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Saturday, September 14, 2013

Monday, September 09, 2013

Filme - O Círculo de Fogo



Os Jaegers

"Circulo de fogo"  vem resgatar aquela velha e boa idéia de  monstros e heróis gigantescos lutando nas avenidas das grandes metrópolis (especialmente Tóquio).   

 Da minha infância lembro especialmente de dois heróis : Goldar e Ultraman.  

 Era sensacional acompanhar  suas  transformações (eles cresciam, voavam,  etc) e lutas com os tenebrosos monstros que sempre queriam arrasar as frágeis cidades humanas.   

O estilo rendeu além de várias séries, também filmes; especialmente os do Godzilla. 

Então foi com uma sensação de volta à infância que fomos curtir o novo trabalho do Guillermo Del Toro. 

Jaeger x Kaiju
 E a aventura não decepciona.

A sinopse diz :

“Quando legiões de criaturas monstruosas conhecidas como Kaiju começaram a emergir do mar iniciou-se uma guerra que acabaria com milhões de vidas e consumiria recursos da humanidade por anos a fio. Para combater os gigantes Kaiju um tipo especial de arma foi criado: robôs gigantes chamados de Jaegers controlados simultaneamente por dois pilotos que têm suas mentes trancadas em uma ponte neural. Mas mesmo os Jaegers se mostram quase que indefesos em relação aos implacáveis Kaiju. À beira da derrota as forças que defendem a humanidade não têm escolha senão recorrer a dois improváveis heróis um esquecido ex-piloto (Charlie Hunnam) e uma inexperiente aprendiz (Rinko Kikuchi) que se juntam para comandar um lendário mas aparentemente obsoleto Jaeger do passado. Juntos eles representam a última esperança da humanidade contra o apocalipse


É claro que toda a coerência e verossimilhança deve ser deixada de lado.

Aqui o que importa é a velha e boa aventura, o que o filme cumpre muito bem.

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Minhas referências  :

GOLDAR - OS GIGANTES DO ESPAÇO

Goldar - Os Gigantes do Espaço

Goldar - Os Gigantes do Espaço

 ULTRAMAN

Ultraman
Ultraman



 GODZILLA


Godzilla

Godzilla

Godzilla
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 VIDEOS

GOLDAR INTRO :



ULTRAMAN INTRO :


GODZILLA


TRAILER "CIRCULO DE FOGO"


Thursday, May 30, 2013

Filme–Velozes e Furiosos 6

Pancadaria, tiroteio, carros envenenados, lutas, músculos, mulheres gostosas, hip hop, paisagens paradisíacas e nenhum senso de lógica ou veracidade.

Tudo embalado com pipoca, refrigerante e projeção I-MAX.

Quer coisa melhor para um domingo outonal à tarde?

Então lá fomos nós conhecer o cinema I-Max (magnífico) do Shopping Bourbon e assistir “Velozes e Furiosos 6”.

Um filme perfeito na sua proposta de entretenimento descerebrado.

Vi alguns episódios da franquia, mas me recusei a acompanhá-la depois que a Letty, personagem da Michele Rodriguez (que eu amo), “morreu”.

Quando fiquei sabendo que ela ressucitava no episódio 6, resolvi voltar ao cinema. E ela vem com tudo, bem no seu estilo mulher-macho. A briguenta mantêm sua cara de pit-bull de saias (ou calças no seu caso) durante o tempo todo, e suas lutas com a Riley, personagem da  marrenta lutadora de MMA” Gina Carano , (uma no meio e outra no final do filme) são excelentes (porrada pura).

De resto, falando sobre a história pode-se dizer que ela á abrilhantada com personagens unidimensionais,frases ridículas, situações bizarras, clichês super batidos, sequências absurdas e inverossimilhança total.

Mas quem se importa?

O lance é divertimento (as piadas são hilárias), e “ Fast & Furious Six” cumpre o que promete de forma perfeita.

Diversão total.

Obs.: o final, com a aparição do Jason Statham bem maldito, deixa o povo babando pelo próximo episódio.

Trailer abaixo

Monday, February 11, 2013

Filme - A Vida de Pi

A Vida de Pi
Magnifico.

Esta foi a palavra que resumiu meu sentimento em relação “A Vida de Pi”.

Saí embasbacado do cinema.

Zonzo com a beleza da história (as imagens nem se fala), atordoado com o alcance do discurso íntimo no que ele tem de mais real diante do desafio da transcendência humana

“Pi” mostra o homem, cheio de conhecimento, erudição e sabedoria, sonhos e esperança colocado nu e cru frente a frente com seus piores medos.

O que fazer com toda a sabedoria quando o horror da fraqueza da mente e da carne atacam ?

Nestes momentos, não há nada pior do que termos que enfrentar a nós mesmos.

Nossos traumas, nossos calafrios, nossos tremores de alma – nossas fobias

Diante deste horror, nossa fragilidade emocional nos leva à covardia ao receio;  à não sair da zona de conforto.

Mas realidades de dor são inevitáveis e rasgam, destroem nosso emocional e nos expõem ao desamparo, à perda e à desesperança.

Teoricamente podemos ter inúmeras saídas e ferramentas para “lidar com situações”.

Podemos “acreditar”, “ter fé”, “sermos fortes”, “segurar na mão de Deus” e várias outras formas “encarar os fatos”.

Sim, tudo muito lindo, tudo muito prático. Um discurso perfeito e recheado de boas intenções.

Mas como a coisa fica quando nos deparamos com a fragilidade da existência?

Livro - A Vida de Pi
Onde fica “Deus” e onde fica o “Homem”?

Deus existe e nos fortalece, ou esta força brota do próprio homem?

“AVida de Pi”, fala sobre tudo isto e muito mais.

Baseado  no romance Life of Pi de Yann Martel, o longa de Ang Lee, conta a incrível história do jovem indiano, Pi, uma zebra, uma hiena, um tigre e um orangotango, que lutam pela vida num bote salva-vidas, após serem os únicos sobreviventes de um naufrágio.

É claro que acontece muita coisa, e prefiro não dizer o que para não estragar o prazer de quem ainda não viu.

O que o longa oferece é testemunharmos o processo dilacerante pelo qual Pi passa, e que o conduz a experiências, descobertas, transformações, mortes e renascimentos que o desfazem e o reconstroem inúmeras vezes.

Seus embates com o Tigre Richard Parker são espetaculares e vão do pavor absoluto até encontros espirituais (de alma), onde ambos comungam entre si, com a natureza e com o firmamento.

O final é apenas soberbo.

Uma das reflexões que fiz na saída do cinema, é que filmes como “Pi” ou “Amor” dialogam diretamente com nosso íntimo, com nossa natureza

São obras que se originam e ecoam no espírito humano e, por isto, possuem aquela capacidade da arte de ir além do entretenimento e atingir nossos temores mais reais.

Obras primas.

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 Comentário : 

Max e os Felinos
Yann Martel  reconheceu ter se inspirado no livro "Max e os Felinos" de Moacyr Scliar para escrever "Pi".

Mas o escritor gaúcho não ficou muito satisfeito com os comentários de Yann..

Mais detalhes aqui.















Trailer do filme


Monday, January 14, 2013

Filme – A indomável sonhadora

Indomavel Sonhadora - Poster
A Indomável Sonhadora (péssimo título em português – o original “Feras do sul selvagem” é perfeito) retrata aquele tipo de gente que vive em condições quase miseráveis,  e  que,  geralmente nos filmes de terror,  aparece no meio do nada para, com suas falas e modos sinistros, darem alguma informação ao povo educado e gozador da cidade, geralmente quanto ao local que eles procuram  (e onde terão o que merecem)  – ou para vender-lhes gasolina que sai de bombas pré-históricas.

Um exemplo notório destes silvícolas atrasados ficou registrado no clássico “Amargo Pesadelo”, especialmente na cena onde um dos “da floresta”  toca banjo com o “homem da cidade”, antes de toda a tragédia começar (veja clipe no fim do post).

É claro que para nós civilizados  fica evidente que estes primitivos não gostam nem um pouco dos “de fora”, não aceitam aproximação nem (falsas) intimidades  e vivem num mundo com   regras e códigos próprios (alguns  avançando perigosamente no politicamente incorreto).

Tudo o que escapa ao seu universo ( muito daquilo que  vimos como conquistas da modernidade) é visto por eles com receio e/ou desconfiança.

Pois no “A  Indomavel..” , surpreendentemente, este povo da periferia da civilização é o protagonista.

A trama é vista  a partir do olhar da pequena Hushpuppy ( Quvenzhané Wallis- excelente), uma garota de  seis anos que  vive com o pai Wink (Dwight Henry - ótimo), e demais nativos locais  em “Bathtub” , uma comunidade em uma ilha da Baia de Lousiana separada do mundo por uma barragem (esta situação reforça  a idéia de um local isolado e meio perdido)

Ali,  onde  parece ser o local do fiofó do Atlas Mundial,  o cotidiano de Hushpuppy  é rico em experiências.

Sua casa (se é que se pode chamar assim tal ambiente), fica no meio do mato. É suja, úmida, bagunçada, remendada  e aberta ao tráfego de todos os animais domésticos ou semi-domésticos (galinhas, porcos, gato, cachorro, insetos, etc).
 
Quando a garota não está na escola,  perambula pelo mato, mantendo um contato bem orgânico e sensorial com a fauna, flora e  elementos  ( -  água, fogo, terra e ar são tratados com forte simbologia durante todo o longa –).

Wink  vive em outro barraco próximo a ela, mas some eventualmente durante alguns dias e deixa a menina se virando sozinha.

Num de seus retornos, a garota percebe as vestes estranhas do pai (um avental de hospital e uma pulseira laranja de paciente), não entende o que é  e o questiona,  só para receber xingamento e agressão de volta.

A mãe não vive ali (ela pode estar morta, ou não), porém  a menina conversa com ela através da imaginação.
Hushpuppy e garotas preparam-se para a "Viagem em busca da mãe"

O pai,  dentro do seu jeito enviesado – e já sabendo estar doente- , se esforça  para ensinar à filha formas de sobrevivência,  como conseguir comida, como usar a força, etc, tudo para torná-la independente.
 
E para isto usa  artifícios duros,  inclusive chamando a garota de “cara”.

Numa cena a menina, ao invés de utilizar uma faca, é ensinada pelo pai a “animalizar” a abertura e ingestão de um caranguejo  diretamente com as mãos, o que ela faz e é então aplaudida.

Na escola, a professora Bathsheba (Gina Montana)  inflama a imaginação da gurizada com histórias sobre selvagens animais pré-históricos chamados Aurochs,  que seriam libertados do gelo quando as calotas polares do Polo-Sul se derretessem, momento no qual a terra seria inundada.

Assim, dentro da proibição de não temer nada da vida e sim estimulada a ser durona, a garota direciona todos seus medos (perda do pai, ausência da mãe, forças da natureza, etc) para os ameaçadores Aurochs.

Quando Bathtube é inundada após uma tempestade (na verdade seria o efeito Katrina) todo o frágil equilíbrio local é destroçado, o que expõe os habitantes a duras realidades.

A natureza de amiga passa a ser uma ameaça ( a inundação do local pelo mar mata a flora e a fauna). Desolados, eles então resolvem explodir a represa. O que executam,  fazendo a agua baixar aos níveis anteriores, porém só para revelar mais destruição e morte.

Por outro lado, para a menina o fato de as águas terem subido é sinal evidente do derretimento das calotas polares e a conseqüente liberação dos Aurochs.

Isto faz com que ela comece  a ter visões dos monstros avançando, supostamente para pegá-la.

Em seguida, através da força das autoridades, ela e todos demais  são recolhidos e levados a um abrigo / hospital

Hushpuppy enfrenta os Aurochs
Lá são “agredidos”  com os bárbaros costumes da civilização que incluem comer em pratos, limpar-se, pentear o cabelo, usar roupas limpas e receber tratamento  médico

Eles então, horrorizados,  se unem para fugir de tal inferno.

No retorno a Bathtube, Hushpuppy , juntamente com outras meninas, embarcam numa “Viagem em busca da mãe”.

Para isto atiram-se desprotegidas às águas e são resgatadas por um barqueiro sem rosto (não é bem assim, na verdade não aparece o rosto dele numa interessante cena  de diálogo),   que as leva a uma espécie de cabaré onde as garotas encontrarão, terão carinho e dançarão com suas (supostas) mães.

Toda esta sequência pode ser entendida como um sonho (ou delírio) de Hushpuppy, pois é absolutamente surreal;   sensação que se estende à volta das garotas ao lar quando então são  atacadas pelos Aurochs.

As outras meninas fogem, mas Hushpuppy fica e enfrenta  os monstros, numa demonstração clara de enfrentamento e superação dos seus medos.

Já nesta condição ela vivencia o que seria seu maior temor e termina o filme com a postura  e o olhar de alguém profundamente transformado e amadurecido.

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Dirigido por Benh Zeitlin, o longa não é de fácil digestão.

Seja pelo tema árduo, pelo forte simbolismo, pelas “cenas cruas”, pelo ritmo lento ou  pela quase “falta de emoção”,  o paladar geral pode não agradar  muitos.

No “A indomável”  é difícil criar empatia por personagens tão embrutecidos e feios,  e o filme não faz muitas concessões neste sentido, o que passa a ser  um mérito.

Então, para “apreciar” (se é que isto seja possível) a obra, é necessário que o espectador se esforce para despir-se de uma série de conceitos e assim se introduzir (ou pelo menos tentar se )  na realidade dos personagens.

Isto provoca repulsa e estranhamento em vários momentos e atração e carinho em outros.

Não digo que “A Indomável..”  seja “bom” ou “ruim” (fica a cargo de cada um), mas definitivamente é uma experiência instigante

Fica na categoria do “vale a pena”,  mas “se prepare”.

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Notas :

1 ) A seleção de elenco pedia garotas entre seis e nove anos de idade para o papel de Hushpuppy. , Quvenzhané Wallis, então com cinco anos,  impressionou os cineastas durante a audição, com sua incrível capacidade de leitura,  seu grito extremo e sua habilidade em arrotar sob comando,  ambos utilizados em cenas do filme

2 )  Dwight Henry (Wink)  não procurava trabalho como ator, conforme explicou para o San Diego Reader:
  • “Antes de eu ser escalado para o papel, eu tinha uma padaria chamada “Henry's Bakery and Deli” bem em frente da agência de elenco onde o Court 13 tinha seu estúdio.  Eles costumava aparecer para fazer seu lanche ou tomar seu café nas manhãs.  Depois de alguns meses acabamos desenvolvendo uma espécie de relacionamento. Eles acabavam deixado flyers na padaria com seus números de telefones ofertando a possibilidade das pessoas aparecerem em seus filmes. “
Durante uma longa hora ele fez seu teste e foi escolhiro.  Entretanto, na época, Henry estava no meio de uma mudança para um prédio maior nas vizinhanças de Nova Orleans, e os cineastas tiveram dificuldade em encontrá-lo. Ele explicou que não poderia abandonar seus negócios, mas eles estava determinados a tê-lo no papel de  Wink.
Gente Diferente - Poster
Henry então concluiu :
  • “ Eu enfrentei o Katrina com a água pelo pescoço, e, portanto, tinha um  entendimento de alma sobre o que o filme tratava.  Eu trouxe ao papel uma paixão que outro ator, que nunca viu uma tempestade de verdade, nem uma enchente ou perdeu tudo,  não poderia ter. Eu tinha dois anos quando o Furacão Betsy invadiu Nova Orleans, e meus pais me colocaram no sótão de casa. Um “forasteiro” não traria paixão igual ao papel, como eu trouxe”.
3 )  Este filme me lembrou em vários momentos o infelizmente esquecido “Gente Diferente” (com as fantásticas Jill Clayburgh e Barbara Hershey) que traz para a cena a mesma categoria de excluídos do “A indomável..”

Só que no filme do Andrey Konchalovskiy temos uma relação explícita entre a família do pântano e a família da cidade, que ocasiona  profundas mudanças de entendimentos e comportamentos de vida em alguns personagens.

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Trailer do "Indomável sonhadora"



Famosa cena do duelo de banjos em "Amargo Pesadelo"




Saturday, January 12, 2013

Filme - Copacabana Palace

Copacabana Palace - Poster

 “Copacabana Palace”, uma produção Franco/Italiana/Brasileira, de 1962, dirigida por Stefano Vanzina, que  já teria  caído da vala do esquecimento cinematográfico não fosse pela magnífica trilha sonora de bossa nova (o estilo estava no  auge), a esplêndida fotografia  colorida e o enredo “original” que retrata o Brasil de um modo, digamos, bizarro-antropológico.

No longa,  nosso país  é vendido como um lugar ingênuo, alegre, tropical, sensual e macumbeiro.

Um lugar primitivo para o qual as pessoas viajam para cair na farra,  curtir e gozar, dentro da idéia de que , como bem disse do teólogo e historiador holandês Caspar Barlaeus : "ultra aequinotialem non
peccavi" (não existe pecado abaixo do Equador).  Ou seja,  aqui debaixo o que rola é  só devassidão e hedonismo.


Neste sentido  Copacabana Palace acompanha - no estilo do enredo onde várias narrativas  ocorrem  em paralelo -   as peripécias de vários estrangeiros que querem se dar bem em pleno carnaval carioca, tendo como pano de fundo a hospedagem de todos no célebre hotel da Avenida Atlântica.

O filme é primor de ruindade,para dizer o mínimo. Roteiro ridículo, interpretações tacanhas, falta de timing / ritmo,  e humor inexistente são oferecidos a cada  minuto.  

Trilha Sonora - Copacana Palace
O que acaba salvando “Copabana..”  da ruína completa são as passagens musicais, a bela fotografia e as situações bizarras (algumas tentando fazer humor e outras não)  que aparecem aqui e ali.

Com o elenco mainstream composto quase que exclusivamente por estrangeiros, temos a oportunidade de ver nesta “comédia” atores nacionais ainda  jovens  (Tonia Carrero e Paulo Gracindo.), em papéis menores e irrelevantes (exceto pela personagem da Doris Monteiro que ganha um certo
destaque).

Também constam na nominata do elenco os nomes do John Herbert e do CylFarney, mas não consegui identificá-los em cena.

Fica o desafio para quem tiver saco para tanto.

As três histórias apresentadas são :

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HISTÓRIA 1 : LADRÕES INTERNACIONAIS  PLANEJAM SURRUPIAR  CONTEÚDOS DOS COFRES DO HOTEL COPACABANA PALACE.

Teodoro van Der Werf  (Francis de Wolf). é um milionário quebrado que planeja, juntamente com seu parceiro Raymond Broussarc (Raymond Bussières), roubar as jóias guardadas nos cofres do Copacabana Palace.

Para isto, após aterrisarem por aqui,  eles buscam numa favela,  a ajuda do Ugo (Walter Chiari), um ex companheiro de falcatruas que eles haviam abandonado no RJ em uma situação difícil, há um
ano. 

Neste meio tempo longe dos salafrários,  Ugo  casou-se com a brasileira Maria  (Doris Monteiro, belíssima e boa atriz), arranjou  um emprego de garçom numa espelunca e, se achando esperto,  agora tentava fazer seu papagaio repetir o slogan “Casa da Banha sempre melhor”,   para ganhar o prêmio de 500 mil cruzeiros oferecido por um programa de rádio (comandado pelo Paulo Gracindo) 

Ressabiado com os “amigos”, Ugo. recusa a “trabalho”. Porém os falcatruas  dão um jeito de convencer a bela  Maria. de que têm uma proposta de um bom negócio para o seu marido, e assim, através dela, pressioná-lo a participar do “empreendimento”.

Mas o mais absurdo de tudo é que a Maria (confirmando o exótico do local) decide que quem deve dar a palavra final sobre o assunto é o Pai de Santo  da  MACUMBA.

Sim, e  além de explicar didaticamente aos estrangeiros o que seria a tal macumba, a bela nativa arrasta todos para um terreiro para verem de perto como funciona  a magia tropical brasileira.

A cena é “algo”, com direito a dança, fumacê, incorporação, mensagem e tudo o mais.

Fico só pensando o que aqueles que assistiram a este filme na época pensaram sobre os ritos brasileiro. Que tipo de religião os tupiniquins primitivos praticam - , só faltou o vudu e sacrifício humano -.

Algumas cenas abaixo :

CENA : MARIA EXPLICA O QUE É A MACUMBA

Ugo  explica a sua esposa  Maria os motivos para não aceitar a “proposta” dos amigos. Ela então propõe deixar a decisão para o Pai de Santo da Macumba.


CENA : RITUAL DA MACUMBA

Todos estão no terreiro. O povo canta, dança, fuma e incorpora (tem uma criatura que parece uma boa duma trava). De repente Oxossi “baixa” no Ugo e manda sua mensagem.


CENA : PROGRAMA DE RADIO COM PAULO GRACINDO
Paulo aparece como o locutor que anima o concurso do papagaio que deve enunciar  o slogan.




CENA : TONIA CARRERO COMO MILIONARIA

Os escroques já estão no Copacabana Palace e Tonia aparece para buscar um isqueiro cravejado de diamantes.  O que eles querem e passar a mão no conteúdo do cofre que ela alugou no hotel. Só que tudo dá errado e eles acabam no zero e saindo do Brasil como clandestinos num navio.




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HISTORIA 2)

AEROMOÇA GOSTOSA E EM CHAMAS QUER DAR PRO TOM JOBIM.

Silvia Koscina faz a sensual aeromoça Ines. que  vem ao Brasil atrás do músico Tom Jobim, um passageiro brasileiro que ela havia auxiliado numa emergência de saúde num vôo em Portugal.  

A  devassa chega aqui com mais duas colegas - Laura Brown & Gloria Paul,  - (os penteados / perucas de todas elas – mesmo na praia- são um arraso) , e, bem Messalina, faz toda uma linha “eu já dei pra ele”, deixando as amigas com inveja e com água na boca.

Depois tudo se revela um engodo, pois a linda não tinha dado pro mestre e nem sabia que ele era casado, e, pior ainda : fiel !

E mesmo os demais amigos do Tom (os inacreditáveis atores João Gilberto e Luiz Bonfá ) que na cabeça desmiolada e dura de laquê da Ines  seriam os parceiros ideais  para as outras duas ,
também são casados e indisponíveis (fala sério).

O que acontece é que as bonitas acabam se envolvendo é com as famílias dos guapos, com direito a participarem da intimidade do saudável lar tupiniquim

Numa cena bem doméstica  vemos os  devotos esposos, com suas pudicas esposas e proles, mais as aeromoças,  amontoados defronte a uma televisão assistindo o populacho brincar o carnaval, demonstrando que tudo acabou “em família”.

Depois, para não ficarem no seco absoluto, recebem um convite do Jorginho Guinle para brincarem num baile chique. E no final as boas voltam  para a Itália, chateadas e meio frustradas por não terem realizado completamente seu desejo de pecar.

Algumas cenas abaixo

CENA : CONVITE AO TOM

A gostosa Ines da Silva liga para o Tom dizendo que chegou ao Brasil e marca um encontro com ele, além de arrumar outros machos locais (Luiz Bonfa e  Joâo Gilberto) para as amigas sedentas. 

Notem os  penteados de beira de piscina. No final Ines diz “vamos nos arrumar !”-  e olha que elas receberam um convite para irem para a praia ! O que será que ta faltando na produção das lindas ?



CENA :  AS BOAS ESTRANGEIRAS E OS GARANHÕES BRASILEIROS NA BEIRA DA PRAIA

Música : Canção do Mar (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo)

Cantam : Luiz Bonfa, João Gilberto e Antonio Carlos Jobim

As bonitas ainda não sabem que os gajos são casados (e bizarramente fiéis),  e se deleitam no prazer do momento idílico sob o sol com olhares  sonhadores. Mas elas não perdem por esperar.



CENA : TOM REVELA SER CASADO E INES CAI NUMA ARMADILHA DOMÉSTICA

O interessante aqui é ver Tom interpretando. Muito legal.


CENA : AEROMOÇAS ESTRANGEIRAS E FAMÍLIAS BRASILEIRAS ASSISTEM O CARNAVAL PELA TELEVISÃO.

O curioso é que a esposa do Tom (Anita)  diz que no Rio o carnaval é bonito apenas pela televisão  

Mas uma das aeromoças (Lucia) contrapõe afirmando que nos bailes fechados todos se divertem.

Questão : de onde elas tiraram estas afirmações ?

De qualquer forma é interessante acompanhar o tipo de folia – e o entusiasmo - da baixa e da  alta sociedade morena.


CENA : INES E AMIGAS RECEBEM UM CONVITE PARA UM BAILE PROMOVIDO POR JORGINHO GUINLE

Ines recebe convite – com direito a escolha de fantasia - para um baile promovido por “Jorginho”(que só pode ser o Guinle). Na sequencia uma das aeromoças informa que o tal  Jorginho é filho de um
dos homens mais ricos do Brasil.

Jorginho foi um dos grandes promotores do carnaval brasileiro. Se hoje as celebridades vêm para cá para curtir a festa, deve-se muito ao que ele fez desde a década de 50, quando começou  a trazer gente famosa para conhecer e curtir nossa Folia de Momo,  e assim divulgá-la lá fora.



CENA : “BAILE” DE  CARNAVAL  DA CLASSE CHIQUE:

Música : Só Danço Samba (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)

Canta : João Gilberto e Os Cariocas
A música é ótima, mas nada a ver com a proposta do clima de uma festa de carnaval. Uma das aeromoças “dança” a “bossa-nova-carnaval” no estilo twist.


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HISTORIA 3 )

PRINCÍPE GAY QUER DAR FLAGRANTE DE ADULTÉRIO NA ESPOSA INDÓCIL.

Aqui temos  a saga do príncipe Buby von Raunacher (Claude Rich), que depois revela-se gay e que persegue a  esposa Zina von Raunacher  (Mylène Demongeot ) ao redor do mundo a fim de flagrá-la em flagrante de adultério .

Para isto ele conta com a ajuda de Da Fonseca (Paolo Ferrari), seu advogado, que nutre uma tesão pela bela do patrão.

A pecadora viaja acompanhada do bonitão Nicky  Gutierrez (Ruggero Baldi)  que obviamente o princípe julga ser o amante da bonita.  Só que o guapo  não “faz” a bonita, o que a deixa em brasa o tempo inteiro (ele tem sempre uma desculpa para cair fora ou eles são interrompidos por algum evento).

Numa cena muito bizarra a gostosa está num barco onde a tripulação é composta exclusivamente por negrões deusos tupiniquins. Ao ver tanta gostosura em ébano por perto (e ainda por cima eles cantam !), a Zina  fica siderada, porém o Nicky  não faz nada para apagar seu fogo.

Neste meio tempo, o  príncipe Bubyacaba se envolvendo – de forma não explícita, é claro, pois estamos em 1962-  com um camareiro do Copacabana Palace(um nativo moreno que entra mudo e sai calado da película).

E este mesmo  trabalhador terceiro mundista  acaba se envolvendo também com o belo Nicky.

Sim, o suposto amante da deusa  também é gay (sabemos isto ao final do filme) e,  num momento de confissão, revela que estava perto da gostosa apenas pra ver se conseguia “se curar” do seu desvio.

A Deusa, arrasada e não comida, acaba se jogando  nos braços do Da Fonseca e assim consegue satisfazer seus instintos impuros.

As bibas (o príncipe e o amante) partem juntas do Brasil.

Algumas cenas abaixo -

CENA : GOSTOSA ROLA NA CAMA SOZINHA

A bela Zina  rola indócil, deusa e ansiosa na maciez dos lençóis, mas seu amante prefere nadar na piscina de que “estar” com ela.  Mal a linda sabe que ele é uma biba enrustida.


CENA : NEGÕES DEUSOS ENLOUQUECEM A LOIRA

Musica : Sambolero (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo) -

Canta : Luiz Bonfá

Esta cena é fantástica. A Deusa e seu “amante” estão num veleiro onde a tripulação é composta apenas por negões deuses que cantam uma espécie de canto da sereia tropical. A loura fica louca e chama o Nicky para“algo”.  Só que ele mais uma vez dá um jeito deescapar da devassa.


CENA  : PRINCIPE BIBA DÁ UMA GERAL NA ÁREA COM BINÓCULOS

A cena inicia com o  príncipe Buby vendo seu amante brasileiro ser beijado no rosto por uma colega de trabalho, que ele, indignado, chama de “Piranha”.  Mas o rapaz acaba lhe mandando um tchauzinho, o que o  acalma.

Depois ele volta o binóculo para a praia, algumas garotas lindas e faz cara de nojo.

Mas quando foca em alguns rapazes sarados puxando ferro e exibindo os músculos, fica encantado.

A sequência termina com o Raymond Bussières exibindo seu corpão sob o sol, o que deixa a biba passada de horror.


CENA  : FLAGRANTE DE ADULTÉRIO FRUSTRADO.

O príncipe, mais o advogado Da Fonseca, juntamente com a polícia, arrombam a suíte onde, supostamente, pegariam a Zina e o Nicky em pleno ato. Só que, para decepção de todos, o que encontram é o suposto amante bebendo champanhe com o camareiro (traduzido como “garçom”)  do hotel (o mesmo que tem  um rolo com Buby).  O príncipe obviamente logo saca qual é o lance que tá rolando. 

Da Fonseca então acessa o apartamento ao lado e desperta a  linda princesa do seu sono.  Ela fica assustada, mas ele se encarrega de esclarecer todo o bafão.

A polícia cai fora para tratar do roubo do cofre do hotel (link com o núcleo dos escroques) e deixa o povo na mão, sem resolver nada.

O príncipe então (completamente “louca”)  parte para cima do Nicky e  questiona seus atos (afinal, aparentemente até então,  ele estava de caso com sua esposa e agora descaradamente se revelava um igual).

Nicky  explica seus motivos, Zina escuta e fica bege, Da Fonseca aproveita o momento para agarrá-la e ela (provando ser uma mulher fácil) cede.
No final as bibas partem juntas do Brasil e, aparentemente, Zina fica com Da Fonseca.




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OUTRAS CENAS :
CRÉDITOS INICIAIS 

Música : Samba do Avião (Antonio Carlos Jobim)

Canta : Jula de Palma e os 4 x 4 de Nora Olandi


 FIM DE FESTA :

Musica  : Tristeza (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo)

Canta : Norma Bengell

Bela passagem que ilustra o amanhecer do dia seguinte a uma festa. Vemos o povo ainda brincando na beira do mar e outros voltando para casa.



PANORAMICA DA PRAIA DE COPACABANA

Aqui vemos o povo e  barco disputando espaço na areia, algo inimaginável hoje.



DESFILE DE ESCOLAS E BLOCOS NA RUA

Muito interessante ver como o povo brincava o carnaval na época.



FINAL          

Música : Samba do Avião (Antonio Carlos Jobim)

Ugo encontra os escroques Teodoro van Der Werf  e Raymond Broussarc  também como clandestinos no navio que o levaria para fora do Brasil. Assustado com tanto azar, prefere então atirar-se ao mar e voltar a nado para a Cidade Maravilhosa, do que ficar com os “amigos”.

Fim desta obra prima do absurdo.



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FOTOS  (RETIRADAS DO SITE DO TOM) :

Abaixo na foto, Antonio Carlos Jobim ao lado de Luiz Bonfá, de perfil, junto a atriz Sylvia Koscina entre os membros da equipe de filmagem de "Copacabana Palace". Abaixo, João Gilberto, ao violão, com o diretor Stefano Vanzina e as atrizes Laura Brown e Gloria Paul, respectivamente.





LuizBonfá, Laura Brown, Gloria Paul, João Gilberto, Antonio Carlos Jobim e Sylvia
Koscina, durante as filmagens de "Copacabana Palace".