Sharknado (mistura de “tubarão” com “tornado”) é um telefilme que mostra
exatamente isto : uma chuva de tubarões assassinos, trazidos do mar por um
tornado, caindo sobre uma população que acaba sendo defendida por uma espécie de grupo bronzeado de heróis.
Não, não tem lógica alguma.
Sim, a produção é paupérrima.
Sim, o roteiro é medonho.
Sim, os efeitos especiais são constrangedores.
Sim, os diálogos são imbecis.
Sim, as interpretações são dignas do Troféu Framboesa.
Sim, a cena final é para ficar clássica de tão indecentemente absurda.
Sobre o
que mesmo é “O som ao redor”? Solidão? Violência Urbana? Especulação
imobiliária? Violência Rural? Luta de Classes? Vingança familiar?
Vazio existencial?
O que
mais poderia incrementar esta lista ?
Ache
qualquer coisa(“relevante” socialmente,
é claro) e registre, pois o filme,
enquanto “obra aberta e simbólica”, se presta a qualquer “interpretação ”.
Eu
prefiro ver pelo lado do tédio, do marasmo, do pretensioso, do ôco total.
A
narrativa agrega (meio no estilo Robert Altman, mas sem o mesmo pulso firme)
fragmentos de histórias de moradores de um bairro classe média do Recife. Ali
reside uma fauna humana totalmente desinteressante, inócua e inepta.
Obviamente
o diretor, com sua idéia de “crítica” pretende demonstrar algum tipo de vazio
existencial-social-emocional-político e tudo o mais que afeta o humano e suas
relações.
Só que não convence ( a não ser aqueles que
enxergam maravilhas na simbologia de “uma folha caindo”).
Ai, meu
saco. Haja paciência e pretensão.
Quanto ao
tão aclamado “uso do som”, para mim não significou nada.
Lembro do
magnífico Mal dos Trópicos (Sud pralad, 2004), do diretor Apichatpong
Weerasethakul, onde o som realmente é um elemento orgânico em cena,
chegando em alguns momentos a estar acima das imagens.
No
“Som..” os “ruídos” realmente “aparecem”, mas não acrescentam nada à narrativa
(exceto no caso da drogada e estressada
com o cusco. Sim, aquela que bate siririca na máquina de lavar roupa).
De resto, algumas cenas rápidas, um flashes carregados com imagens para
assustar (ou chocar, sei lá), e dar um clima "de estranhamento", tipo "tem uma mensagem, um recado, uma reflexão subentendida sobre..."
Mas a coisa não fica só nisto.
Sabe quando o diretor quer “causar” e insere uma jogada esperta (uma coisa sutil ou meio confusa entende? tipo uma "fala", um "som", um "olhar", um "gesto", um "toque", um "silêncio") para
fazer com que os espectadores digam "Oh!" e se “sintam inteligentes”?
Pois bem, “O som” tá cheio destes expedientes, destes lances bacanas e modernos que seduzem, que -usando uma palavra mais fina-, "dialogam" com os culturalmente avançados (o que não é o meu caso).
E então assim dizem os entendidos : Que prodígio! Que sutileza! Que genialidade!
Ai, meu São
Michael Haneke da Banda Calypso, me entrega um Michael Bay!
Kleber
Mendonça (roteirista e diretor do longa) cita entre alguns de seus mestres
Martin Scorcese e John Carpenter.
E a criatura aqui, ao ver o “Som..”, pergunta-se : o que o Tio Kleber
efetivamente aprendeu com tais diretores? Sim porque sua obra não apresenta nada em
sintonia com as dos citados.
O longa
só enfileira uma bobagem atrás da outra (num ritmo vertiginosamente modorrento)
e acaba por compor um quadro absolutamente murcho, frouxo e fracassado na tentativa de
discutir seja lá o que for.
E a
crítica ainda se rasga toda diante deste nada absoluto.
Pavor
total.
Obs : A
sessão que fomos ver na Casa de Cultura Mario Quintana aqui em Porto Alegre foi
abrilhantada pelo som baixo, pela projeção fora de foco (que ocasionou vários
gritos – inclusive meu - de “Olha o foco !”, “Arruma o foco!” ), além da
ausência de ar refrigerado.
Todos estes “pormenores”, acrescidos do vazio do
que se via na tela, proporcionaram aos presentes uma inesquecível sessão de
tortura.
Filme muito ruim. Com um roteiro pretensioso que naufraga miseravelmente na tentativa de bolar uma “história complexa”. Tipo, vão enfiando personagens e situações, a fim de enriquecer a história , mas que, no fim das contas, acaba não dizendo nada com nada.. O Aaron Eckhart é tudo de bom, mas, convenhamos que aqui ele pisou feio na bola. Nada funciona.
Sinopse (fonte : cinepop) :
Sinopse: Um Ex-agente da CIA planeja recomeçar sua vida. Primeiro, ele deseja se aproximar de sua distante filha adolescente. Em seguida, arruma trabalho em uma empresa multinacional na Bélgica como expert em segurança. No entanto, em seu primeiro dia no novo emprego, ele descobre que a empresa não existe mais, que seus colegas se foram e que sua assistente, na verdade, é treinada para matar ele e sua filha. Então, eles fogem, sabendo que precisam confiar um no outro. Algo que se torna difícil quando ela descobre a verdade sobre o passado negro dele.
Obs : Sinopse furada total. Esta história de assistente assassina não existe, e a situação do “primeiro dia no novo emprego” é totalmente errada. Com certeza o escritor do cinepop não viu o filme e tirou a sinopse da cabeça dele.
TRAILER
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Filme : SAFE
O Jason volta matador (como sempre). Só que aqui ele acrescenta cenas de “interpretação”. E não é que o brutamontes se sai bem ? Dá uma peninha do Brucutu nas cenas nas quais ele chora. Dá vontade de levar o gajo pra casa. Só que o cara esconde um animal assassino dentro dele e coitado de quem atravessar seu caminho quando ele tá de corno virado. Fala sério. Mas o filme é ótimo. Roteiro enxuto, criativo, bem bolado. As cenas de lutas e ação são ótimas Super sessão pipoca.
Sinopse (fonte : adorocinema) :
Luke (Jason Statham) é um ex-policial durão que salvou uma menina oriental (Catherine Chan) das mãos de bandidos dentro de um trem do metrô. O único problema é que ele não fazia ideia de que ela era portadora de uma informação extremamente importante, capaz de mobilizar a máfia russa, chinesa e ainda policiais corruptos. Agora, ele também tem o que todos querem e vai defender com a própria vida para que a justiça seja feita, nem que para isso seja necessário começar uma guerra urbana.
TRAILER
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Filme : MAGIC MIKE
Gostei mesmo. Mas nada demais. Este é o tipo de filme onde você acha tudo rasteiro, ou enxerga várias camadas, varias leituras, varias interpretações, e assim o qualifica super bem. Fica ao gosto do fregues (ou freguesas, né ?). Mas o que realmente importa é que os boys são expostos como carne no açouque e as cenas de palco são excelentes. O Channing tá muito bem, mas quem rouba o filme é o Matthew McConaughey (ele inclusive interpreta uma ótima musica de sua própria autoria). Já o Joe Manganiello ( o Alcides do True Blood) só posa de gostoso e não acrescenta nada à história. Dizem que o Channing quer fazer o Magic Mike 2. Será verdade ? Vai dar ibope ?
Sinopse (fonte : adorocinema) :
Mike (Channing Tatum) é um experiente stripper, que está ensinando a um jovem a arte de seduzir as mulheres em um palco, de forma a conseguir delas o máximo possível de benefícios. Ao mesmo tempo que em passa seus conhecimentos para Adam (Alex Pettyfer), começa a se interessar pela a irmã dele, Brooke (Cody Horn). Com o tempo, Adam vai se mostrando cada vez mais confiante e deixa o dinheiro fácil subir na cabeça. Começa a lidar com drogas e a ignorar as pessoas próximas, mas ainda assim contará com a apoio de Mike e Brooke. Dirigido por Steven Soderbergh (Traffic), o longa conta ainda com Matthew McConaughey, Joe Manganiello e Olivia Munn no elenco.
TRAILER
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Filme : SKYFALL (007)
Filmaço. Há tempos não via um filme de ação tão bom. Depois do James lutar contra vilões megalomaníacos, com ambição de dominar o mundo, aqui ele tem enfrentar uma situação bem pé no chão, cheia de referências a sua própria existência (infância, família, profissão, etc). O Craig tá ótimo, mas o Javier tá excelente como o vilão Raoul Silva. Sua entrada no filme é antológica, assim como a cena de “sedução” entre ele e James. Outro ponto alto é a “participação” do carro Aston Martin DB5 no filme. Confesso que chorei na aparição do automóvel. A cena remeteu direto a minha infância, quando eu sonhava em ter um “carro mágico” como aquele. Super James.
Obs : Os letreiros iniciais,com a múica da Adele,são fantásticos.
Sinopse (fonte : adorocinema) :
O roubo de um HD contendo informações valiosas sobre a identidade de diversos agentes, infiltrados em células terroristas espalhadas ao redor do planeta, faz com que James Bond (Daniel Craig) parta atrás do ladrão. A perseguição segue pelas ruas de uma cidade na Turquia e acaba em cima de um trem. Precisando impedir que a peça seja levada, M (Judi Dench) ordena que a agente Eve (Naomi Harris) dispare, mesmo sabendo que o tiro pode atingir Bond. É o que acontece, fazendo com que o agente 007 despenque de uma altura incrível. Considerado morto, Bond passa a levar uma vida como "fantasma" até assistir, pela TV, o ataque terrorista sofrido pelo MI6 em plena Londres. Disposto a mais uma vez defender seu país, ele retorna à capital inglesa e se reapresenta a M, mesmo guardando uma certa mágoa dela por ter ordenado o disparo. Logo eles descobrem que o responsável pelo roubo e o atentado é alguém que conhece muito bem o modo de funcionamento do MI6.
Mistura de documentário com ficção “O céu sobre os ombros”, dirigido
por Sérgio Borges, acompanha o cotidiano
de três personagens da periferia de Belo
Horizonte, que são :
Everlyn, um
transexual que faz mestrado na UFMG sobre
um hermafrodita do século XiX. Everlyn
também faz programas nas ruas em busca de sexo e afeto, está louca para arrumar um amor verdadeiro e alimenta
o sonho de realizar a operação de transformação do sexo.
Murari, um skatista,
pichador, operador de tele-marketing, hare krishna e torcedor do Atlético
Mineiro que perambula pela cidade sozinho e com várias galeras, o que demonstra
sua capacidade de se mimetizar com a coletividade, de “desaparecer” em publico
( uma metáfora para a perda do ego).
Lwei, um escritor perdido que escreve vários livros ao mesmo
tempo , sem chegar ao final de nenhum.
Lwei nunca trabalhou (passa bom tempo do filme nu) e é sustentado pela mãe e pela mulher. Tem um filho doente e revela fortes impulsos
suicidas.
Posto isto, o que temos pela frente ? Cenas do cotidiano dos
personagens , seus trabalhos, suas relações, suas reflexões e sonhos. Tudo sob um prisma distante, não invasivo,
quase contemplativo.
A emoção, se é que surge, parte principalmente da capacidade
do espectador em penetrar no universo de cada um e refletir sobre o que
é apresentado de forma quase fria.
No final fica a pergunta :
Afinal sobre o que é mesmo “O céu
sobre os ombros ? Um recorte , um
vislumbre, na vida, no cotidiano dos personagens
? Um retrato sobre a condição humana nas
grandes metrópoles ? Um painel sobre a solidão e a busca do afeto, da
felicidade ? Uma reflexão sobre a existência ? Uma viagem às profundezas da alma
? Ou um tédio absoluto travestido de filme Cult ?
O final abrupto – e inconclusivo – reforça o que foi visto (ou aturado) até o momento, para o bem ou
para o mal.
Quem viu “Rainha
Cristina”, filme de 1933 com a Diva Greta Garbo, não pôde deixar de notar a
voz meio esganiçada do seu par
romântico, o ator John Gilbert.
Gilbert, até então um astro do cinema mudo, não
conseguiu manter a carreira com o
advento do som cinematográfico - exatamente por conta da sua voz inapropriada.
Greta Garbo & John
Gilbert
- A Rainha Cristina -
Antigo co-astro - e namorado - de Greta Garbo, Gilbert só
conseguiu atuar no “falado” “A Rainha Cristina” por pressão da diva, a qual,
esta sim, conseguiu fazer a transposição
das películas mudas sem um arranhão sequer na sua imagem. - Na verdade
as platéias ficaram extasiadas com a voz rouca e grave daquela que até então
era apenas “um rosto”. -
“O Artista”,
apesar de obviamente não ser sobre a
vida de Gilbert, se passa exatamente naquela época quando o cinema
começou a falar, o que acarretou a ruína de várias carreiras - enquanto outras despontaram.
Douglas Fairbanks
Aqui, o ator frances Jean Dujardin
(simplesmente sensacional numa espécia de crossover entre Douglas
Fairbanks e Rudolph Valentino ) faz George
Valentin, grande astro do cinema mudo que vê sua carreira naufragar por não se
adaptar a chegada das fitas sonoras.
Em
contraponto, explode a popularidade da jovem atriz Peppy Miller ( a argentina Bérénice
Bejo ), que nutre uma
intensa paixão por Valentin - aliás uma
das cenas mas lindas é quando Peppy “namora” com o paletó do bonitão.
Rodolfo Valentino
Com ecos
óbvios de “Nasce uma Estrela” (“trocentas”
vezes refilmado – e dizem que tem uma “Versão
Beyonce“ programada) e “Cantando na Chuva”- principalmente no final
-, o filme de Michel Hazanavicius é uma declaração explícita de amor ao cinema. É um exercício cinematográfico na sua forma mais, digamos, “primitiva” quando
então tudo o que se tinha para contar uma história eram imagens e musica.
Porém, com este caráter de “primeiras
eras”, o filme pode assustar as platéias
atuais, principalmente aquelas que curtem ser amortecidas por efeitos especiais
e ritmos frenéticos.
Mas quem compra a idéia do
Artista, é recompensado com uma bela
viagem a um tempo onde a magia e o encanto se produzia com
simplicidade e descomplicação. Ótimo.
Dirigido por Michel Hazanavicius.
Com: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman,
James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Malcolm McDowell, Beth Grant,
Ed Lauter.