Infelizmente o Assemblage 23 é pouco conhecido no Brasil.
A não ser as tribos que curtem Industrial Music, Eletronic Body Music, e outras vertentes mais pesadas da música eletrônica, a banda é uma notória desconhecida do grande público.
Ok.
Baseada em Seattle (EUA) , o Assemblage 23 foi fundada em 1988 pelo Tom Shear, um carecão que passa uma imagem de atormentado nas suas músicas (mas ele também tem uns insights geniais em algumas letras) .
Anyway, sendo pose ou não toda a angústia do cara , o que importa é que eu curto um monte o som da banda.
E isto me levou a criar um clipe para a música Damaged (reproduzido abaixo) e um Mix de Musicas para Correr apenas com canções do cara (exceto o início e o final).
Dias atrás estava assistindo um episódio da sensacional série Mad Men (que está na sua derradeira temporada), onde a hiper-super-mega gostosa Joan (Christina Hendricks) vai com sua irmã numa balada onde as boas acabam ficando com um bofes.
Até ai, tudo bem. O lance é que na tal da boate tá tocando uma música que eu não conhecia e que me deixou de queixo caído.
Christina Hendricks - super gostosa
Gamei de imediato.
Depois que o episódio terminou fui para o Google pesquisar e descobri que tal música era "Bonnie and Clyde" uma composição do Serge Gainsbourg na qual ele divide os vocais com nada mais nada menos que Brigitte Bardot.
Tá certo que ela, depois de "velha" se tornou um fora da casa total, com declarações e comportamentos bizarros. Mas, vamos concordar que ela é um ícone de beleza e sensualidade eternas.
Então o que fiz ? Baixei e legendei o clip.
Musicão !
Cena do Mad Men onde a hiper gostosa Joan está na boate e a música toca
A letra é toda fragmentada com imagens fortíssimas.
Na época (ainda meio que dentro da ditadura militar), foi um choque ouvir um discurso tão seco e direto, gritado pela Olivia.
Pirei total.
Segue abaixo a letra e um vídeo que achei no YouTube com a musica.
As imagens do vídeo são bem, digamos, variadas.
Beatles, Salvador Allende, Clube da Esquina, Caetano, Rita Lee, Helio Oiticica (Marginália), Kubrick, Hair, Truffaut, Polanski, Secos e Molhador, Rock Horror Show, etc, etc… (uma super salada!),
Mas o resultado é tri bom.
Luz do Tango (Geraldo Carneiro e Astor Piazzolla)
o cravo a crise o crime nas barbas da polícia a malícia a miss a missa o dia dos mortos o luxo o lustre a luz negra do Hotel da lua a lua nua e crua
o carnaval a corda o coelho na cartola o cuba libre o gosto da chacina o sinal a sina o sangue na anágua n'água n'água n'água n'água
a lira o franco o marco a bolsa abriu em baixa o berço o barco o barão na corda bamba a muamba o banquete do mendigo a ruiva rumba a ruiva rumba
a trama a chama o drama a desgraça da família o karma a ilha a trombeta de arcanjo o apocalipse não é o fim do mundo o rum o rock o rádio a cama
o sacramento extremo o mal de sete pecados os sete lados do conto do vigário o terceiro páreo o trato com o demo o demo o demo
a fome a forca o frio a falência do cinema o poder a pena o cheiro da morena a viúva a uva as estrelas do passado a farsa o furto o foxe o fado
canto secreto o cego cantava na viola o sequestro o sestro o bolero na vitrola o terceiro mundo no fundo quer é reco reco a porta o pau o prego
o fogo o jogo o giro o rastro do vampiro o traço o tiro o programa de auditório o circo a sanha o sal não fica sem troco
o cravo a crise o crime a desgraça da família o luxo o lustre a luz do dia dos mortos o peixe a porta o pau não fica sem troco o troco
a fome o fogo o frio o banquete do mendigo a muamba o mambo nas barbas da polícia a marca a mãe o mal não fica sem troco
Acredito que o filme que mais vezes eu vi na minha vida foi o “Hedwig and the Angry Inch”, do John Cameron Mitchell”, que conta a história bizarra de uma bee que, ao fazer uma operação para mudança de sexo (para poder escapar do Muro de Berlim durante a Guerra Fria), acaba por deformar seu sexo e torna-se algo que não é homem nem mulher.
Depois disto, ela/ele se torna uma espécie de rock star maldito nos EUA, local onde transcorrem todas as peripécias do filme.
Assisti “Hedwig” não sei quantas vezes pois decidi legendá-lo do início ao fim. Foi uma tarefa hercúlea, estafante, mas o resultado valeu pois na época não existia o DVD em português.
“Hedwig” é um musical poderoso, com direito a rocks pesados e baladas doces, além de ser um bela reflexão sobre gênero, identidade, crescimento e maturidade.
Na nossa viagem (eu e o Lu) pelas rodovias de Portugal, uma das músicas que escutamos foi “The Origin of Love”, uma das melhores do filme.
“Origin of love” (inspirada pelo “Simpósio de Platão” - especialmente o discurso de Aristófanes, reproduzido no final do post ) trata da consagrada idéia da “procura pela outra metade”.
Aqui a explicação é de que antigamente os humanos tinham a forma de um corpo com duas cabeças.
Uma espécie de siamês que era uno, intregrado, completo.
Estes seres tinham três sexos : dois homens, duas mulheres e a mistura de ambos.
Quando os deuses ficaram indignados com a independencia destes gigantes, decidiram cortá-los em dois e separar as metades de cada um pelo mundo (através de uma tempestade).
Desde então os humanos vagam pela terra em busca do seu complemento, da sua outra metade (que se chama Amor).
Segue abaixo o clipe com imagens da nossa trip entre Evora e Lisboa, com a “Origem do Amor” devidamente legendada em portugues.
- Da boca de Aristófanes surge um mito que considero muito interessante. Inicialmente existiam três sexos - o masculino, o feminino e um caracterizado pela junção dos dois anteriores, com duas cabeças, quatro braços, quatro pernas, etc - o último dos quais tinha capacidades muito superiores aos outros dois, sendo até capaz de desafiar os deuses. Então, estes decidiram separá-lo em dois, levando à configuração humana actual (e não temeriam voltar a fazê-lo caso continuassem a existir problemas, ficando os seres humanos a saltitar, providos de uma única perna). Assim, um dos objectivos humanos seria o de encontrar essa segunda parte de nós mesmos, de que fomos separados pelos deuses.
Curta metragem de Pascal Szidon
– O Discurso de Aristófanes (legendado em portugues )
Aproveitando o Natal, to postando um clipe que legendeihá muito tempo e que fala sobre o que seria o
verdadeiro espírito natalino, ou seja, um momento onde as diferenças, ódios,
inimizades e coisas do tipo são esquecidas em nome de uma coisa maior que
seria a confraternização e o encontro entre as pessoas.
No caso é um clipe da banda The Farm , com seu grande hit "All Together Now", que fala sobre um
acontecimento que ocorreu em 1914 na primeira grande guerra mudial, exatamente numa noite de natal.
A música é tão boa que já foi utilizada com os mais variados objetivos.
Segue abaixo o comentário do Silvio Pilau, publicado no siste
Cineplayers :
A filmografia relacionada às duas grandes guerras do século passado gira,
normalmente, dentro de um padrão. Na imensa maioria dos títulos, mostra-se
homens de um dos lados da batalha sofrendo as conseqüências – físicas e
psicológicas – provenientes do cenário de barbárie. Feliz Natal,
produção indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006, investe em uma
abordagem diferente, aproveitando-se de uma fantástica história real acontecida
nas trincheiras, no Natal de 1914.
Em algum lugar da França durante a Primeira Guerra Mundial, franceses e
escoceses tentavam impedir o avanço do exército alemão. Em meio à batalha, os
soldados dos três exércitos encontraram momentos para celebrar o Natal. No lado
escocês, um padre chamado Palmer iniciou uma cantoria de músicas típicas com
seus homens. A resposta alemã foi à altura, com o tenor – agora soldado –
Sprink cantando músicas natalinas. Em pouco tempo, os comandantes dos três
exércitos acordaram um cessar-fogo para a noite de Natal, promovendo a
confraternização entre os soldados.
Feliz Natal ( Merry
Christmas / Joyeux Noël)
Escrito e dirigido pelo francês Christian Carion, Feliz Natal é uma história
edificante sobre o melhor lado da natureza humana. É extraordinário – e, a
certo ponto, reconfortante – saber que os fatos descritos no filme aconteceram
de fato em não apenas uma, mas em diversos locais dos campos de batalha naquela
noite. Mais do que uma produção anti-belicisita, Feliz Natal é uma obra
universal, capaz de atingir a todos por sua mensagem de esperança e
solidariedade.
Filmado por Carion com apurado senso estético na construção de seus quadros
(tarefa no qual o cineasta é bem auxiliado pela bela fotografia), o filme
começa de maneira inteligente, estabelecendo um interessante contraponto a tudo
aquilo que o espectador assistirá em seguida. Logo na primeira cena, Carion
realiza uma montagem com três crianças – uma francesa, uma escocesa e uma alemã
– em sala de aula, destacando a forma como aprendem a cultivar o ódio pelo
“inimigo” desde a infância.
Escrevi inimigo entre aspas de propósito, pois, como os próprios soldados
descobrirão mais tarde, não há nada de monstruoso no homem vestindo o outro
uniforme. E esta é a grande força de Feliz Natal. Após um início com ritmo
claudicante, o filme atinge seus melhores momentos nas cenas de camaradagem
entre os exércitos opostos, quando os soldados mostram fotos das esposas, jogam
cartas e até promovem uma partida de futebol.
Feliz Natal ( Merry
Christmas / Joyeux Noël)
É fascinante acompanhar essa demonstração única de humanidade. Neste
sentido, Carion acerta ao não interferir demais ou tornar as cenas forçosamente
dramáticas, deixando a força da história falar por si. Cenas como a da missa,
na qual homens que deviam estar tirando as vidas uns dos outros sentam-se lado
a lado para ouvir uma canção, não necessitam de artifícios dramáticos para
emocionar. O espectador sente-se tocado pela simples compreensão de que aquilo
realmente aconteceu, de que tais instantes de generosidade foram encontrados em
meio à selvageria.
Como resultado, os soldados vêem-se em dilemas nos quais não haviam entrado
até então. Como continuar a guerra após descobrir que o inimigo é igual? Como
prosseguir matando quando se tem a noção de que não existem monstros do outro
lado, mas seres humanos com desejos e sonhos? E, talvez até mais importante,
com o mesmo medo da guerra e igual saudade de casa? São estas questões que
levam o comandante francês responder a um superior quando é confrontado sobre a
atitude de sua tropa: “Morrer amanhã é ainda mais absurdo que ontem”.
Feliz Natal ( Merry
Christmas / Joyeux Noël)
Mesmo com esta mensagem bem transmitida, Carion não consegue evitar alguns
deslizes em Feliz Natal. Além do já mencionado início arrastado, a construção
dos personagens é falha. Os poucos aos quais o espectador chega a conhecer
jamais são desenvolvidos satisfatoriamente, mantendo-se apenas na descrição
estereotipada em filmes de guerra: o soldado que lembra da esposa, o que cogita
a deserção, o que escreve as cartas para a família, para citar alguns.
Em outras palavras, o que realmente emociona é a grandiosidade do
acontecimento e da atitude de todos aqueles homens e não a história pessoal de
alguns deles. Talvez tenha sido a opção de Carion, mas falta uma maior conexão
com os personagens para deixar o filme mais poderoso. Para se ter uma idéia, é
até difícil lembrar os nomes dos soldados pouco tempo após o término da
produção.
Ainda assim, Feliz Natal continua uma história emocionante e incrível,
contada com habilidade por Christian Carion. Bem dirigido e interpretado, o
filme merece ser visto por sua mensagem de alento e esperança. Mesmo nos momentos
mais difíceis, basta um pouco de boa vontade para que o ser humano consiga
encontrar seu lado bom. Como fizeram estes homens naquela fria noite de Natal.