”. “A história não era assim”. “Não to entendendo”, e por aí vai. E a outra não sabia o que responder. Nem eu saberia.

Para mim a cena que resume o “espetáculo” é quando a atriz (muito “corajosa” e "desinibida") escarra num penico.

E ai eu pensei : finalmente ela tá mostrando sua “proposta”, escarrando em Tolstoi, em Ivan Ilitch e no público.

Realmente resume tudo.

Sunday, August 17, 2014

Teatro–Até o Fim

Ate o fim castanhaJoão Carlos Castanha (ou only Castanha) apresenta sua peça como “.. uma comédia sobre a morte “. E é exatamente isto o que se vê em “Até o fim” que está em temporada no Museu do Trabalho.

O palco mostra um ator moribundo em um quarto de hospital, saudoso e abandonado, tendo por única companheira uma enfermeira meio linha dura, que o cuida e com a qual estabelece uma relação “bafenta “ que acaba num processo de descoberta e transformação (no caso, para ela). Assim, o doente entre uma “najice” e outra, através de seus “ensinamentos” , principalmente envolvendo cinema e literatura, a medida em que se esvai, acaba “tocando” e despertando paixão e alegria de viver na seca e solitária mulher.

===================================

É óbvia a pegada autobiográfica da peça. E para quem viveu os tais “loucos anos 80” é uma viagem no tempo, inclusive com a lembrança de personagens porto alegrenses lendários da época, como a Claudiona e a Nega Lu.

Nesta linha de “recordar é viver”, em se tratando do Castanha, eu esperava coisas certas. Tipo David Bowie. Eu só pensava : quando a bicha vai falar do David? E não deu outra. O camaleão aparece na fala sobre o “The Hunger” (Fome de Viver), típico filme que , conforme a peça fala, assistíamos dezenas de vezes (será que alguém ainda faz isto ?).

E por falar em cinema, a peça é prodiga no assunto : James Dean,  Marilyn Monroe, Sunset Boulevard (Norma Desmod... adoro !! ), Morte em Veneza (belíssima imagem do Tadzio), Almodovar (La Lupe – Puro Teatro), Bonequinha de LuxoAlta Sociedade, etc. são citados. Isto sem falar do arrasador “O homem elefante” (Merrick is my name !) , cuja “cena da encenação “ (sic) de Romeu e Julieta é reproduzida na peça.

============================================

Castanha, macaco velho, deita e rola sobre seu próprio texto (irregular). Sua expressão física aguçada, impressiona na construção de um corpo enfraquecido e tomado pela doença.

Rose Canal não alcança a performance do protagonista. Com um personagem óbvio, cujo destino é óbvio desde o início, a atriz carece de naturalidade, o que compromete algumas cenas, principalmente a já citada reprodução de uma passagem de “O homem elefante” ( o que poderia ser “emocionante” revela-se ôco e um tanto vergonha alheia - no caso dela – ).

========================================

O texto (repetindo) é irregular, alternando passagens verdadeiramente hilárias com outras, como se diz, “líricas” ou “sentimentais” – algumas lindas e outras um tanto forçadas –, o que quebra o ritmo em vários momentos. Neste jogo, rolam diversos anti-climax, o que confunde os assistentes (a utilização da poderosa “Meio Termo” da Elis exemplifica bem isto)

A direção do Zé Adão é bacana, assim como a iluminação, cenografia e sonorização. Tudo sem grandes vôos ou invencionices.

No geral o saldo é bom, desde que se tenha em mente que o que é mostrado no palco é a celebração de um artista cuja persona “desenquadra-se”, “descontroi-se”, “desrecria-se” dos formatos óbvios para sempre estar  assombrando os incautos com seu grande talento, desde em inferninhos gays (e bota inferninho de quinta  nisto) até os palcos mais “dignos” de Porto Alegre.

Super Castanha.

==========================================

Alguns Vídeos :

Castanha fala sobre a peça

La Lupe – Teatro

Elis – Meio Termo

Wednesday, August 06, 2014

Teatro–A Coisa no Mar

Por Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Teatro realmente é tudo. Para mim é uma das manifestações artísticas mais empolgantes quando o resultado é o evidente triunfo do talento. Quando o que se vê em cena não é simplesmente um veículo capenga para celebrar a vaidade dos “envolvidos” (autor, atores, diretor e toda a cambada da arte).

Ai meu saco.

Já vi muita – mas muita mesmo – merda travestida de “espetáculo”. Desde jostas premiadas e celebradas pela críticas até coisas rasteiras de fundo de quintal supostamente “de conteúdo”.

Ai meu saco.

Então.

Na sexta passada uns amigos nos convidaram para assistir no Goethe aqui em Poa uma peça chamada “A coisa no mar”. O que ? Confesso que não sabia absolutamente nada a respeito. Mas, como não tínhamos nada para fazer e a tal peça era “de grátis”, lá fomos nós. E de qualquer forma, se fosse mais uma bomba oferecida “pelo povo da arte”, já tínhamos muita experiência no assunto. No mínimo seria mais um “espetáculo” para a lista de “Ai meu saco”

O que posso dizer ? Uma coisa só : “me caiu os butiá”. Fiquei pasmo com a qualidade do texto (de Rebekka Kricheldorf) e da montagem. Saí do teatro empolgado, eletrizado, totalmente abobado.

-------------------------------------------------------

A história é um non-sense só. Um grupo bem heterogêneo (uma escritora, uma médica, um editor, um menino meio nerd e uma “serviçal”) estão numa festa num barco, quando a âncora cede e eles são lançados sem rumo mar adentro. Passado o “susto” inicial, o povo, já um tanto “sem perspectivas” , gradativamente entra num processo de loucura e destruição mútua, temperado com muita crueldade, ironia e humor negro.

Perdidos, os personagens deixam cair suas máscaras e partem uns para cima dos outros numa carnificina exemplar (de chiques iniciais acabam totalmente “desmontados”). Isto sem falar que os dito cujos são assombrados por uma “criatura do mar” (um “monstro”) que ronda o barco, à procura (ou aguardando) do quê (ou o quê) mesmo ?

Nada se explica, nada é entregue de bandeja, nada “se esclarece”. Tudo é metafórico, simbólico, nublado. O tom é de apocalipse, catástrofe, derrota, fim.

Na linha do Teatro do Absurdo, “A coisa no mar” definitivamente não agrada a todos . Para pegar o “sentido do sem sentido” do texto é preciso que se entre no espírito da coisa, o que não impulsiona as mentes, digamos, “mais formatadas”. O que é uma pena, pois o absurdo , o inesperado, o “sem noção” – desde que dentro de um “sentido” - podem ser altamente instigantes e vibrantes, e esta montagem no Goethe traz uma pérola no gênero.

No mais, a direção de Jéssica Lusia é, como se diz, “segura”. Não deixa a peteca cair em nenhum momento e tudo funciona em detalhes. Palmas para ela.

Os atores estão excelentes, com destaque para Gabriela Poester. Gente, esta guria é uma atriz do caralho. Sua personificação da Berenice (a escritora maldita e sarcástica) é de um primor exemplar.

Só vendo para crer.

Os demais (Joana Kannenberg, Eduardo Cardoso, Natália Karam, Eduardo Schmidt), como já dito, seguram seus personagens “com culhão” – vibro quando os atores se desintegram “a olhos nus” - .

Show de bola.

Resumo da ópera : vou ver novamente esta semana.

 

Monday, July 07, 2014

Musical–Crazy For You

crazy for youUma noite nada propícia para sair de casa. Porto Alegre, 03 de Julho 2014. Quinta feira. Inverno, chuva torrencial, frio do cão. Teatro longe pra caralho (SESI). Trânsito uó. Correria total.

Qual o evento ? “Crazy for You”. Musical de 1992, baseado em Girl Crazy (musical de 1930), com musicas de Ira e George Gershwin. No elenco a diva Claudia Raia e o fantástico Jarbas Homem de Mello, a mesma dupla que arrasou no Cabaret.

E lá fomos nós.

Adaptada por Miguel Falabella e dirigida por José Possi Neto, a trama conta a história do playboy e dançarino frustrado Bobby Child (Mello). Ele sonha com os Índicepalcos, mas acaba sendo enviado, por sua mãe dominadora, para uma cidade dos cafundós dos EUA com a missão de cobrar uma dívida referente ao teatro local. Lá, ele se envolve com a comunidade dos matutos e apaixona-se pela esquisitona Polly (Claudia). Seduzido, ele tem a ideia de criar um espetáculo para salvar o lugar da falência. A partir daí um divertido jogo de erros se estabelece, tudo sublinhado por canções ótimas e coreografia nada menos que fantástica, com muito sapateado e acrobacias.

Alguns momentos são especiais, principalmente com a Polly cantando “Someone to watch over me” (me levou às lágrimas) e a sequencia de dança do final do primeiro ato, “I got Rhythm “. Fascinante.

A produção é impecável, o elenco excelente e a música soberba. O que se pode pedir mais?

No fim das contas, mesmo debaixo de mau tempo na ida e na volta do teatro, a peça valeu cada segundo.

=============================

Video com um trecho da peça (I Got Rhythm)

Vídeo – “I Got Rhythm”, com Gene Kelly (Filme : Um Americano em Paris)

Claudia Raia arrasando em “Alguem que olhe por mim” (Someone to watch over me)

“Someone to watch over me” com Amy Winehouse

“Someone to watch over me” com Lea Salonga

Sunday, November 24, 2013

(Autor : Iuri) Elis a Musical - Teatro Oi Casa Grande /RJ

É difícil descrever o que senti ao assistir “Elis a Musical”.

Por um lado testemunhei um conjunto de talentos excepcionais unidos para apresentar um dos melhores espetáculos que já vi. Por outro assisti a um filme da minha vida embalado pelas canções apresentadas.

Não teve como não me emocionar aos cântaros.

O resultado foi que saí do espetáculo zonzo, abobado, não conseguindo assimilar bem o que tinha acabado de vivenciar naquelas três horas  no Casa Grande.

Voltei ao hotel e demorei a pegar no sono.

O Musical :

A peça inicia por volta do final da década de 50 com Elis (Laila Garin) garota ainda em Porto Alegre.

Vemos sua “travada” em uma apresentação no programa “Clube do Guri”, mas, logo em seguida ela dá a volta por cima e manda ver, conquistando o sucesso na capital dos Pampas.

Eu, como “gaúcho natural”, estranhei o sotaque forçado dos atores (que acaba ficando hilário), porém o inaceitável foi o inaceitável (sic) “erro” de conjugar perfeitamente o verbo na segunda pessoa, tipo “Tu vaiS, guria”, quando todo mundo sabe que o gaúcho fala “Tu vaI, guria”. De qualquer modo o que achei legal foi ouvir falar do Bairro IAPI e, é claro, da minha querida Porto Alegre. Muito bom.

Mas, tudo bem. Felizmente o “gauchês” é logo abandonado assim que Elis é convidada por Carlos Imperial para ir ao RJ gravar  alguns discos no “estilo Cely Campelo” (a sensação musical dos jovens de então).

Neste formato pré-programado para o sucesso, a garota grava três discos (a peça fala só gravadora CBS, mas Elis grava seu primeiro LP, “Viva a Brotolândia” pela Continental), que resultam em nada.

Porém estes “fracassos” não intimidam a guria e, na data (talvez mentirosa) de 31 de Março de 1964 (data do golpe militar), Elis chega com o pai, Romeu ao Rj para assinar um contrato de gravação com a Philips.

Na cidade maravilhosa ela acaba conhecendo a noite do Beco das Garrafas, local em Copacabana com várias boates (algumas tipo inferninho de má reputação). Os espaços ali eram mínimos, mas rolava muita criatividade e bom gosto musical.

Ronaldo Bôscoli (Felipe Camargo) e Míéle (Caike Luna), famosos bambambâns na noite carioca produziam e dirigiam shows em algumas das casas noturnas do Beco. 

Ali eles montaram o primeiro show de sucesso de Elis, porém as coisas aconteceram debaixo de mau tempo devido à personalidade, digamos, “forte” da cantora (reclamação sobre a espera para ensaios, suas faltas às apresentações – por estar fazendo shows em outros locais, etc).

No Beco, Elis conhece Lennie Dale (Danilo Timm), um coreógrafo da Broadway que amava o Brasil e  que transforma sua expressão corporal.

Aqui acontece o primeiro grande número da noite com o Danilo dando um show com o clássico bossanovista “O pato”. O cara canta e dança pra caralho. O povo vem abaixo.

Boscoli não gostou das “mexidas” da cantora e foi reclamar com Miele. A resposta de Miele é célebre : “Deixa, Bôscoli, assim ela enterra a bossa nova de vez”

Atrás de caches mais polpudos Elis “caga” para o Beco e parte para Sampa. Bôscoli, puto, manda botar uma tarja preta sobre o nome da estrela nos cartazes da entrada da boate em Copa, numa declaração de guerra à desafeta.

Salta para a consagração nacional no “I Festival de Musica Popularda Excelsior” onde ela conquista o primeiro lugar defendendo, de forma inesquecível “Arrastão”.

Icaro Silva (Jair Rodrigues)  e Laila Garin (Elis)
Segue a proposta da montagem de um show com o compositor e violinista Baden Powel, o que não acontece. Então ocorre o encontro com JairRodrigues (Ícaro Silva) que resulta nos sucessos de “Dois na bossa”, “Fino da Bossa” (shows, disco, programa de tv).

O pout-pourri de samba apresentado por Laila e Ícaro é matador.

O clima esquenta (no bom sentido) com o Bôscoli e logo eles estão casados, num affair bem “entre tapas e beijos”.

Elis parte para Paris, onde se apresenta com Pierre Barouh (Samba Saravah) e no Olimpía.

Na volta para o Brasil descobre as puladas de cerca do marido galinha e, numa performance "tô lôca", agarra a coleção de long plays do Frank Sinatra do varão do lar, e promove uma festa tipo "disco voador".

Porém eles logo voltam aos beijinhos numa felícidade bélica.

No lado público, não fica de fora a “mancha política” na trajetória da diva, quando, em plena ditadura militar, foi obrigada a cantar na famigerada Olimpíadas do Exército.

Isto lhe causou um patrulhamento do combativo "O Pasquim". Henfil (Peter Boos), numa charge histórica,  a “enterrou” no cemitério dos Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô, lugar para onde ele mandava todos aqueles que, na sua opinião, colaboravam com a ditadura.

Inicio da Charge - Os quadrinhos avançam até Elis reencarnar como Chevalier num show para os nazistas em 45

Na tranquilidade do lar, discussão vai, discussão vem, e fica claro que o os anos felizes definitivamente vão por ralo abaixo, situação onde ocorre o momento mais “estranho” do espetáculo.

Senão vejamos :

Abandonada, Laila começa a cantar, de forma bem trágica, “Atrás da Porta”, que todo mundo sabe ser um hino à dor de corno. Porém, durante a música, ela vai se afastando fisicamente de Bôscoli e nas frases finais que repetem .”...eu ainda sou tua...”, ela já está meio de arreganho com o Cesar Camargo Mariano (Claudio Lins).

Achei ... “diferente”.

De qualquer forma o primeiro ato encerra-se de forma magistral com “Casa no campo

Intervalo.

O segundo começa grandioso com “Nada Será Como Antes”, “Canção da América”, “ Fé Cega, Faca Amolada” e “Maria Maria

O que vemos a seguir são principalmente as inquietudes artísticas de Elis através da sua busca de formas para trabalhar e reinventar sua arte.

Assim, logo estamos em Los Angeles onde aconteceu um dos encontros mais brilhantes da música universal e que resultou no clássico “Elis e Tom”.

A número com “Aguas de Março” é simplesmente assustador e quem está no teatro é transfigurado pela magia da cena.

Mas, como a coisa é pra acabar mesmo com todos os pagantes, ao apresentar o conceito e uma passagem do “Falso Brilhante”, o torpedo “Como nossos pais” não deixa pedra sobre pedra.


Já, para ilustrar o “Transversal do Tempo” - o espetáculo mais político da Elis, que expressava a idéia de “uma sinaleira que nunca abre”, montado corajosamente ainda durante a ditadura, - temos pela frente “Querelas do Brasil” e “Deus lhe pague”. Algo tipo “sem comentários”

Laila / Elis
Um momento íntimo com Mariano resulta numa das cenas mais lindas talvez já mostras no teatro nacional, com os bailarinos dançando com manequins ao som de “Dois pra lá dois prá cá”. Mágico e emocionante (novamente)

A reaproximação dela com Henfil, como não poderia deixar de ser, se dá através de “O bêbado e a equilibrista” - o Hino da Anistia - numa cena “para chorar”, o que inevitavelmente ocorre no palco e na platéia.

A poderosa “As aparências enganam” emendada com a bela letra de “ O trem azul” mostra o final do casamento com Mariano. E o Claudio Lins prova que não é apenas um corpinho bonito, soltando a voz e destruindo corações.

O final é catártico com uma colagem de falas da Elis apresentadas em forma de depoimento diretamente à platéia, que é seguida pela absurda “Aos nossos filhos”.

Sem mentira, o cara ao meu lado perdeu o controle de forma nada discreta e, sim, ... s-o-l-u-ç-a-v-a ... (que horror).

Eu, na minha fleuma britânica, deixei escorrer apenas uma lágrima elegante. Mentira, borrei o rímel todo ( e dei umas fungadas discretas, espero).

Redescobrir” encerra a noite num clima apoteótico,  e isto me lembrou que uma das acusações que o Saudades do Brasil” sofreu é de que era “muito Broadway” - sendo que o espetáculo encerrava exatamente com esta música.

Então vejam só que o críticado “final Broadway” do “Saudades” é retomado, bem Broadway mesmo, no final de “Elis a Musical”. Que ironia...

E o povo vai na onda e delira em ovação total

Fim.

-----------------------

... pausa...
-----------------------

De volta ao início

Voltando ao meu estado catatônico inicial, percebi que, num nivel pessoal, o que diferencia “Elis a Musical” de “Piaf” (por exemplo) é a contemporaneidade dos presentes no teatro em relação ao que está sendo apresentado no palco.

Posso ver uma peça sobre Piaf, Maria Callas, Billie Hollyday, etc, e  entender, digamos, os momentos históricos de cada história (sic), e assim fruir a noite.

Posso até ter algumas “músicas antigas” como referência da minha própria história; mas certamente não tenho a riqueza de referências de quem viveu (n)as épocas apresentadas

Já no caso de “Elis”, “Tim Maia” e outros, o que ocorre é uma relação da minha vida com as tais “músicas antigas”.  É impossível ouvir as canções e não viajar no tempo.

Isto faz muita diferença e é pavorosamente emocionante.

----------------------------

Elenco :

Seria maldade dizer que os melhores são fulano, sicrano e beltrano. Maldade e mentira, pois todos estão ótimos, mesmo em intervenções, digamos, minúsculas. Por exemplo, a garota que faz a Marilia Gabriela com apenas três frases faz o teatro explodir em gargalhadas, e o rapaz que faz o Paulo Francis tembém (infelizmente não sei o nome deles). Os papéis maiores estão em mãos de talentos irretocáveis, com destaque óbvio para Laila Garin.

Laila Garin :

Laila Garin
Bem, a pequena (em tamanho veja bem) tem uma presença “apenas magnética”.

Quando está em cena é impossível deixar de segui-la. Percebe-se que todo seu ferramental (corpo, voz, gestual) está concentrado para dar carne à personagem.

E a linda não se traveste de Elis, não a imita,  e sim recria-a, inventa-a e reinventa-a com coragem e humildade ímpares.

Nas primeiras canções fiquei com
mêdo tipo “.. será que ela alcança?”. E não é que a danada alcança mesmo?

Assim, mesmo sem estarmos ouvindo a voz original da imortal, chega a ser sinistro, pois logo estamos vendo Elis no palco.(..mêda total...).

Elis Vive :

Na década de 80, me lembro que Porto Alegre ficou pichada de “Elis Vive” durante algum tempo após sua morte. Aquilo de certa forma preenchia o vazio deixado em seus fâs. Depois as pichações pararam e muito foi esquecido.

Agora parece que estamos numa fase de “retomada” e mais coisas vêm por aí para saudar a memória de uma das melhores cantoras do mundo. “Elis, a Musical” certamente é parte deste momento e definitivamente merece todos os elogios que vêm recebendo.

Só espero que a turnê nacional, prometida para o segundo semestre de 2014, traga esta maravilha para Porto Alegre.

O bacana é que também está sendo prevista uma transmissão do musical via internet. Veja aqui.

Alguns Vídeos :







 

Sunday, November 17, 2013

(Autor : Iuri) Quem tem medo de Virginia Woolf ? - Teatro dos Quatro RJ

Zezé Polessa deu piti em cena. 

A certa altura da apresentação do clássico “Quem tem mêdo de Virginia Woolf?” ela parou o texto e disse “Assim não dá pra continuar”. 

O teatro silenciou geral. 

Ela então dirigiu-se a uma senhora na platéia : “Você está desde o inicio mexendo em papel de bala. O barulho me tira a concentração. Assim não dá. Ou você para de mexer ou se retira do teatro..... O que você vai fazer ? ... (tensão de espera).... A senhora responde : “Eu não tinha a intenção”. E a diva do palco responde : “Eu sei que não. A senhora pode colocar as balas na sua bolsa e deixá-las lá ou sair do teatro.... (pausa)..... Então, o que você vai fazer ?”. 
 
E o público bége também querendo saber como a “cena real” iria terminar 

Então a “abridora de balas”, pediu desculpas, e colocou todas suas delícias na bolsa. 

A diva agradeceu, respirou fundo, baixou a cabeça e voltou a incorporar Marta, um dos personagens imortais da história do teatro.

Sim, isto aconteceu na apresentação de “Quem tem medo...” que assisti no Teatro dos Quatro no RJ no dia 3 de Novembro. 

Foi constrangedor mas, ao mesmo tempo, coerente com muita coisa que tava rolando desde o incio da apresentação. Sim, as pessoas conversavam. Sim, celulares tocavam (e não pararam mesmo depois do “surto chique” da Zezé), Sim, as pessoas desembrulhavam guloseimas. E eu pensava  : “O que esta gente tá fazendo aqui?”.

Eu absolutamente não sou um espectador que diviniza o teatro, que acha que tudo que é mostrado em cena seja “arte”. Já vaiei, já xinguei, já debochei em cena aberta montagens canhestras, amadoras, ridículas.

Mas diante do texto primoroso do Edward Albee como as pessoas podem não se envolverem, não se entregarem? Será porque a peça é “longa” ? (mais de duas horas) . Será porque o texto é “difícil”, “pesado” e requer concentração e raciocínio da platéia? Será porque no embate travado no palco não se salva um personagem sequer? Todos são meio “feios, sujos e malvados”. Sabe-se lá.

O que eu sei é que “Quem tem medo..” é especialmente caro para mim por questões até familiares (os motivos obviamente não serão explicitados aqui). Só tinha visto o filme do Mike Nichols de 1966 (que é fantástico e traz interpretações matadoras de todo o elenco, com destaque óbvio para Elizabeth Taylor), e o meu sonho era ver uma montagem teatral do texto. Isto finalmente se concretizou naquela noite no RJ.

Então, mesmo incomodado com as “intervenções” da platéia, saí maravilhado com o que vi.

“Quem tem medo..”, mostra uma madrugada de bebedeiras e revelações envolvendo dois casais.

Um é George e Marta, ele professor de História, ela, filha do reitor da universidade em cujo campus moram.

Outro é Nick e Mel, casal recém-chegado ao local onde ele também vai trabalhar como professor.

Os veteranos George e Marta, chegando já meio calibrados de um jantar estilo oficial do campus, recebem em sua casa , a pedido do pai de Marta, o jovem casal para uma “pós-party” a fim de promoverem uma espécie de boas vindas.

Mas o que poderia ser uma “saideira light” se transforma num show de horrores com brigas, ataques, humilhações, revelações, traições, e “otras cositas más” que dilacera todos.

A “diversão” proporcionada pelos beligerantes George e Marta, com seus jogos e provocações mútuas, acaba arrastando o jovem e (nem tão) inocente casal para a mesma lama emocional na qual chafurdam.

No fim,como se diz, não sobra pedra sobre pedra. e a ruína humana é geral.

Zezé Polessa está impecável como a impiedosa, debochada e destemperada Marta,   brilhando numa interpretação sensual, carnal e intensa.

Ana Kutner (Mel) e Erom Cordeiro (Nick) dignificam a arte de atuar com desempenhos impecáveis..

Mas é Daniel Dantas quem, como se diz, “rouba o espetáculo. Seu George é nada mais nada menos que perfeito. Daniel consegue pintar / tocar de forma virtuosa todas as nuancias do professor naufragado numa armadilha de fracasso e frustração. Simplesmente impressionante.

Só espero que “Quem tem medo de Virginia Woolf?” saia em turnê pelo Brasil e pouse em Porto Alegre para eu ter novamente ter a oportunidade de me maravilhar com esta obra prima.

Saturday, November 16, 2013

(Autor : Iuri) Musical - O Rei Leão (Teatro Renault São Paulo)

Em meio aos borbotões de emoções que foi assistir O Rei Leão no Teatro Renault ,uma particularmente resumiu para mim tudo o que estava sendo entregue no palco. De repente pensei : “é triste que isto só pode ser visto por poucas pessoas”.

Realmente, o espetáculo é tão grandioso, tão impressionante - uma mistura singular e primorosa de técnica e talento - que deveria estar ao alcance de todos, mesmo os fora de Sampa.

A coisa é estonteante.

Logo de início, na clássica “Ciclo da Vida”, o povo é arrebatado, com todo o teatro sendo tomado pelos animais que vêm saudar o nascimento de Simba.

É uma gritaria só.
O Ciclo da Vida

Imediatamente os presentes são nivelados pela capacidade de sonhar, de se encantar e emocionar com a arte mais pura e simples; aquela que fala direto à (perdão pelo clichê óbvio) “criança interior”.

Não tem como não se render.

A história - que todo mundo sabe qual é  /  e que pode ser lida aqui -, é universal nos seus temas.

Poder, inveja, covardia, culpa, bravura e coragem surgem a todo momento.

O trajetória de Simba vai do horror ao triunfo e possui todos os elementos que definem um clássico. E o que se vê no palco é uma montagem perfeita que dá aos diálogos e canções uma sustentação primorosa.

Os atores são magníficos. Matheus Braga (Simba Criança), Tiago Barbosa (Simba Adulto),Osvaldo Mil (Scar), Phindile Mkhize (Rafiki ),Josi Lopes (Nala adulta) ,Ronaldo Reis (Timão), Marcelo Klabin (Pumba), César Mello (Mufasa) dão um show.

Pra mim os melhores foram Matheus Braga, Tiago Barbosa e Osvaldo Mil.

Mufasa em cena
Matheus é, como se diz, um “guri de talento”. Impressionante como seu pequeno corpo consegue transmitir força, energia e vibração. Sua voz é abençoada e ele detona em cena, indo do garoto inconsequente e auto-centrado ao trauma do parricídio.

Tiago Barbosa é um absurdo e domina o palco a cada entrada. Voz, corpo e emoção num conjugado de talentos raro. É um privilégio termos um ator do seu nível entre nós.

Osvaldo Mil, faz um Scar nada menos que perfeito. Invejoso, malvado, traiçoeiro e covarde, é a própria expressão do ambicioso que não mede os atos para atingir seus objetivos.

As musicas são lindas cumprindo seu papel de alegrar, encantar e emocionar (só acho que as letras poderiam ter sido preservadas iguais às do filme por uma questão de empatia imediata).

Os bonecos e adereços estão além do elogio. Só vendo para acreditar (e mesmo assim a coisa é “inacreditável”),

De resto, coreografias dinâmicas e um corpo de baile impressionante complementam a grandiosidade de montagem.
Mufasa e Scar

É claro, sabe-se (e tem muito ranzinza de plantão que usa isto como argumento para diminuir os grandes musicais da Broadway) que tudo é milimetricamente estruturado, nada pode sair do formato.

Praticamente não há espaço para “criar”. Tudo tem que seguir a cartilha internacional das montagens. Mas, pergunta-se, qual é o problema ? Afinal, a “fórmula” é elaborada pelos maiores talentos da área no mundo. Tudo é erguido de forma a oferecer um show de padrão (outro clichê) “internacional”.

Então, meu filho, o lance é , repetindo, “deixar aflorar a criança interior” e se deixar tomar pelo encanto do magnífico “O Rei Leão”, reservado apenas para quem ainda preserva o dom de sonhar.

-------------------------------

Paginas :

Pagina oficial da montagem brasileira : O Rei Leao o Musical

Boa reportagem sobre a montagem (em inglês) : Black Women From Brazil  

Veja São Paulo :  O Rei Leão Musical 

Wikipedia - O Rei Leão Musical

-----------------------------------

Vídeos :


Partes do Musical



Musica "Estão em ti"



Reportagem sobre a montagem



-----------------------------------

Fotos do Programa :








 
Mal posso esperar para ser Rei

Tuesday, October 29, 2013

Teatro - Azul Resplendor



Pedro, Eva e Dalton

Irregular.

Esta palavra define Azul Resplendor, peça do peruano Eduardo Adrianzén  assistida domingo passado no São Pedro.  

Dentro daquilo conhecido como tragicomédia, vai do mágico ao desnecessário – sem falar de um anti-climax meio fora da casa –,  numa montagem sem  unidade e ritmo.

O início promete, com a diva Eva Wilma acendendo um fósforo na escuridão do teatro e divagando  dentro da (óbvia) relação entre “chama” e “vida”.

Ela é Blanca, uma atriz  aposentada e viúva que vive enfurnada em casa após sua saída do mundo da ribalta.  Logo aparece Tito Tápia (o excelente PedroPaulo Rangel – que infelizmente não apresentou potência vocal na apresentação), um ator meio canastrão, fã apaixonado de Blanca, herdeiro de uma fortuna e autor de uma peça a qual ele quer patrocinar para o retorno da sua diva aos palcos (em grande estilo). 

Blanca hesita, mas logo é seduzida pela ideia do obstinado fã.

Com o bolso forrado de grana Tito parte para contratar o "melhor diretor disponível",  Antonio Balaguer (Dalton Vigh numa atuação simplesmente hilária, com um personagem claramente “inspirado” em Gerald Thomas). 

Antonio é um déspota vanguardeiro que faz tudo para “causar” com suas montagens “transgressoras” e vazias – algo do tipo que ele assume (secretamente é claro) que  nem ele entende,  mas que os “intelectuais adoram”.

Elenco
Completam o elenco Luciana Borghi, como a frustrada assistente de Balaguer (um papel ingrato e desnecessário, com alguns toques de humor constrangedores), e Lu Brites e Felipe Guerra (ambos bons) como o jovem casal de atores desmiolados que contracena com a diva na montagem de Balaguer.

Trama exposta, a  peça avança entre altos e baixos ( o melhor são as “confissões” debochadas e egocêntricas  sobre os bafos do mundo das coxias ). 

Mas a coisa começa a cair na cena em que Tito e Blanca conversam em um banco de praça. Ali acontece uma reviravolta e é introduzida uma "surpresa dramática" um tanto forçada a fim de encaminhar a peça para um final, digamos,  “emocionante”.  

Não gostei. 

O pior é que logo em seguida rola um momento que dá a impressão de que a “peça acabou” (ainda mais porque se estabelece  um link com o final de “Um bonde chamado desejo”) .   

O público embarca na idéia e fica meio sem saber o que está acontecendo.

Só que não (... ah, era apenas uma pegadinha .. que truque mais esperto ....).  

 Então o texto avança mais alguns minutos e, daí sim, fim do espetáculo.

Meia-boca total.

De qualquer forma é imperativo dizer que Eva Wilma é fenomenal. É assombroso vê-la em cena. Não há um centímetro do seu corpo que não esteja em função da construção do seu personagem. Seu gestual, sua voz, sua expressão, tudo absolutamente milimétrico e perfeito. Já tinha visto ela em “Querida Mamãe” (também com a ótima Eliane Giardini”) e foi fantástico comprovar a permanência da sua força. Fantástica.

Azul Resplendor vale a pena, mas nada demais.

Direção : Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas