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Thursday, August 29, 2013

Filme - A Caça

A Caça - Poster

Um filme que já incomoda antes de assistir.  

Sabendo-se que a história narra o drama de um professor injustamente acusado de molestar uma garota e que, por isto, torna-se um pária e é arrastado para um espiral kafkaniano de perseguição e julgamento, só mesmo movido por uma certa coragem para encarar “A caça” de frente. 

E é isto mesmo. 

O filme dinamarques não faz concessões e, de forma crua, nos convida a acompanhar o calvário de Lucas (Mads Mikkelsen) diante de uma comunidade que passa a enxergá-lo como um monstro,  a partir do momento em que Klara (Annika Wedderkopp) uma aluna,  cria uma fantasia na sua cabeça infantil, e faz um comentário que compromete seriamente o professor.

O que se vê daí por diante e crescente execração de Lucas praticada por aqueles que até então eram próximos (colegas, amigos, companheiros, etc) .  É angustiante ver os adultos forçando (com “delicadeza”)  os menores a “confirmarem” aquilo que eles querem acreditar.  

O professor vê-se então cada vez mais isolado, perseguido e agredido ( o que também ocorre com seu filho adolescente).  

A história barra pesada é narrada com pulso firme pelo diretor Thomas Vinterberg e o Mads Mikkelsen simplesmente incendeia a tela com seu talento. 


A força do seu olhar na cena da igreja justifica plenamente sua consagração como melhor ator no festival de Cannes 2012. 

Raramente vi um gesto aparentemente banal concentrar tanta energia, tanta eloqüência, tanta verdade e desespero.  

O final é aberto e perfeito.

 Pode desagradar alguns, mas mostra de forma clara como o preconceito e o julgamento se fixa na mente humana.


Trailer


Saturday, May 19, 2012

Filme - O Palhaço


O Palhaço

Selton Mello disse que tirou a idéia do Palhaço a partir de questionamentos sobre seu próprio ofício , sobre sua identidade como artista. 

Não sei que meandros psicológicos, emocionais ou existenciais que ele desbravou  nesta busca, mas, seja como for, acertou em cheio.

O filme é fantástico.

Mesmo que, a princípio, encaremos com um certo cinismo a fila de clichês e cenas piegas  - afinal a idéia de palhaço triste é mais velha que andar pra frente - , não há como resistir à delicadeza, respeito e segurança com que o diretor  constrói sua história.


O Palhaço mostra  as andanças da troupe  chamada “O Circo Esperança” que viaja pelo interior do Brasil exibindo espetáculos para platéias cada vez mais vazias, porém encantadas.  Pangaré (Selton) e Puro Sangue (Paulo Jose) – pai e filho no filme - fazem a dupla de palhaços que alegram os shows.


Se em cena eles demonstram uma harmonia perfeita, fora logo se vê que Benjamin (nome “real” do personagem de Selton) enfrenta forte crise a  respeito das  suas  responsabilidades e desejos,   de seu papel  diante de si e dos outros.  Isto o leva, a certa altura,  a tomar uma decisão que o transforma e o conduz  a encontrar o sentido da sua vida.

Mas reduzir o filme a isto  - o que não é pouco – é pouco. Na verdade a galeria de personagens é riquíssima e poderia ser mais explorada revelando mais sobre a vida de alguns deles ( talvez se isto acontecesse acredito que o filme poderia se perder em histórias paralelas, sei lá )  De qualquer forma o que se vê na tela é um hino a condição humana no que ela tem de melhor (amizade, amor, respeito, desapego, honestidade).

O elenco é um assunto à parte. É verdadeiramentee emocionante ver em cena alguns atores em participações  mínimas porém definitivamente marcantes. Para  mim assistir Moacir Franco, Ferrugem e Jorge Loredo foi quase como uma catarse afetiva que ficou com um gosto de quero muito mais.  Outro destaque absoluto é Paulo José. Meu Deus, que ator !  Nada menos que soberbo.

E qual o resultado de tudo isto ? Lágrimas e mais lágrimas. Me lavei chorando. O filme transborda emoção.

Não consegui resistir a história boba e simples,  porém universal,  que fala diretamente ao coração de cada um.