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| Helena Terra |
Verdades. mentiras, reflexões e insanidades ditadas por forças ocultas Autores : Iuri Palma (iuri.palma@gmail.com)
Friday, September 19, 2014
Livro - “A condição indestrutível de ter sido”
Sunday, September 07, 2014
Livro–Indefensável
'Indefensável — O Goleiro Bruno e a História da Morte de Eliza Samudio' , de autoria dos repórteres policiaiss Leslie Leitão, Paula Sarapu e Paulo Carvalho (Record 2014), narra de forma brilhante todo o caso do assassinato de Eliza Samudio em 2010, orquestrado pelo ex goleiro Bruno (Flamengo) e seus comparsas (Bola, Macarrão e outros).
O texto é tão vibrante e cinematógráfico que o leitor praticamente se sente como uma testemunha ocular de toda a narrativa.
Nesta vibe super estimulante acompanhamos a trajetória de um atleta especial, desde sua infância sofrida, passando pela consagração nos campos até a condenação pela morte da ex-amante.
Bruno emerge das páginas como um cara tri esforçado e talentoso (além de carismático e líder) que deslumbrou-se com a grana e a fama (quem não ?) e, a partir daí, acreditou ser um personagem acima do bem e do mal que podia tudo (porém com um cérebro de ervilha); um semi deus intocável que não admitia ser alvo de qualquer tipo de crítica ou cobrança.
Neste quadro de soberba e egocentrismo (se achando horrores) o “rei” não admitiu ser alvo das acusações da periguete “maria chuteira” que foi para a imprensa expor sua situação de mulher grávida e ameaçada.
O poderoso, então, na sua “revolta”, perde completamente a noção e parte para ”eliminar o problema”, que envolveu ameaças, pressão para a realização de um aborto, agressões físicas, tortura e finalmente a morte do incômodo, que foi milimétricamente planejada pelo Macarrão com total aprovação e consciência do capitão rubro negro.
Depois do desaparecimento da garota, acompanhamos as investigações problemáticas, prisões e as sessões dos julgamentos dos criminosos.
Com a descrição dos julgamentos o livro cresce muito, revelando o quanto as sessões foram conturbadas, com várias idas e vindas de estratégias de defesa (algumas completamente esdrúxulas – tipo a hipótese de romance entre Bruno e Macarrão) , inúmeras manobras jurídicas para botar areia e atrasar ao máximo os processos, troca de advogados a toda hora, etc.
Isto sem falar na absurda tentativa de assassinato do promotor Henri Wagner que teve uma atuação exemplar - a transcrição dos seus discursos são espetaculares - e conseguiu enjaular toda a corja.
Livraço.
Friday, August 29, 2014
Livro–O Imperador de Todos os Males
Vá entender a criatura que compra um livro com subtítulo de “Uma biografia do Câncer”.
Primeiro, se falamos em “biografia” pensamos na trajetória de vida de uma criatura. Até aí, tudo bem. Mas uma história de vida de uma doença? Ainda mais do câncer, o maior tabu dentre todos os males?
Bem, talvez num momento de “desassociação” (sic) acabei comprando o “O Imperador de Todos os Males”, do Siddhartha Mukherjee (respeitado oncologista da Universidade de Columbia), que pretende traçar um painel da história do Câncer, desde seus primeiros registros históricos, passando pela evolução das formas de tratamento, pesquisas e descobertas , até as mais recentes formas de tratamento.
E não é que o livro é tri bom? Mesmo para um leigo?
De maneira tranquila e sólida, Mukherjee conduz o leitor através dos tempos e mais variados lugares ilustrando a “luta” do homem contra este inimigo sorrateiro e letal.
E aí se vê de tudo. Desde conclusões e tratamento altamente bizarros, passando pela arrogância de vários “iluminados” que definiam “verdades” absurdas a respeito da doença (o lance das cirurgias invasivas é simplesmente tenebroso), uma mastodôntica fogueira de vaidades (quando se vê que os cientistas – que deveriam trabalhar juntos pelo bem comum – queriam mais é “alcançar o estrelato” com razões bem pouco nobres), esforços e missões pessoais (pioneiros que estudaram e descobriram diversos fenômenos relacionados à doença e que foram rechaçados pela toda poderosa comunidade científica), descaso e disputa da indústria farmacêutica quanto à produção de drogas (sempre com olhos para o ganho / lucro, é claro), além de inúmeras histórias de vida (e morte) de pacientes.
Mas a coisa não fica “só nisto”. Cientista que é (e mirando a diversidade de publico – inclusive o “acadêmico” ), Mukherjee, a partir de certo momento, começa uma viagem fascinante (porém árdua para os leigos – como o meu caso) ao interior da célula, desenhando suas estruturas, fenômenos e funções, num traçado vital para entender a estrutura (da) , o comportamento (da) e o combate à doença (mesmo que várias questões ainda permaneçam obscuras).
E aí tu acaba - de forma aterradora - reconhecendo a “beleza” do câncer - se é que se pode dizer isto -, baseada exatamente no seu poder destrutivo, que na verdade pode ser visto através de outras interpretações e intenções, as quais não tem nada a ver com os interesses do “hospedeiro”.
Livraço.
Trecho do livro pode ser lido Aqui.
Entrevista com o autor pode ser lida Aqui.
Tuesday, August 26, 2014
Livro - Crônicas de um casamento duplamente gay
No final fica a dúvida : O que o Sérgio Viula quer com o “Crônicas de um casamento duplamente gay”?
Pra mim, de cara, ficou a impressão da bicha querer “contar dinheiro na frente de pobre”. Tipo, olhem como eu sou feliz com meu casamento super bem sucedido, suas invejosas.
Beijinho no ombro total.
Sim, pois a real love story de Sérgio com Emanuel é para despertar inveja até na Irmâ Dulce, tamanha é a propaganda do super cor de rosa enlace dos pombinhos.
Com seu casamento transgressor, os bonitos praticamente não têm nenhum problema de inserção social, profissional e familiar. São aceitos por todos indiscriminadamente, e apregoam aos quatro ventos sua “felicidade blindada”.
…. calma …..
Depois desta leitura inicial maldosa (e, repetindo, invejosa) , surge outra, nova, moderna, libertária, calcada no reconhecimento do desafio, da luta, da queda de barreiras que o livro traz.
Com sua história não isenta de adversidades, o casal mostra que é possível sim o povo lgbt alcançar – desde que comprometido com sua verdade - uma integridade emocional, social e civil e não se enxergar como párias, como condenados a viver à margem.
Neste sentido, então, “Crônicas..”, serve como um farol, uma luz, para todos (gays ou não) que amam e buscam realizar seus sonhos, mesmo expostos a riscos e obstáculos.
Muito bom.
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PS: Sou casado há mais de 12 anos com outro cara (de papel passado e tudo) e nossa relação é assumida perante Deus, Família e Sociedade. Também enfrentamos algumas barreiras, mas afirmo que não existe nada mais recompensador do que viver a verdade.
Tuesday, July 08, 2014
Livro–A Culpa é das Estrelas
Não me entusiasmei.
Dei um tempo (alguns meses) e retomei.
Gostei.
Gostei principalmente do tom nada melodramático da trama (que por si só já é uma tragédia), da postura dos personagens (que nunca se entregam à autocomiseração), do motivação da ação (literatura - o que deve ser louvado), da relevância das novas tecnologias e suas reflexos (games, internet, email, redes sociais), da linguagem “simples” e “juvenil” ( mas nem tanto, como podem alguns preconceituosos supor).
A história é contada a partir do olhar da Hazel, uma
garota de 16 anos condenada pelo câncer, e seu envolvimento com Gus (um garoto que ela conhece no grupo de apoio aos portadores de câncer) e mais uns poucos personagens (família, um escritor, um amigo, uma amiga meio perua).
Neste núcleo, afastado da sociedade dita “normal” (e sim voltado para a impermanência, finitude e morte próxima ) não há grandes cenas de conflito, não há grandes dramas, não há choradeira e desespero.
Todos que estão envolvidos na tragédia mantêm-se -aparentemente - positivos (se é que alguém pode isto) diante do cenário.
E as relações se sustentam - estoicamente - na dor, no sofrimento, no apoio, no viver bem ao máximo, no realizar desejos e sonhos imediatos.
É louvável o talento de John Green, que borda uma trama “simples” porém universal : vida e morte.
“Simples” ?
Impossível ficar indiferente.
Thursday, July 03, 2014
Livro–“Sem medo de falar – Relato de uma vítima de pedofilia” (Marcelo Ribeiro)
“Fui abusado na infância”. Só quando consegui pronunciar esta frase para minha mulher, aos 42 anos, é que pude começar a viagem em busca de meu passado. Ele estava enterrado pelo sofrimento, pela vergonha e pelo medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia.
Não sofri um abuso apenas sexual – o que já seria muito. Também fui abusado moral e psicologicamente. Sofri violência física. Minha família foi induzida à mentira e aos subterfúgios que me afastaram de meus pais e meus irmãos. Quase perdi minha mulher que é tudo para mim.
A história começa quando eu, ainda menino, comecei a cantar no coral da cidade onde morava com meus pais e meus seis irmãos (...)”
Assim começa “Sem medo de falar – Relato de uma vítima de pedofilia” (Paralela – 2014) de Marcelo Ribeiro, onde o autor, num corajoso exercício de resgate da sua integridade, relata os abusos físicos, morais e sexuais que viveu sob o jugo do sórdido maestro do coral (vinculado à Igreja Católica), de uma cidade do interior de MG, do qual participou da infância à juventude.
Neste “ambiente cultural” , criado e administrado na verdade como bem delimitado universo no qual o mestre musical reinava absoluto – impondo regras, limites, exigências, ameaças, castigos físicos e recompensas - , Marcelo, além de – obviamente – aprender música, foi alvo da ação criminosa do dirigente que, em movimentos muito bem orquestrados (lentos e certeiros), enredou o garoto numa relação de domínio absoluto (moral, emocional e sexual), na qual o monstro extravasou sua perversidade.
Hábil em manipular a inexperiência e confusão do adolescente, a fera disfarçada de cordeiro (mas que era alvo de “reconhecimento” social pelo seu “trabalho relevante”) , lançou o jovem num trágico pesadelo de culpa e silêncio que resultou (já depois de ter abandonado o coral) num adulto torto, imperfeito, preconceituoso e “destruidor” (ele não conseguia manter a estabilidade das relações amorosas e familiares).
Nesta condição, Marcelo acaba num processo de “perda” (emocional e material) e tormento que culmina numa poderosa experiência extra- corpórea (e eu acredito 100 % nisto, pois passei por algo semelhante que foi um turning point definitivo (sic) na minha vida – e só quem vivencia isto acredita ), a partir da qual ele inicia sua dolorosa trajetória de reconstrução.
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Alternando trechos auto biográficos (indo da indignação ao “perdão”, passando por suas ações de denúncias perante a igreja e judiciário, com transcrições de reportagens sobre pedofilia na Igreja Católica e diversos comentários sobre o assunto (morais, sociais, psicológicos e jurídicos) , “Sem medo de falar..” é um libelo contra o abuso , contra charlatanice, contra a inoperância das autoridades e, sobretudo, um vigoroso alerta para este mal que se esconde muitas vezes nas mais respeitáveis instituições (igrejas, família, escola).
Livraço.
Entrevista com Marcelo aqui
Friday, October 25, 2013
Livro “As Correções” – Jonathan Franzen
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| As Correções |
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| Jonathan Franzen |
Wednesday, September 11, 2013
Livro - O Deus dos Insetos / Monique Revillion
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| O Deus dos Insetos - Monique Revillion |
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| Monique Revillion |
Thursday, August 29, 2013
Livro - Um gato de rua chamado Bob
Meio que me dá medo estes livros de pets do bem.
Me cheira sempre a modismo, oportunismo focado nas emoções humanas mais nobres como carinho, devoção, companheirismo, amor incondicional e outras do mesmo naipe.
Sei disso, mas confesso que não resisto quando o assunto são gatos.
Já li vários e “Um gato de rua chamado Bob”, de James Bowen (Editora Novo Conceito – 2013) vem somar-se positivamente a este estilo.
James Bowen é um musico das ruas de Londres, em programa de recuperação de drogas, que encontra um gato ferido no corredor do seu alojamento.
Sem saber de quem é o bichano, James acaba adotando-o meio que a contragosto.
Bob porém revela-se um gato extremamente especial e torna-se torna-se peça fundamental na vida do músico.
É fantástico acompanhar a as mudanças que bichano introduz na existência de James.
De alguém não visto na multidão, o músico torna-se uma celebridade só por ter Bob ao seu lado.
As pessoas passam a considerá-lo, passam a conversar com ele, preocuparem-se, ajudá-lo de alguma forma, o que faz com que ele também repense várias de suas decisões de vida e parta para curar feridas e traumas emocionais do passado.
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| Bob e James |
O convívio homem-gato evolui para uma relação que se solidifica numa amizade de compromisso e cuidado mútuos.
O livro também acerta em retratar a realidade da vida das pessoas que ganham seu dinheiro nas ruas.
Suas leis, necessidades. Suas regras, perigos e riscos.
James dá voz e visibilidade a esta gente que olhamos de soslaio na pressa do cotidiano. Que passamos ao largo sem considerar que ali estão pessoas ganhando dinheiro de forma honesta, como qualquer outro trabalhador “de ambiente fechado”.
No fim temos um belo retrato de uma amizade “escrita nas estrelas”, além de uma bela reflexão social, intima e familiar que compõem o quadro de vida de James.
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Apresentação do livro
James e Bob num programa de televisao









